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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Carma Coletivo




Aluna: No caso do extermínio dos judeus, isso é um carma coletivo?

Monge Genshô: Interessante a pergunta, porque meu filho me fez essa pergunta hoje mesmo. Quando você nasce em uma determinada condição, você tem carma para nascer lá. Então, existe um carma que leva você a nascer no Brasil, ou um carma que leva você a nascer numa favela, ou um carma que leva você a nascer judeu; você já tem carma para nascer naquela condição, porque nós vamos para onde somos atraídos. Nosso carma se manifesta onde ele tem sintonia: ele procura aquilo.

Vocês estão aqui sentados assistindo a uma palestra do Dharma. Por quê? Porque têm carma para estar aqui. Tem gente que vem sempre, sem faltar. Essas pessoas estão fazendo marcas cármicas cada vez mais profundas, e essas marcas continuam não só nessa vida, mas depois. Então, quando você encontra aquele lugar, parece que você voltou para casa, que sempre quis estar ali, que sempre quis aquele tipo de ambiente, sempre quis ter aquele tipo de pessoas junto. Não queria estar em outro lugar. 

Há pessoas que querem estar em um baile funk, outras pessoas querem estar se embebedando, usando drogas e coisas assim;  você vai para onde você se sente atraído. O oposto também demonstra a marca cármica: você pode sentir horror de uma coisa que você não quer, que não tem nada a ver consigo, e daí você vai para outro lugar. E assim são também nossos nascimentos. 

Então, não é bem que exista um carma coletivo, mas sim que nós vamos para onde nosso carma nos atrai.

[N.E.: texto transcrito de Palestra realizada por Monge Meihô Genshô em Florianópolis, 26/09/2016]

quarta-feira, 29 de março de 2017

"Carma Coletivo"




Pergunta: Tal como os Dharmas têm uma originação interdependente, o carma tem originação interdependente? Também nesse sentido, querendo abordar a ideia de carma coletivo, como seria a modificação através da prática de carma coletivo?

Monge Genshô: Carma normalmente é entendido como ação intencional, e que muda a onda cármica. Mas todo carma, enfim, também se esgota, tanto o bom quanto o ruim. O carma também é interdependente, também se dissolve. É só uma questão de durabilidade mais longa, mas ele também cessa. 

Há pessoas que atingem um carma divino, mas os deuses também morrem no budismo. Nós chamamos no budismo de "deuses" os seres que atingiram tal qualidade, que suas vidas não têm sofrimento, são só prazer. Mas esses carmas também se esgotam - como dito, a longo prazo todos os carmas se esgotarão.



Não podemos dizer que existe um carma coletivo. De certa forma, por exemplo, todos nós nascemos no Brasil, porque temos uma atração por esse lugar, por essa forma como ele é, etc. E nos manifestamos aqui porque somos, de certa maneira, parecidos nesses aspectos. Por isso dizemos: "ah, o nosso povo é assim"; o nosso povo tem uma certa tendência. 

Portanto, partilhamos um determinado carma, e, por isso, certo destino cármico. Então, nós podemos dizer, nesse sentido, que existe alguma coisa como um "carma coletivo". Mas, por definição, o carma é uma manifestação individual, coesa, e não eterna. Ela também é como uma onda, e com o tempo se desfará. Ela também se gasta.