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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A Originação Dependente: Sem Alma




[Nota da Edição: trata-se de palestra ministrada pelo Rev. Meihô Genshô Oshô que foi dividida em oito postagens. Esta é a primeira delas]

Minha atenção foi chamada por uma pergunta de um aluno. Através de sua pergunta, ficou nítido que se sabe pouco sobre a originação dependente. 
A originação é uma construção filosófica budista muito diferente das nossas concepções tradicionais ocidentais sobre a existência das coisas. O primeiro assunto que se deve entender é a questão fundamental de que o budismo é um rompimento com certos conceitos anteriores do hinduísmo. O hinduísmo tinha, em primeiro lugar, o conceito da existência de deuses. E mesmo de um deus que, de certa forma, era um deus criador, porque o mundo era decorrência da sua própria respiração, da respiração de Brahma.
O outro conceito fundamental, e que está profundamente impregnado em nossa concepção de mundo, é o conceito de que existe algo dentro de nós que é independente do corpo. Em sânscrito isso é chamado de atman: é tecnicamente o que Platão chamou de alma, e que o cristianismo adotou firmemente, contrapondo-se ao judaísmo, que não o tem, e que praticamente todas as religiões adotaram. Tal conceito está tão entranhado que quando eu pego livros, por vezes escritos por pessoas cultas que falam sobre o budismo, eles, muitas vezes de forma simpática, atribuem ao budismo uma crença qualquer sobre alma ou reencarnação, o que não é budista.
 O ensinamento básico de Buda é anatman. Ou seja, o “a” é como em português (o sânscrito é parente do português: é uma língua descendente do próprio hindo-europeu), esse “a” é negação. Anatman significa sem alma, sem atman. Então, o ensinamento budista é, basicamente, que não existe dentro do homem, nem de nenhum ser, uma partícula permanente, eterna, indivisível, que é ele mesmo e que independe do corpo, e que transmigra de corpo para corpo, reencarna ou qualquer coisa que o valha. Este não é o ensinamento de Buda. O ensinamento de Buda é que o carma é que continua, ou seja, existe uma onda de energia no universo que nos manifesta e que tem uma certa coesão e, portanto, quando nós morremos, essa onda continua e se manifesta em outro ser que diz a si: "eu sou", e tem noção de uma identidade


sexta-feira, 30 de março de 2007

Rabino Henry Sobel

Conheço o esforço e o discurso de muitos anos do Rabino Sobel. Neste momento queria dizer que não misturo os atos individuais e particulares de um homem com sua fé. Que só posso conceber que uma perturbação mental o levasse a agir contra o que ele profundamente acredita e defendeu toda sua vida. Não foi jamais um vendedor de benesses, nem um comercializador de intermediações divinas. Sofrem muito todos os que durante tantos anos o tiveram como guia. E neste momento angustiante, ponho-me a seu lado como ser humano que sou, falho e vacilante, transgressor e arrependido de muitos atos, e ofereço minha mão de amigo. Porque é exatamente nestas horas em que todos se afastam temerosos de conspurcar suas imagens que podemos manifestar nossa solidariedade humana. Vejo o drama e arrependimento pelas consequências, e quisera que nossos homens públicos tivessem a mesma arrasadora vergonha quando agem da forma que todos vemos, sem corar nem se esconder, optando pela simples negação mentirosa como se ela obscurecesse a nação inteira. A toda a comunidade judaica e ao Rabino uma mão estendida de quem confia nos princípios morais que estão acima da nossa condição humana.