Follow by Email

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O que são as "marcas" citadas como do corpo de um Buddha?


É interessante observar que a idéia de que vários sinais, conhecidos apenas por sábios, indicam o destino futuro de uma pessoa é muito mais antiga que o budismo. Os 32 sinais do super-homem pertencem ao manual de astrologia pré-budista. São sinais citados em obras hindus e foram tomados emprestados pelo budismo que assim legitimou culturalmente seu fundador na sociedade hindu.
O budismo sempre foi mestre nestes sincretismos que facilitaram sua penetração. Por exemplo o Ushnisha, "turbante", espécie de capuz representado em estátuas na forma de excrescência no alto da cabeça, a protuberância referida. É representado redondo em Gandhara, cônico no Camboja, pontiagudo no Sião e nas miniaturas de Bengala do sec II, e como chama no Laos.
Em torno da cabeça é colocada uma aura. Na arte de Gandhara (que surgiu com a influência grega) a aura aparece nas figuras de reis e deuses, na arte cristã este símbolo foi adotado depois do sec IV, o budismo o adotou também quando passou a representar Buddha, o que só ocorreu 300 anos após sua morte, até então pintava-se a árvore Bodhi e no máximo suas pegadas. Ele não estava ali. É depois de Alexandre que as estátuas surgem.
Para os budistas modernos este corpo "glorioso" de Buda é um contraponto ao corpo humano do Buda histórico e representa seu poder espiritual.


Arrumadas, as marcas são as seguintes:

1) Protuberância no alto da cabeça
2) Cabelo encaracolado para a direita
3) Testa larga
4) Pequeno círculo de pelos entre as sobrancelhas
5) Olhos azul-preto com pestanas como os de uma vitela
6) Quarenta dentes
7) Dentes uniformes
9) Dentes sólidos
10) Dentes brancos
11) Queixo com a força de um leão
12) Língua fina e comprida
13) Voz melodiosa
14) Ombros largos
15) Sete protuberâncias
16) Peito forte
17) Com pele delicada e dourada
18) Quando em pé, as suas mãos chegam aos joelhos
19) Torso como o de um leão
20) Corpo proporcionado como a árvore nyagrodha
21) Cada cabelo encaracolado para a direita
22) Pelos virados para cima
23) Aquilo que é preciso esconder estará escondido
24) Coxas roliças
25) Mal se notam as articulações dos tornozelos
26) Palmas das mãos e solas dos pés macias e suaves
27) Dedos dos pés e mãos ligados por uma membrana
28) Dedos compridos
29) Palmas das mãos e solas dos pés marcadas com uma roda
30) Pés simetricamente iguais
31) Calcanhares largos
32) Pernas de gazela


Este corpo com as marcas ditas, se levado ao pé da letra seria estranho. Que aos olhos do praticante ele é uma representação simbólica, um corpo glorioso, como o descrito para o Cristo ressuscitado. Buddha também parecia as testemunhas de seu tempo um homem normal.Da mesma forma que Cristo. O que não quer dizer que não tivessem aparência maravilhosa para os que pudessem ver.Ou seja que estas tradições tem um papel místico e por esta razão não é de surpreender que reproduzam coisas de manuais mais antigos. Estão dentro de arquétipos coletivos que reforçam os sentimentos religiosos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Mappô



Leio frequentemente sobre o tema da decadência do budismo. Isto é motivado provavelmente pelas teorias de Mappô, de que haveriam três períodos do Dharma, o período do Dharma Verdadeiro, o do Dharma Falsificado e o do Dharma Degradado (Mappô). Que são frequentemente citadas no meio budista.
Para nós da Soto Zen o melhor texto é o de Keizan, no Denkoroku (escrito por volta de 1300 DC), ele torna bem claro que a iluminação perfeita, completa, está disponível agora mesmo para quem pratique como Buddha. Citando o texto que está no caso primeiro das Crônicas de Transmissão da Luz ( Denkoroku): "a transmissão do ensinamento, de Buda para Buda, de Patriarca para Patriarca tem seguido mantendo viva a chama do Dharma verdadeiro". Ao fazer isto ele desautoriza o ensinamento (presente desde os tempos hindus) de que o Dharma tem três períodos de decadência, o primeiro quando ensinamento prática e iluminação estariam presentes, o segundo quando a iluminação deixa de existir, e o terceiro quando a prática é abandonada, restando só ensinamento degradado, quando este enfim é perdido o Dharma desapareceu. Assim estes que falam no assunto dizem que estamos já no terceiro período, assim só restaria o esquecimento da doutrina para uma decadência absoluta. ( No sec XI já se dizia no Japão viver-se o terceiro período)

