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sábado, 30 de abril de 2011

Epístola cristã



Nesta entrevista de Eliane Brum, um exemplo do que é uma bodisatva atuando neste mundo, um texto imperdível sobre uma pessoa rara, tão intenso que é difícil de ler sem se emocionar: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI228050-15230,00.html

Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:


1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor,
seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a
ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes,
e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda
que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me
aproveitaria.
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria,
não se ensoberbece,
5 não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se
irrita, não suspeita mal;
6 não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;
7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas,
cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem,
acabei com as coisas de menino.
12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face;
agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou
plenamente conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior
destes é o amor.

Gasshô
Rosana.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O budismo crê em reencarnação?


"A reencarnação no Buddhismo, quando é mencionada por alguns, é apenas
uma crença popular e exterior, apropriada para aqueles que só conseguem fazer o bem se acreditando em um proveito próprio. "Eu faço isto para receber os frutos amanhã ou em outra vida". É uma crença popular, sustentada seja por orientais que desconhecem qualquer coisa mais profunda de sua tradição, seja por ocidentais iniciantes. É semelhante àqueles cristãos que acreditam que Deus é, realmente, um homem velho e barbudo sentado em um trono de madeira pousado nas nuvens. A idéia ocidental da reencarnação, ou seja, a de que uma alma ou "espírito" imutável ocupa
diferentes corpos humanos indefinidamente, nem mesmo existe no Buddhismo (lembremos seu ensinamento fundamental sobre o não-eu), sendo fruto das concepções espíritas surgidas no fim do século XIX.

O que o Buddhismo de fato ensina é o renascimento, algo por completo diferente da reencarnação tal como é concebida no Ocidente. No processo de passagem do Buddhismo para o Ocidente entretanto os tradutores e intérpretes ocidentais começaram a fazer uso de suas próprias concepções influenciadas pelo espiritismo para interpretar doutrinas buddhistas, o que teve como resultado um engano que permanece até hoje na mente de alguns que estudam o Buddhismo superficialmente e isto principalmente no Brasil. Como diz o monge Khantipâlo: "Uma sucessão de vidas com uma alma encarnando em uma série de corpos é freqüentemente chamada de reencarnação. No Buddhismo, o ensinamento referente a este tema é fundamentalmente diferente... Não há re-encarnação no Buddhismo pois não há entidade espiritual imutável; em termos últimos, nenhuma alma pode ser encontrada que possa se
re-encarnar. O Buddhismo não constrói a dicotomia entre um corpo perecível de um lado e uma alma eterna de outro".

Renascimento significa no contexto buddhista a transmissão ou influência das ações intencionais nos seus frutos. Toda ação intencional, para o bem ou para o mal, gera conseqüências. Diz-se, assim, que a ação "renasce" nos seus frutos, ou seja, há uma interdependência entre ações e reações.

O que o Buddhismo ensina é que a vida é una e uma só, tomando formas diferentes, mas estreitamente dependentes e ligadas entre si. É uma só vida
que anima tudo. Daí "vida" ser na Bíblia traduzida muitas vezes do latim anima que significa "alma". Esta única vida ou "alma" assume várias formas, todas elas impermanentes e transitórias, como tudo o que é criado.
Estas formas nascem, morrem, renascem, tornam a nascer e assim por diante. Uma semente também nasce, se desenvolve, se transforma em árvore, que por sua vez morre, mas gera muitas sementes. De certa forma, podemos falar que aquela árvore "renasce" na semente.

Entretanto, nem a árvore e sua semente são a mesma, nem são radicalmente diferentes. Se falamos que são iguais, então, caímos no reencarnacionismo. É o mesmo que dizer que a árvore se "reencarnou" na semente! Que ela é o mesmo "ser" em um outro "corpo". Um completo absurdo. Mas falar que são completamente diferentes entre si é cair no que podemos chamar de ceticismo, agnosticismo ou casuísmo:a
concepção que vê tudo como isolado e independente. É a concepção de que uma vez que
se morre é o fim e pronto! Ou ainda significa falar que tudo acontece por
acaso sem nenhuma ligação anterior.

O Buddhismo poderia falar, pelo contrário, que a "ressurreição" ocorre
quando estas "porções de vida" compreendem que não são isoladas do todo,
mas são expressões de uma única vida. É a Libertação da Ilusão, a Iluminação,
o encontro com o Absoluto.

Isto tem a ver com responsabilidade universal por todas as coisas. O que fazemos aqui se reflete pelos dez cantos do universo. O pecado (ignorância) de um, mancha todo o resto, como uma gota de tinta jogada em uma bacia de água. Mas também a Iluminação de um salva todo o universo, como uma lâmpada que, quando acesa, ilumina todo o quarto escuro."
(continua)

Ricardo Sasaki, "O Caminho Contemplativo"

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Deus e o budismo


Certa vez nos foi perguntado se é possível, na visão buddhista,saber intuitivamente, ou pelos livros sagrados, quem é, e como é Deus.

