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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Iluminação ou Ilusão?




Aluno: A todo o momento os pensamentos vêm e até que ponto você pode saber que é pura ilusão ou pode acreditar que isso seja uma iluminação?

Monge Genshô: Sempre acho mais fácil fazer uma comparação com o orgasmo. Quem já teve não sai perguntando, vem com uma certeza. Entende? Se você duvida, provavelmente não é. Se você se sente como se fosse uma certeza, venha contar e ainda pode ser uma ilusão.

Um rapaz me escreveu, veio aqui e fez um retiro, achou que tinha descoberto algo, voltou para a sua cidade e disse às pessoas que iria ensinar e que iria dirigir retiros. Eu escrevi para ele: “se você quiser continuar ligado ao Daissen-Ji, se você quiser aprender comigo, você deve saber que não pode dizer nada, nem sair ensinando nada antes de ser autorizado”, porque de falsos professores o mundo está cheio, e é muito fácil você ter uma experiência e sair dizendo: “ah, eu tive uma experiência”.

Eu me lembro de uma mulher que sofreu um acidente de automóvel, teve uma epifania e disse que estava iluminada"Você não está iluminada, você teve um acidente de automóvel, você bateu com a cabeça, é completamente diferente”.

Eu conheci o Zen em 1973, só fiz meu Rakusu em 1992, dezenove anos depois; só fui ordenado monge em 2001; só recebi autorização para falar em público oficialmente em 2008; e só recebi meu certificado de professor internacional autorizado a ensinar o Dharma do meu mestre em 2015. Somente a partir desta data é que eu pude ordenar outros monges ou reconhecer a transmissão, uma experiência em alguém. Isso demorou 42 anos. Então, de qualquer jeito demora. Vocês dizem: "eu já estou aqui há dois anos e até agora não consegui nada". Ah, isso não tem importância nenhuma.

[N.E.: trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei] 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A Iluminação é Possível




Aluno: Estando nessa experiência temporal de vida e morte, como é possível você experimentar algo além disso, atemporal?

Monge Genshô: Bem, você tem que confiar na experiência dos mestres da linhagem de toda uma tradição de 2 mil e quinhentos anos. Sim, é possível. A iluminação é possível, não tem nada de tão fantástico. É fantástico, mas não é fantástico. É extraordinário, mas não é extraordinário. Vários alunos já se sentaram na minha frente e me contaram experiências de iluminação, que são experiências fugazes. No último retiro, de quarenta pessoas eu contei três que se sentaram na minha frente e contaram uma experiência real. Mas uma experiência curta, pequena, não é 'A Iluminação'. De qualquer modo, essas pessoas que tiveram mesmo que uma experiência curta não precisam mais de mim para dizer que isso existe, porque já experimentaram um pedacinho. Agora tudo o que eu posso dizer é: "vá mais fundo, faça isso e isso, tem muito mais, você mal arranhou a casca, tem muito mais para descobrir". Essas pessoas não precisam mais ter fé, pois já experimentaram. 
Isso é o ensinar, uma escola para a iluminação.

[N.E.: trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei] 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A Felicidade Além de Vida e Morte




Você corta seus cabelos e joga fora, vão para o lixo; você corta suas unhas, a mesma coisa.  Seu corpo está se desfazendo a todo tempo. Não só os pedaços estão se desfazendo, mas todo ele, e se você se socorre de crenças do tipo “ah, eu tenho uma alma imortal que vai continuar depois da morte e vai para o paraíso”, você não está fazendo mais do que arrumar mais uma fantasia para escapar, não é real. 

Nós, aqui no Zen, não estamos à procura de crenças, ilusões ou promessas fantásticas. No Zen, nós queremos encontrar a realidade tal como ela é, como é verdadeiramente. No fundo, quem sou eu além do meu nome e forma, quem eu era antes dos meus avós, bisavós, quem? Se esse eu é assim tão evanescente e temporário, se não posso me agarrar no meu eu para descobrir quem sou, o que eu sou além do meu eu?


Por isso temos no zendô uma estátua de Manjushri. É uma estátua de pedra sabão feita por um monge mineiro. Este monge era de cor e deu a ela as mesmas feições africanas. E Manjushri está sentado tranquilamente sobre um leão. Esta é a imagem do que acontece com as pessoas na sala de meditação: vocês estão sentados sobre uma mente feroz e turbulenta, mas vocês têm que se sentar tranquilamente, sentar-se com esta mente. Como é que vocês fazem com que ela se acalme, com que ela pare? Como é que você descobre quem você é, como você descobre a sabedoria, como se livra de todas as ilusões e de todas as crenças? 

Essa é a experiência para a qual nós chamamos as pessoas no Zen. Acalmar-se, serenizar-se, isso tudo é muito bom, mas são subprodutos primários da prática. A questão fundamental é a Iluminação, o despertar de todas as ilusões. É rever o mundo com seu brilho. É descobrir uma felicidade que está além de todas as angústias do existir, que está além de vida e morte.

[N.E.: trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]