Assim fazendo, Keizan, reage, juntamente com a linhagem de Mestres Zen que sucederam a Dogen Zenji, tornando a transmissão mente a mente do zen como acima do transcorrer da ilusão do transcorrer do tempo, e mantenedora com vitalidade do completo Dharma de Buddha até os dias de hoje, mesmo que, como sucedeu em todos os tempos anteriores, erros e decadências aconteçam,afinal as atividades humanas são naturalmente cíclicas, decaindo e se renovando periodicamente, elas não apagam a lâmpada enquanto um único portador a mantiver acesa.

Pessoalmente, claro, acredito firmemente nas palavras de Keizan Zenji.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Saikawa Roshi na França




Ontem, dia 25, Saikawa Roshi viajou para a França para fazer palestras em La Gendronnière, sede francesa da escola Soto Shu, ele retornará ao Brasil para o retiro de treinamento e atualização, dos noviços e monges oficialmente reconhecidos no zen internacional, dia 6 de outubro, em S. Paulo.
(a primeira foto é da cerimônia, em La Gendronnière, de 40 anos do zen na França, trabalho de Taizen Deshimaru)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Psiquiatria e psicologia são recomendáveis?


Creio que terapias psicológicas, psiquiatria, e a psicanálise, podem levar a pessoa a superar problemas pessoais que as atrapalhem, pessoas doentes, muito perturbadas, não podem praticar o zazen e precisam progredir antes, através de outras coisas, até ter equilíbrio suficiente para meditar.

Quando recebo alunos assim insisto que permaneçam em seus tratamentos, alguns são casos mais sérios, que necessitam medicação, abandonar o tratamento confiando na meditação pode ser um grave erro com conseqüências sérias. É evidente que a primeira responsabilidade é da família, mas um professor de meditação pode influir em algo, sabendo dos limites da prática espiritual e de quanto ela pode atrair com falsas soluções que não são a libertação em si.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Diálogo



Por que uma pessoa se autoconhece quando medita?

R: Porque meditando pode vir a descobrir sua verdadeira natureza, e esta não é uma pessoa.

Entendi, reverendo, mas o embasamento qual o teórico do porque?

R: O zen não é teórico, é experiencial, assim, esta pergunta, se respondida, trai o zen em sua essência.

risos - sou chato, né?

R: É uma pessoa normal de nosso mundo em que tudo precisa ser explicado, um ocidental antes de provar uma comida nova pede explicações: tem gosto de quê? É apimentada? Salgada?

Pq quando meditando calamos a mente e entramos em contato com nossa verdadeira natureza ?

R: Até aí, isto pode vir a acontecer, mas é um evento notável. Muitas vezes ocorre em outro momento mas foi a meditação que abriu o caminho.

e ela nos ilumina?

R: Não há um “nos” para ser iluminado.

não sei qual é a resposta, estou apenas chutando.

R: Por este processo jamais chegará a uma resposta válida, porque mesmo que acertasse as palavras ainda não teria percebido a experiência.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Koan


Muitas pessoas pensam que a escola Soto Zen não usa koan,isto é um engano. A diferença é que a escola Rinzai põe ênfase nos koans. E a escola Soto põe ênfase no shikantaza, a meditação sentada, e deixa o koan como uma coisa auxiliar. No entanto, os mestres Soto costumam usar koan. Aquela pergunta quem é você? Não é um koan,aquilo é um hua-t'ou (jap. watô). É outra técnica, questões que pressionam. Mesmo os praticantes que estão há anos praticando têm muita dificuldade para responder essa pergunta de forma satisfatória.

