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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Zen: Retorno à Origem



O Zen que é uma reforma radical dentro do budismo, porque ele foi, com o tempo, tornando-se cada vez mais e mais religioso. O Zen surgiu, então, como um movimento, dentro do budismo, de retorno à origem, retorno a estes conceitos de que estou falando, sempre de certa forma desprezando, ironizando os aspectos religiosos. Por isso há a história, no Zen, do monge que pegou uma estátua de Buda que era de madeira, partiu em pedaços, fez uma fogueira e aqueceu-se porque a noite estava muito fria. Em dado momento, os outros monges chegam e dizem: "mas como? Você queimou Buda?". E ele responde: "era Buda? onde estão as shariras?". Shariras são joias que mitologicamente surgem quando você crema o corpo de um ser iluminado, pequenas joias. 

Quando cremarem o meu corpo, vai sobrar implante de titânio. Na verdade já tem três. Ao menos gera recursos para fazer alguma coisa, uma espécie de milagre...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Budismo é Experiência



Apesar de o Zen descartar os deuses, há a imagem de Kanzeon na cozinha, eu passo na frente do altar e faço gasshô

Kanzeon representa a virtude da compaixão. Não é um ser, digamos, mas sim um meio hábil para nós incorporarmos ou visualizarmos a compaixão como se fosse um ser. E como a compaixão parece uma virtude feminina, então Kanzeon é representada na China e no Japão como uma mulher. No Tibet, todavia, é representado como homem, chamado Avalokitesvara, buda da compaixão. 

Eu fiz essas observações todas para entendermos como o budismo se encaixa na história humana. Ou seja, ele é uma espécie de heresia, uma espécie de não conformismo com as crenças e a tentativa de olhar o funcionamento do mundo como uma responsabilidade sua. Você, com suas ações, é que constrói o chão sobre o qual você caminha. Do outro lado, o budismo vestiu-se de símbolos, tomando emprestadas mil coisas das culturas por onde passou, de modo a constituir-se como uma religião. 

Pode-se dizer, então, que o Budismo tem todos os aspectos formais de uma religião, mas quando se analisa suas teses centrais, percebe-se que se trata de uma ideologia baseada no que ele próprio entende por "leis naturais". Então, o budismo não depende de fé, mas de experiência.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O Budismo e os Deuses



Eu gostaria de chamar a atenção ao fato de, pelo budismo basear-se nessa ideia de carma, nas ideias de mérito e demérito, de causa e efeito, ele descarta a existência dos deuses e foca unicamente na lei natural.

O budismo é, então, dentro das ideologias chamadas de religião, o grande sobrevivente detentor do conceito de lei natural. No entanto, como aconteceu com todas as outras religiões, à medida que ele (o budismo) passava de um país para outro, ele sincretizava-se com o politeísmo ou com as ideias locais. Isso aconteceu no Tibet, por exemplo, com a religião Bon Xamânica; isso aconteceu no budismo japonês através da transformação de divindades locais em bodhisatvas que acabam sendo respeitados e reverenciados a tal ponto que as pessoas chegam até a fazer pedidos para tais divindades, como no cristianismo, que se faz pedidos para os santos, que são deuses capazes de interferir e tem inclinações. 

Apesar desse sincretismo, o budismo é uma ideologia baseada na lei natural, e a questão é se você aceita essa lei - causa e efeito, carma, o funcionamento do carma -, porque não existe, na criação do budismo, nada que endosse os deuses bodhisatvas, buda da medicina, bodhisatva da compaixão, etc. Por isso as repostas sem sentido dos mestres Zen a respeito, por exemplo, do bodhisatva da compaixão, Kanzeon: "Kanzeon existe?" - Pergunta um monge para um mestre Zen. E o mestre responde: "Kanzeon sabe que ela não existe".