Existe uma estória no Oriente que fala que o dedo apontando para a lua não é a lua! A Realidade Suprema é "suprema", porque não tem igual e nem pode ser medida. Assim, quando falamos "dela", não é "dela" que estamos falando, pois palavras são limitações e com limitações não podemos falar do que é ilimitado por natureza. Qualquer nome que dermos a esta "Realidade" é apenas uma meia verdade, pois quando afirmamos algo, imediatamente negamos tudo aquilo que não foi afirmado inicialmente. Como disse no século VI o Pseudo-Dionísio: "Deus não é nem Uno, nem unidade, nem divindade, nem bondade, nem espírito, no sentido que damos a essas palavras; não é filho, nem pai, nem nada mais do que nós próprios ou qualquer outro
poderíamos conhecer". É por isto que o Buddhismo não fala de Deus, nem tenta muito enfaticamente nomear esta "Realidade". É o que o Cristianismo chama de Teologia apofática: a afirmação do Sagrado através de negações (do grego apophasis, negação). Mestre Eckhart diz que Deus deve ser amado como "... não-Deus, não-Espírito, não-pessoa, não-imagem, mas apenas amado como Ele é, um puro e simples absoluto, destituído de toda a dualidade e no qual devemos eternamente afundar de vacuidade em vacuidade".

Sendo assim, procurar compreender a totalidade desta "Realidade" através da razão é, no Buddhismo, como tentar segurar o rio Amazonas com uma peneira. A razão é limitada! Livros, estudos, rituais ou qualquer técnica são apenas dedos apontando para a lua. São sinais. Achar que instrumentos limitados podem levar ao Ilimitado é como subir em um sinal de trânsito esperando que ele nos leve até outra cidade. Eles apenas apontam para lá!
Daí o Pseudo-Dionísio afirmar: "O mistério que está para além do próprio Deus, o inefável, o que tudo nomeia, a afirmação total, a negação total, o para além de toda a afirmação e de toda a negação".

Neste mundo da linguagem humana, tudo tem dois lados. A "Realidade " pode ser vista sob o aspecto pessoal e sob o aspecto impessoal. O Buddhismo tem a tendência a enfatizar este último. Ele também enfatiza seu aspecto interior, mais do que o exterior. Mas isto sem nunca esquecer que sempre há os dois lados. Assim como no Cristianismo também se fala, algumas vezes, de Deus como uma realidade interior ("O Reino de Deus está dentro de vós") e impessoal (a "Divindade" de Mestre Eckhart), também no Buddhismo se falará, por vezes, da "Realidade Última" enquanto pessoal e exterior, como no caso dos diversos Buddhas e Bodhisattvas sempre presentes em todas as direções do universo, sempre prontos para ajudar os seres sencientes.

Podemos dizer que, enquanto o homem estiver em contato com o Dhamma (que é como o Buddhismo chama esta "Realidade Última") ele não está só.
Dhamma significa "Aquilo que suporta, que sustenta". Fundamentalmente,todos
os seres estão ligados entre si e dependem de todos.

A definição da "Realidade Suprema" é uma noção que geralmente tende a
separar o Cristianismo do Buddhismo. A questão é menos de contradições intransponíveis que de compreensão mais profunda dos termos envolvidos.
Outra das dificuldades entre cristãos e buddhistas tem sido o conceito de reencarnação. Infelizmente, isto que parece separar estas duas grandes religiões, não passa de um grande erro, pois, ao contrário do que muitos pensam, o Buddhismo não tem uma doutrina reencarnacionista, pelo menos não quando interpretado corretamente.
(continua)

Ricardo Sasaki "O Caminho Comtemplativo"

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sesshin de outono - Reserva Passarin



Clique na imagem para ampliar.

Há apenas 16 vagas para este sesshin, 8 já foram reservadas.
Fotos do retiro do ano passado neste local aqui

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Canção do Despertar


CANÇÃO DO DESPERTAR

(canção que Chagdud Rimpoche cantava todas as manhãs)


"Uh oh! Não durmas agora, ser afortunado.

Desperta com diligência.

De tempos sem princípio até agora tens dormido em ignorância.

Agora é o momento de deixar o sono para trás e alcançar a virtude,

com corpo, fala e mente.

Não te lembras da doença, velhice e morte?

Todo sofrimento além da conta e além da medida?

Esqueceste?

Quem sabe se terás o dia inteiro?

Agora é o momento de praticar com diligência.

Ainda tens esta oportunidade de gerar benefício duradouro,

então, por que desperdiçá-la por preguiça?

Se realmente contemplares a impermanência,

consumarás a tua prática rapidamente.

Quando a hora da tua morte chegar, estarás confiante.

Com a tua prática consumada,

não terás nenhum arrependimento.

Sem esta confiança,

qual terá sido o propósito da tua vida?

