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sexta-feira, 27 de abril de 2007

O estado pode usar símbolos religiosos em repartições públicas?

Além de atentar contra a justiça, a presença dos símbolos religiosos em repartições públicas viola um dos princípios básicos das democracias modernas, que é o da separação entre Igreja e Estado. A Constituição estabelece que “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.” [da Constituição]. Desprezar esse pilar do estado democrático não preserva a liberdade religiosa, mas a viola.

Copiado do site do movimento "Brasil para todos": http://www.brasilparatodos.org/

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Por quê tememos a morte?

Primeiro a morte só existe porque existe nascimento, quem tem medo dela é seu eu, este produto da atividade mental, que quer permanecer para sempre. Segundo, já estamos sós agora, se acreditarmos em nosso eu, como ficar mais sozinho do que olhando os outros através das fendas dos olhos? Para deixar de sentir este medo você precisa descobrir quem você é por trás desta sensação ilusória de eu, esta máscara que você está vestindo agora.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Janer Cristaldo pergunta porque o Dalai lama seria a reencarnação de Buda, se reencarnação não é doutrina budista.

Prezado jornalista Janer,
1) O chamado Buda histórico era um homem que morreu com 84 anos de distúrbio intestinal. Não existe reencarnação ou coisa semelhante para ele, já que o budismo nega almas e similares. E além disto Buda extinguiu seu carma.
2) Os budistas tibetanos falam (pelo menos deveriam usar este termo, a palavra reencarnação se presta a confusão) em manifestações do Buda da Compaixão, Avalokitesvara, e dizem que o Dalai Lama é uma manifestação deste Buda mítico. Belíssima forma de ver um líder de sua qualidade. Mas nada a ver com o Buda histórico Shakyamuni.
3) No budismo Buda significa acordado, desperto, e é um termo usado para muitas coisas, um exemplo é o budinha gordo que muitos no ocidente tomam pelo Buda histórico, fundador do budismo. Trata-se de uma espécie de papai noel chinês de nome Po Tai, nada a ver com o asceta e magro Buda histórico.
4) A sucessão dos Dalai Lamas , os 14 a que se referem, são apenas os líderes da escola Gelugpa, uma das 4 escolas tibetanas. Vê-se assim que a afirmação de que o Dalai Lama alega ser reencarnação de Buda Shakyamuni é uma interpretação errônea das crenças tibetanas.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Kahner Sama

Kahner Sama

Kahner Sama foi um homem de uma vida incrível. Saiu da Alemanha antes da Segunda Guerra e foi diplomata no Oriente. Falava tantas línguas que perdi a conta, inclusive chinês e japonês. Suas traduções eram ótimas! Conheceu o Budismo no Oriente. Morreu aqui em Porto Alegre. Certa feita, falei com ele sobre sua morte que sabíamos, se aproximava muito rápido após um primeiro enfarte. Fizemos isso tomando vinho na mesma sala em que escrevo este texto. Estava muito bem preparado. Não se agarrava a nenhuma ilusão. Deixou-me um Hai Kai:

Lua cambiante

Passeia pelas nuvens,

Caminhamos juntos.

Aquele homem, que parecia rir de nós em seu caixão, enquanto líamos o Sutra do Coração, costumava usar velas para responder a questão do Atman. Ele perguntava: - Se eu passar a chama da primeira vela para a segunda, acendendo-a, é a mesma chama? Sim, é! Mas também não é! É outra chama. É a mesma chama... Assim a vida não cessa nem começa, ela continua. A vida é um processo, não uma sucessão de começos e fins. Somos todos fogo, não chamas individuais, mas também somos cada um uma chama, porém não separada da anterior e posterior. Entenderam?

E ria gostosamente.


segunda-feira, 23 de abril de 2007

Poderes psíquicos

No treinamento do zen se recomenda que todos os aparentes poderes sejam abandonados, não falar deles e não os usar, eles conduzem a aprisionamentos do ego e adiam a libertação.

domingo, 22 de abril de 2007

A imprensa privilegia a violência?

