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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Acordar do sonho




Porque nos angustiamos com a finitude então procuramos algo mais permanente, mas procuramos algo permanente para nosso eu e esse é o fundamento do engano. Na verdade nós sempre estivemos aqui e não há como ir embora. Esta manifestação de consciência agora, separada, é que é um sonho, tem a consistência de um sonho. Se você enxergar a sua verdadeira condição, a sua verdadeira natureza junto com tudo então você não é mais uma bolha que quer existir para sempre, você compreende, você é muito mais do que isso.
Por isso é que nós chamamos a iluminação de despertar e o Buda de desperto, acordado. Acordado do que? Do sonho. (continua)

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Falácias em "pesquisas e estudos"

Fotos de visita, no Japão, de Kyô Hô San (Rachel) a Saikawa Roshi, acompanhada de Shutetsu San.

A foto é de pessoas budistas que procuram a lucidez, o que me fez lembrar do problema, cada vez mais frequente na internet, de pessoas divulgando pesquisas que  "provam" as coisas mais disparatadas. Vamos tomar uma como exemplo, nela se diz que "Uma sessão diária de leitura com duração de 30 minutos. De acordo com um estudo da Universidade de Yale, dos Estados Unidos, é disso que você precisa para viver 23 meses a mais do que quem não tem o hábito de ler livros."  (Publicada em vários órgão de imprensa e viralizada na internet).
Sou um leitor contumaz, leio em média um livro por semana há mais de 50 anos, adoraria que isto fosse verdade, a questão é que este tipo de pesquisa costuma pegar uma correlação estatística sem considerar outros fatores, a pesquisa faz crer que é o ato de ler que aumenta a longevidade média. Ocorre que as pessoas que lêem mais tem em média melhor educação, também tem em média uma renda mais alta, melhor acesso a atendimento médico de qualidade etc... podemos listar vários outros fatores associados em média ao ato de leitura diária.
Ora, concluir daí que a leitura prolonga a vida é isolar um fator real e atribuir a ele um efeito difícil de isolar, uma falha de metodologia estatística. Por esta razão citei um economista brilhante que observou que "os números suficientemente torturados dirão qualquer coisa", coisa de largo uso na propaganda política.
Oro que os budistas tenham o discernimento de nada aceitar sem considerar e pensar, sem examinar, conselho dado 2500 anos atrás por Buda no seu sermão aos Kalamas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A ideia de finitude do eu nos angustia



A voz de Budha não é extraordinária, ela está aqui todo o tempo. Mesmo nós estando aqui, vivos, a perdemos. Somos tocados pelos ventos das paixões, pelo nosso funcionamento, pelos nossos medos, ansiedades, desejos, por tudo. Nós somos impulsionados por tudo isso, é natural que seja assim. Ao mesmo tempo que essa mente potente é nossa grande oportunidade, ela também é nossa grande perdição. Temos uma grande capacidade de perceber, raciocinar, que não é a mesma de um animal, é mais sofisticada. O animal pode esquecer e viver do seu desejo imediato, e isso dá a ele uma vida plena naquele momento e retira o medo da morte, por exemplo, porque ele não a considera. Mas nós sabemos que vamos morrer e nosso eu desespera-se com essa ideia, ele se angustia. (continua)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Perdidos pelo barulho da mente

 
Porque eu tenho uma mente funcionado, porque eu percebo coisas, porque eu tenho sensações, percepções, formações mentais, surge consciência. E essa consciência de ser aqui é que é o engano, ela fundamenta o restante do engano. Enquanto estamos neste estado, estamos completamente perdidos.
Tentar achar-se é sentar. Você senta em Zazen e tenta só ouvir, pode ser o ruído do ar-condicionado, mas só estar aqui. Não lá fora, não nas coisas da vida, não nos conteúdos da nossa mente. Esses conteúdos da nossa mente são a nossa perdição porque não nos permitem ouvir a voz de Buda. (Continua)

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Palavras ou exemplo?