A natureza de todos os fenômenos é vazia e sem identidade,

como a lua refletida na água, uma bolha,

uma alucinação, uma emanação, uma ilusão,

uma miragem, um sonho, uma imagem no espelho, um eco.

Todo o samsara,

todo o nirvana

é assim.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O guia para a harmonia, a iluminação


Cerimônia do Chá na Comunidade Zen Budista de Florianópolis, Hanamatsuri 2011

Extratos de um texto de Monja Isshin sobre a harmonia:

"O Japão é um país onde se valoriza a “harmonia” acima de tudo. Todos os outros valores sociais e morais são secundários a esse valor. Portanto, é um país de “harmonia a qualquer custo”. Conseqüentemente, a história japonesa está cheia de relatos de casos onde a única saída que sobrava para uma pessoa “manter sua dignidade” e “provar a sua razão” era o “harakiri”, o suicídio ritual de cortar a barriga, pois, em nome da “harmonia”, não havia outra forma de ter uma relativa “justiça”. Eu demorei para compreender a função do “harakiri” e, quando finalmente passei a entender – mesmo um pouquinho – fiquei muito comovida. Não estou criticando aquela cultura, de jeito nenhum, pois me apaixonei pelo Japão e sua cultura – mas também reconheço que é uma cultura quase totalmente “estranha” para mim.

Os Estados Unidos, o meu país de nascimento, são um país onde talvez a “justiça” seja, junto com a “liberdade”, o valor principal. A defesa dos direitos (humanos, dos grupos étnicos, de gênero, etc. etc.) serve de exemplo desta valorização da “justiça”. Valores como “harmonia” passam a ter um valor secundário. Em certos momentos até parece que os americanos seguem um estilo aparentemente “agressivo” de se relacionar, com toda uma estrutura social “confrontativa”, de constantes debates, de sempre ouvir “um outro lado” – tudo em nome da “justiça”. O lado negativo disto vem a ser uma tendência dos Estados Unidos de querer se impor, achando-se do lado da “justiça”, defensor da “justiça”.
.......
O que isto significa para nós, na hora de criar a nossa Sanga Brasileira? Qual o valor supremo: “harmonia” ou “justiça” – ou será que podemos transcender esta dualidade e descobrir como o próprio Buda cuidava do assunto?

Talvez possamos ter a “Iluminação” como o nosso valor supremo. Talvez possamos imaginar um paralelo pensando na “harmonia” como uma expressão mundana do desejo da manifestação da Compaixão e na “justiça” como uma expressão mundana do desejo da manifestação da Sabedoria. E a Iluminação seria, neste caso, o equilíbrio entre a “harmonia” (Compaixão) e a “justiça” (Sabedoria).

E como podemos alcançar a “Iluminação”? A prática Budista verdadeira leva, naturalmente e inexoravelmente, à Iluminação – mesmo que isto possa levar “milhares de vidas”.

.........
Mesmo que os ensinamentos Zen falem de praticar “sem objetivos” e “sem metas”, por favor, tome cuidado para não cair na armadilha das más interpretações. Você precisa ter uma “direção” na sua prática, senão a sua prática ficará “desnorteada” e sem rumo, confusa. Não irá a lugar algum.

Assim, acredito que temos que “nortear” a nossa prática em “direção” à Iluminação (equilíbrio da Sabedoria e Compaixão). Existe a prática verdadeira, correta, que leva à auto-transformação e libertação das ilusões, e existe a prática falsa, errônea, de auto-ilusão. Se você não está crescendo em Sabedoria e Compaixão, a sua prática não será uma prática correta.

..............

A presença de uma Sanga correta e um Professor de Dharma (sensei) passam a ser imprescindíveis, pois a prática solitária ou com uma sanga “de cegos guiando cegos” não nos protege contra as armadilhas do Caminho.

Que possamos criar uma Sanga Brasileira forte e saudável, de praticantes caminhando em direção à Iluminação, cheios de Sabedoria e Compaixão! Que cada um de nós possa mergulhar na essência do Ser, descobrindo e manifestando sua Natureza Buda e que possamos juntos nos tornar o Caminho Iluminado.

Monja Isshin

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Zazenkai em Brasília



Na foto participantes do zazenkai de Brasília no fim de semana passado. À frente a monja noviça Sodô San e o Monge Genshô, atrás Felipe e Verônica. Com zazen cerimônias e palestras, a comunidade zen do planalto teve a primeira visita de seu professor.

