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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quando morrer você vai entender


Kodo Sawaki Roshi
Para você: depoimentos Zen reunidos


"7. Para você que gostaria de deixar seus rivais na poeira.

Nós freqüentemente nos perguntamos quem é realmente melhor? Mas não somos todos nós feitos do mesmo amontoado de barro?

Todos deveriam sentar-se firmemente ancorados no lugar onde não há melhor ou pior.

Por toda sua vida você está completamente louco porque você acha ser óbvio que exista um ''eu'' e ''os outros''. Você representa um papel para sobressair-se em uma multidão, mas na realidade não há nem ''você'' nem ''os outros''.
Quando morrer, você vai entender.

Buddha-dharma significa ausência de costura. Que costura corre entre você e eu? Mais cedo ou mais tarde nós todos acabamos agindo como se uma costura separasse amigo e inimigo. Quando nos acostumamos muito com isso, nós acreditamos que essa costura realmente existe.

Pobre e rico, importante e não importante - nada disso existe. É somente brilho nas ondas. Ainda assim há alguns que amaldiçoam buddha porque eles estão presos na infelicidade ou porque alguém é mais feliz do que eles.

Felicidade e infelicidade, importante e não importante, amor e ódio - o mundo todo dá grande importância a essas coisas. O mundo onde nada disso existe: este é o mundo de hishiryô.

Não há nada no mundo com o que nós precisemos quebrar nossa cabeça já que está claro que nossos pensamentos deludidos e discriminações são absolutamente inúteis.

Quando o chefe de departamento estava doente, um subordinado passou por cima dele no plano de carreira. Ele estava se recuperando, mas com essa notícia sua febre surgiu novamente. Você realmente não precisa pegar uma febre por causa de algo assim.

Você diz, ''Eu vou te mostrar!'' Mas você nem sabe quanto tempo vai viver.
Você não tem alguma outra coisa para fazer?

No Oeste eles dizem, "O homem é o lobo do homem". O primeiro passo na religião deve ser que os lobos parem de morder uns aos outros.

O que nós temos aprendido desde nossos dias de infância é nada mais do que como fingir sermos importantes. O mundo chama isso de educação. E o que nós tentamos fazer mais tarde na vida? Nós lutamos como demônios, fazemos sexo como animais e nos alimentamos como os fantasmas famintos. É isso.

O mundo inteiro oscila em pernas cambaleantes: como empurrar os outros para o lado só para chegar na frente. No buddha-dharma você não deve ser tão injusto.
O buddha-dharma significa ter sucesso no fracasso. A mente do buddha-dharma é ''sentar-se em zazen por éons sem atingir o caminho de buddha.'' [Sutra do Lótus]

As pessoas fazem uma cara de sono se não há uma luta ou competição acontecendo. Elas estão sempre querendo galopar à linha de chegada. Mas isto é uma corrida de cavalos? Ou elas nadam como lontras, querendo estar um nariz a frente. No final, elas brigarão umas com as outras, como gatinhos por uma bola de lã.

Quando a questão não é ganhar ou perder, amor ou ódio, riqueza ou pobreza, as pessoas colocam uma cara de sono.

No buddha-dharma a questão não é ganhar ou perder, amor ou ódio.

Alguns querem exibir-se com seu "satori". Contudo está claro que algo que você pode usar para exibir-se não tem nada a ver com satori."

Kodo Sawaki Roshi
Para você: depoimentos Zen reunidos
Tradução de Flávio Gevieski

O passado


P: Eu pratico meditação há muitos anos, não todos os dias como deveria, mas sempre que posso. Mas aconteceram algumas coisas na minha vida que me deixaram muito chateada e depois de tanto tempo de meditação, ainda me sinto revoltada e não consigo aceitar o passado , as escolhas que me levaram onde estou. E parece que quanto mais eu tento aceitar as coisas como são hoje, fico mais deprimida.

