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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Shikantaza: Abandonando a Sensação de Propósito


Sentir a realidade de que até então vivemos aprisionados em nós mesmos é difícil, porque esse amor próprio, essa nossa paixão pela nossa prisão nos perturba vastamente. Então, nossa técnica de meditação, técnica mais usada no zen, chama-se shikantaza, que é uma técnica em que você se senta, assumindo-se sem propósito. Você não deve se sentar com ambição, ou procurando a iluminação, ou para obter um tesouro que o diferencie dos outros. Você tem que abandonar a sensação de propósito, a sensação de missão, por exemplo, tão frequente.

Isso significa que estudar o Zen é compreender esta cela, o que ela é, e o que ela significa em termos de aprisionamento. Esquecer-se de si mesmo é abandonar suas estantes de títulos, seus retratos, suas identidades, todas as coisas a que você sempre se agarrou, abrir a porta e de repente ver o mundo luminoso, maravilhoso, que existe além da porta, e enxergar que esse mundo é você mesmo.
[Trecho de Palestra proferida por Monge Genshô Sensei]

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Ensinar a Descobrir




Pergunta: Aquele som a que o senhor se referia no início, qual é o significado verdadeiro?





Monge Genshô: Você fica ouvindo e, quando você descobrir, me conta. Porque é um erro explicar tudo para o aluno. Quando o professor explica, ele tira do aluno a oportunidade de um insight. Se você der uma explicação, ele fica agarrado na explicação. O melhor jeito é a gente só dar pistas, não é explicar tudo detalhadamente. (sino toca) Qual é o significado de tocar o sino para fazermos tudo juntos? Tem significado, faz parte do treinamento. Essa é fácil, não é? Porque assim nós aprendemos a funcionar como um corpo e não nos distinguimos: "eu sou separado, eu faço as coisas diferentes de todo mundo, eu decido e eu faço." Não, nós fazemos tudo juntos. E não há uma pessoa que decide. Fazemos juntos sem pensar. Amanhã é outra pessoa que irá tocar e a gente aceita. Esta capacidade de aceitar significa abandonar a si mesmo e aceitar. 

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O Monge e a Família




Aluna (Suuen San): Para complementar um pouco, eu acho que sofrimento existe em qualquer momento da vida. Ser monge é só um caminho, não é ser um Ser Iluminado, é só um caminho que você escolheu como qualquer outra profissão que tem as coisas positivas e negativas. Tem gente que escolhe ser engenheiro da Nasa e tem que viajar, e aí abandona a família em algum momento, e assim é a vida do monge também. De certa forma é uma profissão, porque há uma dedicação, e a família tem que estar apoiando isso.

Monge Genshô: Está muito bem colocado, porque a capacidade de se iluminar não é diferente entre um monge e um aluno, exatamente como Suuen San disse. E ela como esposa de monge sabe o que acontece. O monge chega e diz: "fui chamado e tenho que passar três meses fora, incomunicável". É isso o que acontece. Então, se tem um lado egóico, ele é contrabalançado por outras coisas, e normalmente, como tinha dito, é uma fantasia das pessoas imaginar que depois que se tornam monges é uma maravilha: não é! Só tem um sentido você se tornar monge:  trabalhar para os outros.

[N.E.: transcrição de trecho de palestra realizada pelo Monge Genshô Sensei]