Não se trata disto, é cômodo para a sociedade acusar a mídia, mas esta é pautada por sua necessidade de vender espaços publicitários. Estes tanto mais valem quanto mais Ibope houver. Desta maneira são os assistentes que criam indiretamente a programação.

Assim o que pauta as empresas de comunicações é a audiência, as notícias que produzem mais audiência são as que são veiculadas. Se todos desligassem suas tvs quando a programação é violenta tudo mudaria. Não é a imprensa que gera o modo do noticiário, é o público comprador. O budismo sempre ensina que somos nós que plasmamos o mundo, não o contrário.

Da mesma forma se todos ligassem a TV Senado para assistir "Quem tem medo de música clássica?" este programa de concertos iria para o lugar do Big Brother na TV paga. (TV Senado, 10h dos sábados)


sexta-feira, 20 de abril de 2007

Carta do Colegiado Buddhista Brasileiro, à Veja, dirimindo enganos sobre o budismo.

Relendo um texto jornalístico em que o budismo é dito "uma superstição que se baseia na reencarnação" resolvi postar aqui a carta oficial enviada à imprensa sobre o tema:


A matéria, A força da Fé, erra em suas referências ao budismo, o etnocentrismo faz o redator transferir ao budismo termos e conceitos de outras culturas. Em primeiro lugar o budismo não tem dogmas, nem preconiza um Criador ou uma divindade, e não se baseia em uma fé, exceto na de que o homem , por seus próprios meios, pode despertar de suas ilusões.

Mais adiante o redator afirma que os budistas crêem em uma semente herdada de uma encarnação anterior, basta esclarecer que o budismo descarta almas, espíritos ou sementes permanentes que encarnem, sendo a crença de que o budismo seja reencarnacionista mais uma transferência de axiomas de outras religiões.
Para o budismo é a mente em funcionamento que cria a sensação de identidades pessoais. Em especial, o budismo é uma religião de despertar, não uma religião de acreditar.
Segundo o Sutra do Diamante, o mais antigo documento impresso localizado, nada permanece tal como alma ou coisa que carrega e transmite algo. E no Cannon Páli que reune as mais antigas escrituras, compilado por volta de 300 AC, fica clara a doutrina de Anatman (não há partícula permanente) em contraposição ao Atman (há alma, ou algo para reencarnar) doutrina do hinduísmo.
O Carma (os impulsos decorrentes de ação) é que gera uma identidade, e não uma identidade carrega um carma. Cada ser que surge, embora manifeste impulsos cármicos, é inteiramente novo em sua identidade, em seu eu ilusório pessoal.
Encarnações, como a palavra indica, implica que algo entra em um corpo, e não é isto que o budismo ensina, e sim que por um corpo se manifestar ele gera a noção de uma identidade, de um eu, e este eu se pensa algo separado, isto cessa inteiramente com a morte.
Os textos budistas que eventualmente usam a palavra reencarnações, por erro semântico, transferiram ao budismo um conceito que a este não pertence, e que o destaca de todas as outras grandes religiões.

Repetimos, para o budismo:

1) Não há divindade, nem criador.
2)Não há alma nem nada que sobreviva à morte, senão os efeitos do carma (que significa ação em sânscrito) ou seja,
ação gera consequências.
3) Reencarnação tem sentido no espiritismo é um erro usá-lo no budismo onde não há nada para reencarnar, há continuidade cármica (fenomênica) somente.
4) O budismo não se vê como uma fé, mas como um método de libertação, aponta a saída para o próprio budismo, que deve ser abandonado quando uma mente se liberta inteiramente.

PS: Sugerimos, antes de escrever sobre o budismo, consultar a entidade Colegiado Buddhista Brasileiro, CBB,
http://cbb.bodhimandala.com/ o qual reúne professores das diferentes correntes tradicionais da mais antiga das grandes religiões.

Assinam o presente documento os diretores em conjunto do Colegiado Buddhista Brasileiro, com sua qualificação após seus nomes.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Ambição

Flavio pergunta:

- Monge, Kodo Sawaki escreve que devemos viver sem ambição, que este é o melhor presente que podemos dar ao mundo. Isto é possível mesmo? Como viver sem ambição?