R: Não lute com o passado, não tente aceitar, retorne continuamente ao presente, quando se apanhar rememorando corte isso e retorne, faça isso na meditação e na vida diária. Se você não olhar para trás ele se tornará cada vez mais indistinto e distante e perderá sua força. Quando você o considera ou rememora é você que lhe está dando força.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Anelos vermelhos


Finda a tarde
e ainda
escuto os sons da rua

Uma criança me espera
tranqüila de que irei
confiança

Os dias me lembram
que o tempo não espera por mim

enquanto coleciono
anelos vermelhos
nos dedos

Será tarde um dia?
Não sei...
Apenas hoje
é fim de tarde.

Jisho.
(Monja Zen budista)

Por que não posso tirar os anelos vermelhos que restam em meus dedos? (Koan Zen)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Origem dos textos budistas


Monges assistem aula de história budista em Yokoji no programa de certificação de professores da SotoShu.

Sobre a declaração de que os textos japoneses e chineses tenham sofrido acréscimos e modificações e os textos de origem tibetana não o tenham há alguns dados a considerar:

Afirmação: "É bom lembrar que as traduções ao chinês e japonês, ao contrário das
traduções ao tibetano e dos originais em sânscrito - muitas vezes foram corrompidas."

Resposta: Os sutras mahayana muitas vezes são textos compósitos, sendo o texto final uma superposição de camadas diferentes de diversas épocas, com aparência diversa, cada sutra individualmente não apresenta necessariamente um todo coerente. Daí surgiram tradições de exposição sendo que estas formaram escolas.. Este surgimento vai do sec 1DC até 600 -700DC.
A linguagem dos primeiros sutras Mahayana é a "MIA" Médio Indo-Ariana, e posteriormente transcritos para o sânscrito , originais sânscritos nem no Triptaka, o sânscrito era lingua morta a este tempo, (foi usado o Páli) foi ressuscitada no período Gupta (320-540 DC) que readotou o sânscrito, língua religiosa, como língua oficial.(Um equivalente moderno ocorre em Israel, a ressurreição do hebraico). As porções sobreviventes sobrevivem num misto MIA/sânscrito, chamado sânscrito budista híbrido, e a prosa explanatória normalmente em sânscrito puro, sugerindo já a interpolação.
O Mahayana não produziu um cânone mas normalmente incluiu o Triptaka aceitando-o. Muitos dos sutras mahayana se auto descrevem como vaipulya (expandido) expansão do ensinamento.
O Mahayana declara que estes sutras foram ensinados em um nível arquetípico e não para todos os seres, assim se declarando um ensinamento superior ao dos sutras do cânone antigo. Há mesmo uma tradição de um Primeiro concílio alternativo presidido pelo Bodisatva Manjusri e que teria ocorrido em um nível arquetípico e no qual Buda os teria recitado em seu tempo histórico, sec 6 AC. Mas a exegese não apoia tal tese fantástica, isto pois há crítica aberta a ensinamentos e prática Hinayana (erroneamente assim chamada) reconhecidamente anterior.
Cerca de 600 sutras Mahayana sobreviveram.
Agora, um sutra como o Sutra do Coração tem evidências de ter sido primeiramente produzido em chinês, e posteriormente traduzido para o sânscrito. É datável de entre 300 a 500 DC, antes da introdução do budismo no Tibete.
Os textos tântricos, caros a tradição tibetana são datáveis entre 500 a 1000 DC.
O Sutra do Lótus situa-se entre 100 AC a 100 DC, é um texto compósito. No capítulo XI um Buda ancestral surge para dizer que o sutra não é novo mas que já foi pregado em épocas passadas.
O Sutra Avatamsaka é longo e compósito também.Teve secções traduzidas para o chinês por Lokaksema no sec II DC, supõe-se ter chegado a forma atual pelo sec IV DC, contém dois sutras que circularam independentemente e sobreviveram no sânscrito o Dasabhumika e o Gandavyuha, baseou a escola Hua-yen.

O budismo tibetano tentou sínteses incorporando todos os sutras, por esta razão sua ênfase nos sastras (comentários) estes recebem primazia nos programas de educação monástica. Uma abordagem diferente da japonesa por exemplo, onde as escolas são em larga medida especialistas. No entanto a tradição tântrica entra aí com contraste introduzindo práticas já presentes na Índia e que foram firmemente recusadas na China por seu conteúdo sexual.
Alguns destes tantras yogini foram indubitavelmente transcritos dos tantras Saivitas e adaptados para propósitos budistas por algum redator.