Koan significa caso público, caso registrado. É um diálogo entre mestre e discípulo, que foi registrado, sobre o qual você pode pensar e tentar responder. Por exemplo, os discípulos estavam disputando por um gato. Normalmente não existem ou não é para existir animais de estimação nos mosteiros, mas de repente aparece um e é adotado. Então, havia um grupo de monges no mosteiro disputando um gato. O mestre chegou na sala, pegou o gato, levantou-o no ar, tirou a navalha que serve para cortar a barba e disse:digam uma palavra Zen e o gato se salvará. Um monge falou: o gato é meu, o outro: não mate o gato. O mestre cortou o gato ao meio. Isto no budismo é absurdo. Mas, ele matou, assumiu o risco de fazer isto em benefício de muitos outros seres porque até hoje estamos falando nisso. À noite chegou um monge que estava viajando. O mestre relatou a história. O monge pegou as sandálias e as colocou sobre a cabeça e saiu, e o mestre disse: se você estivesse aqui teria salvado o gato. O koan é assim: me diga o que você teria dito para salvar o gato. Até hoje eu vi uma pessoa que salvou o gato, metaforicamente. Ele levou um ano tentando,mas conseguiu. É como a resposta a quem é você? Se alguém dá uma resposta que ele aprendeu filosoficamente, na hora você vê que esta resposta é uma resposta só da sua cabeça.Traga-me uma resposta das suas entranhas. E esse é um dos problemas do koan porque originalmente aconteciam diálogos entre mestres e discípulos, na época de ouro do Zen, e eram muito fortes estes diálogos, verdadeiras as respostas. Com o tempo isto foi sendo escrito e tornou-se caso público como essa história do gato que eu estou contando. Mas vocês não estavam lá nem estavam disputando o gato. Então não era a sua vivência pessoal. É agora uma referência a um caso passado.

(trecho da palestra "A árvore sem raiz" disponível em www.chalegre.com.br/zendo na secção Textos/ Monge Genshô)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Zazenkai



A Sangha de Florianópolis faz zazenkais regulares, nestes pratica-se meditação, trabalha-se para encher zafus por exemplo, foi o que sucedeu no último sábado, no zazenkai não fazemos voto de silêncio e enfatizamos o confraternizar, almoçar juntos e mesmo ter crianças junto que podem ter programação própria.

Fotos disponíveis aqui

domingo, 21 de setembro de 2008

O que o Shuso diz ao fim do Hossenshiki


Foto de um momento do Hossenshiki.

Ao fim da cerimônia de Hossenshiki o Shuso expressa a realidade das coisas tal como sente. A partir daí continua seu treinamento, pois ainda é um aprendiz:

"Sendo imaturo e de treinamento insuficiente, não estava esperando ser designado Head Monk/Estagiário (ou líder dos noviços). Me sinto como se um crime houvesse sido cometido o qual enche os céus, não há um lugar na terra para me esconder. Espero que haja água suficiente no Atlântico para vocês enxaguarem minhas palavras de seus ouvidos."

Fotos de uma cerimônia em Daijo-ji (Japão) aqui: http://www.zenfirenze.it/incontri_det2.asp?inc=38&id_img=1

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O que é Hossenshiki?


O "Shipei" bastão que o shusô recebe no Hossenshiki.

No exterior dos templos, antigamente, hasteava-se uma bandeira, hoban “a bandeira do Dharma”, ela anunciava que o Mestre estava dando uma palestra.
Um monge permanece algum tempo como "shuso" , monge líder dos noviços durante um angô, período de treinamento em um mosteiro, ou mesmo liderando e ensinando grupos durante tempo suficiente para ser avaliado, então ele trava um combate do Dharma, (hossenshiki), neste momento o monge sob o ensino de seu Hôdôshi “Mestre da bandeira do Dharma”, defende o Dharma ao lado de seu mestre em uma palestra. No “Zuimonki”, narra-se que um dia Dogen Zenji chamou Koun Ejo a defender o Dharma. Ele deu o tema Masangin “Três quilos de linho”. Com este koan, Koun Ejo fez seu Hossenshiki.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Se o eu inerente é uma ilusão quem poderia possuir livre-arbítrio?


