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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Desista do Seu Orgulho




Quando nos sentamos em zazen, esta sensação de que não podemos desistir, mesmo não aguentando mais, pode levar a uma outra mente, pois algumas pessoas heroicamente aguentam simplesmente esperando que toque o sino e isso está sendo muito desagradável para elas. O que eu recomendo é que desistam dos seus orgulhos de praticar, desistam de serem bons praticantes. Vocês não são bons praticantes. São maus praticantes. Então, assumam: “eu não sou bom. Eu não preciso parecer bom, porque o Sensei está lá na frente olhando para mim. Eu não preciso parecer bom para o meu colega do lado. Eu posso trocar de posição. Eu posso trocar o zafu por uma cadeira. Eu posso, porque eu não sou bom”. E então sua prática vai melhorar, porque não será mais uma prática para mostrar para ninguém. Você terá desistido, porque é ruim mesmo e essa é uma grande descoberta.

Quando você faz um sesshin de sete dias, ou um Angô de meses, você descobre que você é medíocre mesmo, ruim mesmo, que é um mau praticante e essa descoberta é maravilhosa, porque é com ela que você abdica de si mesmo, do seu ego, daquilo que você deseja parecer para os outros. Você tem que fazer o melhor que pode sabendo que é ruim. Tem que trocar de posição quando não aguenta, tem que pegar um banquinho, uma cadeira, qualquer coisa, com a assunção, o sentimento próprio de humildade. Essa humildade de saber que é medíocre é muito boa, muito boa. 


Minha prática só pôde melhorar quando descobri que era um Monge medíocre - que era ruim nas cerimônias, ruim em decorar os sutras e eu era ruim mesmo. Mas quando me dei conta, percebi que estava bem assim. Não existia mais o desespero. É quando você reconhece a si mesmo.