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sexta-feira, 27 de maio de 2016

O que o Dharma pode me dar?



O que o Dharma pode me dar? uma resposta famosa de um mestre que disse: “eu gostaria muito de lhe dar alguma coisa, mas só tenho uma bola de ferro incandescente para ser engolida”. Qual é a bola de ferro para ser engolida? Aquele que você pensa que é, não é. A bola é: “eu mesmo sou a ilusão de mim mesmo, eu mesmo sou uma criatura de sonhos, falando para criaturas de sonhos. Todos estamos sonhando isso aqui agora, só que é um sonho muito nítido”. Por isso Buda quer dizer despertar. Buda diz: acordem. Sentem de frente para a parede e percebam que estão ali para acordar, este é um método para acordar. Só isso, um treinamento.

O que nós estamos fazendo são exercícios, estamos tocando escalas de frente para a parede, mas a verdadeira música é outra. Só que quem não treina não pode tocar a música. Quem não fizer o treinamento não consegue escapar da ilusão e quem escapa da ilusão ouve a grande música, mas ela é impossível de ser tocada sem esforço. (continua)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Destruir as ilusões

Se todos tivessem atravessado o rio e estivéssemos do outro lado, para que usar manto? Nenhuma utilidade. Para que o budismo? Utilidade nenhuma. O budismo é um veículo e não algo para nos agarrarmos e dizermos que é a verdade. Quando alguém diz isso, ele perdeu todo o budismo. O budismo é um meio para praticar. É maravilhoso, destruidor das ilusões, sem dúvida, é por isso que é tão precioso, porque em geral a humanidade sempre se agarrou em ilusões, sempre quis acreditar em coisas fantásticas e milagrosas, mas o budismo está dizendo que não é bem assim. Milagroso é estar aqui agora e ouvir. Milagroso é que haja mar lá fora, é que exista o budismo, porque não era para sobreviver uma religião que não tem nada para entregar. Se alguém me pede para dizer qual é a verdade eu não posso, só posso mostrar o caminho, porque o budismo não é dono da verdade. (continua)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Meios hábeis

As indicações dadas nos ensinamentos são: “olhe é por aqui”, “treine assim”, “faça assim”, “procure aqui e se você fizer desta forma terá condições de alcançar o despertar”, mas quando alcançar o despertar para que servem os mantos? Os símbolos, as roupas e o bastão? Eles são apenas meios hábeis. Eu estava dando uma palestra para 30 padres e um deles me perguntou “o que é isso na sua mão?” e eu disse “originalmente é um bastão para coçar as costas”. Com o tempo, como tinham Mestres sempre o usando, ele se transformou no símbolo do Mestre. Mas não é diferente do báculo do bispo católico, então eu disse “é um instrumento litúrgico” e os padres começaram a rir compreendendo. Mas o que é mesmo? É meio hábil. O manto é meio hábil, as pessoas fazem reverência para quem está usando o manto e por causa disso elas acreditam mais em quem está usando o manto. O que é o bastão? Um pedaço de madeira. O que é o manto? Embora maravilhoso, é um pedaço de pano. Na realidade é isso. Mas por causa das nossas condições humanas e das nossas ideias sobre características, então eles têm influência. É muito interessante isso. Nós usamos esses meios, mas na verdade são só o que aparentam.(continua)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Os ensinamentos são apenas indicações

Continuamos com mais três trechos do Sutra: “O Tathagata os reconhecerá. Sim, ele perceberá claramente esses puros de coração, porque eles não caem na ideia de uma ego entidade, de um ser ou de uma individualidade separada, nem sucumbirão ao erro de considerar a ideia das coisas como tendo qualidades intrínsecas, nem mesmo de coisas constituídas de qualidade intrínsecas, porque se eles pensassem assim, eles estariam atribuindo uma ego entidade, um ser separado dessas coisas, através das suas características. Esta é a razão porque o Tathagata sempre ensina este axioma: ‘meu ensino da boa lei deve ser comparado com um barca, um homem que já cruzou a correnteza seguramente numa barca, continua carregando aquela barca em sua jornada sobre sua cabeça?’. O ensinamento do Buda, quando finalmente compreendido, deve ser abandonado, e, mais ainda, devem ser abandonados falsos ensinamentos, porque na realidade esses ensinamentos todos são apenas indicações”.(continua)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Livro de Deyve Redyson sobre a história do budismo no Brasil


Prezados amigos, com muita felicidade comunico que o livro “Os caminhos do Dharma no Brasil” foi publicado pela editora CRV. Este livro é o resultado de aproximadamente seis anos de pesquisa sobre as experiências do budismo no Brasil. Feliz com o resultado da obra, feliz com os mestres, lamas, monges que me concederam entrevistas, conversas, diálogos e muitos aprendizados. Especialmente agradeço ao Prof. Dr. Rev. Ricardo Mario Gonçalves que foi o grande entusiasta desta obra, meu muito obrigado Prof. Ricardo pelas palavras gentis no prefácio deste livro. A cada dia mais publicações sobre o budismo começam a aparecer no Brasil, publicações serias que demonstram que as pesquisas sobre budismo começam a alcançar certa maturidade.


https://
www.editoracrv.com.br/index.php?f=produto_detalhes&pid=31614

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O despertar não é algo inatingível

Uma vez Saikawa Roshi me escreveu muito contente da França, dizendo: “pesquei uma baleia”. Na mitologia budista, uma baleia ou um dragão significa que ele encontrou uma pessoa que tinha despertado. Ele disse que essa mulher entrou na sala, sentou, abriu a boca e disse uma frase. Quando ela disse a primeira frase ele sabia, então só lhe restou fazer perguntas teste. O despertar, a iluminação, não é algo inatingível, ele está ao alcance de qualquer um que está aqui, a questão é: você descartou passado e futuro? Então você pode criar o terreno para despertar. Respondendo essa sua pergunta: só Buda reconhece Buda, mas para as outras pessoas, um Buda pode ser só alguém meio maluco, que tem um parafuso frouxo. Para o Mestre é outra coisa. (continua)