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domingo, 11 de maio de 2008

Suicídio é aprovado pelo budismo?


A matéria "O céu dos suicidas" tem alguns erros em suas afirmações e apreciações tanto em relação ao Xintoísmo quanto ao Budismo. Nem o Budismo nem o Xintoísmo sancionam a prática do suicídio.

Quem fala em "pecado" no Budismo e no Xintoísmo está tendo uma atitude etnocêntrica
porque está projetando sobre outras visões do mundo conceitos próprios do
universo judaico-cristão. Sendo o Xintoísmo uma religião arcaica de cunho xamânico não tem nem pode ter noção de pecado, mas sim tabus de impureza e pureza. Quem derrama o próprio sangue ou o de outrem não se torna pecador, mas sim impuro. As mesmas noções aparecem também, por exemplo, na Mitologia Grega, onde há muitos relatos de culpados de assassinato (inclusive deuses!) que se dirigem a santuários para serem purificados da poluição produzida pelo sangue derramado.
Quanto ao Budismo, todo ato produz karma, ou seja, toda ação provoca conseqüências e o suicídio não escapa disto, sendo um ato destruidor e provocador de maus resultados. Nos textos dos Sutras Budistas, vemos o Buda Histórico Sakyamuni advertindo contra dois tipos de desejo contrários entre si:

1- O desejo de autoperpetuar-se indefinidamente, ligado à falsa concepção de um eu estável,ou,alma"atman";
2- O desejo de auto-destruir-se (que é o que conduz ao suicídio).


(Carta do Colegiado Buddhista Brasileiro enviada originalmente à redação de Veja sobre matéria com erros sobre o budismo)