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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Seshins em São Paulo


Mestre Saikawa Roshi faz meditação andando (kinhin) com monges e leigos no seshin de inverno de 2009 no Templo Busshinji. Saikawa Roshi é o Sookan, autoridade máxima da Soto Zen para a América do Sul.

Veja as datas dos próximos Seshins (retiros zen) no Templo Busshinji

Seshin da Primavera
16, 17, 18, 19 nov 2009
Colaboração: R$ 150,00

Seshin da Iluminação
13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20 dez 2009
Colaboração: R$ 200,00

Inscrições no local ou por telefone.

O retiro será coordenado pela equipe de monges do Templo Busshinji, tendo como responsável o Mestre Saikawa Roshi.

O Templo Busshinji fica na Rua São Joaquim, 285. Bairro da Liberdade, São Paulo - SP. Tels: (0xx11) 3208-4345/4515

Copiado do site Sangha Marga (link ao lado)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Qual o objetivo da vida?


Os outros seres somente vivem, não cogitam de objetivos. Só um homem faz esta pergunta. A resposta mais comum no zen é a que segue:
-Viver.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Zen é avêsso à lógica?


Praticamente todos os discursos de Buda, os sutras do cânon, são exercícios de lógica, ela é usada extensamente, e muitos dos sutras tem o modelo de perguntas e respostas com argumentações racionais. Em particular, o zen, é bastante avesso a abordagens sobrenaturais. Porém, a essência do caminho, é a experiência, e o texto e argumentação apenas mapas, para ajudar no caminho.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Consolo



Monge budista morre queimado, imóvel, em meditação, em protesto, durante a guerra do vietnam.

P: Desejaria um consolo, aonde irei quando morrer?

R: Me escreves que desejarias um consolo para a morte, para a continuidade do EU, o problema é que basta uma doença como Alzheimer, ou um derrame cerebral que atija a memória, para o Eu desaparecer, nem se precisa morrer, o Eu anseia por estes consolos e assim surgiram todas as religiões, o budismo é a única exceção, mas por outro lado posso te dizer que existe continuidade, que não podemos ir embora daqui deste universo, só que somos parte de uma grande unidade e estamos perdidos na crença de um EU . Esta é a principal ilusão e fonte de todo o sofrimento, inclusive de todas as paixões.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Seshin


Este estado de não-mente, de desistir, de esquecer, é que é o estado perfeito, feliz. Quando depois de três dias de seshin, em momentos em que vocês saem e olham as árvores, as flores, o céu e vêem as coisas, e os pensamentos já cansaram e foram embora porque nós não os alimentamos mais, nós não os ficamos mexendo, então esse estado surge, o estado de não-mente, esse é um estado profundamente feliz. Eu estou sempre insistindo: não conversem, não falem, por quê? Não agitem suas mentes. Nós temos muito trabalho pra fazer a mente se acalmar aqui, sentados no zazen, olhando para a parede; muito trabalho, muito sofrimento; depois nós vamos lá e jogamos parte desse trabalho fora por simplesmente trocar algumas frases, depois saímos com um pensamento qualquer: ah, aquela pessoa disse-me isso..., ... tem aquilo que aconteceu...,...será que gosta de mim?...,...será que está me olhando mal? Esses sentimentos são agitações e vão atrapalhar o processo do seshin; por isso, o silêncio é necessário e, por isto, quando a gente recebe uma tarefa, simplesmente faz a tarefa, mais nada.

domingo, 26 de julho de 2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Nihilismo e eternalismo


"Devido à forte crença na dualidade eu-outro, há a permanência da separação sujeito-objeto e o dualismo de eternalismo versus niilismo.

Nossa tendência normal é crer que as coisas existem permanentemente (o que é o eternalismo), mas nada é permanente, e quando há mudança, isto nos perturba pois cremos no permanente. A realidade do mundo nos confronta. Assim, não é a mudança que traz o sofrimento, mas é a crença no eternalismo. Isto traz o sofrimento até nós. Os fenômenos existem interdependentemente. Tudo existe assim, e o que é interdependente não é permanente. A outra alternativa seria o niilismo, a inexistência de tudo.

Criado o conflito do eternalismo versus niilismo, estamos, de qualquer maneira, presos à dualidade. Portanto, geramos o sofrimento tanto de um extremo como do outro. Esta noção dual de sujeito-objeto nos induz ao surgimento de atividades mentais como agressão, raiva, desejo, apego, ignorância, ciúme, etc..."

