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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Depressão e meditação


P: Tenho depressão e uso medicamentos, posso usar meditação no lugar deles?

R: Você tem uma doença de desequilíbrio em transmissores cerebrais, os medicamentos alteram a química cerebral e por isso você precisa deles, a meditação também altera esta química, são coisas a serem usadas concomitantemente, não deixe de usar os medicamentos e procure estar sempre bem, se consegue diminuí-los ótimo, mas isso nada tem a ver com seu ego e sim com uma doença, como quem tem pressão alta e precisa usar medicamento, coisa que acontece com famílias inteiras e pode ser de fundo genético, nesse caso nada tem a ver com estresse, pode-se baixar a pressão no zazen, mas não fora da meditação, diferentemente do estresse que é um motivo emocional de hipertensão, curável com atitudes mentais.
Não é diferente de você, continue praticando e não tente se curar com o zazen, se isto ocorrer será um subproduto da prática, não a finalidade dela, e nada impede que você atinja a libertação e o seu cérebro mudará porque é plástico, e a presença dos transmissores é alterada tanto pela meditação quanto pela medicação, uma ajuda a outra, mais fácil do que a pressão alta de fundo genético.

sábado, 26 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quem perder a sua vida...


P: Tenho aceito com dificuldades o fato de a personalidade ser transitória assim como a alma uma ilusão. Meu eu era meu chão e minha crença atual me deixa perdido e triste. Tento me agarrar a algo que faça sentido, apesar de ter aprendido que não devemos nos apegar a nada. Às vezes, angustiado, peço a Jesus que me ajude de alguma forma, mas não ouço nenhuma resposta. Aliás ele também diz coisas que parecem budistas: quem quiser salvar-se, negue-se a si mesmo; quem perder a sua vida salvá-la-a.


R: É assim mesmo, Paulo diz nos evangelhos: "Não sou mais eu quem vive, mas Cristo que vive em mim” traduzindo para o budismo: “a unidade que vive em mim”. É preciso abandonar corpo e mente, o que sofre em você? Seu apego a um eu. Por esta razão São João da Cruz diz em um verso: "morro porque não morro", ao resistirmos a desistir de um eu permanente morremos para a eternidade, porque só morrendo para a impermanência podemos reconhecer o sem fim nem começo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dhammapada



Dhammapada manuscrito em folha de palmeira(44.5 * 6.5 cm) em caracteres singaleses, a primeira e última páginas aparecem, crê-se ser a mais antiga cópia conhecida. Foto: Cortesia de K. D. Paranavitana, Assistant Archivist, Department of National Archives, Colombo, Sri Lanka.

“Não há mais sofrimento para aquele que libertou-se dos apegos.”
“Abandona a cólera, renuncia ao orgulho, quebra todos os grilhões. Nenhum sofrimento atinge aquele que não se apega ao nome-e-forma da existência fenomenal e que nada considera como seu.”
“O homem agitado pela dúvida, subjugado pelas paixões, atento somente ao prazer, forja para si pesadas cadeias.”
- versos do Dhammapada -

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sé a vida é sonho o que dizer da realidade?


Não é real, é um sonho, parece real, é um sonho muito nítido, e isto nos confunde completamente, se achares que esta é a realidade então o sonho foi tornado real e é assim que se sonha, transformando o irreal em real, e aquilo que é fantasia se transforma em pesadelo. É real dentro do sonho, mas para quem acorda não é mais real que todos os sonhos, existem dentro do mundo do sonhador, mas somente nele, por esta razão que o observador é co-emergente com o observado, só existe o sofrimento porque estamos aqui e dentro de nós existe este mundo, dentro de nós há o agressor e as vítimas, é porque temos isto dentro de nós que geramos este mundo onde estas coisas ocorrem, o horror deste mundo é gerado porque temos mentes assim, com tudo isto dentro, se alterares tua mente produzirás/renascerás em um mundo completamente diverso, é por isso que se diz em algumas crenças que os santos vão para um paraíso...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Programação da cerimônia do cinquentenário do Templo Busshinji


Em novembro será inaugurado o Centro de Treinamento localizado atrás do Templo Busshinji, simultâneamente com o Cinquentenário do Templo. Há um convite a todos os que desejarem participar desta festividade que contará com a presença de autoridades do Soto Zen de todo o mundo.

