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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Zazen e Sofrimento



Aluno: Relaxar e estar presente no momento, é esse o sofrimento que vem?

Monge Genshô: Não! Vem todo tipo de sofrimento. Uma pessoa pode sentar e entrar em fantasias prazerosas, sexuais, por exemplo. Começar a relembrar e passar todo o zazen assim. Nós chamamos isso de Naraka, zazen dos infernos: a pessoa mergulhou num prazer que é aprisionante. Outra coisa é torpor, cansaço, sono, etc.,  vai dormir durante a prática e aquele zazen é inútil. A pessoa tem que se sentar atenta, ouvindo a chuva cair no telhado; se ela estiver atenta, qualquer coisa que aconteça na sala ela sente, se alguém abrir a porta lá atrás ela não está vendo mas sabe; é outro tipo de atenção e percepção. Os primeiros estágios são assim, você percebe com nitidez seu corpo, até pode ouvir seu coração ou sentir o fluxo do sangue no corpo nitidamente. Isso significa que você está atento, e só a partir daí que você pode ir mais fundo. A primeira tarefa é parar essa turbulência na mente, e esse primeiro momento será diferente de pessoa para pessoa, de acordo com a gravidade da turbulência. Então existem muitos diferentes tipos de dificuldades.

[N.E.: transcrição de trecho de palestra realizada pelo Monge Genshô Sensei]

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Pensar é Inútil





Monge Genshô: Eu me lembro de passar um ano me levantando de madrugada para fazer zazen e no fim do ano eu estava muito desiludido, ainda era leigo, e pensei: “afinal de contas, o que eu aprendi em um ano me levantando de madrugada para sentar?", e me veio a ideia do que eu tinha aprendido – “Pensar é inútil”. Você está tentando resolver os problemas todos pensando, e devemos saber que não é pensando que vamos resolvê-los.


Aluno: Como resolvemos?

Monge Genshô: Eu não deveria responder, mas é através de insights. Você resolve através de uma claridade que lhe vem e que resolve tudo de uma vez só. Não é através de soluções raciocináveis. É por isso que muitas pessoas vão fazer terapia psicológica anos e anos raciocinando na frente do seu terapeuta, e passam 10 anos e ainda não resolvem, porque não é pensando que nós resolvemos.

  
Contudo, isso não quer dizer, em absoluto, que as terapias sejam inúteis. Elas são úteis e devem ser usadas por pessoas que estão com dificuldades, mas não vão alcançar iluminação com isso. Quando uma pessoa tem dificuldades sérias, eu digo que precisa de uma terapia, ou mesmo um psiquiatra, como na anedota: - O aluno chega e diz -”Eu acredito em homenzinhos verdes na galáxia de...” - e eu digo: "sim, está bem. Eles falam com você?". Ele diz: "não". "Ah então não é grave. Se eles falam com você, então lhe encaminho ao psiquiatra".


Se essa pessoa sentar em zazen, virão outras alucinações na sua mente, porque mesmo uma pessoa que está bem e tem discernimento do que é fantasia e realidade, ela sofre. O Zen tem finalidade diferente: não serve para tratar de distúrbios.

[N.E.: transcrição de trecho de palestra realizada pelo Monge Genshô Sensei]

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O Monge e a Família




Aluna (Suuen San): Para complementar um pouco, eu acho que sofrimento existe em qualquer momento da vida. Ser monge é só um caminho, não é ser um Ser Iluminado, é só um caminho que você escolheu como qualquer outra profissão que tem as coisas positivas e negativas. Tem gente que escolhe ser engenheiro da Nasa e tem que viajar, e aí abandona a família em algum momento, e assim é a vida do monge também. De certa forma é uma profissão, porque há uma dedicação, e a família tem que estar apoiando isso.

Monge Genshô: Está muito bem colocado, porque a capacidade de se iluminar não é diferente entre um monge e um aluno, exatamente como Suuen San disse. E ela como esposa de monge sabe o que acontece. O monge chega e diz: "fui chamado e tenho que passar três meses fora, incomunicável". É isso o que acontece. Então, se tem um lado egóico, ele é contrabalançado por outras coisas, e normalmente, como tinha dito, é uma fantasia das pessoas imaginar que depois que se tornam monges é uma maravilha: não é! Só tem um sentido você se tornar monge:  trabalhar para os outros.

[N.E.: transcrição de trecho de palestra realizada pelo Monge Genshô Sensei]