Jamgon Kongtrul Rinpoche

Além deste ponto há que considerar que existe continuidade nossa e pertencimento, porém não existe continuidade do EU. Alcançar a compreensão de nossa mente original não-nascida, nossa verdadeira natureza, é eliminar nascimento e morte e toda angústia e sofrimento.
Genshô

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O nada e o budismo


P: Vi que nada existe, tudo é uma ilusão do ego, eu acho. Como se tudo fosse um sonho, e que na verdade o que existe de real é o “nada”. Estou certo?

R: De um lado as coisas existem e são reais, o nihilismo é um extremo em que frequentemente caem os iniciantes no budismo, mas Buda não o ensinou, ele ensinou o caminho do meio, nem eternalismo nem nihilismo. Se você trocar as palavras do seu texto de nada para vazio ficará melhor, mas o vazio não é o nada e sim o vazio de um eu em tudo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Acreditar

P: Em que tenho que acreditar para ser budista? Não vejo sentido em rituais e formas religiosas, para ser budista tenho que praticar isso também?

R: O Zen budismo não é uma religião de acreditar, é uma religião de despertar, procure um centro de prática, e comece a meditar, ignore as aparências externas, nem as aceite nem lute contra elas, você compreenderá o sentido de tudo com o tempo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Por que "Sutra do Diamante" ?



Diamante porque este é a substância mais dura, que corta todas as outras, o Sutra do Diamante que corta todas as ilusões.

Trecho:
"Assim deverias olhar o mundo temporal das coisas do ego:

"Como uma estrela que cai, ou como Venus eclipsada pela aurora,
uma bolha em uma correnteza, um sonho,
A chama de uma vela que bruxoleia e se apaga."

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Mudra Universal



Sentados em zazen colocamos nossas mãos neste mudra, é como se segurassemos uma grande jóia, sem deixa-la cair. Os polegares mal se tocam. As mãos formam um círculo, ele não tem início nem fim. Não há dentro nem fora, tudo está contido ali, nós somos o centro do universo e o centro está em toda parte dele.

domingo, 19 de julho de 2009

A paz a cada passo



A paz a cada passo.
O sol brilhante e vermelho é meu coração.
Todas as flores sorriem comigo.
Como é verde e viçoso tudo o que cresce.
Como é fresco o vento.
A paz a cada passo.
Ela transforma em alegrias o caminho sem
fim.

Thich Nhat Hanh - Paz a cada passo.

sábado, 18 de julho de 2009

Filme sobre a vida de Dogen



Naturalmente romanceado, como costuma acontecer nas versões cinematográficas, foi lançado um filme sobre a vida de Dogen Zenji, o grande fundador japonês do Zen Soto. Dogen foi importante também culturalmente, escreveu em japonês consolidando a língua, mesmo papel exercido por Lutero, em relação ao alemão, com sua versão, para o Hoch Deutsch, da Bíblia, ou de Dante Alighieri, que transformou o Florentino de sua época no italiano clássico na Divina Comédia.
Este brilhante escritor e líder espiritual é lido e estudado até hoje nas universidades japonesas e criou a escola que representa 90% do zen no mundo, o filme não tem legendas em português ainda, o que está sendo providenciado por praticantes de Florianópolis, e em breve poderemos assisti-lo com a Sangha inteira.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Carta a um amigo à beira de um grande salto


Estava lendo sobre o caminho óctuplo, a seqüência de passos ensinada por Buda para a extinção do sofrimento. O primeiro passo é a visão correta. Significa perceber a impermanência de todas as coisas, a ilusão do eu pessoal.

Ao ler, dei-me conta do quanto nossa conversa tem esbarrado na dificuldade do primeiro passo. Encarar a impermanência e a ilusoriedade do eu é essencial. O primeiro passo é abandonar o apego à existência cíclica.

Ora, estamos apegados às nossas crenças, identidade, amigos, etc. Quando pensamos em abandonar qualquer dessas coisas a que nos agarramos, surge imediatamente um temor. Esse medo e aflição são produto do mecanismo de auto-proteção do ego. O ego está agarrado àquilo tudo e parece que ele equivale àquelas coisas, crenças , afetos , pessoas.

Nosso eu sempre está querendo se ampliar, somar coisas à sua identidade, memórias, amigos, prazeres; quer ser eterno, não abre mão de uma permanência impossível, quer continuar o sonho, como um louco agarrado à sua fantasia. É preciso coragem para largar todo esse apego . É saltar em um precipício sem nada saber sobre o que está lá embaixo.