Palavras  Buddha costumava retirar ao fim dos seus discursos, tal sua desconfiança em relação a sua imprecisão. Nós as usamos, porque embora muito imperfeitas, é tudo que temos. Mas Buddha mesmo avisou que haveria tempo em que restariam só os ensinamentos e a iluminação estaria perdida, e haveria tempos ainda mais obscuros em que só restariam rituais e mesmo os ensinamentos estariam distorcidos. Assim observe os mestres para saber se eles são só palavras vazias e não agem de acordo com os ensinamentos, a estes, outros mestres do passado, deram o epíteto de charlatões. Por isto não são as palavras a essência mas o exemplo.

Penso, por isso penso que existo



Nós sentamos em Zazen e fazemos esse sacrifício de Seshin para quê? Para sermos capazes de ouvir a voz de Buddha. Mas para sermos capazes de ouvir a voz precisamos silenciar a nós mesmos. Enquanto não silenciamos nossas opiniões, nossos achismos, nossas ideologias, toda essa enorme tralha que carregamos dentro de nós, enquanto não paramos isso não podemos ouvir a voz. 
Porque estes pensamentos todos dentro da nossa mente constituem, fabricam, a nossa noção de um eu separado. Porque eu penso, penso que existo. Não é como Descartes, “penso logo existo”, não. No zen é: “Penso, por isso penso que existo”. (continua)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Verdadeiro entendimento

Nós somos fugazes, manifestações de interações do próprio karma. A bolha também existe porque houve de certa forma um karma, houve fermentação, ela foi arrolhada, pressionada, porque há essas condições então existem bolhas.
Quando você tira a rolha, diminui a pressão, o gás carbônico se expande e surgem as bolhas. Eu falei do Maurício Jihou San, de Guaratinguetá, não por ele, mas por causa da Giovanna filha dele. Ele me contou que chegaram em casa depois dessa palestra e a mãe disse: “Vamos, hora de dormir suas bolhas!”. E a Giovanna disse assim: “Bolhas são vocês, eu sou  champanhe”.
Vocês percebem que dentro desta frase há uma grande profundidade? Porque as bolhas são as ilusões e o que realmente existe é champanhe, as bolhas são manifestações dentro da champanhe, são interações. Então quando ela disse: “Bolhas são vocês, eu sou  champanhe”. Ela disse: “Eu entendi de verdade”. Eu fiquei encantado com essa resposta. (continua)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Todas as coisas são vazias de um eu separado



Temos um líder na Sangha de Guaratinguetá,  eu estava fazendo uma palestra lá e usei a seguinte imagem: Lembrem, nós somos como bolhas dentro de uma garrafa de champanhe. A bolha que surge dentro da garrafa de champanhe, nós a olhamos e vemos como um ser separado. Ela é gás carbônico, e como o gás carbônico está dentro da champanhe ele sobe, se expande e explode na superfície, mas todo o tempo de existência da bolha ela não é mais nada do que a interação entre o gás carbônico e o líquido em volta. Porque tem líquido e porque existe gás carbônico então existe bolha. Mas o que é a bolha em si? A bolha é vazia de um eu. Assim como todas as coisas são vazias de um eu e é isto que quer dizer o vazio budista. O vazio quer dizer: vazio de um eu. Não existe nenhum eu, todas as coisas são vazias de um eu.
A bolha é vazia de um eu, ela não passa de interação entre gás carbônico e líquido. Surge, explode na superfície. Nós somos bolhas. Surgindo, desaparecendo. Nenhum dos nossos constituintes deixa de existir, como acontece com a bolha, todo gás carbônico, todo champanhe continua. Apenas aquela interação momentânea que surge e desaparece, apenas ela tem essa existência fugaz, o resto tudo é permanente. (continua)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Perdidos numa manifestação pessoal