Livre arbítrio é um conceito para justificar que a "criação por um Deus bondoso" produza tanto sofrimento, perfeitamente ilusório isto, pois não existe um perfeito livre arbítrio, nossa liberdade é limitada por inúmeras condições de nosso corpo, seus hormônios ditam muitas de suas atitudes e sua programação genética o limite de sua vida, mesmo que você realmente deseje agir diferente é arrastado por suas condições cármicas, por exemplo: é um homem, tem desejos de homem, não adianta querer ser uma águia, não tem liberdade para isto. Alterar o carma é um trabalho difícil, exige extrema determinação, por isto despertar das ilusões é raro.
De outro lado, por mais que você procure este "quem" não poderá encontra-lo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Local do retiro de outubro


Esta é a casa de retiros, em Florianópolis, onde se realizará o sesshin de 12 a 17 de outubro de 2008. Alojamentos individuais e capacidade para mais de 100 pessoas praticando meditação e assistindo palestras do Mestre Saikawa Roshi.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

As histórias sobre Buda


Quando Cristo é preso é preciso que Judas o beije para que o identifiquem. Soldados o chicoteiam, cospem em seu rosto. Pilatos lhe pergunta: - Quem és tu?
Este mesmo homem transcende e fascina em outros momentos. Por simplesmente tocar seu manto uma mulher é curada.
As histórias sobre Buda também são assim. Ora tem marcas que fascinam, aura, anda acima do chão. Ora aparece como um homem comum, a quem Devadatta odeia , quer substituir, e não vê nada demais nele. Senta-se com os amigos para comer e (nunca demais lembrar) morre de diarréia. A conservação desta história é essencial para compreendermos a intenção dos discípulos ao conserva-la.
As duas visões são verdadeiras em ambos os casos. São os olhos dos que vêem os transformadores.

O que me faz lembrar as afirmações de que tudo é ilusão. Se é assim esta afirmação ou percepção a respeito da ilusão também é ilusória, e a realidade é existente porque o paradoxo tem a virtude de se auto desmentir. Então se diz no zen que a realidade existe e não existe. Que a dialética que nega a dialética está exercitando a dialética para contestá-la e assim fazendo, confirma sua existência negando-a. Deste modo o zen não está ali porque a dialética ocupa o espaço de uma percepção pura, não filtrada através dos códigos das palavras.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Perdas


Sutra Semente de Mostarda (resumido)

Kisagotami era uma pobre viúva que tinha sofrido diversas reviravoltas cruéis na vida. Então, como último golpe, o amado bebê – que era tudo que ela tinha no mundo – morreu.

Ela estava inconsolável e não queria que o corpo fosse cremado. Sofrendo também, um dos vizinhos da vila sugeriu que ela fosse ver o Buda. Ela chegou ante ele com o cadáver ainda em seus braços. "Me dê algum medicamento especial para curar minha criança", implorou.

O Buda já sabia que a mulher não aceitaria a verdade nua, então pensou um pouco. Depois disse: "Sim, posso te ajudar. Vá e me arranje três grãos de sementes de mostarda. Mas elas precisam ser de casas onde a morte nunca tenha ocorrido".

Kisagotami encheu de esperança seu coração. Mas, assim que ia de porta em porta, ouvia uma história de perda após a outra. Naquela noite, quando voltou ao Buda, ela tinha aprendido que o luto não era sua tragédia pessoal, mas uma característica da condição humana, e aceitou o fato.

Tristemente, ela soltou a criança morta. E se curvou ao Buda.

