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quarta-feira, 9 de março de 2016

Rituais e interação cultural

Palestra em Sesshin de Goiânia [novembro de 2015 - parte 2]

Monge Genshô: O Budismo saiu da Índia, Bodidharma foi até a China, e a China é muito fria, e os monges começaram a usar roupa; então essa roupa preta usada pelos monges zen budistas é chinesa, essas longas mangas, vocês já devem ter visto nos filmes chineses – imperador usando, etc. -,  as longas mangas dos nobres. Elas os obrigam a andarem na posição certa, porque se eles deixarem caírem os braços, se esquecerem da posição de sashu, a manga cai e você não consegue pegar nada. Então, a roupa obriga você a determinada postura, ela é uma máquina de treinamento. Você vai pegar alguma coisa, tem que ajustar, senão derruba tudo, então você começa sem querer a fazer gestos de outra forma. Essa é a função do Koromo.

No Japão, quando se coloca um koromo também se veste um kimono por baixo. Embaixo de tudo tem uma camiseta, juban; juban vem do português, gibão, que era uma roupa que os soldados usavam. Então, do português, Jibão, do japonês, Kimono, do chinês, koromo, da Índia, kesa. Isso que deu na roupa do monge, então a gente vem para Goiás e fica pedindo ao Jisha para ligar o ar condicionado... Eu pedi para ligar o ar-condicionado porque tinha gente perdendo a atenção com insetos, tinha até um sapo no meio da sala, então tinha que fechar a janela.

Desta forma, os rituais foram construídos culturalmente ao longo do tempo, e essa conversa saiu da entrevista com um aluno agora, ele estava perguntando sobre isso e achei que era bastante interessante contar isso para todos. Os rituais todos foram construídos porque houve interação cultural.(continua)