 
Por que não ouvimos e não vemos nossa verdadeira natureza? Nós não ouvimos e não vemos nossa verdadeira natureza porque estamos perdidos numa manifestação pessoal. Essa manifestação pessoal cármica agora, “eu sou”, este eu sou é o nosso grande engano por causa dele nós não somos Buda.
É por causa dele. Nesse sentido Buda não é uma pessoa, e a voz de Buda não é a voz de um homem. É na realidade uma metáfora para a mesma frase, a mesma voz divina, ou do grande ser, ou o que quiserem dizer... Enquanto nós acreditarmos numa pessoalidade fora de nós, também estamos perdidos porque não existem essas pessoalidades, elas só parecem que existem.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Somos a própria voz do Budha

Conta-se de um monge que era muito instruído, muito culto, especialista em sutras, sabia muitas coisas, muitos textos. Mas depois de vinte anos ele não tinha alcançado nada e desistiu.
“Eu não alcanço nada, eu sento para meditar e minha cabeça não para. Eu estou sempre preocupado com pensamentos, raciocínios...”. Então ele desistiu. E foi para um eremitério nas montanhas e ficou lá sozinho, desistiu de buscar a iluminação, desistiu de buscar o Samadhi, Kensho, Satori.
Então ele varria o eremitério, um dia ele estava varrendo e a vassoura pegou uma pedrinha, a pedrinha voou e bateu num bambu, e fez “poc”, aí nesse momento ele despertou.
Sobre o que são histórias deste tipo? Essas histórias são sobre a voz de Buda.
Nós dizemos a voz de buda, no budismo. Não a voz de Deus, não é? Mas na verdade o espírito é exatamente o mesmo, nós só não usamos a palavra Deus porque a palavra Deus está cheia de pessoalidade, parece um ser, alguém que fez algo, um criador ou um interferente, alguém para quem eu peço coisas e que me dá. Ora esse tipo de deus não existe mesmo no Budismo, mas vemos em outros textos que pessoas de outras religiões ouviram essa voz, essa voz é a voz do regato, é a pedra batendo no bambu, é o perfume do cipreste. (continua)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

"Não creio em deuses, creio em treinamento"

Uchimura, vindo de um país budista, o Japão,  disse que não acreditava em deus, acreditava em treinamento, imediatamente os comentaristas se declararam chocados, dizendo que ele não deveria dizer isto, que podia acreditar nos dois, mas a verdade é que o atleta japonês tem direito ao seu pensamento e a sua convicção, assim como os teístas pedem que sua crença seja respeitada assim também a descrença de Uchimura merece respeito.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O Zen e a voz de Budha

 
Eu queria falar um pouquinho para vocês sobre a voz de Buda, temos alguns contos zen sobre este assunto. Um dos contos é sobre um mestre que está andando com o discípulo à beira de um regato e pergunta para o discípulo: Ouves o ruído do regato? E o discípulo diz: Sim.
O mestre diz: Então não tenho mais nada para te ensinar.
Uma variação dessa história é a mesma coisa. Em um bosque o mestre pergunta: Sentes o perfume dos ciprestes? O discípulo responde que sim e ele diz: Então não tenho mais nada para te ensinar.
Na realidade não é como qualquer pessoa, mas está sentindo o agora, neste instante? Ou está caminhando e a cabeça está perdida? Pensando em preocupações, planos para o futuro, o que eu vou comer na janta ou qualquer coisa assim… A mesma coisa sobre o som do regato. (Continua)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Ser consciente da impermanência

