segunda-feira, 4 de julho de 2016

O que um Buda deseja é não retornar, porque retornar é que é a condenação


Pergunta: Mas, Monge Genshô, há uma coisa maravilhosa nessa ilusão que nós tentamos reproduzir no computador e não conseguimos. No computador temos joguinhos em um mundo virtual que é bem mais fácil e menos complexo que este em que vivemos. Criar um jogo desses é dificílimo, mas esse nosso aqui é ainda mais difícil, ainda mais maravilhoso. Então pergunto: esse não nascido, essa natureza fundamental ganha algo por estar aqui? Ela evolui com isso? Por que está aqui? Tem um evolução nesse processo?
Monge Genshô:
Só está aqui, porque nós estamos aqui para perguntar. Só isto. Nós estamos aqui para perguntar por que ela está aqui e por isto ela está aqui. Na verdade não tem propósito nenhum. Isto é só a vida se manifestando, não somos nós que vivemos a vida, a vida é que nos vive. Se procurarmos um sentido para isso nós não vamos achar, porque na realidade isto é perturbação. No fundo só há o puro céu azul, o oceano e o universo. O resto todo que nos parece tão precioso, tão elaborado, tão jogável, tem a mesma consistência dos redemoinhos e quando acaba o calor ele desaparece. O que um Buda deseja é não retornar, porque retornar é que é a condenação. Nós pensamos em ser, viver, amar e não vemos como isso tudo é uma condenação, porque não lembramos. Se cada um de nós lembrasse 500 vidas ficaria arrasado. Quantos sofrimentos tivemos, quantas mortes, quantas perdas, quantos filhos, quantos pais, mães, etc. Seria insuportável lembrar de tudo. Para muitas pessoas a memória desta vida já é insuportável. Eu já gostaria de me livrar de tantas memórias. Então, este movimento, este redemoinho e o próprio manifestar-se é o contrário da iluminação. A iluminação é a extinção da energia do carma que nos força a nos manifestar. (continua)