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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Os Seis Reinos: Deuses e Semideuses





Depois desse vem o reino dos semideuses. Os semideuses lutam por poder. O mundo dos executivos é bem um mundo de semideuses, sempre com as armas nas mãos, sempre tentando ganhar mais, passar por cima dos outros, obter mais máquinas de guerra, carros, capital, etc. O que não são coisas ruins em si, o dinheiro não é ruim, dá para fazer templos e outras coisas boas, o dinheiro em si é só um instrumento como qualquer outro, depende de como você o usa.

O último é o reino dos deuses, de grande mérito, sabedoria, vidas muito boas, sem esforço, são tão boas as vidas que não há impulso pelo Dharma. Os Budas têm muita dificuldade de ensinar para os deuses, porque eles dizem: “que bom isso, muito bonito”, e aí jogam flores sobre Buda. “Vai lá ensinar para os humanos, eles estão precisando bastante. Eu vou ficar aqui na minha espreguiçadeira, comendo mais um cacho de uvas” - esse é o reino dos deuses, mas os deuses também decaem, perdem, seus méritos se gastam, porque tanto o carma mau quanto bom também diminui com o tempo, e você decai e renasce num mundo humano, por exemplo, para enfrentar problemas de novo. Alguns humanos que conhecemos são deuses caídos: tudo para eles é fácil, nascem em boas condições, tudo vem de presente, boa educação, a família, tudo é bom carma, frutos ainda de um bom carma, e tudo vem como se fosse estalando os dedos. O que é difícil para os outros, para eles é fácil. Isso é fruto de muito bom carma.
 
Essa é uma sinopse desses seis mundos que representam, aqui nesse caso, estados mentais. Há possibilidade de ensinar isso como se fossem realidades também, e assim é feito quando necessário. Porque nada afirma que não existem muitos mundos possíveis de manifestação para os seres, mesmo mundos além da própria forma.

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Relativo e o Absoluto



Pergunta: Monge, no Sutra do Coração há uma parte que diz “nem caminho para a extinção do sofrimento”, mas e a 4ª nobre verdade?

Monge Genshô: Nós vamos encontrar frequentemente no budismo esse tipo de contradição. Agora mesmo alguém me perguntou se existem os Budas citados e chamados por nomes, etc., e se eles socorrem os homens de seus sofrimentos. Isso é contraditório com a ideia de que não há ninguém lá fora para nos ajudar, que é o que frequentemente ensinamos. Você não tem que pedir nada para ninguém, seja para um Deus ou para Buda: Buda já morreu há muito tempo, e se pudesse ajudar já estaria ajudando. Então, você não tem que pedir. Mas isso também mostra uma contradição, porque falamos os nomes desses Budas. Portanto, nós temos que olhar o que são os ensinamentos preparatórios e os ensinamentos definitivos.



Existe uma forma de ensinar que é para socorrer, para ajudar, então você precisa dizer isso para as pessoas. Mas quando você sobe num degrau mais alto, aí a representação já é outra. A contradição que você mostrou do Sutra do Coração, por exemplo, existe porque a 4ª nobre verdade diz justamente o que é o caminho para a extinção do sofrimento e lá são citados o pensamento correto, o meio de vida correto, a fala correta, a ação correta, etc. Todos eles são o caminho de uma prática individual que implica na existência de um outro, então nessa fase existe um outro de quem eu me compadeço. Isso também acontece com os preceitos, por exemplo, o preceito de não matar, também implica na existência de um outro. Mas isso é um entendimento num nível relativo, se eu for para o conhecimento absoluto, neste nível absoluto não existem outros seres, como poderiam existir outros seres se nós somos o próprio todo? Se você e outro são um só como pode existir alguém por quem se compadecer? Como eu poderia matar outro se sou um com o todo? Então, primeiro você tem um ensinamento provisório, e depois um ensinamento absoluto, definitivo.

[Trecho de palestra proferida por Monge Genshô Sensei]