R: Aceitando as coisas como vem, e sabendo exatamente qual nossa função no mundo e executando-a com não mente. Não há ambição assim, mas somos grandes realizadores desta forma. Aliás como foi Kodo, um grande realizador, estamos nós aqui falando em sua influência, em seus textos e obra.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Psicanálise e budismo


“O eu não supõe um substrato íntegro denominado identidade. Ao contrário, tudo indica que o eu é sempre uma bricolage de identificações, incorporações, possessões. Entretanto, é inegável que o eu tem sempre uma concepção íntegra de si que pode ser denominada de identidade e é imaginária.”



Manoel Tosta Berlinck

terça-feira, 17 de abril de 2007

Vazio significa que os objetos existem ou não?

Existem diferentes abordagens budistas para esta questão sendo uma das mais extremas a da escola Yogachara, ou Cittamatra, que declara que tudo é produto da consciência, é a escola da mente apenas.
No zen a tese predominante é a de que os objetos existem, são vazios de existência inerente, e são percebidos de forma distorcida por nossos filtros pessoais. Na iluminação, uma percepção direta melhora muitíssimo a nitidez da percepção pois os filtros são descartados. Vê-se também a interdependência de tudo, em outras palavras a unidade de tudo, e isto inclui realmente tudo, não somente o mundo exterior, pois não existe esta distinção, interior x exterior.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Refeição na sala dos monges. Mosteiro do Morro da Vargem.(Foto Seigen)

Samsara

No budismo dizemos que estamos neste mundo de samsara. Neste mundo onde sofremos e onde nos alegramos. Onde um misto de sensações impermanentes nos faz voar a esmo como uma folha ao vento. Pensamos em escapar ao samsara e ir para um nirvana, um lugar de paz. Mas nem nirvana nem samsara são lugares. Ambos são produtos de nosso olhar. Com os olhos de Buda transformamos todo samsara em nirvana. O necessário é tirar nossos olhos deludidos e troca-los pelo olhar de Buda.

Samsara significa perambulação, perambulamos tentando achar algo, uma perfeição, uma felicidade, que não está em lugar algum, nem em uma pessoa nem em uma atividade. Este mesmo samsara é o nirvana quando deixamos de procurar e aceitamos as coisas tais como são. Seus defeitos são produtos da análise de nossa mente, então é exatamente esta nossa mente que gera o samsara, e é ela mesma que em paz encontra o nirvana (nir - não, vana - ventos).

domingo, 15 de abril de 2007

A doença na casa de saúde

Lembro da frase, "as pessoas vem aos templos budistas esperando encontrar iluminados, e encontram gente como elas mesmas". Ouço a história de uma agressão a um praticante, por outro, em um templo budista. Um repreendeu outro por ser agressivo e recebeu um pontapé e uma martelada. Só posso admirar os que trabalham tentando ajudar os outros, e lamentar a doença da raiva e da vaidade que embaraça a vida do agressor.
Já vi monges também ficarem muito aborrecidos por serem admoestados, são seres humanos também, e sofrem de vaidade. Todo o sentido do treinamento é superar estas dificuldades, e para isso trabalham os mestres.
Tudo isto não desmerece os templos nem o budismo. Mostra somente que a doença procura um lugar para curar-se. Seria igualmente absurdo que alguém entrasse em um hospital e reclamasse: "Mas aqui não é uma casa de saúde? Como encontro tantos doentes?"

sábado, 14 de abril de 2007

Os preceitos e a não dualidade

A contradição e o paradoxo, tão usados no zen, podem se prestar ao meramente contraditório, ao meramente paradoxal, e assim ser caminho para a confusão e tantas vezes para a licenciosidade. Por esta razão creio que o ensinamento da prática das virtudes e dos preceitos vem antes da não dualidade, e esta só pode ser abordada quando a virtude e preceitos já foram realmente incorporados.
Assim quando alguém diz: "não há certo nem errado" está se louvando da não dualidade. Acontece que no mundo convencional, onde agimos todo o tempo, há sim, certo e errado, preceitos, bom e mau carma. Não dualidade é um ensinamento profundo que só pode ser alcançado por quem já passou com sucesso pela senda da virtude, já ascendeu e transitou completamente pelo caminho da compaixão e tendo aniquilado seu eu, pode passar pelo portal da compreensão não intelectual, verdadeira, da não dualidade.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Medo de meditar