Mesa redonda em Florianópolis na UFSC


Altar em Brasília na Comunidade ZenBuddhista ZenPlanalto
comunidadezenplanalto@yahoo.com.br
(61)9641.1818


Mesa Redonda: Um olhar para dentro: A contribuição Asiática para o Mundo Contemporâneo
Moderador
Alexandre Vieira

Palestrantes:
Lama Padma Samten
Professor João Lupi
Rev. Monge Gensho
Professor Rev. Joaquim Monteiro

Debatedores
Núcleo de Estudos Orientais - UFSC

Local: Auditório da Reitoria da UFSC - Florianópolis
Data: 30 de maio de 2011
Horário: 10h às 12h
ENTRADA FRANCA

terça-feira, 19 de abril de 2011

Professor do Dharma Ricardo Sasaki em Florianópolis



Ontem o Prof do Dharma Ricardo Sasaki, um líder da escola Theravada reconhecido internacionalmente, autor de vários livros sobre o budismo, tradutor e editor de outros tantos disponíveis na loja da comunidade, esteve nos visitando e brindando com uma exposição sobre o budismo como sempre claro e simples em sua linguagem de expositor profundo.
Mais fotos e parte da palestra disponíveis aqui
Seu blog Folhas do Caminho tem link ao lado.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Budismo - Religião ou Filosofia ?


Compreendendo Melhor o Ensinamento do Buddha
Buddhismo é uma religião ou uma filosofia? Essa é uma pergunta que freqüentemente se escuta. Se por "religião" entendermos um conjunto de dogmas e "verdades" já prontas que devem ser cega e inquestionavelmente observadas e acreditadas, então, o Buddhismo não é uma religião.

Ou, se entendermos religião como um conjunto de rituais, cerimônias e cultos, assim também o Buddhismo não é religião. Por outro lado, se por "filosofia" entendermos a atividade da razão e lógica humanas, ou o estudo do produto desta atividade "racional", então, ele não é uma filosofia.

O Buddhismo é o fruto de uma percepção superior e aprofundada da realidade, percebida e experimentada por sábios do passado, seguida e confirmada por experiência própria por outros sábios que os seguiram, e confirmável também, por experiência própria, por todos aqueles que se disponham a seguir alguns dos caminhos por ele apontados com o genuíno amor pelo saber superior (filo-sofia) e com o sincero anseio por religar-se consigo mesmo e com o fundamento último de toda a natureza (religião vem do latim religare). Somente neste sentido podemos falar que é uma religião e uma filosofia.

A partir disto podemos seguir para a pergunta seguinte: qual o propósito do Buddhismo? Podemos responder a partir de vários níveis. Falando do objetivo mais alto, podemos dizer que é a Iluminação e a Libertação. Estas duas palavras são como irmãs no Buddhismo.

Iluminação é a visão clara da realidade ou de sua essência. É a realidade interior de cada um de nós, como também a realidade externa na medida em que nos relacionamos com ela. Não significa conhecer "tudo" em um sentido quantitativo. Por exemplo, saber o número de galáxias no espaço ou o nome de todos os órgãos e conjuntos musculares do corpo humano, não é "saber" para o Buddhismo, mas mero acúmulo de informações. Interessa,aqui, a qualidade. O que é de fato essencial ou fundamental para a vida, desde a vida cotidiana até as suas dimensões mais profundas.

O Caminho Contemplativo
Prof. Ricardo Sasaki

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A mudança do mundo


Palestra sobre o zen para a turma de naturologia na Unisul, Florianópolis

P: Sinto-me desanimado em um mundo com tanta maldade...

R: É muito importante dar-se conta que absolutamente todas as pessoas agem conduzidas por suas marcas cármicas, não há culpados realmente, mas vítimas, se entendermos isto poderemos perdoar a todos.
Mais profundamente ainda, este mundo é como é porque nós o construímos com nosso olhar, então somos nós os criadores de tudo que ocorre, para nos libertarmos disto é que precisamos praticar, a prática muda os nossos olhos e o universo inteiro muda simultaneamente.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Como foi o Hanamatsuri