John Snelling, "Elements of Buddhism"
(From "Samsara Blog")

sábado, 13 de setembro de 2008

Intenção e Carma


P: Quando o senhor diz: "por esta razão as ações frutificam em efeitos inevitavelmente", os efeitos de uma ação bem intencionada mas que gera sofrimento a outra pessoa são positivos para o agente (pela sua intenção) ou negativos (pelo sofrimento gerado)?

R: É simples: são positivos em seus frutos (resultados) em parte, e negativos na outra parte.
Tomemos um exemplo: Um professor severo gera benefícios para um aluno, mas também mágoas, ambos os efeitos frutificam, com o tempo agradecimento surge mas o sentimento magoado gera mal estar ou temor para com professores, repercutindo em cadeia no universo e retornando ao agente inicial (o professor) sob forma , por exemplo de honras na parte positiva e solidão na parte negativa.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Será que meu trabalho é o certo para mim?


Samsara é Nirvana, qualquer lugar pode ser perfeito, mas esta pergunta que você me faz não pode ser respondida senão por você mesmo.

Respondendo a pergunta “quem sou eu” saberemos o que fazer , quando e de que forma, concentre-se nela.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Início em Curitiba


Ontem o grupo de Curitiba teve sua primeira reunião para zazen. Eles compraram uma tv câmara e zabutons e zafus e tiveram um pequeno período de instrução via skype comigo em Florianópolis. Assim pude assisti-los à distância. Espero que esta modalidade se expanda pois permite falar aos grupos com facilidade e a um custo irrelevante. Renata Reginato está liderando esta iniciativa e cedendo uma parte de seu consultório de psicologia para a prática de meditação zen.

Genshô

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pergunta sobre carma

P:Estou certo? O carma não age só diretamente. Não segue apenas uma linha reta. É mais como parte de uma teia,ele exerce influencias em todas as direções, de menor ou maior grau,assim então mesmo uma ação positiva pode causar efeitos negativos em algumas dessas direções, e o contrário também.E outra coisa, a gente "reencarna" a todo instante na medida que nossas ações influenciam os outros, estamos renascendo a todo instante em nós e nos outros ou não?

R: Carma é literalmente "ação", naturalmente as ações produzem resultados e eles podem ser complexos e interelacionados. O julgamento do que é bom ou mau é proveniente de uma mente classificatória e discriminativa que usamos para operar em um mundo relativo, justamente a mente perdida em ilusões.
Reencarnar e a noção de "estamos" reflete a crença em um eu inerente, coisa de plano negada por Buda como real.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Vimalakirti


“Na verdade quando quis ser monge queria escapar da vida turbulenta de atividades. Pedi ao meu professor de então, que me orientasse, e ele me disse que não via para que ser monge. Falou: - “Para quê? Eu sou monge e estou sempre construindo, viajando, procurando por recursos para fazer coisas. Você faz o mesmo, qual é a diferença? Senti como se as portas do futuro se fechassem, cinqüenta anos, sempre trabalhando e ganhando, mas a trilha à frente não parava de subir a montanha. Senti profunda tristeza, eu era um prisioneiro”.

“Mas não era a atividade que estava errada, era minha mente. Contou-me, o Sensei, a história de Vimalakirti, o famoso comerciante discípulo de Buda. Ninguém podia vencê-lo em debate. Os discípulos de Buda o encontraram, quando iam para o mosteiro, e perguntaram a ele, que vinha de visitar Buda: - Aonde vais, Vimalakirti? Vimalakirti respondeu: - Vou para o mosteiro. – Para o mosteiro? Mas a direção que você vai é a da cidade! E Vimalakirti calmamente: - Sim. Lá onde eu trabalho é que estão as pessoas que sofrem, precisam de empregos, de ajuda e ensinamentos, lá precisam de mim. Lá é meu mosteiro”.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sesshin Especial de Treinamento de Monges

Sesshin Especial de Treinamento de Monges
Superintendência da Escola Zen Soto da América do Sul



Estará acontecendo de 6 a 10 de outubro no Templo Enkoji (Itapecerica da Serra – SP) sesshin especial, dirigido principalmente a monges dos grupos representativos em toda a América do Sul. Tem como responsável pelas atividades o Superior Dosho Saikawa, Superintendente da Escola Zen Soto da América do Sul. Inúmeros missionários (Fukyoshi) estarão auxiliando durante o curso.