Programação da cerimônia do cinquentenário do Templo Busshinji

Dia 13 de novembro

10:00 - Recepção do Shumo Socho
Corte da Faixa de Inauguração e Descerramento da Placa
Apresentação do novo prédio
11:00 - Cerimônia de Abertura da Imagem do Fundador
11:30 - Cerimônia dos 600 volumes do Sutra Prajna Paramita
12:30 - Banquete no Salão do Pavilhão Dai Kankaku

Dia 14 de Novembro

13:00 - Cerimônia de Abertura do Monumento
13:30 - Palestra
14:30 - Cerimônia Memorial dos Fundadores
15:30 - Cerimônia de Abertura dos Olhos das Imagens Daiguen Shuri Bosatsu e
Daruma Soshi
16:30 - Cerimônia Memorial dos Antepassados
17:30 - Cerimônia do Manto Kuyo (Milhões de Luzes)

Dia 15 de Novembro

08:30 - Cerimônia de Recepção do Shumo Socho
09:00 - Cerimônia Memoria dos Monges e Professores falecidos da América do Sul
10:00 - Cerimônia Comemorativa do Cinquentenário do Templo Busshinji
Entrega do Certificado de Honra ao Mérito de Shumocho para Convidados
11:00 - Cerimônia Memorial para todos os membros
Entrega do Certificado de Honra ao Mérito do Busshinji para Convidados

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Regras zen de comportamento para os monges


Extrato do texto:

“Eihei Shingi” – “Regras Puras para a Comunidade Zen”
Dogen Zenji


Quando encontrar um instrutor sênior que tenha passado por cinco angôs, você deve vestir seu okesa e trazer o seu zagu[2].

Não se apresente em pé olhando para um sênior, enquanto estiver encostado em alguma coisa com suas pernas cruzadas.

Não se apresente em pé olhando para um sênior com seus braços balançando.[4]

Nunca ria ruidosamente, sem envergonhar-se ou causar constrangimentos.

Se você é admoestado, faça uma reverência polidamente e ouça e aceite; e, de acordo com o Dharma, contemple e reflita sobre o que foi dito.

Se o sênior não lhe convidou a se sentar [quando você estiver entre eles], não se sente informalmente.

Quando sentado na mesma plataforma, ao lado de um sênior de cinco angôs, não o toque.

Não se sente no lugar onde um sênior de cinco angôs normalmente se senta ou descansa.
Você deve saber que qualquer um que tenha feito cinco ou mais angôs, tem a posição de ajari [instrutor]; alguém que tenha dez angôs ou mais, tem a posição de oshô [alto sacerdote]. Isto não é nada além de um suave orvalho do dharma sem máculas.

Quando uma respeitável pessoa de cinco angôs pedir para você sentar, faça gasshô e reverência; só então se sente. Cortesmente sente-se ereto e não encoste na parede.

Quando se sentar, não seja rude ou indulgente, recostando-se em algum móvel.

Se houver discussão você deve permanecer humilde e não tentar ganhar uma posição superior.

Quando estiver diante de um sênior, não esfregue sua face, bata em sua cabeça com suas mãos, ou brinque com suas pernas ou braços.

Quando estiver diante de um sênior, mantenha seu corpo ereto e estável.

Se você vir um sênior chegando ao lugar onde você se encontra conversando com outro sênior; dê a eles o seu assento, abaixe a sua cabeça e aguarde por um momento pelas instruções dos seniores.

A menos que um sênior lhe peça para faze-lo; não explique o dharma para as pessoas.

Se um sênior lhe perguntar algo, você deve dar a resposta apropriada.

Sempre observe a expressão de um sênior e não lhe cause desapontamento ou angústia séria.

Enquanto estiver diante de um sênior, não troque mesuras com seus pares.

Diante de um sênior não aceite prostrações de outros

Se houver algum trabalho pesado a fazer, onde esteja um sênior, faça-o, primeiro, você mesmo. Quando há alguma coisa agradável, ofereça-a ao sênior.

Se você se encontrar com um instrutor sênior que tenha passado por treinamento em cinco angôs, você deverá reverenciá-lo como um ancião. Não perca seu entusiasmo.