 
Esse corpo que parecia sólido, que tem uma aparência, etc, se dissolve, desaparece, como admitir isso? Parece chocante demais. Parece incompreensível. Não é assim que todos sentem? Vocês não sentem a estranheza dessa circunstância? Uma pessoa bela vai envelhecer, vai ficar feia, seu corpo vai ser comido pelos vermes, ou vai ser torrado numa câmara de cremação e não vai sobrar nada?
 Esse pensamento é muito antigo no budismo. Uma mulher bonita não é mais que um saco de pele e de órgãos, e se for esfolado não vai ser diferente de um coelho. Antigamente colocavam os monges para meditar na frente de cadáveres em decomposição para se conscientizarem claramente da sua impermanência, do vazio da sua existência. Mas quando a gente olha agora, não parece real.
 Quando vemos uma mulher bonita, os nossos olhos brilham. Mas isso é ilusão, é o movimento do carma nos conduzindo, e nós não somos senhores do movimento, por isso Buda diz 'seja senhor de sua mente'. Se você for senhor de sua mente, a consequência é ser senhor do movimento. Não ser arrastado pela paixão.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Por que temos dificuldades com a morte?

Aluno – Eu gostaria que o senhor falasse sobre o nirvana...
Monge
– Ir para o nirvana significa não se manifestar novamente, extinguir o carma, mas isso é raríssimo. Normalmente o que acontece é que a gente tem muitos resíduos de carma,  até mesmo vontade de ajudar outras pessoas, e então você retorna. Porque tem esse sentimento, esse sentimento faz você retornar.
Só que na verdade, olhando profundamente, não existe uma coisa tal como 'outras pessoas'. Todas as outras pessoas são eixo de redemoinho, todos eles mera construção, ilusão, não existe isso, até parece que existem outras pessoas, mas é uma ilusão fortíssima, não é ilusão, é delusão, eu olho aqui e vejo cada um e cada um me parece sólido, real. Vocês também têm a mesma sensação. Como a gente se dá conta de que na verdade são redemoinhos, movimento cármico e que irão se extinguir? Por isso é que a gente tem tanta dificuldade com a morte. (Continua)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O remorso não ajuda

Aluno: Queria entender a questão da culpa, no Zen...
Monge:
Culpa não ajuda. Se você já se arrependeu, já tem culpa, o arrependimento é bom mas não para ficar acalentando remorsos. Se você pensar 'eu não devo fazer isso, isso gera mau carma, más consequências, não vou fazer de novo, vou evitar....' só tem uma maneira de você melhorar seu carma: fazendo boas coisas. E cultivar remorso não vai ajudar, tem que abandonar, deixar de lado o passado, e passar a realmente viver. Acalentar culpa é uma má ideia.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A proposta do zen é agir no mundo

 
 Eu não escapei da vida sendo monge, até tenho que trabalhar dobrado. No zen você só fica no mosteiro enquanto está em treinamento. O objetivo de ficar lá é sair de lá, porque a ação útil é no mundo, normalmente não é dentro do mosteiro.
Ficar num mosteiro para sempre não tem sentido no zen. Tem sentido nas ordens religiosas em que se acredita que ficando lá e orando você está mudando o mundo. Em certo aspecto é até verdadeiro, mas não é a proposta do zen. A proposta do zen é agir no mundo. O mosteiro também não está fora do mundo, pois se você está no mosteiro e trabalha como cozinheiro você é útil, mas se você pensa que vai para um mosteiro zen e vai ficar lá comendo, meditando e levando uma vida maravilhosa para sempre, você vai descobrir que não é.
 Na realidade não é diferente de um presídio, só com outro clima. Se você está lá parado, esperando, sem fazer nada, esperando a morte, todo dia levanta, varre o chão, come, vai ao banheiro, o que você é? O zen diz que você é uma máquina de fazer estrume.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A vida é um constante e milagroso fluxo

