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quinta-feira, 29 de março de 2007

Quero rever ...

Um pai que lê o site www.chalegre.com.br/zendo escreveu uma carta que respondi em privado, seu tema é sensível e a estou editando abaixo, protegendo sua privacidade pela omissão de nomes e frases e com minhas respostas:
- Porém a questão "alma" me causa um certo desconforto. Para ser mais preciso, em 2005 perdi a minha filha .... que nasceu prematura (6 meses) e sobreviveu apenas 12 dias.

R: Ao contrário do que possa parecer, sua filha sempre esteve com vocês,
antes de nascer, e agora ainda está aqui. Justamente pelo nascimento e a morte serem ilusões a nossa verdadeira natureza é una. e além desta aparência de surgir e desaparecer.

- Hoje a minha esposa está grávida de novo e estamos muito felizes com a vinda de ....... nossa outra alegria.
Sinto muito amor por nossa filha falecida e eu e minha esposa costumamos imaginá-la como uma expressão da natureza (uma borboleta, ou um girassol). Sempre imagino que quando eu partir poderei estar perto dela outra vez.

R: Se um dia você puder se iluminar, verá que ela estava aqui, com você,
todo o tempo, e que o verdadeiro engano é este de se supor uma pessoa separada. É este eu pessoal nossa maior ignorância, por causa dele sofremos com idas e vindas e sensações de perda.

- Em termos budistas isso não é possível de acontecer uma vez que somos como
uma "onda cármica" evoluindo positivamente e/ou negativamente (por favor me corrija se estiver errado).

R: Você está certo apenas enquanto temos esta consciência de um eu apartado,
mas esta onda só existe assim enquanto tem energia para se ver separada.

- Temos essa consciência no momento de partida?
Ou meu (eu/não eu) simplesmente se "esvai" numa corrente cármica?

R: Sim, isto sucede, e seu carma produz uma nova manifestação que se dá
conta de um novo eu que constrói a medida que pensa. Mas você não sente estranhas conexões com pessoas que nunca viu antes?

- No caso de um bebê prematuro, ele pode melhorar/piorar seu carma uma vez
que não teve tempo de "aprender" e viver?

R: Muito pouco, mas estabeleceu uma forte conexão cármica com seus pais, de
modo que estes encontros se repetem muitas vêzes. NO BUDISMO HÁ UMA HISTÓRIA DE QUE UM HOMEM EM QUE ROÇAMOS O OMBRO NA RUA, JÁ NOS ENCONTROU EM 500 VIDAS.
- Certamente encontrarei estas respostas no momento da minha partida, mas se pudesse escolher, meu sentimento porminha filha e todos aqueles que amo, não morreria.

R: Mesmo que você não queira, mesmo que não se lembre, esta conexão permanecerá,
e você a encontrará muitas vêzes em muitas vidas, até que a ilusão de serem separados desapareça, então nunca mais haverá perdas nem separações.
Agradeço por ler este e-mail. Ainda estou digamos, "absorvendo" o zen e procurando algumas respostas e pode ser que eu tenha interpretado algo que li de forma errada. Apreciaria muito que me orientasse.

R: Fiquei sensibilizado que me contasse sua história de amor. Gosto de pensar
que agora suas vidas ficam também ligadas as minhas e que nos reveremos infinitas vêzes até que nossas ilusões se extingam.

Com reverência,
Monge Genshô