Se você tiver intimidade com um sênior que tenha feito cinco ou dez angôs, você deve, mesmo assim, perguntar a eles sobre o significado dos sutras e dos preceitos. Não se torne negligente ou preguiçoso.

Quando você percebe que um sênior está doente, você deve, respeitosamente, alimentá-lo e ajudá-lo a se recuperar de acordo com o dharma.

Quando você estiver diante de um sênior ou perto de seu quarto, não pronuncie palavras que não sejam benéficas ou que não tenham bom significado.

Quando diante de um sênior não discuta pontos bons e maus ou a força e fraqueza de honoráveis mestres de outros templos[7].

Você não deve ignorar um sênior e entrar numa conversa ou questionamento sem propósito.

Quando um sênior ainda não estiver adormecido, não vá dormir antes dele.

Quando um sênior ainda não começou a comer, não coma antes dele.

Quando um sênior ainda não tomou banho, não se banhe antes dele.

Quando um sênior ainda não se sentou, não se sente antes dele.

Se você encontrar um senior no caminho, reverencie-o com inclinação do corpo e, então, siga atrás do sênior. Se você receber alguma instrução do sênior, simplesmente obedeça-o e então retorne [ao que você estava indo fazer]

Se você perceber que um sênior esqueceu alguma coisa por engano, mostre-lhe cortesmente.

Se você vir um sênior cometendo algum erro, não ria ruidosamente.

Se você entrar no quarto de um sênior, entre beirando um lado do vão da porta. Não entre pelo centro do espaço da porta[8].

Se um senior ainda não tiver terminado de comer sua refeição, não termine a sua antes dele.

Quando um sênior ainda não se puser em pé, não se levante antes dele.

Se um sênior estiver explicando os sutras para um doador, sente-se adequadamente ereto e ouça-o cuidadosamente. Não se levante rapidamente e saia. [10]

Não repreenda alguém que você pretende repreender, enquanto estiver diante de um sênior.

Diante de um sênior, não chame ninguém à distância em voz alta.

Quando um sênior estiver ensinando sobre um sutra, não corrija seus enganos desde um assento inferior.

Diante de um sênior não levante seus joelhos e os envolva com seus braços.

Quando um sênior se encontra junto com um sênior, nenhum deles precisa seguir estas instruções (de encontro com um sênior).
O dharma anterior para encontros com sêniors de cinco ou dez angôs, é exatamente o corpo e a mente dos buddhas e ancestrais. Não deixe de estudar isto. Se você não estudar isto, o Caminho dos mestres ancestrais degenerará e o doce orvalho do dharma será extinto. No vasto céu do reino do dharma, isto é raro e difícil de encontrar. Somente pessoas que desenvolveram faculdades saudáveis através de vidas passadas podem ouvir isto. Em verdade este é o último degrau do Mahayana.

Ensinado à Assembléia no Segundo ano de Kangen (i.e., 1244), no terceiro mês, no vigésimo primeiro dia. na Província de Echiza, no Templo Yoshimine.[13]



Tradução: Pedro Federsoni,Íntegra no site: Sanga Águas da CompaixãoRevisão: Monja Isshin, janeiro, 2009

sábado, 19 de setembro de 2009

Sentimentos



Na prática em lugar isolado, um retiro, sente-se mais profunda sensibilidade e empatia e os outros correspondem com sentimentos calorosos e amizade profunda, intensa. As emoções são mais fortes também, embora as de raiva e impaciência se tornem quase ausentes ou muito fracas.
Não há qualquer artificialidade, a vida parece tão nítida que anteriormente é como se estivesse nebulosa.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Devo tentar não pensar?


Tentar suprimir a mente é um erro, a instrução no zen é o que quer que surja deixe vir, o que quer que se vá deixe ir, não se trata de parar de pensar. Concentrar-se em algo também não é correto, a instrução é apenas sentar, aquietar-se e deixar a respiração se tornar natural.

Para não ter expectativas, sente sem objetivo.

Não procure nada, nem nenhum meio termo.

Não procure o "estado natural" de sua mente

Plena consciência nada tem a ver com pensar, se você tocar bem um instrumento e interpretar, isto pode ser plena atenção.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Se é um sonho...