Há muito mais dados a serem considerados e podem ser encontrados no já abundante material disponível, assim, sabendo as origens e transcrições cruzadas, e o fato de muito do material ter passado anteriormente pelo chinês, (e o sânscrito provir do ressurgimento Gupta), afinal o Tibete só viu o budismo realmente 1200 anos depois de seu surgimento, o alegar de uma superioridade dos textos tibetanos não se sustenta.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Meditação no zazenkai



Das janelas da rua os sons da cidade entram,
Vozes e carros
Praticantes silentes estão como estátuas
Tornaram-se budas
Imperturbáveis

domingo, 26 de setembro de 2010

O Dharma são os veículos?


Foto do almoço do zazenkai de sábado passado, mais fotos aqui.
R: Não, o Dharma não são seus veículos (escolas), porem se não fossem estes, o próprio budismo como teria sido preservado e transmitido? E mais ainda, todos que vejo optarem por serem livres do caminho passam o tempo trocando trilhas na encosta da montanha, ou param a relembrar passagens que já viram em um momento e cessam a subida, ou mesmo tentam criar sua própria senda misturando ensinamentos, mas ela é cheia de obstáculos novos, às vezes termina em ravinas e se mostra errada, e param desacorçoados. Por que será assim?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A AMENDOEIRA NO SEU JARDIM


Pausa em retiro zen de silêncio em Florianópolis.

A AMENDOEIRA NO SEU JARDIM

Falei sobre a contemplação na interdependência. Sei, Quang, que você entende que os métodos para se encontrar a verdade devem ser vistos como meios e não como fim. Convém, no entanto que fique claro aos praticantes que a meditação na interdependência é aplicada para remover as falsas barreiras da discriminação e capacitá-los assim a ingressar na harmonia universal da vida. Seu propósito não é criar ou aderir a algum sistema filosófico.
Hermann Esse em seu romance Siddharta, não tinha ainda visto isso. Por conseguinte, seu personagem Siddharta filosofa sobre a interdependência com palavras um tanto ingênuas. O autor oferece um quadro da interdependência, em que tudo está inter-relacionado e nenhuma falha pode ser encontrada: Tudo tem que se encaixar dentro do sistema infalível da mútua dependência, e diz que esse é um sistema no qual não pode ser considerado o problema da libertação nesse mundo.

Segundo os ensinamentos do Vijnanavada, a realidade tem três naturezas: imaginação (Vikalpa), interdependência (Paratantra) e perfeição última (Nispanna). Consideremos primeiro a interdependência da forma sugerida pelo Vijnanavada. Por causa do esquecimento e dos preconceitos, nós normalmente encobrimos a realidade com o véu da falsa visão e das opiniões. Isto é ver a realidade através da imaginação. A imaginação é uma ilusão da realidade que concebe a realidade como uma agregação de entidades separadas e com existência própria. A fim de romper com a Vikalpa o praticante medita na natureza da interdependência ou inter-relacionamento dos fenômenos no processo da criação e da destruição. Essa consideração é uma forma de contemplar e não uma base de uma doutrina filosófica. Se o praticante se atém apenas ao sistema de conceitos ele encalha. A meditação Paratantra é para ajudar a pessoa a penetrar na realidade e assim se tornar una com ela, e para não aprisioná-la a conceitos filosóficos da Paratantra. O barco é usado para atravessar o rio, e não para ser carregado sobre os ombros. O dedo que aponta a lua não é a lua.

Finalmente chega-se ao Parinispanna, ou seja, à natureza da perfeição última. Parinispanna significa realidade livre de todas as falsas ilusões produzidas pela imaginação. Realidade é realidade, ela transcende todos os conceitos. Não existe conceito que possa descrevê-la adequadamente, nem tampouco o próprio conceito da interdependência. Para assegurar que o praticante não se apegue à Parinispanna como um conceito filosófico, os ensinamentos do Vijnanavada falam das três não naturezas, impedindo assim que ele se aprisione à doutrina das três naturezas. A essência do ensinamento mahayana reside nisso.

