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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Daissen Ji de Porto Alegre - Instituto Maitreya

Fotos da inauguração, dia 8 de abril de 2017, do Instituto Maitreya e do zendô da Comunidade Zen Budista Daissen Ji de Porto Alegre, com a presença dos Rev. Monges da Sangha Águas da Compaixão e do Via Zen. A casa conta com a preciosa biblioteca de 8000 volumes do Monge Seikaku posta à disposição de todas as sanghas de Porto Alegre. Isshin Sensei participou da bênção das instalações.

"Não Acreditem em Mim"





A condição para despertar do sonho é estar dormindo. Portanto, todos têm natureza búdica, pois todos têm condição de acordar, já que estão dormindo. Mesmo a pior das pessoas, o pior dos criminosos, ele está dormindo um sonho, ele acredita piamente no sonho. Nós estamos vivendo isso: uma pessoa que acredita que se ele se explodir e matar um monte de pessoas ele vai para o paraíso. Então ele vai lá, se enrola em dinamite e se explode em meio à multidão, causando imenso sofrimento. Mas ele acha: “serei premiado por isso”. Para nós é evidente que é ilusão, mas para ele não é. Para ele é algo tão forte que é suficiente para que ele se mate.
A capacidade de a humanidade se iludir é muito grande, imensa. Buda levou tão a sério a ideia de destruir as ilusões que ele disse: “não acreditem em mim. Experimentem e testem”. É a mesma coisa que eu, como descendente da linhagem de Buda, tenho que dizer: “não acreditem em mim. Eu sou um homem, uma pessoa como vocês”. 

A instituição, as vestes de monge, tudo isso aumenta a minha capacidade de influir e ensinar, mas essas coisas não me dão uma autoridade. O Budismo nega uma condição de argumento de autoridade. Não digam “o Monge Genshô disse isso, então é verdade”. Cada um tem que acordar por si mesmo. O Zen Budismo são métodos para acordar. Não é a verdade. Não temos a verdade para vender, nem cadeiras no céu, nada disso. Gostaria muito, iria facilitar a vida da comunidade, mas não tem. Não podemos prometer isso. Um harém para cada homem, um Brad Pitt para cada mulher.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O Carma e o Ego





Li no seu livro que “não é o eu que gera o carma, mas o carma que gera a ilusão do eu”.

Monge Genshô: é como no caso do redemoinho. O carma seria o vento, essas diferenças de temperatura que provocam o vento, etc. Os ventos seriam, nessa analogia, as paixões, os desejos, os impulsos. É este carma que gera a aparência de uma identidade. Mas a identidade é apenas aparente. Nós tornamos a identidade sólida. Esse é o grande problema da humanidade, pois a ilusão mais forte que temos é esta: a ilusão de um eu. A todo o momento nós somos informados de que temos um eu separado. Como se fôssemos uma pessoa que nasceu e viveu olhando para uma tela: a única coisa que ela via era aquela tela passando e ela pensou que a vida fosse aquele filme. 

A todo o tempo eu sou informado que é filme, filme, filme, e eu sou o assistente do filme. É o que está acontecendo conosco aqui, agora. Olhamos para o lado e vemos, e por mais que expliquemos que isto é como um sonho, a informação é tão nítida que não conseguimos escapar. Por isso a palavra DESPERTAR: Buda, o Desperto, acordou do sonho.