Hanamatsuri - A Festa das Flores

A exemplo de outras capitais brasileiras, que tem a presença de uma colônia japonesa, Florianópolis terá agora o evento turístico chamado Hanamatsuri, uma festa em que se comemora o nascimento de Buda e que enche um local com uma feira de artes e acontecimentos culturais, que foram se acumulando pelos séculos, e que hoje fazem parte da vida de muitos brasileiros.
O Templo DaissenJi, localizado sobre o restaurante Daissen, na Praça Getúlio Vargas, conhecida como Praça dos Bombeiros, juntamente com a colaboração da Associação Nipo Catarinense, desencadeou um acontecimento, que ocorreu dia 9 de abril, sábado durante todo o dia e que tem tudo para integrar permanentemente o calendário turístico da cidade.
Simultâneamente as pessoas que vieram ao Hanamatsuri tiveram a oportunidade de descobrir que o fundador do budismo, não é representado por um senhor gordo e risonho, encontrado em muitas lojas e que erroneamente é chamado de "Buda" , podem descobrir que esta imagem popular é de uma espécie de papai noel oriental, que distribui doces às crianças, chamado de Po Tai na China e de Ho Tei no Japão.
O verdadeiro Buda Shakyamuni, mestre criador do budismo, apareceu então com sua representação tradicional, compleição esguia, sentado em meditação, com a aparência da mais perfeita tranquilidade e paz, não um profeta, ou deus, ou um salvador, mas um homem que despertou das ilusões, avesso à crenças, insistiu que os homens podem acordar de seu sonho por seus próprios meios, e ele era apenas um mestre, desejando indicar o caminho da libertação.
Passeando na praça em meio aos numerosos estandes das mais diversas artes, crianças e adultos puderam ver como se forja uma espada japonesa, como se dobram origamis e seus pássaros da paz feitos em papel dobrado, puderam faze-los e envia-los com bons desejos às vítimas do terremoto japonês, tiveram a oportunidade de aprender sobre a cerimônia do chá, ou comer susshis na hora do almoço, ouvir demonstrações de Taiko, a orquestra de tambores, ou ver as antigas artes marciais orientais sendo demonstradas, em meio ao entusiasmo da juventude fantasiada dos Animês.
Uma festa de cores e cultura, com aspectos de coisas já profundamente integradas aos hábitos brasileiros, às vêzes sem que sequer saibamos a sua origem, é que 6535 anos atrás nasceu um homem que mudou a história de grande parte da humanidade criando uma religião que pode ter sido vítima de guerras, mas que jamais promoveu nenhuma.

Monge Genshô

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sem notícias de Moriyama Roshi


Moriyama Roshi em sesshin de Florianópolis em 2004

"Desde 18 de fevereiro de 2011, ninguém no Japão, na América do Sul e do Norte ou na Europa teve qualquer notícia de nosso mestre e fundador Moriyama Roshi. Como após o tsunami no Japão o silêncio persistiu, nós, do Via Zen, entramos em contato com Joshin Sensei, sua discípula e herdeira, na França, solicitando orientação sobre como conduzir o tema, visto que muitas pessoas tem nos contatado pedindo notícias.

Ocorre que as últimas notícias que tivemos de Moriyama Roshi, em fevereiro, eram de que ele estava se recuperando de sua saúde (dores na coluna lombar) e visitando seus alunos.

Após seu desaparecimento, em 18 de fevereiro, seus discípulos no Japão, estiveram procurando notícias entre as pessoas que o conheciam naquele país, mas não tiveram sucesso. Entretanto, com o desastre que ocorreu no Japão a preocupação aumentou. Além disso, Moriyama Roshi deveria celebrar uma grande cerimônia perto de Tokio no final de março, mas não compareceu.

Agora, uma busca oficial foi iniciada. Ainda não há resultado, no entanto informaremos assim que haja uma resposta oficial.

Com isso, sua discípula e herdeira do Darma, Joshin Sensei, está sugerindo uma comemoração de um dia, em todos os lugares onde o Roshi ensinou. Será em 21 de maio de 2011, ...................

Desde já agradecemos a todos que nos escreveram ou telefonaram pedindo notícias.

Em Gassho,
Sanga do Via Zen. ( Porto Alegre)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Hanamatsuri Florianópolis - Uma realização coletiva


Orquestra da Fundação F. Cascaes toca na Praça em frente ao Templo DaissenJi no Hanmatsuri


Lama Yeshe, do budismo tibetano, homenageia o Buda durante o Hanamatsuri.


Grupo de Taiko, Shimadaiko, se apresenta no Hanamatsuri

A realização do Primeiro Hanamatsuri de Florianópolis foi surpreendente. Apenas lançada uma idéia, com a colaboração inestimável da Associação Nipo Catarinense, e o esforço conjunto de tantas pessoas que não se pode nomear sem cometer injustiças, começaram a surgir forças que redundaram na passagem de milhares de pessoas ao longo do dia, todas as previsões foram superadas, como exemplo todas as biografias de Buda foram vendidas no estande da Comunidade. No próximo ano repetiremos e assim, esta festa, a exemplo de outras cidades, entrará no calendário turístico de Florianópolis.

Uma reportagem fotográfica aqui

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ninguém pensa em si primeiro...


Denshô San, com roupa de trabalho no mosteiro de YokoJi em 2010.

Carta de meu querido amigo Monge Denshô, após sua dramática experiência no terremoto do Japão:

Queridos amigos y amigas,

Me encuentro de regreso en Colombia y quiero manifestar mi profundo agradecimiento por todos los mensajes de solidaridad y de preocupación a raíz los trágicos acontecimientos durante mi viaje a Japón. Me gustaría compartir las siguientes palabras de reflexión.