Quando a realidade é percebida em sua natureza de perfeição última, o praticante atinge o grau de sabedoria conhecido como mente não discriminativa: uma maravilhosa comunhão na qual não mais existe distinção entre sujeito e objeto.

Quang, isto não é um estágio tão distante e inatingível. Qualquer um que persista em praticar tem a chance de, ao menos, provar o seu sabor. Em minha escrivaninha, tenho uma pilha de papeis requisitando a adoção para crianças órfãs. Traduzo alguns deles por dia. Antes de começar a traduzir uma pilha, olho dentro dos olhos da criança na foto, observando atentamente sua feição e expressão. E sinto uma profunda ligação entre mim e cada criança, que me permite entrar em especial comunhão com elas. Ocorre-me agora, enquanto lhe escrevo que a comunhão que experimento ao traduzir uma simples linha desses pedidos é uma espécie de mente não discriminativa. Eu não mais vejo o “eu” que traduz os pedidos para as crianças, não mais vejo a criança que recebe amor e ajuda. A criança e eu somos um só: não há um que se compadece e outro que pede ajuda. Não há tarefa, não há traba lho social a ser feito, não há compaixão. Quang, se esses momentos não são de mente não discriminativa, o que hão de ser então?

Quando a realidade é experimentada em sua natureza de perfeição última, a amendoeira em seu jardim revelará sua natureza, em perfeita totalidade. Amendoeira é ela própria Verdade, Natureza de Budha, Realidade, seu próprio Eu. De todas as pessoas que passaram por seu jardim, quantas realmente “viram” a amendoeira? Um artista, por ter o coração mais sensível e aberto, é capaz de ver a árvore de uma forma mais profunda que os outros: já existe uma certa comunhão natural entre ele e a árvore. O que conta é seu coração. Se seu coração não está nublado pelas falsas visões, você será capaz de entrar em comunhão com a árvore; a amendoeira estará pront a a revelar-se em sua totalidade. Ver a árvore é ver o Caminho. Quando pediram à um mestre zen que explicasse a maravilha da Realidade, ele apontou para fora dizendo: “Olhe para aquele cipreste”. Entende o que ele dizer Quang? Eu acho que sim.

PARA VIVER EM PAZ – Thich Nhat Hanh
(cortesia de Michel Seikan)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Âmbitos causal e não causal


P: Por que esta afirmação no âmbito da causalidade é correta ?
"Às vezes supõe-se erroneamente que os seres iluminados estão isentos de gerar ou sofrer as consequências cármicas, isto não é o ensinamento budista."

E porque no âmbito não causal estas afirmações não se aplicam como Dogen aponta:
"Se chegarmos à Grande Prática do Caminho, veremos que isto mesmo é o Grande karma. Eis porque não podemos nem afirmar que "Não, o Dharma do karma cessa com a Grande Prática do Caminho," nem "Sim, este Dharma nunca cessa mesmo com a Grande Prática do Caminho." Se erradamente respondermos "Não," também interpretaremos mal o "Sim." "


É realmente muito boa pergunta pois permite explicar . O problema fundamental é o seguinte: a afirmação, está em um âmbito, o da causalidade, neste âmbito:
1) Carma é a lei. (significa "ação" em sânscrito)
2) Carma pessoal é o que gera uma identidade, tal como o carma de Buda.
3) Carma Vipaka são os frutos do carma que um ser experimenta. Quando Buda (depois de iluminado) relata em um sutra que está com dor de cabeça e que isto é fruto de um mau ato seu no passado remoto ao rodar um peixe sobre a cabeça, ele está ensinando no âmbito da causalidade. O mesmo na morte de Nagarjuna que atribui ser esfaqueado a fruto de um carma de seu passado.
4) Vipaka são os frutos no mundo dos atos de todos os seres, no âmbito da causalidade este texto e o ato de você a estar lendo é fruto dos ensinamentos de Buda no passado. Portanto os atos de um Buda geram consequências cármicas no mundo.