Algumas pessoas escrevem sobre o medo de se sentar em meditação. Na verdade esse é um receio do próprio ego que não quer ser confrontado com sua realidade ilusória. Na meditação esse medo é o de que haja uma aniquilação de um si mesmo a que nos agarramos. Quando isso surge deve-se permanecer em meditação e se perguntar de onde vem isso. As identidades não precisam morrer, elas são máscaras que usamos para transitar por esse mundo convencional. Mas há dentro de nós uma natureza verdadeira, e ela não está sujeita a nascimento e morte. O que precisamos ver é esta natureza que está além das manifestações temporárias, evanescentes, da vida em que estamos mergulhados. Atingido isso não há medo, e surge uma alegria permanente e calma.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Trecho do livro "O Pico da Montanha"

Como conciliar este reconhecer da impermanência, com a vida de um executivo? Parece que todas as motivações, com que se acena na vida mundana, são ligadas ao obter algum sucesso. Ou ter mais coisas, símbolos de poder e afluência, ou possuir mais poder dentro das organizações. As estantes das livrarias estão cheias de livros que falam sobre a prosperidade, sobre o ser vitorioso, vencedor. Agora meus novos amigos me demonstram que é tudo fumaça, evanescente. Mas se é assim que motor poderia mover o mundo? Sim, todas as coisas são impermanentes, no entanto ter uma vida útil e rica tem o sentido de espalhar bem estar entre os outros participantes da sociedade. Há que se ser produtivo, os monges aqui em volta trabalham sem cessar. Eles têm até um ditado antigo “dia sem trabalho, dia sem comida”.

Parece então que a questão é entender a impermanência, estar consciente dela. Assim pode-se escapar da prisão de lutar pelo que é transitório, como se fosse o objetivo final. Esta meta tem que ser mais profunda para fazer sentido, senão todos, ao se darem conta da transitoriedade, deixariam os esforços de lado e o mundo naufragaria em mediocridade. Mas que estas metas que nos vendem de mero sucesso, de vencer os outros, de triunfar acumulando bens, são realmente objetivos menores, isto são. Sem sentido perante a impermanência de todas as coisas.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Iconoclastia Zen

O Lucas fez um comentário à foto do Hanamatsuri, ele se refere a frase do Mestre Zen que observou que se tivesse estado presente quando a lenda diz que Buda menino teria apontado para o céu e a terra (como mostra a estátua homenageada) e dito:

- Se eu estivesse lá eu o teria matado a pauladas.

Esta iconoclastia representa a recusa do zen em deixar-se levar pelo mítico e pela sacralização. Ambas essencialmente ilusões. Mas não se creia que se verá um monge zen fazer coisa semelhante. E qualquer um que tiver uma atitude não reverente em um monastério ou templo zen será convidado a retirar-se. Por esta razão a compreensão das duas atitudes, a iconoclastia para voltar a por os pés no solo, e a reverência para construir um espírito elevado, convivem no zen simultânea e paradoxalmente.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Zen no Trabalho

"Buda salientou que o sofrimento humano se origina do nosso desejo de coisas materiais e emocionais, de coisas transitórias e impermanentes, que jamais poderão nos satisfazer plenamente. Porém, ainda que lutemos por essas coisas, por pensar que nos trarão felicidade, elas não são objeto do nosso verdadeiro desejo. O que realmente queremos é algo que preencha um vazio
íntimo. O desejo de coisas impermanentes é expressão do desejo de se sentir completo."

