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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Qual a visão do budismo sobre os negócios?



Pergunta: Qual a visão do budismo sobre os negócios?
Monge Genshô: A palavra “negócio” vem de negar o ócio. Se você opta por uma sociedade sem dinheiro, por exemplo, isso na realidade é ignorância. O dinheiro foi criado para facilitar tudo, antigamente fazia-se escambo, que era a troca, mas muitas vezes você não queria trocar o que você tinha pelo que tinham para te oferecer, então precisava de uma moeda que facilitasse esse processo e ela já foi diversas coisas, inclusive sal. Os soldados romanos eram pagos com sal, por isso havia uma estrada saindo de Roma chamada Via Salária e também por isso usamos a palavra “salário”. Sal era dinheiro e se podia trocar por qualquer coisa. Como nos presídios hoje se troca cigarros. Então quando foi inventada a moeda como objeto de troca isso facilitou imensamente os negócios, que também facilitaram a vida de todos. Se você é médica e tem a habilidade de curar, isso não matará a sua fome, somente quando alguém te dá dinheiro para que você o cure é que você terá como comer. Outro efeito da existência do dinheiro foi a possibilidade de haver crédito o que impulsionou imensamente as transações, associações, sociedades, pois havia como financiar baseado nas expectativas. Isso são os negócios, na base. O problema é que tudo se distorce, colocando as coisas em níveis inacreditavelmente complicados, como aconteceu na bolha dos derivativos imobiliários, vendendo hipotecas que na realidade não tinham valor, misturando boas dívidas com más dívidas. Quando a bolha se dissolveu e mostrou sua falsidade, desabou-se todo o edifício econômico, porque tornou-se algo tão complexo e tão difícil de entender que a população não consegue acompanhar o que está acontecendo. Quantas pessoas entendem, por exemplo, o fato de um desequilíbrio fiscal no Brasil causar o desemprego? É difícil de entender. O desequilíbrio fiscal poderia ser resolvido, por exemplo, com a impressão de dinheiro na casa da moeda e isso era feito nas décadas de 70 e 80, mas já descobrimos que causa outros graves problemas financeiros, demoramos muito pois a teoria das causas inflacionárias já estava estabelecida há muito tempo. (A pergunta é o que o budismo tem a dizer sobre os assuntos técnicos, diremos no próximo post.) (Continua)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O mal só existe se você acredita no bem



Pergunta: O mal existe?
Monge Genshô: O mal só existe se você acredita no bem. Quando comemos recitamos “comemos para praticar o bem, para evitar o mal e para seguir o caminho de Buda”, isso é a primeira roda do caminho: a virtude. Para a virtude existe o mal e existe o bem, mas esse ainda é o pensamento dual. A verdade é que “bem” e “mal” não existem porque são distinções classificatórias de uma mente que pensa e divide. Isso depende muito do ponto de vista, por exemplo, um jacaré come um pato numa lagoa. Para o jacaré é uma refeição, para o pato é uma tragédia. Onde está o bem e onde está o mal? Não existe bem e mal, nossas visões são obscurecidas pelas nossas paixões. Se um jacaré matar uma criança acharemos que é um mal, porque é uma criança humana, então mata-se o jacaré. Essa é a visão humana, mas não existe bem e mal na atitude do jacaré, ela é apenas uma manifestação da vida.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Dharma está em muitos lugares



Pergunta: Gostaria de compartilhar uma experiência. Durante muito tempo eu pensei na morte e isso me angustiava muito, até que um dia me veio uma frase no pensamento: “não se preocupe em como você vai, porque você não se preocupou para vir”. A partir disso tudo melhorou.
Monge Genshô: Interessante, o Dharma está em muitos lugares e não é uma propriedade do budismo e nem do Zen. Dharma quer dizer a sabedoria, a lei ou o ensinamento e ele surge em lugares às vezes surpreendentes. Mesmo que todo o ensinamento desaparecesse surgiria um novo Buda. Assim como os que estão dormindo podem acordar, onde há obscuridade pode surgir Buda. Nós podemos ver textos cristãos, islâmicos, etc, que são claramente textos de pessoas com percepções iluminadas. Não é necessário ser budista ou Zen budista para se libertar do sofrimento e obter uma clareza.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Um ser iluminado pela música

Imperdível este curta premiado no Oscar de 2014, uma pessoa com uma visão iluminada da vida apesar das tragédias que viveu.

Muitas formas de se atingir a iluminação



Existem muitas formas de prática e existem muitos métodos que podem levar à iluminação, talvez o que seja mais efetivo e universal seja a meditação, por ser o método que Buda praticou e ser o que tantas pessoas do mundo praticam. Mas pode acontecer, se uma pessoa tiver suficiente carma para isso, da iluminação ser atingida através de uma arte.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Sonhamos um sonho mau que nos conduz a enganos



Nós sonhamos um sonho mau que nos conduz a enganos e nos faz sofrer, mas quando acordamos todo o sofrimento desaparece. Eu vi um documentário que recomendo a vocês chamado “A pianista do número 6” que recebeu o prêmio de melhor curta. Ele mostra uma pianista de 109 anos, que é a mais velha sobrevivente de campos de concentração da 2ª Guerra Mundial. Toda sua família foi morta e ela foi levada para um campo de concentração que era uma espécie de vitrine para mostrar a arte. Os nazistas fizeram esta vitrine como demonstração, para mostrar como eles tratavam bem os prisioneiros e só por causa disso ela sobreviveu. Eles reuniram os artistas para fazer corais, músicas e no final mataram essas pessoas também, sobraram apenas alguns. Essa mulher teve a sorte de sobreviver e dentro desse documentário ela é uma pessoa muito feliz que fala coisas maravilhosas todo o tempo e diz que até no mal há beleza. Recomendo que vocês vejam para entender que é uma pessoa iluminada falando. E o mais interessante: é iluminada através da música.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Como se descreve a natureza búdica?



 Pergunta: Como se descreve a natureza búdica?
Monge Genshô: Não é questão de descrição, a natureza búdica é uma qualidade dos que estão dormindo. Como todos estão dormindo, todos podem acordar. Num mundo de Budas ninguém fala disso, porque ninguém está dormindo. O papel dos Mestres é sacudir os ombros dos que dormem para que acordem, é o mesmo que você faz com um amigo que está tendo um pesadelo.