El día 11 de marzo alrededor de las dos de la tarde me encontraba en el aeropuerto de Narita abordando un avión con destino a Fukuoka cuando la tierra se sacudió con violencia durante más de dos minutos produciendo las consecuencias catastróficas que ya todos conocen. Inmediatamente se cancelaron todos los accesos y salidas por tierra y por aire. Esa noche, más de tres mil personas tuvimos que pernoctar en el aeropuerto, durmiendo en el piso, en los sacos de dormir suministrados por las autoridades del aeropuerto y con las mantas proporcionadas por las aerolíneas. Nadie sabía que iba a suceder. Como no podía dormir por las espeluznantes noticias que pasaban en una pantalla gigante y debido a las continuas réplicas del terremoto, reflexioné sobre la terrible experiencia que cientos de miles de personas estaban viviendo en ese momento y lo afortunado que yo había sido, a pesar de la incertidumbre.

Lo que más me sorprendió de esa noche y de lo que pude ver en los días siguientes, fue el impecable comportamiento de la gente. En medio de circunstancias demoledoras, de haber perdido todo y de la incertidumbre por la suerte de sus seres queridos, nadie perdía la compostura, nadie trataba de aprovecharse de los demás ni de las circunstancias para beneficio propio. Por el contrario, todos trataban de ayudarse unos a otros, de sobreponerse a su propia tragedia para trabajar en beneficio de los demás. Siento escalofrío al pensar en lo diferente que han sido estas experiencias en nuestros países; de las consecuencias que todavía se viven después del Katrina, de las aun lamentables condiciones de los habitantes en Haití, de los suministros y de los recursos económicos que nunca llegaron a los damnificados luego de los terremotos de Popayán y Armenia.

No puedo dejar de comparar la conducta ejemplar de los japoneses en este escenario apocalíptico tan aterrador, con el más simple y ordinario comportamiento en un día normal de los ciudadanos en Colombia y en particular en Bogotá. El tratar de “colarse” en cualquier fila para pasar primero que los otros argumentando viveza, la impaciencia, los abusos, la inseguridad, la intolerancia, el irrespeto, la violencia física y verbal, la constante agresividad, los pitos histéricos y ensordecedores, la violación de las reglas elementales de tránsito por no soportar que alguien se pueda adelantar o que un peatón deba atravesar la calle. Qué noble lección la que nos dejan las circunstancias trágicas de este pueblo, en donde a pesar de la magnitud de la adversidad, el bienestar de la colectividad ha primado sobre el beneficio de cualquier individuo.


Durante siglos, Japón se ha nutrido y ha recibido una fuerte influencia del Budismo, lo cual se puede ver reflejado en este comportamiento. Las más grandes enseñanzas que aprendemos en nuestra práctica del zen, es que Todo está interconectado en el Universo y Todo lo que hacemos, desde nuestros actos más elementales, tiene consecuencia sobre nosotros y sobre los demás; que fundamentalmente no existe nada de lo que nos podamos apropiar o aferrar. Sin embargo, aquí seguimos queriendo aprovecharnos de los otros, pensando en que si pasamos por encima de ellos estaremos podemos apoyarnos en su miseria para ascender y obtener mejores condiciones. La envidia, el orgullo y la arrogancia que vemos en nuestros conciudadanos son considerados el budismo como “venenos de la conciencia”. Son los velos que nos impiden ver la realidad de interdependencia y son el origen del sufrimiento que producimos en nuestra propia vida y en la de los demás. Aun no hemos aprendido que el individuo no existe separado de los otros, que uno sólo no puede progresar mientras sus acciones generen sufrimiento en otros seres. Por el contrario, en la medida en que el grupo se crece, el propio individuo se beneficia junto con los demás.

Con nuestra práctica y estudio del zen, podemos modificar el comportamiento de nuestra sociedad. No a través del adoctrinamiento o de la crítica, sino a través de marcar la diferencia con nuestra propia transformación. Si modificamos la manera habitual como nos relacionamos con los demás, como tratamos a los otros, podemos convertirnos en ejemplo para aquellos con los que nos relacionamos. Desde la perspectiva del budismo, la compasión, la tolerancia y la sabiduría son las características que definen esta nueva forma de relacionarnos. A pesar de que muchas personas sin experiencia dicen que el zen no es budismo, que con sólo sentarse a mirar una pared calentando un cojín es suficiente, es necesario saber que el entrenamiento es esencial para modificar la conducta habitual. Es importante estudiar el ejemplo y las enseñanzas de aquellos que pudieron realizar el camino. Realizar prácticas que nos obliguen a responsabilizarnos de nuestros actos y sus consecuencias modificando las tendencias impulsivas con las que reaccionamos habitualmente. Por esto, debemos fortalecer nuestra comunidad, contagiar nuestro entusiasmo, expandir el alcance de nuestra práctica y multiplicar las condiciones para que cada vez más personas se unan a esta misión de convertirnos en un faro para la conciencia. Producir el terreno apropiado para que las personas puedan acercarse, nutrirse de estas enseñanzas del Buda y de los ancestros, y transformar las raíces del sufrimiento en ellas mismas y en los demás.