Tem como objetivo a atualização e aprimoramento dos monges no que se refere às atividades formais da tradição budista Zen Soto. Inclui-se nesta a realização de cerimônias (Chôka, Nichu Fugin, Banka Fugin. Rakanpai, Ryaku Fusatsu e outros), a utilização de oryoki (tigelas), a recitação formal das orações durante as refeições (em japonês), as prostrações (sanpai), o uso correto do zagu etc.

As inscrições devem ocorrer antecipadamente no Templo Busshinji, São Paulo, com o pagamento de uma taxa de R$ 200,00. Durante o acontecimento haverá instalações para a acomodação dos interessados. Deve-se levar cobertor, lençol e chinelos, além dos objetos de uso pessoal. Se o interessado não puder participar diariamente das atividades o valor pago integralmente será mantido.

A condução será fornecida pela organização, levando e trazendo os inscritos do Templo Busshinji para o Templo Enkoji e o contrário.

sábado, 6 de setembro de 2008

E-mail da Alemanha


Buda com feições ocidentais, aproximadamente 300 A.C.

P: Perguntei ao meu professor de Iaido se ele conhece algum Dojo, pois gostaria de aprender e não de apenas ficar meditando sem embasamentos e aconselhamentos, e ele me deu uma resposta vaga, dizendo que o professor de shakuhachi dele disse que é impossível um ocidental aprender realmente o Zen...

R: Não desista, é assim mesmo difícil encontrar o zen. E esta opinião sobre a dificuldade dos ocidentais é algo do início do século XX...Já foi opinião mesmo de Carl Jung. Mas hoje nós estamos em outro estágio em que o zen do ocidente está fecundando o zen oriental, levando-o de volta as práticas de meditação que os leigos raramente praticavam. Como você deve ter visto no meu blog, estive visitando o Chile e a Argentina com o mestre responsável pelo zen na América Latina, e a partir do ano que vem iniciaremos treinamentos formais de monges em três lugares diferentes, EUA, França e Brasil, com centros patrocinados pela Soto Shu do Japão em línguas ocidentais, parece portanto que a Soto Shu ( que representa 90% do zen no Japão) não pensa que o zen não pode ser praticado por ocidentais, muito pelo contrário...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sesshin Aberto

Estamos iniciando as inscrições para o Sesshin Aberto (retiro Zen) conduzido pelo Mestre Saikawa Roshi. O Sesshin é um retiro de meditação Zen, e dentre as atividades incluirá: o Zazen (a meditação sentada), o kinhin (a meditação andando), o samu (atividades de limpeza), o dokusan (entrevista formal com o Mestre em uma sala reservada), o uso dos Oriokis nas refeições formais, Cerimônia formal (recitação de Sutras) e Teisho (palestras).

Resume-se todas as atividades, dizendo que tudo que é realizado durante um Sesshin é sempre conduzido com a mente alerta. Daí a importância do silêncio e da concentração/atenção para consigo (por exemplo, na respiração) e para com todas as coisas e pessoas no ambiente.

O retiro iniciará no dia 12 de outubro (domingo) às 19h e terminará no dia 17 de outubro (sexta) às 12h. Será uma experiência de convivência com o mestre e com participantes de vários locais do país, no final do sesshin haverá uma cerimônia de Hossinshiki, Combate do Dharma, uma ocasião em que um monge que receberá uma graduação de defensor do Dharma responde perguntas publicamente de todos que o desafiam e no final é convidado pelo mestre a pregar o Dharma em seu lugar.

O pacote inclui hospedagem e refeições:
R$300,00 para membros efetivos da Sangha de Florianópolis.
R$400,00 para contribuintes
R$500,00 para não contribuintes.

