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quinta-feira, 26 de maio de 2011

O quinto passo - Domando o Boi - (cont)


No quinto passo, Domando o boi, “depois de muitos esforços o boi começou por fim a tornar-se manso. Na figura anterior o homem segura o boi pelo rabo, nessa o homem segura o boi com uma argola presa ao seu nariz. E agora o domador julga que o animal está já dominado e pode ir ensinando-lhe já alguns truques”. Quando por fim agarrou o boi crê que já o tinha retido para sempre, ele pensa - Peguei, dominei e isso agora é para sempre, dominei minha mente – Lembrem-se que passamos já pela experiência do kensho, embora ela não nos tenha alterado em nada, continuamos na vida sendo tão ruins quanto antes, mas dizemos – Já tive uma experiência espiritual! – E aqueles que vivem conosco irão dizer – Mas como, se ainda perdes a paciência?! – Esse pensamento de domínio também é uma espécie de ilusão, na verdade não é assim. As vezes ele consegue entrar em samadhi, em outras tenta e não consegue. Parece que há quietude no corpo e na mente, mas ainda não controla os pensamentos errantes. Você pensa – Não pode ser isso o samadhi – mas não há remédio senão experimentar de novo uma e outra vez. Repetir o samadhi, a concentração
e experimentar outros kensho. A colheita do ano passado, é a colheita do ano passado, não é desse ano. A deste ano tem que ser de novo ganha com luta e trabalho. Dessa forma a luta se renova outra e outras vezes mais. Ou seja, você chegou lá, teve a experiência, pode até mostrá-la para o seu Mestre em determinadas ocasiões, mas você não mudou e precisa continuar trabalhando. Samadhi, concentração, zazen, momento presente, retornando sempre e tendo experiências de kensho de vez em quando como se uma janela se abrisse e de repente você pudesse ver, estava tudo escuro e você não enxergava nada com nitidez, e ao abrir-se a janela tudo fica claro. Kensho. Cada vez mais, com repetições dessa experiência, o kensho torna-se maior que poucos segundos, podendo prolongar-se até por horas. Mas você sempre perde e não sabe quando irá conseguir. E também as vezes sentado, você perde o zazen inteiro em pensamentos, em vazios, simplesmente não consegue agarrar um samadhi constante, não
consegue sentar e permanecer em concentração pura sem cogitações, mergulhado na percepção do momento presente.

(Monge Genshô, texto decupado da gravação de palestra por Ápio San, ainda carente de revisão para transformação em texto escrito. Citações do livro "Zazen Training" de Sekida)