Habiendo regresado de mi retiro en el templo Myōkōji en Japón luego del terremoto, estoy más determinado que nunca a poner toda mi energía en expandir el alcance de la Comunidad Soto Zen de Colombia. En buscar las condiciones económicas y físicas para marcar la diferencia. Para mostrar que nuestra Comunidad no es otro club de meditación o algún tipo de escuela para aprender técnicas exóticas de la Nueva Era o herramientas para triunfar. Lo que ofrecemos en la Comunidad es la propia transmisión de la enseñanza de Buda, sustentada en un linaje ancestral auténtico, respaldado por un entrenamiento tradicional. Quiero invitarlas e invitarlos a que juntos pensemos en cómo podemos obtener los recursos necesarios para ejercer una fuerte influencia en nuestra sociedad y ser los gestores del cambio que necesitamos.

Que hoy sea el comienzo de una nueva etapa en nuestro voto y que los méritos de nuestra práctica sean transferidos a todos aquellos que sufren y en particular a todas las víctimas de esta tragedia que hoy vive Japón.

Con profundo respeto y agradecimiento,

Denshō
Denshō Quintero
Sacerdote budista zen,
Superior Comunidad Soto Zen de Colombia
Carrera 22 # 87 - 25, Tel. 6400268 - 5301016
Bogotá, Colombia
www.sotozencolombia.org

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Hanamatsuri - 2635 anos do nascimento de Buda


1° HANAMATSURI DE FLORIANÓPOLIS: FESTA DAS FLORES E
CELEBRAÇÃO DOS 2.635 ANOS DO NASCIMENTO DE BUDA

A Comunidade Zen Budista de Florianópolis, por meio do Instituto Educacional Todatsu, em parceria com a Associação Nipo Catarinense promovem o 1° Hanamatsuri de Florianópolis, que será realizado no dia 09 de Abril (Sábado) na Praça Getúlio Vargas, em frente ao Templo Daissen Ji.

A tradução de Hanamatsuri quer dizer Festa das Flores. É também o nome da festa que no Japão, no dia 8 de abril, relembra o nascimento de Siddhārtha Gautama, o Buda, que significa "o iluminado" ou "aquele que acordou". Neste ano, comemora-se os 2.635 anos do nascimento de Buda.

A cerimônia oficial de abertura ocorrerá às 8h da manhã com o cortejo do Buda Menino, a qual estará rodeada de flores e sobre sua cabeça será derramado um chá naturalmente doce chamado Amacha, feito à base de hortência. Durante todo o dia a estátua de Buda Menino ficará em exposição no evento para as pessoas que quiserem fazer suas homenagens com incenso e água.

A exemplo de outras cidades do Brasil, como São Paulo onde a festa acontece há 45 anos, e do mundo que possuem grandes comemorações para celebrar esta data, Florianópolis receberá pela primeira vez a festa do Hanamatsuri ao ar livre e aberta ao público. Até então, a festa estava restrita ao templo da Comunidade Zen Buddhista.

Mais de 100 pessoas estão envolvidas na organização do evento que terá na sua primeira edição em torno de 20 stands com atividades como oficinas e demonstrações envolvendo gastronomia, arte, cultura e esportes. A programação segue durante todo o dia(veja programação oficial anexa).

Logo no início da manhã haverá cerimônia religiosa dirigida às pessoas atingidas pelas catástrofes no Japão. Ao longo do dia serão realizadas apresentações de artes marciais, como Kenjutsu – a arte de combate com espadas criada pelos samurais, e folclóricas. Haverá barracas com apresentação de aspectos da cultura japonesa e de comercialização de produtos típicos.

As pessoas poderão participar de oficinas gratuitas de taikô (arte de tocar o grande tambor japonês), aikidô (arte marcial), origami (dobraduras em papel) e kenjutsu (arte de combate com espadas). Os tsurus (pássaros feitos de origami) executados neste dia serão enviados ao Japão em homenagem às vítimas do tsunami.

A cerimônia do chá, que acontece às 16h no Daissen Ji, apresentará um dos rituais japoneses mais bonitos. Sob a coordenação do Grupo Wullin de Práticas Orientais, os interessados poderão participar ou assistir a cerimônia. Os convites para este evento são limitados.

SERVIÇO:

Data: 09 de Abril (sábado)
Horário: 8h às 18h
Local: Praça Getúlio Vargas, 126 – Centro (Esquina com a Rua Hermann Blumenau, a praça também é conhecida como Praça dos Bombeiros).
Entrada gratuita, exceto para almoço e cerimônia do chá, cujos convites são limitados.
Reservas e mais informações: juliana@chalegre.com.br (48) 9971.1323 www.daissen.org.br

Assessoria de Imprensa

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Todatsu Shinbun - Numero 3


Foto do último sesshin na casa de retiro do Morro das Pedras, Florianópolis.

