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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Sou como você, vivo errando



(continuação)
Monge Genshô: Sim, no escotismo é assim, os militares também fazem isso, vão colocando todos os seus cursos. Já fui militar, quando você ganha uma estrela, é promovido, o que você faz de noite é já costurar a estrela pois no outro dia de manhã já vai aparecer. Ele pensa: passei de segundo tenente para primeiro tenente, vou botar a segunda estrela, amanhã de manhã todo segundo tenente vai ter que bater continência para mim.

É lógico, dentro da estrutura militar está tudo bem, é compreensível. Mas dentro do Zen você tem que se segurar. Eu recebi a transmissão em janeiro de 2011, sendo que logo depois que você recebe pode mudar de cor (do manto), não precisa mais usar preto, pode usar de marrom a até amarelo. Então fiquei hesitando. Demorou um ano até conseguir me dispor a usar a cor, até ganhar de presente um rakusu, um monge mandar um manto marrom para mim etc. Tem que ser o contrário do que é no exército. Tem que ser quando os alunos começam a cobrar de você. Os alunos é que querem chamar você de Sensei.

Tem que ser diferente, a atitude mental tem que ser diversa. Mas o que estava falando era da doutrina de "a prática é a iluminação", não preciso demandar iluminação porque a prática já é iluminação. Então tenho que ir lá e colocar bem o incenso, tenho que fazer bem o gasshô, mostrar uma forma. Acontece que a forma perfeita pode ser treinada. Você pode ser uma excelente marionete da forma e um maravilhoso cerimonialista. Pode ser muito orgulhoso de ser cerimonialista, fazer bem ritos e cerimônias, mas ... É mais ou menos como no karatê, ser um excelente executor de kata, um bailarino. Faz a forma do karatê muito bem, maravilhoso. Mas nunca faz kumite (luta). "Perigoso me machucar". Então karatê só de forma? Não tem uma verdade dentro dele. Não é a verdade que está dentro dele, é só  a imitação da forma, uma coisa que não tem dentro de si o verdadeiro espírito original.

Queria dizer que o espírito original do Zen é procurar a iluminação mesmo. Todos os meus alunos têm que procurar a iluminação. Se não, estão treinando para quê? Para fazer forma bonita? Não me importo com forma. Mas, claro, vocês me vêem cobrando a forma, mas quando a pessoa faz um pouco errado não tem importância. Quando a pessoa erra, dá um sorriso, porque ela sabe "ai, errei", sorrio de volta porque quero dizer "eu também sou assim como você" vivo errando.