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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Seres sencientes


Pergunta – Hoje tive uma sensação diferente com os instrumentos, é como se todos tivessem o mesmo sentido, o de uma continuidade e que nos conduziam para o mesmo lugar, o que isso significa, o que senhor pode me falar sobre esse sentimento?

Monge Genshô – Nada.

Pergunta – Mas existe algo de concreto no meu sentimento, digo, é correto?

Monge Genshô – Claro, mas se você me dissesse que são separados e cada um tem um significado eu daria a mesma resposta. Está certo. Fique com seu sentimento, mas não use sua mente racional para tentar explicar, é neste ponto que nos perdemos. Apenas sinta. Isso se parece com aqueles relacionamentos em que está tudo maravilhoso até que um dos dois, geralmente a mulher, quer discutir a relação. Pronto, é começo do fim. Está tudo maravilhoso até que tentamos explicar, apenas sinta.

No Zen estamos à procura de um sentimento puro, límpido, que não precise de explicações. Há a história de um grande mestre zen que era um erudito, sabia muito sobre a história do Zen e sempre lia muito, conhecia as escrituras e sabia todos os sutras de cor. Um dia ele chega para seu professor e diz que iria desistir, não havia conseguido alcançar a iluminação e por isso iria se retirar para um eremitério na montanha. Largou os estudos e apenas dedicava-se a fazer seus trabalhos diários. Um dia varrendo o chão, uma pedra foi arremessada pela vassoura e bateu num bambu produzindo um som característico. Neste instante ele despertou. O despertar é muito simples, difícil, mas muito simples.

Pergunta – O que são os chamados seres sencientes?

Monge Genshô – Seres quem sabem que existem. Seres cientes de si.

Pergunta – Então os animais não são?

Monge Genshô – Sim, por que não? Um chimpanzé se reconhece no espelho. Isso é muito interessante, as pessoas querem colocar tudo do lado de fora, quando tudo está do lado de dentro. Algumas pessoas dizem que não são felizes por esse ou aquele motivo. É como alguém que vai à frente do espelho e vê seu rosto sujo, então pega um pano e limpa o espelho. Vemos dificuldades e problemas lá fora, até nos darmos conta que temos que limpar o rosto e não o espelho. Isso é decorrente da questão “sermos cientes de nós mesmos”. Muitos de nós parecemos seres sencientes, mas não somos, só olhamos para fora o tempo todo. Isso dá sentido à frase de Saikawa Roshi, “peixes são verdadeiramente peixes, pássaros são verdadeiramente pássaros, só os homens não são verdadeiramente homens”. Eu fico imaginando se eu fosse um pássaro e tivesse a mente que eu tenho, nunca conseguiria pular do ninho para voar pela primeira vez. Ficaria sempre cogitando sobre minha capacidade de voar.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os quatro ilimitados



Ven. Dhammadipa continua:  - Os quatro ilimitados são assim chamados porque os objetos em si são ilimitados e no Budismo os objetos ilimitados são os seres sencientes. Os Sutras do Conhecimento transcendental são a base do conhecimento Mahayana e outro grande sutra é o “Makahannya Shingyo”, o sutra que vocês recitam. Essa literatura transcendental é até mais vasta que os próprios Ágamas, mas pode ser resumida em uma frase: “Tudo é vazio”. Nos Sutras da Sabedoria Transcendental todos os seres senscientes são estendidos ao universo. Os Arahats não vêem nenhum ser senciente, apenas vêem os skandhas, ou os agregados. Eles precisam prestar muita atenção em uma pessoa para percebê-la, caso contrario só percebem os agregados.

 Na Sabedoria Transcendental todos os objetos tornam-se amor, compaixão, alegria e equanimidade. Por exemplo, é muito comum no ocidente quando uma pessoa bate com a cabeça numa porta, que fique bravo, fale mal e chute a porta. Devemos praticar amor e compaixão pela porta. Os quatro ilimitados estão relacionados aos ilimitados do sem desejos.

 Essa é a situação que o Buda se encontra. Buda não necessitava ver um objeto em particular. Ele estava sempre conectado com alegria, amor, equanimidade e compaixão. Essa é uma idéia superior. Essa é a conquista última das perfeições. Mesmo que seja muito difícil, é muito benéfico o atingimento e compreensão dessa idéia, ainda que eu mesmo não seja capaz de fazê-lo tento o meu melhor e os encorajo a tentar também.