Forma de pagamento:
ESTAMOS REALIZANDO PARCELAMENTO ANTECIPADO EM 3 VEZES.
Sendo uma parcela de imediato, outra em final de setembro e a terceira na data do retiro.
Inscrição deverá ser feita através e-mail centrozenfloripa@gmail.com (Michel). A confirmação da inscrição será realizada somente com o depósito até dia 08 de outubro.

Banco para depósito - Favor informar por e-mail o depósito.
DEPÓSITO EM CONTA CORRENTE
BANCO DO BRASIL – Instituto Educacional Todatsu
AG 4550-0
CC 5709-6
CNPJ 04.189.002/0001-21

Local do Retiro: Casa de Retiro Morro das Pedras. Florianópolis - SC

Mestre Saikawa Roshi: Nasceu e foi criado em Nagasaki, no Japão. Foi monge Theravada na Tailândia, voltou ao Japão e entrou na tradição Soto Zen Shu. Esteve morando nos Estados Unidos por alguns anos, ajudando no Zen Center of Los Angeles e nos grupos afiliados de Nova Yorque. Ao voltar ao Japão se tornou um dos oficiais professores no Templo Sede de Soji-ji, em Yokohama. Tem alunos e grupos de Zazen nos Estados Unidos, Europa, Austrália e Japão. É considerado um dos grandes Mestres Zen da atualidade. Dosho Saikawa Roshi é Mestre do Monge Genshô e o atual abade do Templo Busshin-ji em São Paulo e, igualmente, responde como provincial à missão da Escola Soto Zen para a América do Sul.


Coordenação Monge Genshô
Comunidade Zen Budista de Florianópolis
Escola Soto Zen
http://www.chalegre.com.br/zendo/

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Perguntas do grupo de Goiânia


- Por que precisamos sentar com as mãos e os polegares unidos durante a meditação?

R: Este é o chamado mudra universal. Tem profundos significados. Por enquanto basta saber que os polegares são indicadores da atenção, se dormimos eles caem, se temos pensamentos fortes eles se comprimem e sobem, devemos mantê-los mal se tocando.

- Durante a meditação sinto o meu corpo esquentar muito, qual o motivo?

R: É normal, e um bom indicativo de concentração. Este calor chama-se “tapas”.

- Não consigo ficar sem pensar em nada, como observar e estar atento, se o zen nos diz para não focarmos nossa atenção em nada?

R: Não tente não pensar em nada. Deixe que os pensamentos passem sem apegar-se a eles, sem segui-los ou julga-los. A cada momento volte a atenção para o momento presente, este lugar, esta sala, aqui estou sentado com todo o universo. Não foque nada em partcular, apenas ouça e deixe os sons atravessa-lo.

- Durante a meditação, parece que todos os pensamentos que não tive durante o dia resolvem aparecer, isto é comum? Como controlar isso?

R: Não controle, deixe que passem, “o vasto céu não é perturbado pelas brancas nuvens que passam”.

- Não consigo meditar com freqüência diária, e quando sento para meditar fico inquieto, e nos dias que não realizo a meditação me sinto culpado por não sentar, como me livrar dessa culpa? Como conseguir meditar com freqüência? E como me livro da impaciência?

R: Não tente se livrar de nada, somente sente, reserve um tempo para fazer isto todos os dias, mesmo 10 m é um bom começo. Não cultive culpas, elas são inúteis, e fruto do ego. Quanto a impaciência ela passará, estabeleça o tempo em que vai sentar e não se levante por nada antes que acabe. No início sentar com os outros é melhor, se meus amigos estão suportando eu também devo ser capaz de aguentar... Depois de algum tempo sua mente se aquietará e vc será capaz de meditar por horas, então nada no mundo será insuportável ou perturbador.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Espanha


Monge Didier, que esteve nos visitando em Florianópolis enviou este convite.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Nanzenji


Visita ao Dojô Nanzenji em Buenos Aires, da esquerda, Gensho San, Saikawa Roshi, Jisen Sensei, atrás Bustamante San e sua Assistente.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Três monges


Foto Gensho

Jisen Oshiro Sensei, Saikawa Roshi e Handa San, três monges zen em Buenos Aires.