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terça-feira, 25 de junho de 2013
O Vazio e o Sutra do Coração da Sabedoria
Todo vazio só se manifesta como forma. O vazio não é uma coisa independente, ou que existe por si mesmo. Todas as formas são vazias de um “eu” e é isso que o vazio é. Nós somos “o vazio”. Você ouve dizer que somos manifestações “do vazio”, mas isso faria pensar que o vazio é alguma coisa, e aí então nós damos uma realidade ao vazio que ele não tem.
A única realidade que o vazio tem é que ele se manifesta como forma. No mar, podemos dizer que a água é o vazio. Você vê ondas, superfície, é isso que você vê. Se você tirar toda a superfície do mar, embaixo tem água, que se manifesta de novo como ondas. É sempre assim. Você vai sempre ver a manifestação do vazio.
Quando você tira toda a forma, tira todo o vazio. O vazio é como se fosse uma qualidade de todas as coisas. Não teria um “eu”. O problema é que nós também não temos um “eu”. Nós e todas as coisas somos uma coisa só, e sendo uma coisa só somos apenas manifestações diferentes do mesmo. E o mesmo que se manifesta de formas diferentes. Nós não somos diferentes. Nós somos o próprio vazio. Não enxergamos a nossa verdadeira natureza, só enxergamos nossa natureza temporária, que é a dimensão histórica, que é uma coisa que começa e tem um fim. Nós nascemos, morremos, isso é a dimensão histórica. Mas existe uma dimensão suprema que está além da dimensão histórica, e essa não se manifesta historicamente. Ela tanto é uma em tempo quanto é uma como manifestação. Todas as manifestações são a mesma dimensão.
As ondas nascem e morrem na superfície do mar. O mar não nasce e morre, ele está lá. Todo o tempo. Então a dimensão suprema é assim. A dimensão histórica é que são as manifestações fenomênicas que nascem e morrem.
Vazio não é mais do que forma, forma é exatamente vazio e vazio é exatamente forma.
E aí o Sutra começa a listar: "sensação, conceituação, diferenciação, conhecimento, assim também o são." Também são vazios.
"Ó Sharishi, todos os fenômenos são vazio forma." Não nascidos. Os fenômenos, são não nascidos, porque eles são o vazio. Eles parecem que nascem e morrem mas isso é como se fosse um sonho, uma manifestação, mas não é a essência. Todos os fenômenos são não nascidos, não mortos e não puros e impuros, não perdidos e não encontrados.
Assim é tudo dentro do vazio. Tudo dentro do vazio é sem: "forma, sem sensação, sem conceituação, diferenciação, conhecimento, sem olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente, sem cor, som, cheiro, sabor, tato, fenômeno."
Tudo dentro do vazio é assim, “sem nada”.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Primeiro Zazen
"Sou uma pessoa muito ansiosa e impaciente, por isso pensei que quando fosse me sentar para a prática teria que me segurar para ficar quieta e não contar o tempo. E isso não aconteceu, pelo contrário quando terminei os quarenta minutos jurava que tinham passado no máximo vinte!
Costumo sentar e fazer rápidas meditações e visualizações sozinha, por isso quando ouvi a monja dizer “deixe os seus pensamentos irem e virem” eu já tinha idéia de como seria. É comum ter algumas visões enquanto medito, mas o que mais gostei e me deixou impressionada foi o fato de que, em determinado momento, a sensação do meu corpo mudou completamente. Geralmente quando sento de pernas cruzadas, em alguns minutos começa um formigamento e logo a perna dorme, mas para a minha surpresa isso não acontecia e eu achava curioso... em certo momento eu comecei a não sentir o meu corpo, era uma sensação estranha porque em partes eu não sabia onde terminavam ou começavam braços, pernas, dedos, no entanto eu tinha noção da extensão deles... eu sentia uma sensação estranha como se o meu corpo estivesse ao contrário, por vezes virado como se os membros estivessem trocados de lugar, outras como se as costas estivessem na frente e vice-versa... em si, eu tinha noção do meu corpo e dos membros separadamente, mas ao mesmo tempo (mesmo soando paradoxal) eu sentia o meu corpo fundido, membros todos unos e na base, eu sentia uma imobilidade incrível, como se a parte inferior do meu corpo fosse uma raiz.
... "
Do blog Zen Planalto
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