Assim vista a frase acima está correta, e é neste âmbito que se faz a primeira leitura do koan da raposa, e por declarar que os iluminados não estão sujeitos a causalidade é que o mestre fica transmigrando por 500 vidas.
A frase de Grande Mestre Hsu Yun "se até mesmo um Buda tem que se preocupar com suas ações, imagine nós"... está no primeiro âmbito, por esta razão foi perguntado como poderia isto ser compatibilizado com a " não dualidade", ora o Mestre não confunde os âmbitos por isso pode falar em ambos. Isto é o mesmo que a analogia da geografia, falar que não existem fronteiras , nem em cima nem embaixo, está certo visto de um satélite, mas no mundo dos mapas, existe em cima e embaixo e fronteiras, não ajuda nada ficar dizendo a um aluno com um mapa que ele é uma fabricação mental e por aí afora, isto deve ficar para depois, quando se olharem fotos de satélite. Se se faz isto no budismo também confundimos os estudantes.

Depois do parinnirvana, morte de Buda, não há mais uma identidade operando e assim não há carma pessoal (carma vipaka), foi justamente por se extinguirem as energias cármicas que a identidade não mais existe e o iluminado se liberou.
Praticamente todo o Cannon Pali budista fala no âmbito da causalidade, os ensinamentos não causais são posteriores, ou declarados como dados secretamente por Buda e escondidos e revelados por Tertons (no caso tibetano seres que os recebem em suas mentes a partir de indícios ou fragmentos de textos) ou escritos posteriormente e ditos como do Buda histórico (Sutras como o do Diamante), ou escritos por mestres que os desenvolveram através de sua realização pessoal (como os textos de Dogen).

Quando se passa para o âmbito do não causal, ou âmbito transcedental, tudo muda, o problema não é declarar o âmbito não causal, Dogen o faz em seu texto numerosas vezes, mas toma o cuidado de declarar ambos os âmbitos, ele não pretende confundir, pretende ensinar, por esta razão o faz.
A insistência em falar no âmbito não causal, para comentar o âmbito causal, assim cria uma respeitável confusão na mente de quem lê, é por isto que digo que não se trata de estar errado, mas sim de usar um método de mensagem que não ajuda o ensinamento budista.
A insistência em dizer que o âmbito causal está errado é uma contradição em termos, porque no âmbito transcedental as declarações certo e errado também não fazem sentido, isto demonstra técnica didática errônea, a qual pode causar grande prejuízo no ensino do Dharma, em um momento se declara errado ou certo algo e a seguir se propõe como única abordagem budista possível a não causal, onde certo e errado não existem. Dogen chega a explicitar isto com clareza em seu texto:

"Se chegarmos à Grande Prática do Caminho, veremos que isto mesmo é o Grande karma. Eis porque não podemos nem afirmar que "Não, o Dharma do karma cessa com a Grande Prática do Caminho," nem "Sim, este Dharma nunca cessa mesmo com a Grande Prática do Caminho." Se erradamente respondermos "Não," também interpretaremos mal o "Sim." "

Notem que Dogen tem o cuidado de ressaltar ambos os âmbitos na tentativa de não ser obscuro.

Então os seres iluminados sofrem consequências cármicas ( como a dor de cabeça do sutra) no âmbito causal, no âmbito não causal já sabemos que a declaração será docetista (Buda não é um homem realmente), "Buda manifesta um corpo para seres com mérito, a dor de cabeça é uma manifestação compassiva para dar um ensinamento..." Uma afirmação transcedentalista muito útil para certo estágio de ensino, mas no qual não se afirma mais nada como sim ou não, e tudo fica como se manifestasse e não manifestasse e assim por diante.

Genshô

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Rubem Alves




GANHEI CORAGEM

Rubem Alves

... colunista da Folha de S. Paulo ...

"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente
tem coragem para aquilo que ele realmente conhece",
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe
acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus
como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio;
o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo
como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha
para que o povo, na planície,
se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso
que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão.Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário
pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse:
"Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa
numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,
porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces; a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola
com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos
sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões,
se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,
se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral"
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo,
a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente,
são incapazes de fazer mal a uma borboleta,
se incorporados a um grupo tornam-se capazes
dos atos mais cruéis.Participam de linchamentos,
são capazes de pôr fogo num índio adormecido
e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.

Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,
eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

Rubem Alves

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O querer tem um EU que quer?


Praticante em retiro contempla o mar do Morro das Pedras. 2010.

P: Como posso "querer" mudar algo que me incomoda, se o homem verdadeiramente desprendido tem pobreza de querer?
Se o querer pertence a um eu, como agir sem um eu?

R: Existem ensinamentos provisórios e definitivos, o relativo e o absoluto, quando se diz que devemos querer mudar imagine um drogado, não deve ele lutar para querer abandonar o vício? Mas em um nível muito alto abandonar o querer não é abandonar o eu? Estamos falando em níveis muito distantes, primeiro os praticantes precisam lidar com o grosseiro para só então, tendo se tornado virtuosos e bons praticantes dos preceitos, ou seja, havendo mudado, então passarem para tentativas mais sutis do treinamento como abandonar a si mesmos e aos seus quereres.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Trilha zen do Gravatá na Praia Mole



Fotos de Jussara Peccini (veja mais fotos no álbum)

Compartilhamos com todos as fotos da Trilha do Gravatá do último dia 7 de setembro. Aqueles que participaram da trilha e que tiverem fotos, podem contribuir com este álbum, basta envia-las para o email: trilhazen@gmail.com que publicamos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Coen Sensei e Monja Isshin



Coen Sensei, eminente professora do zen e abadessa de seu templo em SP, esteve em visita à Sangha Águas da Compaixão em Porto Alegre, a qual é orientada por Monja Isshin.
Estiveram presentes membros do Via Zen de Porto Alegre, orientado por Coen Sensei, e visitantes de outras comunidades budistas a este momento de confraternização.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Aquele que não retalia


O vento move apenas as vestes do monge. Yokoji, 2010.

“Cânone em Pali, "Aquele que não retalia vence uma batalha difícil de vencer", como também no tradicional texto zen Shodoka, em trecho já mencionado aqui: “Se as pessoas ofenderem e difamarem você, deixe-os: eles estão brincando com fogo, tentando queimar o céu. Quando eu os ouço, suas palavras são gotas de néctar que me mostram que esse momento está livre de conceituação. Palavras ofensivas são bençãos disfarçadas, e meus ofensores bons professores. Esta mente tem espaço para difamação e ofensa e é ela mesma compaixão e paciência sem originação.”

É relevante também a seguinte menção (acho que do Sutra Avatamsaka): "Um bodhisattva se preocupa com o que faz, não com o que recebe. Um homem comum se preocupa com o que recebe, e não com o que faz."

Do blog Tentando não fugir (link ao lado)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Perguntas de um trabalho de psicologia e religião


1 -Qual a importância de sua religião para seus adeptos?
O zen budismo é visto como um método para alcançar a iluminação, ou a libertação do sonho de ilusões em que estamos mergulhados, o sentido do budismo é ter uma porta de saída, ou seja, alcançado o despertar não teria sentido continuar carregando o método.

2 -De que forma os adeptos de sua religião expressam sua fé?
O zen budismo não é uma fé, o método precisa ser praticado seriamente, por esta razão chamamos seguir o método de "a prática". Dizemos que o zen budismo não é a religião do acreditar, mas sim a do despertar.

3 -Como vocês vêem os adeptos de outras religiões?
Pessoas diferentes precisam de sistemas diferentes, a diversidade religiosa não somente é natural como necessária. O budismo não se vê como proprietário de uma "verdade" excludente.

4 -Como a sua religião vê temas polêmicos como o aborto a eutanásia e o suicídio?
O budismo não tem posições fechadas, pensa que cada caso precisa ser examinado em suas condições,atentando para o sofrimento menor para o maior numero de pessoas, por exemplo, o aborto de um feto inviável é lógicamente uma diminuição de sofrimento. A eutanásia pode ser perfeitamente plausível nesta ótica desde que haja clareza dos envolvidos. O suicídio pode ser entendido se beneficiar mais seres, se for um ato altruísta, embora seja, para o indivíduo, uma grande perda de oportunidade se sua vida puder, em qualquer forma, ser proveitosa.