No entanto, aquele que salta descobre-se subitamente liberto de inúmeras amarras e condicionamentos, que eram nossos donos. Acreditávamos que nós éramos exatamente aquele conjunto de apegos. Como as pessoas que dizem: 'eu sou assim'. Como se esse 'assim' criasse uma identidade que ele chama pelo seu nome.

A nossa verdadeira identidade está muito mais acima desse sonho de peça escolar, é uma identidade luminosa, abrangente, que percebe a inseparatividade de todas coisas, que é ilimitada, não condicionada pela existência cíclica, pelas identidades individuais, compreendendo tudo, percebendo com nitidez sua eternidade não sujeita à mutabilidade de um mundo submerso em condições.

Quero te encorajar a dar este passo. Não significa abdicar da vida, mas sim optar por ela radicalmente, plenamente, aproveita-la com inteira alegria até o fim. Estás com o pé na beira do abismo e tens medo de saltar. Este medo, sobre o qual escreveste, indica que estás pronto para o salto de abdicar do eu e optar pela unidade. É como quando temos medo de descer em uma montanha russa. Mas quando a queda acontece, há uma experiência libertadora e, ao fim, há o prazer de notar que o receio era apenas nossa imaginação e, agora, estamos livres do medo completamente. Nesse momento sentimos uma exaltação, uma euforia por havermos nos libertado daquele medo, estamos vivos e é muito bom. Não é diferente espiritualmente, embora a metáfora seja obrigatoriamente pobre, saltar é preciso. E, de preferência, com os olhos abertos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Usar o rakusu



Depois de um bom tempo de prática, após haver feito alguns seshins, uma aluno zen budista pode costurar seu rakusu ( a miniatura de manto budista que se usa pendurada ao pescoço) e na cerimônia de Jukai fazer os votos que essencialmente são os mesmos votos básicos de um monge. Ele promete então se dedicar a salvar a todos os seres. Na prática isso quer dizer empenhar-se em ajudar a Sangha em suas atividades, estudar o Dharma, seguir os preceitos tanto quanto consiga. Espera-se do portador de rakusu que seja um membro constante e que se esforce para superar suas dificuldades, que se aperfeiçoe, que respeite os mais veteranos e evite todos os conflitos causados pelo ego. Essencialmente então que manifeste seu comprometimento através de ações e dedicação, por isso esses votos também são chamados "votos de bodisatva", porque os bodisatvas abdicam de si mesmos para ajudar os outros seres.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Postulante a monge



Há alguns anos Yôkô San (64 anos) se dedica à prática do zen. Foi o iniciador dos exercícios de zen yoga para melhorar a postura e a habilidade de sentar corretamente. Manifestando o interesse de vir a ser ordenado um monge noviço, foi aceito, e ontem, formalmente, prostrou-se ante a comunidade expressando seu propósito.
Na foto em uma das aulas que ministra gratuitamente aos interessados antes do zazen na Comunidade Zen Budista de Florianópolis.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mokugyô



O mokugyô é um instrumento que marca o ritmo de recitações em chinês arcaico, tem um som de madeira oca e pode ser bem grande e produzir um tom grave. Tem a aparência externa de uma cabeça de peixe, porque um peixe mantem sempre os olhos abertos.

sábado, 11 de julho de 2009

Avalokitesvara - Kwan Yin



Na China, Avalokitesvara, a representação da virtude da compaixão, assumiu a forma feminina, acima uma típica estátua chinesa de Kwan Yin, como é chamada esta figura no país de Hui Neng.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Exercícios



Exercícios podem ser um bom auxiliar para meditar melhor, depois de longa imobilidade o corpo precisa deles. Na foto de Michel, praticantes de Florianópolis, o fazem em um período dentro do seshin, em Cachoeira de Bom Jesus, no último outono. Os orienta Evandro Seidô, um professor de Educação Física também graduado em vários estilos de Kung Fu e membro da Sangha.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Samu


Samu e yoga na antiga sede da rua Hoepcke, em Florianópolis. Montagem Seikan.

