sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O Elo Entre as Doutrinas Religiosas (Parte 01)



Pergunta: O budismo é anterior à escrita da bíblia?



Monge Genshô: o budismo é cerca de 500 anos anterior a Cristo, mas ele não é anterior aos primeiros livros bíblicos. Outro fato que deve ser levado em consideração é que, embora os livros bíblicos tenham sido consolidados em determinada época, as tradições são anteriores. Muitas histórias que aparecem na bíblia, por exemplo a história de Noé, pode ser encontrada como a história de Gilgamesh, contada por caracteres cuneiformes na Babilônia, cerca de 1.000 anos antes. A história é a mesma, de modo que, na realidade, essas lendas se interpenetram. A parábola do filho pródigo, que consta nos evangelhos que foram escritos mais ou menos uns 100 anos após Cristo, aparece no Sutra de Lótus, que é um texto budista, anterior à escrita dos evangelhos.


Acontece que historicamente há muito contato entre essas civilizações. Nós temos a rota da seda, que comercializava a esse produto desde a China até o ocidente, e que atravessava toda a Ásia. Se você tem comerciantes indo e voltando, se você tem batalhas e conquistas, naturalmente há contato entre as civilizações. Muitas vezes eu já me referi à questão da estatuária grega, que influenciou a estatuária budista, e isso só surgiu pelo contato com os gregos, 300 anos antes de Cristo, através da invasão grega na Índia. Isso não é pouco contato, é muito contato. 

(Continua)

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Os Donos da Verdade



Aluno: nesse contexto de tolerância, existe também a questão de achar que o meu ponto de vista e o do meu grupo é o certo, e o do outro é errado.

Monge Genshô: isso vem das etiquetas. Quando você etiqueta, rotula, e diz que existe o certo, naturalmente existe o errado. O que acontece quando as pessoas dizem: "só eu estou certo, todos os outros estão errados"? Presenciamos nos dias de hoje outras mil religiões no mundo, e todas se proclamam certas. Por isso existe aquela brincadeira: “há mil religiões e a sua é a certa? Que sorte que você tem, não?”. 

Quão cheio de sorte seria aquele nascido na religião certa, na verdade. Os outros todos estão enganados ou são mentirosos. Um absurdo lógico! Por isso dizemos que o Zen não detém “a verdade”.