5 -Como a sua religião vê aspectos da sexualidade nos dias de hoje?
A sexualidade é produto de apegos e desejos, a forma de sua expressão não importa, se causa sofrimento a outros seres é uma coisa má, se causa felicidade e harmonia é uma coisa boa. A regra budista é "não use sua sexualidade de forma a causar sofrimento".

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Budismo e Instituição


P: Em "Budismo sem crenças", Stephen Batchelor comenta que o próprio Buda e seus discípulos imediatos viam a prática de seu Dharma (ensinamento) em termos exigentes mas claramente não religiosos. O que agora chamamos de "Budismo" (um termo cunhado
no Ocidente) geralmente se refere a uma religião institucionalizada posterior -- e repleta de objetos religiosos internos, certezas doutrinárias, privilégio monástico, status social e mistura com autoridades políticas -- que trai o espírito radical, cético e mendicante do próprio Buda. O que o senhor acha?

R: Basta observar a organização da Sangha monástica ao tempo de Buda: havia privilégio para os mais antigos e uma hierarquia dentro da Sangha, tanto que se destacava um grupo especial de discípulos e mesmo professores com seus próprios alunos. Claramente os monges eram vistos como superiores aos leigos e estes viam o ato de ajuda-los como um privilégio.
Autoridades e pessoas ricas doaram terrenos e ajudaram a comunidade financeiramente, Buda conversa com reis e governantes nos sutras. E lutas políticas aconteceram dentro da Sangha com até mesmo um contestador (Devadatta) tentando a eliminação física de Buda e a subversão da hierarquia.
Ora, dizer que houve um budismo no passado, a saber, nos tempos de Buda, não intitucionalizado, não hierárquico, distante da sociedade, sem autoridades é simplesmente projetar um anseio mítico de viés anarquista no passado idealizado, não é assim que a evidência documental fala, ela narra exatamente o contrário.
Este discurso só pode servir a uma crítica ao budismo atual como deturpado em comparação com um passado mítico, mas contraria a evidência histórica.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Destino


P: O que o que o Budismo acredita quando se fala em destino? O Budismo acredita em alguma força maior que nos protege em situações difíceis? Destino? Ou apenas um lance de sorte?


R: O budismo não é uma religião do acreditar, é o ensinamento do despertar. Se houvesse destino nossas decisões estariam prejudicadas pois o que quer que fizessemos o destino decidiria por nós, um absurdo lógico, se assim fosse nenhum criminoso seria responsável e sim o destino, nenhum ato bom teria mérito também.
Estatísticamente algumas pessoas sobrevivem em situações excepcionais, na verdade isto é mera matemática, em milhares de casos fatais em um terremoto um ou outro indivíduo se salva e crê que foi protegido. Dado tempo suficiente todos os eventos possíveis sucederão é simplesmente a lei das probabilidades, nada mágico está envolvido nisto.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Almoço no zazenkai


Durante o zazenkai de domingo, almoço informal, mas mesmo assim recitamos o verso das cinco contemplações:

Recebamos este alimento conscientes dos inumeráveis esforços necessários para que ele chegue até nós.
Examinemos a nossa prática para verificar se ela é digna dele.
Recebamos este alimento como um remédio que nos permite continuar a praticar.
Recebamos este alimento livres de toda a avidez.
Comemos para praticar o bem, para evitar o mal, para seguir o caminho do Buda.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Prefácio à Edição do Sutra de Hui Neng


Prefácio à Edição Brasileira
do Sutra de Hui Neng, traduzido e editado por Tam Huyen Van

"Este trabalho é como uma voz que nos fala de 13 séculos, ecoando nas montanhas da China e reverberando até um ocidente que nem era uma terra conhecida àquele tempo, tampouco nela se vislumbrava o futuro estabelecimento da civilização do extremo ocidente. O budismo dirigiu-se sem parar para o Leste, e assim, paradoxalmente, como é comum no zen, chegou ao Oeste. Em cada lugar onde floresceu conheceu uma época dourada e depois uma lenta decadência, agora parece ser o momento do início áureo no ocidente, de modo auspicioso, textos produzidos nas Américas começam a ser lidos no oriente, e o impulso de estudar e praticar ressurge nos países do Leste, levado pelas mãos de entusiasmados praticantes ocidentais que lá chegam procurando por uma prática que agonizava.