Com artigos e notícias foi editado o Todatsu Shinbun 3, o jornal da Comunidade Zen Budista de Florianópolis, ele pode ser visto clicando aqui

terça-feira, 5 de abril de 2011

Primeiro Hanamatusuri de Florianópolis - Programação


PROGRAMAÇÃO OFICIAL:
1° HAMANATSURI DE FLORIANÓPOLIS
CELEBRAÇÃO DOS 2.635 ANOS DO NASCIMENTO DE BUDA
Local do evento: Praça Getúlio Vargas (conhecida como Praça dos Bombeiros), Centro
Data: 09 de Abril de 2011
Horário: 8h às 18h
Organização: Comunidade Zen Buddhista de Florianópolis e Associação Nipo Catarinense

8:00 horas - Abertura
8:30 horas – Palavras do Presidente da Associação Nipo Catarinense – Sr. Luiz Kiyoshi Nakayama e do Monge Genshô da Comunidade Zen Buddhista de Florianópolis
8:45 horas – Cerimônia cívica – Brasil / Japão
9:00 – 9:30 horas – Cerimônia religiosa em honra às vítimas da catástrofe no Japão
9:30 - 10:00 horas – Apresentação de Tai-Chi-Chuan – Dr. Yu Tao
10:00 –10:40 horas – Apresentação da Orquestra Escola da Fundação Franklin Cascaes - sob a regência do Maestro Carlos Alberto Vieira
11:00 – 11:30 horas - Aikidô infantil – Kawai Shihan Dojo – (Fábio Sensei)
11:30 – 12:00 horas – Aikidô Adulto - Kawai Shihan Dojo
12:00 – 14:00 horas – Banda Hatenkoo, Desfile Cosplay, Animekê (Ricardo Hayashi)
14:00 às 14:30 horas – Kenjutsu ( apresentação da arte de combate com espadas criada pelos samurais) – Instituto Niten
14:30 às 15:00 horas – Apresentação de Kung Fu ( Evandro Seido)
15:00 às 16:00 horas – Banda Amor a Arte
16:00 às 16:30 horas – Nantyusoran
17:00 às 17:15 horas – Shamisen – Ryoko Fukuhara
17:15 horas – Apresentação de Taiko com o Grupo Shimadaiko
17:45 – Cortejo de enceramento com a imagem de Buda menino

NO ESPAÇO DO TEMPLO DAISSEN JI
Almoço das 12h às 14h, no restaurante, com cardápio típico, 100 entradas disponíveis.
16:00 às 17:00 horas – Cerimônia do Chá – Grupo Wullin Práticas Orientais

NO ESPAÇO OFICINAS:
14:30 às 15:30 horas – Kenjutsu – Instituto Niten
15:00 às 16:00 horas – Oficina de Taiko com o Grupo Shimadaiko

STANDS ASSOCIAÇÃO NIPO CATARINENSE:
Shodo – Goro Kodama
Nihongo – Ryoko-sensei, Karina-sensei, Regina-sensei, Kawata-sensei
Mangá – Saulo Satoshi
Taiko – Shimadaiko
Softball – Floripa Ichiban
Reiki – Francisca Kumada
Fujinkai – Ikebana, Origami, Shodo


STAND CULTURAL:
1. Espada Japonesa (a arte de forjar espadas ao vivo) – Vinícius Felix
2. Origami para comunidade – confecção de Tsurus em homenagem às vítimas da catástrofe no Japão – Paula Hidemi Kaneoya, Jackson Adriano, Yuina Takase

STANDS DE VENDAS
Comunidade Zen Budista Florianópolis
Missão Jovem
Centro de Estudos Budistas Bodisatva
Instituto Niten
Shiatsu MiMa
ArtBonsai
Origami Leonardo Radaik
Monte Fuji
Torii
Olaria de São José
MangaNiac
Nyanco
Cerâmica Marina Takase
Sushi Seiji e Jussara
Oriental do Brasil
Fernando Pitinati

STAND DA SECRETARIA MUNICIPAL DE ESPORTES

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Zazenkai



Participantes do final do zazenkai realizado sábado na Comunidade zen budista de Florianópolis, durante o dia 34 inscritos fizeram zazen, realizaram um grande samu em preparação a festa do Hanamatsuri que ocorrerá dia 9 de abril, e assistiram um filme comentado à luz da perspectiva do Dharma budista.
Mais fotos aqui

sábado, 2 de abril de 2011

Almoço em benefício das vítimas japonesas



O ALMOÇO DIA 17/04 NO LIC É PARA TODOS COLABORAREM COM A DOAÇÃO ÀS VÍTIMAS DO JAPÃO.

CONVITES : LIGAR PARA 48-91672233 ( ROXANA SHINOHARA )

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Japão e a influência do budismo no comportamento


JAPÃO - por Monja Coen Sensei


Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras.

A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima.

A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas.

Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.
Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo.

Sumimasen. Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.

O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico.

As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a meditar, a ter confiança, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)

Monja Coen