(Les Kaye, In: O Zen no Trabalho,p. 122-123, Cultrix)

quinta-feira, 5 de abril de 2007

O que é Vazio

O Vazio é a qualidade da forma de não ter existência inerente, separada dos outros seres e manifestações do universo. Não é um lugar, ou algo ao qual iremos nos unir, não é uma entidade ou um ser em si mesmo. Do Vazio sequer podemos dizer que existe ou não. O Sutra Coração do Prajna Paramita expressa claramente que o Vazio é a Forma, e a Forma é nada mais que o Vazio, pois o Vazio só se manifesta como forma, e as Formas nada mais são que o Vazio manifestado.

Quanto aos bodisatvas: são seres que abdicam de se extinguir porque desejam salvar os seres do sofrimento. No entanto, o mesmo Sutra, deixa claro que não há algo que possa ser chamado de os outros seres. Os bodisatvas acordam seres de sonho que vivem vidas sonhadas em que crêem que existe algo como eu e os outros, os bodisatvas sabem que é sonho, mas mesmo assim sacodem seus ombros. Eles dizem: acorda! acorda!. Por esta razão a palavra Buda significa acordado, despertado.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Respostas a um questionador sobre consciência.

Neste diapasão é correto afirmar que o carma contém a identidade e uma vez extinto restará extinta qualquer sombra de identidade?

R: Correto afirmar que o carma gera um ser que pensa, por pensar produz uma identidade, e sim extinto o carma não há como produzir a ilusão de uma identidade.

Haverá então consciência (após a morte), em termos absolutos, de deleite e da eterna alegria na fusão com o Vazio?

R: Não. Até porque o Vazio é uma qualidade da forma, não algo que existe além das formas ou um substrato delas. O Vazio se manifesta como forma, a forma é vazio o vazio é forma. (O Vazio não é um conceito para divindade)

Em caso positivo "Quem possui tal consciência"?

R: Não há alguém para possuir.

Me refiro a um Buda que extinguiu todo o carma não mais fazendo distinções entre ele e os outros.

R: Ele se extingue. Não se manifestará mais.

Caso contrário, como quem perde a memória, também a consciência é dissolvida? Ou seja o estágio final é um estágio inconsciente?

R: Não há alguém para ficar inconsciente.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Conselho aos que recebem insultos

Do Lama Karma Zopa Norbu, da Escola Shangpa Kagyu, aconselhando um amigo que ouviu insultos:

- Tenha paciência, siga no Dharma, não se abale, perdoe.
É um conselho útil para todas as situações em que flechas são atiradas. Buda antes de sua iluminação viu miríades de flechas sendo lançadas pelos exércitos do mal. Devido à sua mente em iluminação elas se transformavam em flores.

domingo, 1 de abril de 2007

Jigoku no soran

Falava com meu precioso amigo Mauricio Ghigonetto, presidente atual do Colegiado Buddhista Brasileiro, sobre os egos que fervem em todas as atividades. E que, vez por outra, afloram entre os budistas, seres humanos que são. Abrem conflitos, sentem-se ofendidos, agem como crianças birrentas. E ele falou sobre os ensinamentos de Shinran, o grande mestre do budismo Shin:

Ele disse: - Sabe que isso me fascina? Por quê? Perguntei. E ele:
- Olhar de fora e ver isso tudo mostra que somos finitos, incompletos, ignorantes....
afirma mais ainda minha satisfação em seguir o Budismo....eu sou tão egóico e vejo que os outros também são....Isso é fascinante mesmo, claro que essa é uma visão muito Shin da situação....
"o inferno está garantido" como disse Shinran: "vivemos no jigoku no soran" "no teto do inferno" vendo tudo isso, vemos que o Dharma tem que ser ensinado..... o remédio tem que ser ministrado aqueles que tem a doença..... os que estão sãos não precisam do Dharma....."se até os bons podem se salvar, mais ainda podem os maus" "os bons já estão salvos".

Para que instruções?


Sento à frente de Saikawa Roshi, meu mestre, Francisco Casaverde ao meu lado, ambos desejamos saber como devemos prosseguir em nosso caminho, eu no sul, ele no Rio, pergunto:

- Roshi (velho mestre), que instruções o senhor nos dá agora?

O mestre sem hesitar:

- Que instruções daria? O caminho se mostra a cada passo...