É neste contexto que podemos ler o esforço de tradução realizado no presente trabalho. Trata-se de semeadura, o trabalho compilado das palestras de Hui Neng é um texto seminal, foi ele o responsável pela grande expansão do Ch'an chinês, 43 discípulos reconhecidos, que deixou o Patriarca, é uma obra inaudita, muitos mestres não conseguiram deixar um só sucessor e viram suas linhagens desaparecer no pó dos tempos.

De Hui Neng nasceram cinco grandes escolas Ts'ao-tung (jap. Sôtô), Yung-men (jap. Unmon), Fa-yen (jap. Hôgen), Kuei-yang (jap. Igyô), Lin-chi (jap. Rinzai) destas sobreviveram até nossos dias somente a de Ts'ao-tung e a de Lin-chi.

Em um tempo em que é fácil o surgimento de falsos mestres, e auto denominados iluminados, colocar à disposição de todos um texto de grande força e originalidade, tende a enfatizar a necessidade de escolher cuidadosamente linhagem e professor do Dharma. O esforço de colocar o ensino em trilhos corretos está presente todo o tempo nas intervenções de Hui Neng, embora se auto declare analfabeto, suas palestras estão repletas das citações e referências de um estudioso mas muito mais do que isto possuem a marca de uma experiência pessoal vivíssima.

Suas declarações paradoxais, e aparentemente contraditórias, pretendem fazer os alunos voltar-se para uma verdade fundamental. Além do quietismo e da perturbação mental, ele verbera, ora o raciocínio, ora o mero sentar vazio e qualquer coisa que lhe pareça afastar-se do caminho do meio. Este é um motivo importante para que a leitura do sutra deva ser feita na íntegra, a citação de frases isoladas causará grandes enganos. Visto Hui Neng ter preconizado que as respostas devessem ser em pares de opostos, e baseadas em antônimos, somente uma leitura abrangente dá a visão correta de seu pensamento.

Que o budismo brasileiro nascente tenha à sua frente um período dourado é natural. Que possamos agora aproveitar da tarefa dos que se dedicam a difundir o ensino dos grandes mestres, por esta razão os méritos de um trabalho como este são incomensuráveis."
Monge Genshô

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Qual a posição budista sobre o aborto de fetos inviáveis?


Inscrição em pedra do tempo do imperador budista Ashoka. Índia.

P: Autorizar o aborto de uma mãe que sofre por albergar em seu ventre um bebê anencéfalo (sem possibilidade de sobreviver após o nascimento) poderia ser visto como um ato de compaixão para com a mãe e com o "nascituro"?


R: Não pensemos no Budismo como uma religião legalista tipo Catolicismo Romano, que tem uma série de respostas prontas para todas as dúvidas, respostas que são dadas de cima para baixo, como decretos dos Deuses do Olimpo. A postura básica do Budismo é, como não pode ser, o respeito à vida em todas as suas formas. Mas a grande contradição da vida é que ela precisa devorar outras vidas para se perpetuar. Se quiséssemos seguir 100% o preceito de não matar, teríamos de morrer de inanição porque, alimentando-nos, estamos sacrificando outras vidas para sobrevivermos. Essa questão do aborto deve ser meditada a partir dessa perspectiva contraditória. Devemos, talvez, considerar, no caso em questão, qual das duas alternativas provocará mais sofrimento no mundo e optar por aquela que nos parecer que irá causar menos sofrimento. Sempre não esquecendo de lamentar pelas eventuais vidas que somos obrigados a sacrificar em determinadas circunstâncias. Não há respostas prontas, cada caso é sempre um novo desafio a ser enfrentado.

Gasshô,

Shaku Riman
(Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves)