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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Bem e mal, bom e ruim, visões duais




Aluno: Ao se tornar um buda simplesmente a onda cármica deixa de existir?

Monge Genshô: Não tem força suficiente para uma nova manifestação.

Aluno: Seria bom construir “carma bom” e diminuir a força da onda até que se elimine?

Monge Genshô: Depende do que você está falando como bom. Por exemplo, você tem um carma bom de generosidade. Isso produz tradicionalmente vipaka, um fruto de facilidade em obter coisas, elas vêm facilmente para você. Como você sempre foi generoso, outras pessoas são generosas com você. Isso retorna. Isso é um carma bom? É, em um certo sentido, mas no sentido de aprisionamento, continua aprisionando você aqui. Na realidade, extinguir o carma é uma tarefa mais profunda, muito mais profunda. Tem que ser generoso, sem que a outra pessoa saiba da sua generosidade. Aí sim a probabilidade de retorno é muito menor. Não estou dizendo que o agradecimento foi ruim, foi bom.

Temos que distinguir bem isso. Existe o bem e o mal. Mas isso é uma visão dual. Há o bem e há o mal, isso é visão dualista, pois na realidade estão misturados. Pois quando você diz  - bom e ruim -  esse bom e ruim também são julgamentos comparativos. Como julgamentos de comparação eles também vivem dentro da dualidade. E a dualidade pode ser um excelente instrumento da nossa linguagem e muito bom do ponto de vista técnico, mas do ponto de vista de compreensão espiritual, bem e mal são pares de opostos que nos levam à discriminação, conceituação, julgamento e nos amarram à pensamentos dualistas. É portanto um pensamento instrumental,  típico da linguagem, mas não um pensamento de compreensão absoluta.