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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O sofrimento é um caminho muito curto



Aluno: Em várias religiões é possível notar que para qualquer tipo de iluminação há uma necessidade de sofrimento, de dor. É isso mesmo? Precisamos dessa dor?
Monge Genshô: Não, não precisa. Mas o sofrimento é um caminho muito curto. Vou fazer um paralelo. Se nós estamos sentados em Zazen e dói, há grande desconforto. Se o desconforto for muito grande, você não pensa em outra coisa, você só quer que toque o sino. Então um grande desconforto não ajuda. Algum desconforto é ótimo. Porque nós como seres humanos só procuramos o Dharma porque nossas vidas não são perfeitas, se elas fossem maravilhosamente perfeitas, se tudo que nós quiséssemos desse certo, fosse maravilhoso, fôssemos amados, tudo perfeito nós não o procuraríamos.
Dizemos assim: A vida dos Deuses. Os Deuses não procuram o Dharma, os homens procuram o Dharma porque suas vidas são mescladas de prazer e dor. Porque existe prazer e dor então procuramos o Dharma, procuramos solução, isso é o que acontece com os homens.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

As palavras são mantras



Nós temos que cuidar do que nós dizemos, as palavras que usamos, porque elas também são mantras, parece que as pessoas não se preocupam mais com isso, usam palavrões como se fossem vírgulas. Mas, na verdade, cada vez que você faz isso dá uma ordem para o seu cérebro para admitir aquilo como normal, e à medida que nós admitimos como normal e vamos lidando assim, nossa mente fica condicionada por aquilo. Se vocês acreditam que fazer orações ou dizer coisas boas muda a mente, porque dizer coisas ruins não muda a mente? Muda sim, não existem coisas inocentes a esse respeito. Nossa mente é plástica e pode ser construída, nós temos que cuidar da nossa mente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Enfraquecendo as paixões



Então se sentarmos em zazen e surgem as paixões, o que a gente faz? Descarta, descarta, descarta…
Sentados durante dias (num sesshin) olhando para a parede podem surgir mil paixões, raivas, opiniões, desejos... Se você olhar para a parede muito tempo e se cada vez que surgir a mesma ideia, você descartar, a ideia cansa. E aí depois de alguns dias, como se fossem cinza, elas se juntam no rodapé da parede, caíram, cansaram, não existem mais. Neste momento você está livre, porque as paixões são aprisionamentos que se deixados livres, aumentados ou acalentados crescem, crescem e podem fazer de você uma má pessoa, e geram péssimo karma. Por isso eu digo sempre aos meus alunos: cuidem do que leem, o que veem, o que conversam, como quem convivem. Porque se você ler coisas, olhar coisas que incentivam as paixões, elas só aumentarão.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Auto-responsabilidade para viver



No budismo o que nós pensamos é: você tem que resolver a paixão dentro de você, se você resolver as paixões dentro de você nada vai acontecer. Vem um mestre no caminho com seus discípulos e surge uma mulher à frente - estamos numa época medieval em que as mulheres eram desconsideradas. O mestre viu a mulher, ajoelhou-se no chão e fez uma prostração para ela, e os discípulos reagiram: “Mas o que é isso? Por que o senhor está fazendo uma prostração para uma mulher?”. E ele disse: “É porque delas é que saem todos os budas”.
Então na realidade é só uma questão de olhar... como você olha? Nós só podemos enxergar o Nirvana se existir o Samsara? Não. Nirvana não depende de Samsara para existir. Nirvana é apenas a denominação de um mundo onde não se é arrastado pelas paixões, é só isto.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O apego à ideias

O Buda disse: "Se em algum momento de sua vida você adotar uma ideia ou uma percepção como a verdade absoluta, você fecha a porta de sua mente. Este é o fim da busca da verdade. E não apenas você já não procurará a verdade, mas mesmo se a verdade vier em pessoa e bater à sua porta, você se recusará a abrir. O apego à visões, o apego à ideias, o apego às percepções são o maior obstáculo para a verdade." É como quando você sobe uma escada. Quando você chega ao quarto degrau, pode pensar que está no degrau mais alto e que não irá mais alto, de modo que você se segura ao quarto degrau. Mas na verdade há um quinto degrau, e se você quiser chegar a ele, tem que estar disposto a abandonar o quarto degrau. Ideias e percepções devem ser abandonadas o tempo todo, para dar lugar a ideias melhores e percepções mais verdadeiras. É por isso que devemos sempre nos perguntar: "Estou certo disso?" Thich Nhath Hanh. The art of power. (Copiado de DaissenJi Niterói)

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A solução está em você



O mundo do Nirvana é o mundo sem paixões. Nirvana quer dizer: fogo extinto ou sem ventos, não sou empurrado pelas paixões, aí automaticamente se estabelece o nirvana. O mundo do Samsara é dominado pelas paixões, na história da monja muito bela, o problema era o mundo das paixões.
No mundo do Nirvana esses problemas não existem. Quando nós dizemos que procuramos o Nirvana, na verdade o Nirvana está disponível todo o tempo, porque Samsara e Nirvana estão no mesmo lugar, eles não são mundos diferentes, são só maneiras de ver, se você “trocar seus olhos” está tudo resolvido. Agora se você tentar resolver o problema por meio dos outros, vai querer que os outros sejam feios ou que cubram seu corpo para não despertar nenhuma paixão, que usem uma burca ou qualquer coisa assim, tudo isso é colocar fora a solução da paixão que está dentro.