O eixo da vida de uma pessoa pode mudar, o movimento todo que deixa alguém cansado e arrasado pode mudar, se a cabeça mudar.
Na realidade o eixo do redemoinho é que muda de concepção, mas o movimento que a pessoa faz continua o mesmo. Um monge continua na vida do sansara, continua agindo no mundo do sansara, mas não sai mais da empresa com a cabeça quente, não fica angustiado se vai faltar dinheiro ou não, se vai faltar trabalho ou não. Não há preocupação, tudo vai dar certo.
 Sem querer a vida gira e você desencadeia forças que fazem as coisas acontecerem, parece milagroso se você olha do lado de fora, mas não é. A diferença do sansara e do nirvana é exatamente essa. Nirvana é o mundo sem vento. Sansara é o mundo com muito vento. Nirvana é o puro céu azul. Sansara é o mundo dos redemoinhos.
Você até pode transitar pelos redemoinhos se você olha sabendo que atrás dele tem o puro céu azul. É por isso que o monge disse para o imperador 'eu olho pra você e vejo Buda'. Porque atrás do redemoinho só tem o puro céu azul. (continua)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Perdendo o interesse pelo Samsara

 
 As dificuldades que surgem a partir da experimentação de eventos como o Kenshô é que as pessoas começam a achar que você tem algum parafuso que não está bem apertado, porque você não está interessado no mundo do samsara, você começa a se interessar no mundo do céu azul. Aquele mundo é que é o mundo real, só que as pessoas que estão no mundo do samsara acham que a realidade é o mundo do samsara, eles acham que a realidade é aquela, e por isso elas não conseguem entender muito bem o que está acontecendo com você.
Então você tem que saber ser suficientemente compassivo para entender o mundo do samsara, sem dizer 'você está enganado, é pura ilusão sua', etc, você tem que dizer que entende. Se alguém diz que está sentindo uma paixão, você diz 'ah, eu entendo, posso me recordar, já me senti assim, eu sei como é, o jeito que você pode lidar com essa paixão é assim'. Você pode ensinar alguma coisa do Dharma para essa pessoa. Você não pode dar a ela, toma aqui o kenshô, toma aqui o samadhi, porque é invisível, a pessoa não pode ver.
 É por isso que se cria a situação em que aquele indivíduo que experimenta e que conhece o kenshô e o satori, ele pode identificar outro indivíduo que também experimentou, porque quando os dois começam a falar  ele vê no outro, instantaneamente, que o outro está vendo, o que ele vê. Então só um Buda enxerga um Buda.
 Há uma história de um mestre que é convidado por um rei, e o rei está com raiva dele porque os súditos estão indo para mosteiros, e ele precisa de soldados, e estava perdendo soldados para os mosteiros. O imperador olhou para o mestre zen e disse: eu estou olhando para um porco. O mestre zen olhou para ele e disse 'eu olho para o senhor, majestade, e vejo um Buda'. E o imperador perguntou como isso. E o mestre zen respondeu que cada um só pode enxergar o seu mundo. É como o ditado coreano: olho de cachorro só vê poste. Se você tem olho de porco só enxerga porcos. Se tem olho de Buda, olha para o outro e enxerga Buda. (continua)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Pulando para uma compreensão intuitiva

 Quando você pula para uma compreensão intuitiva, e não racional, quando você vê aquela calma, aí você é invadido pela felicidade. Esta felicidade calma é o Samadhi. E você gostaria de ficar com aquilo e não perder mais, mas você perde com grande facilidade, na primeira cogitação você perde. Mas se você continua praticando, treinando, você retorna para isso, cada vez com mais facilidade, até o momento que você aprende como entrar em Samadhi ficando quieto e concentrado e não se desviando, e aí o Kenshô pode começar a surgir com facilidade.
E logo a seguir, o passo seguinte, o kenshô surge só ouvindo o pássaro cantar, andando na rua, fazendo qualquer coisa. Quanto mais você volta a esse estado de kenshô, mais ele se estabelece e fortalece.
Satori é a capacidade de retornar ao kenshô por simples volição, por querer voltar ali. E aí você volta, ele começa a ser muito acessível a você. O seu mundo. E o outro mundo então começa a parecer cada vez mais o mundo da ilusão, o mundo falso, ilusório, o mundo da poeira, do redemoinho, etc... mas o verdadeiro mundo é o puro céu azul, e você lhe tem acesso, enxerga a todo instante. (continua)