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segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Revolução Humana (parte 2/2)




Nós temos essa discussão frequentemente sobre a questão dos animais: as pessoas colocam no Facebook um sujeito que maltratou um cachorro - é um criminoso, é isso, é aquilo etc. Eu sempre tenho vontade de colocar um comentário assim: “você já foi a um matadouro? Você comeu galinha hoje na refeição? Vitela, quem sabe? Parece que sua piedade é só para cães e gatos, não é?” 

Há grandes doses de hipocrisia nesse nosso comportamento. Como ser humano, você perguntaria se é natural matar e comer os outros? Claro que é, perfeitamente natural. Afinal de contas, nós chegamos até aqui matando e comendo os outros seres. Foi assim. Mas a pergunta é: nós ainda somos aquele tipo de animal ou estamos nos transformando num outro tipo de ser? A nossa consciência está nos cobrando um outro tipo de comportamento? O que é que está acontecendo? Estas são as perguntas que tínhamos que fazer. 

Mais do que cultural, natural. Caçar é mais do que cultural: é natural. No entanto, se você perguntar aqui nesta sala se alguém é caçador, se alguém sai com armas atirando nos animais, a resposta é não. Mas nosso comportamento continua sendo semelhante.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A Revolução Humana (parte 1/2)




Aluno: eu penso que esta questão de subir na carreira é algo cultural e não da natureza humana.

Monge Genshô: nós podemos observar isso na natureza. Há uma ciência chamada Etologia, que nos permite distinguir bem estas questões. Quando temos alguma dúvida sobre seres humanos, podemos olhar para os macacos. E se você observar uma tribo de macacos, notará que tem o chefe dos macacos, o mais poderoso dos macacos, que dá cascudos nos macacos mais fraquinhos, e que fica com todas as fêmeas para ele. Não tem? Então, vamos dizer assim, não é bem uma coisa da natureza humana pois nós somos herdeiros de comportamentos que, digamos assim, foram geneticamente vitoriosos. 

Todos nós somos descendentes dos maus. Não somos descendentes dos que ficaram passivos, dos budas, dos monges budistas celibatários dos tempos de Buda, porque eles não tiveram filhos. Nós somos descendentes dos soldados que iam e conquistavam outros países, que estupravam, ou seja, somos descendentes dos maus. E nós deveríamos reconhecer isso em primeiro  lugar. E o comportamento animal também é esse. Os animais que derrotaram os mais fracos, que se reproduziram, os primatas, nós somos uma espécie deles. Então, uma coisa que nós temos que fazer logo é reconhecer nossa verdadeira natureza, e não colocar a culpa na cultura. Olhar para dentro de nós mesmos e dizer: esse é o meu comportamento básico. Agora eu, como homem, como é que eu, adquirindo consciência, mudo meu comportamento?


(continua)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Se há Ambição, não há Paz




Aqueles que têm um nível econômico mais baixo, têm um objetivo mais baixo. Aqueles que já têm um nível um pouco mais alto, já tiveram um objetivo mais alto. Por quê?  Porque não queremos perder o padrão que alcançamos. Minha própria vida é assim: eu comecei como vendedor, depois supervisor de vendas, depois gerente de empresa, depois diretor de empresa. Sempre, a cada passo, tudo parecia maravilhoso. Logo depois, aquele dinheiro era insuficiente. Queria um patamar superior. E isso é bem da natureza humana. Por isso o ditado budista: toda a riqueza do mundo não é suficiente para a ambição de um só homem.

A libertação das paixões passa pela lucidez de enxergarmos sua verdadeira natureza: “ah, esta paixão é toda construída, toda vazia de significado, pois eu que a construo”. Ela não é real, ela não é sólida, eu inventei e eu que a persigo. E toda a felicidade e infelicidade que vem da satisfação da paixão também é vazia, porque ela parece fazer sentido em um momento e, no momento seguinte, não é mais assim. Todo objetivo alcançado mostra um objetivo mais a frente.

Nós precisamos descobrir qual espécie de lucidez precisamos ter para viver nossas vidas, neste momento, com plena satisfação. Como eu posso considerar que eu subi realmente, que estou no pico da montanha, mas ser capaz de considerar que a planície é o pico da montanha? Como obter a consciência de que não há outra coisa para alcançar, que tudo já está perfeito e alcançado? Só assim pode haver paz. Enquanto houver ambição, esta paz está escapando.