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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Apenas juntamos os cacos


Pergunta – Qual o problema do erro? Existe, de fato, problema em cometer erros?

Monge Genshô – Os erros acontecerão, isso não é importante. Por exemplo, eu chamo o Jisha e lhe digo: “O altar de Buda está sujo”. Ele estará errado se disser, para se desculpar: “Pois então, o pessoal da limpeza não veio ontem e hoje o encarregado faltou”. Se o altar de Buda está sujo, ele deve pegar um pano e limpá-lo rapidamente, sem desculpas ou questionamentos. A atitude correta é essa, sendo incabível tentar encontrar o encarregado ou responsável que não exerceu corretamente sua função. Não perguntamos quem quebrou o vaso, juntamos os cacos e varremos o chão. Perguntar ou procurar pelo culpado é enaltecer o ego, que é separação.

Pergunta - Uma das coisas que a gente percebe em qualquer individuo é o surgimento de uma certa vaidade. Assim como na mente de zazen surge o pensamento, pode surgir a culpa?

Monge Genshô – Como pode haver culpa se somos todos uma unidade? Se alguém se mexe no zazen, quem está se mexendo? Suponhamos vinte pessoas na sala e uma que se mexe: quem está se mexendo? Todos. A Sangha está se mexendo. A Sangha não está imóvel. Não é aquela pessoa que não está imóvel, é a Sangha. É essa a visão. Não há culpa ou não culpa, simplesmente, está acontecendo, é essa a visão que temos que entender. Você vai para um sesshin e alguém deseja algum cargo, alguma função. Não deve existir o desejo por alguma coisa. Se alguém receber alguma incumbência, deverá cumpri-la; se não receber função alguma, não deve sentir-se sensibilizado por isso, pois essa é a pior demonstração de ego. Temos que atentar para o fato de que cada um deve cuidar de si mesmo. É isso que está sendo visto. Vocês percebem que isso é diferente do que vemos no mundo, onde todos querem se destacar e ter sucesso. Na Sangha não pode haver o desejo de destacar-se. Há um ditado japonês, que provavelmente veio do zen, que diz: “Um prego que se destaca será martelado”. E se não se destaca? Ótimo. Ele está no mesmo nível de todos os pregos, não está fazendo nada para tornar-se diferente, está executando exata e tão somente sua função, que é segurar a madeira. As regras são essas, não se justifique, não explique, não compare.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A SUFICIÊNCIA DOS PRECEITOS

Se trata de um redondo equívoco que deixemos de realizar aquilo que deveríamos, só porque existe uma doutrina no Buddhismo que nos diz para abandonarmos, e renunciarmos ao mundo. Alguns se auto-declaram praticantes Zen, e com isto encontram um pretexto para se comportarem desleixadamente, trombeteando contudo aos quatro ventos:''Renunciamos ao nosso corpo para o Buddhismo''. E ficam por aí, para cima e para baixo, andando molhados debaixo da chuva, explicando que isto se deve ao fato que estão acima de sentimentos mundanos. Tal comportamento é de uma idiotice completa, tanto nas ações quanto na mentalidade, mas leigos apressadamente julgam este tipo de praticantes maravilhosos, crendo suas ações provarem estar eles livres de sentimentos mundanos, como uma mostra de autenticidade, enquanto que friamente desprezam aqueles que observam os preceitos de Buddha, e ainda em suas ações estejam de acordo com as regras de Buddha, sem egoísmo em suas práticas. Crêem que estes últimos estão procurando status e ganho mundano. Mas eles mesmos estão identificados com o Buddhismo e possuem virtudes em seus corpos e mentes.
[16](extraido de"Shobogenzo Zuimonki"de Eihei Dogen Zenji)

copiado da postagem de Yokô no site www.chalegre.com.br/zendo