P: Se o sofrimento ocorre dentro da ilusão, e esta é como um sonho, o que fazer com os que sofrem? Dizer que é só um sonho?

R: O que queres dizer é assim: que agora que sabemos que é um sonho, desejas saber que fazer DENTRO do sonho, ora , como sempre todos os mestres e monges fizeram...abraçar e chorar junto.

Não é porque é um sonho que o sofrimento não existe, um homem que tem um pesadelo sofre nele, o que fazemos então? Sacudimos seu ombro e dizemos : acorda!!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A não dualidade e a virtude


Praticantes em um dia de zen em Itajaí SC, houve palestras, meditação e projeção do filme sobre a vida de Dogen Zenji.


P: Se o Sutra do Coração da Sabedoria diz que não há eu e os outros, como entender a vilência no mundo, as vítimas e os agressores, o que dizer sobre isso?

R: No conceito de virtude, há regras, moral, mas para a não dualidade que é o tema do sutra isso não tem sentido algum. Na não dualidade o mundo da virtude não tem a menor lógica, existem 3 níveis possíveis: o da virtude, com os preceitos, em que a violência existe, o da compaixão, o nível em que este sentimento se sobrepõe a tudo, e em que ser agressor é impossível porque a sensibilidade bloqueia completamente este impulso devido ao seu horror ao sofrimento alheio, e o da não dualidade, nível do sutra, em que tudo isso se dissolveu na unidade e em que só é possível agredir a si mesmo, isso se houvesse um “si mesmo” porque só seria possível haver se houvesse outros, o que não há na unidade perfeita, e exatamente por isso a unidade é perfeita porque não há nela ofensor, ofensa e ofendido, vítima nem agressor.
Explicação que tem seu interesse, mas na prática o mundo precisa começar pela virtude, tão distante está dela, desta forma a não dualidade é um conceito útil na iluminação mas não para o comum dos seres que necessitam seguir o caminho do bem e evitar todo o mal.

sábado, 12 de setembro de 2009

Devolva a água



Esta ponte em Eihei-Ji, mosteiro criado por Dogen Zenji, é chamada a ponte de meia concha de profundidade, Dogen ensinou que ao tomar a água do riacho aquela que sobra deve ser devolvida ao riacho, este ensinamento da prática do zen tem vários e profundos significados sobre os quais devemos pensar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Inquietude


P:Chego em casa com a cabeça a mil todos os dias e quando vou tentar me sentar, parece que alguma coisa me expulsa, não consigo me concentrar, não consigo acalmar minha mente. Acho que isso é simples questão de inércia, minha mente está muito turbulenta e está sendo necessário um esforço sobre humano pra acalmá-la, coisa que está acima da minha capacidade pelo visto. Minha inquietude está acima da minha capacidade de me concentrar.

R: Já aprendi que não adianta ficar dando argumentos para olharmos melhor o mundo do samsara. Melhor instruir sobre meditação, ela permite resolver tudo de que você falou, mas notei algumas coisas que precisam de instrução:
Você falou que está tentando se concentrar, não faça isto, simplesmente sente com aquela mente turbulenta e deixe que ela se manifeste, olhe a turbulência, os pensamentos e agitações surgindo, a cada momento que eles se manifestem diga a si mesmo: ah! aí está como surge meu sofrimento! isto agora foi mera ansiedade, preocupação com o futuro, ah este outro é vaidade!
Ah ! este é ambição, este apego! E a cada momento em que se der conta, retorne para a respiração e o solo, a parede e o momento. Faça isto os 40 minutos a que se propôs, sem levantar por mais agitado que fique, aguente firme, não se levante porque a meditação está ruim. Faça-a somente. Não pense em capacidade, ou coisas semelhantes, apenas sente, não tente controlar, a mente não pode controlar a mente!
Haverá efeito, em um sesshin pode levar dois dias até que tudo passe, de tanto se apresentar, corcovear, a inquietação cansa e o samadhi naturalmente começa a ter seus momentos.
Na verdade com tanta inquietação é preciso aumentar a frequência, duas vezes por dia fica melhor. Se possível faça um sesshin, para encontrar outro patamar também.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Retiro Zen Budista


Clique na imagem para ampliar.

Espíritos


P: Há sentido em consultar seres de outras dimensões?