A prática de samu, trabalho comunitário, é muito importante no zen. É preciso saber ouvir instruções sem discutir ou fazer observações, mesmo mentais, do tipo "acho que seria melhor assim...". Em suma, trata-se de um exercício de entregar-se e abdicar do ego e de todo orgulho.
Conta-se de monges ouvindo ordens contraditórias de seus superiores e fazendo as tarefas ora de um jeito ora de outro, e sendo repreendidos a cada vez. Se for capaz de agir assim sem protestar, mesmo em pensamento, agindo como uma folha batida pelo vento, ora para um lado ora para o outro, então ele conseguiu calar seu ego e sua mente cheia de opiniões.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mil braços



Na iconografia budista, Avalokitesvara, o bodisatva da compaixão, é muitas vezes representado com muitos braços, diz-se que não conseguindo salvar todos os seres que sofrem ele recebeu mil braços para sua tarefa. Grupos de dança o representam de forma bela usando este tema.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Servir


Cena em um retiro zen, uma praticante , no papel de Jonin, serve durante a refeição. A concha é girada em direção a pessoa servida, e não no sentido do corpo do que coloca o alimento na tigela. O sentido do gesto é enfatizar o doar sem nada voltar para si, dar completamente e sem restrições. Pequenos detalhes nos gestos fazem a diferença no ritual e examinados atentamente guardam em si lições.
Mesmo que os movimentos não sejam explicados, a sua simples prática se incorpora inconscientemente, causando efeitos na mente.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ihai


O Ihai é uma pequena tabuleta onde se coloca o nome de um falecido, serve como lembrança memorial e é colocado em lugares especiais nos templos onde ficam reunidos. Na verdade perpetua uma tradição de reverência aos antepassados que tem origens confucionistas, não budistas, sucede que o budismo ao entrar na China adotou estas tradições no seu processo sincrético tradicional de não lutar contra os costumes locais. O Ihai foi adotado no Japão e permanece mesmo nas famílias japonesas que imigrando para o ocidente adotaram o cristianismo. Se o budismo brasileiro, vai prosseguir neste aspecto reverencial para com os antepassados, ou não, é uma questão que o tempo irá demonstrar.

sábado, 4 de julho de 2009

Zazen ao meio dia



Ao meio dia, os clientes do Daissen Restaurante Vegetariano,que fica abaixo da Comunidade Zen Budista de Florianópolis, são convidados a conhecer o Templo Budista e as salas de meditação, uma média de 10 pessoas, diáriamente, sobe as escadas da sede e é atendida por voluntários. Estes praticantes mostram as salas da comunidade e eventualmente vendem livros, incenso, zafus e outras utilidades disponíveis na loja da comunidade. Alguns visitantes sentam para meditar e aprendem o zazen.
Os voluntários tem a vista acima da janela da biblioteca da comunidade, os ciprestes da irmandade católica vizinha, cuja sede será usada já em agosto para um retiro de iniciantes no zen budismo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fazendo zazen


Fazendo zazen calmamente no dojo
Colocando de lado todos os pensamentos negativos
Obtendo nada além de uma mente sem desejos
Esta alegria está além do paraíso
O mundo corre atrás de fama e honra
Roupas bonitas e conforto
Mas estes prazeres não são a verdadeira paz
Você corre e permanece insatisfeito até a morte

Vista o kesa e o quimono preto e pratique o zazen
Concentre-se com determinação,
Quer esteja quieto ou em movimento
Veja com seus olhos a profunda sabedoria interior
Observe e conheça intimamente
O verdadeiro aspecto de toda ação e de toda a existência
Seja capaz de observar o equilíbrio
Compreenda e conheça com uma mente que está totalmente calma

Se você é assim
Sua dimensão espiritual,
A mais elevada no mundo,
Estará além de qualquer comparação


Kodo Sawaki Roshi (1880 - 1965)

O Chamado



Um apelo aos corações e mentes por uma evolução dos valores do consumismo predatório.

Cortesia de zendovirtual

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Homem cego atravessando a ponte


Pintura do famoso mestre Zen Rinzai, Hakuin.

Hakuin era louvado por seus vizinhos como vivendo uma vida pura. Uma bela garota japonesa cujos pais tinham uma mercearia morava perto dele. Repentinamente, sem qualquer aviso, seus pais descobriram que ela estava grávida. Eles ficaram muito bravos. Ela não queria confessar quem era o pai mas, após muito pressionarem, acabou dizendo que Hakuin era o pai.

Muito bravos os pais foram ao mestre. "É mesmo?" era tudo o que ele dizia.

Após o nascimento da criança ela foi levada a Hakuin. Ele havia perdido sua reputação devido ao incidente, o que não o incomodava, mas ele cuidou muito bem da criança. Ele obteve leite de seus vizinhos e tudo o mais que ele precisava. Após um ano a jovem mãe não conseguiu mais aguentar. Contou a verdade a seus pais - o verdadeiro pai era um pescador que trabalhava no mercado de peixe.

A mãe e o pai da garota imediatamente foram ver Hakuin para pedir perdão, desculpar-se longamente, e pegar a criança de volta.

Hakuin aceitou. Ao devolver a criança tudo o que disse foi: "É mesmo?"