R: Se seres fora deste mundo se manifestam aqui estão tão perdidos quanto nós.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Por que a fé é tão frágil diante do sofrimento?


Porque somos frágeis e delicados, às vêzes não é possível ficar acima das circunstâncias e é necessário, sim, sofrer, saber que é um pedaço do inferno, mas que temos força para atravessa-lo mesmo chorando. Nós temos capacidade de atravessar estes campos lamacentos da vida, mas lá adiante existe o momento de refrigério, é preciso ter confiança nele, que bom que existe a impermanência! Ela permite que saibamos que os sofrimentos se esgotam.
Doutro lado, quem dentro de nós é que sofre com os insultos? É nosso desejo de ser amado, de ser reconhecido, é nosso pobre orgulho de sermos seres diversos, diferentes daquilo que ouvimos...como estar acima disto? Difícil,mas pelo menos podemos respirar fundo, esquecer as coisas tristes nos voltando para as boas, sei que quando experimentamos alguma esperança qualquer recaída é mais dolorosa, por que? Porque alimentamos a expectativa do futuro, porque saímos do presente esperando que tudo continue bom como naquele momento melhor, mas este momento não desapareceu, faz parte da mesma pessoa, ela é tudo isto, o bem e o mal misturados, o que será que nossos olhos podem ver através das aparências das emoções que animam o outro?
São as ações que são erradas, mas as pessoas no fundo tem a pura natureza búdica, é só o carma que as agita.
Saia um pouco e olhe o céu azul, as nuvens passam sem perturba-lo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Portais do Dharma



"Os portais do Dharma são incontáveis, eu faço o voto de penetra-los", significa atravessa-los, transpo-los para uma nova realidade/etapa, da sabedoria. No entanto cada portal tem uma dificuldade que é seu guardião, e cobra do praticante uma senha/compreensão para ser transposto.
A situação pode parecer assim: primeiro o praticante se sente encantado com a promessa de alcançar algo com a prática, depois a prática torna-se árida mas ele tem uma ambição e por isso persiste, a seguir ele nota que teve ganhos mas parece que não avança mais e recai em erros que pensava que já tinha superado, idealizava a si mesmo, desanima, se queixa ao professor, que insiste que ande sem desistir, ele tenta e de repente , sem aviso, tem uma experiência maravilhosa, durante algum tempo há um entusiasmo, mas a seguir parece que não avança mais e tudo recomeça, no entanto ele não é mais o mesmo, sequer pode retornar, ele atravessou um portal e não se pode retornar a ignorância anterior, só se pode mirar para o próximo portal, e eles são incontáveis.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Enquanto isso, na Austrália...



Incêndios tem devastado florestas em vários países, mas o que nos importa na foto é o sentimento implícito no gesto de solidariedade com um urso coala. Em algumas pessoas a compaixão surge naturalmente, elas sentem a dor do outro e tentam diminuí-la, outras divertem-se com o sofrimento alheio e procuram filmes e ocasiões para observa-lo curiosas. Sabendo disso a TV expõe crimes e cenas de dor, porque mais Ibope surge automáticamente. Se quisermos mudar isso devemos mudar nosso olhar, comprazer-nos no piedoso e belo e recusarmos dar audiência à exposição gratuita da dor.
O gesto de compaixão em meio a floresta carbonizada é a cena do mundo que gostaríamos de criar, nosso mero olhar já tem o poder de alterar um pouco o mundo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Choro porque quero - a liberdade


P: Durante o filme todos acabaram sendo tomados pela emoção. E por que isso se ali só existiam luzes coloridas projetadas em uma tela branca? O filme pode ser decomposto em quadros, que podem ser decomposto em conjuntos de luzes dando a sensação da imagem...
A "dinâmica" linear da projeção engancha nossa mente e somos conduzidos para dentro do filme, ao ponto em que brotam sensações, percepções, energias, sentimentos, etc. Ou seja, acreditamos no sonho.


R: Sim, e se não soubermos nos deixar levar então não podemos apreciar os filmes e nem a vida, portanto a habilidade de entrar e sair da ilusão é que é a liberdade. Como disse um mestre quando um discípulo lhe perguntava porque chorava ao receber uma notícia triste: - Eu choro porque eu quero.