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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Relato do Prof. Tam Huyen Van sobre o debate do Rio


Prof. Tam Huyen Van do Zen Budismo Vietnamita (Thien)

Prezados Amigos,

Ocorreu nesta segunda, às 10 horas, no Plenário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, o já divulgado Debate Público sobre a questão Tibetana. Gostaria de apresentar minhas impressões sobre o evento, após um pequeno período para reflexão e contemplação dos acontecimentos ocorridos.

Inicialmente, penso que seria importante valorizar e reiterar a importância do evento que, por si só, contribui grandemente para a consolidação da posição buddhista brasileira frente às questões de direitos humanos e valores éticos sociais, e fomenta - principalmente - a divulgação das propostas humanistas do Buddhismo.
O empenho demonstrado pela Vereadora Aspásia Camargo e o Deputado Fernando Gabeira foram, a meu ver, uma clara demonstração de que, apesar dos aspectos profundamente reprováveis associados à instituição política no Brasil e no mundo, não é sábio imputar a falta de respeito aos valores sociais a todos os membros da classe
política indiscriminadamente; existem muitas personalidades políticas cientes de sua responsabilidade na defesa do exercício da ética e da reflexão saudável sobre os graves problemas que afligem a humanidade - seja no Brasil ou no outro lado do mundo.

Lamento, contudo, a pouca participação de buddhistas praticantes e simpatizantes. Embora compreenda plenamente que o dia e horário não contribuíram para facilitar a presença de grande público, o fato de que o evento ocorreu apenas no Rio de Janeiro, e sempre considerando o aspecto não-doutrinário e não-coercitivo que fundamenta o exercício do Dharma (sem falar no fato inegável de que, no Brasil, o número de
buddhistas realmente praticantes é extremamente pequeno - há um número muito maior de pessoas simpáticas ao buddhismo, mas sem nenhuma real identificação com a prática do Caminho em sua profundidade), ainda assim gostaria de chamar a atenção de todos para
a natureza de nossas opções de ação e mobilização em relação ao buddhismo e assuntos buddhistas. É preciso refletir melhor sobre quais ações podem ser realmente úteis e válidas, e quais ações seriam apenas fruto de um entusiasmo puramente romântico ou artificial em relação aos conceitos de esforço correto e ação correta. Espero que,
no futuro, eventos semelhantes possam contar com a presença mais efetiva de pessoas interessadas em valorizar o desenvolvimento das propostas de consciencia e correto discernimento características do exercício ético buddhista na vida.

O caráter simples e despojado do evento, e o seu peso conceitual e reflexivo, foram cruciais para que uma porta fosse aberta no âmbito das ações buddhistas brasileiras. A participação do monge Gensho (em seu grande discurso final, onde penso que foi dada uma resposta adequada e firme às atitudes lamentáveis do Consul Geral da China) e
da monja Isshin (suas palavras gentis e admiráveis, e sua respeitável atitude de respeito humano e fraternidade ao representante chinês no evento), as afirmações contundentes e fortes do Reverendo Shaku Shoshin em defesa do povo tibetano, as ponderações compassivas e coerentes da Dra. Cerys e do Professor Flávio Marcondes, contribuíram a meu ver para apresentar à opinião pública e à classe política do
Rio de Janeiro a força reflexiva e determinação compassiva do buddhismo.

Reafirmo meu apreço pela aceitação, por parte do governo Chinês, do convite de participação enviado formalmente pelo Colegiado Buddhista Brasileiro. A presença do Cônsul Geral Li Baojun representou uma pequena esperança de que a disposição pelo diálogo consciente e honesto entre as partes também ocorra nos setores chineses de
relações internacionais.

Infelizmente, para o meu profundo desapontamento, as ações do Sr. Consul durante o evento não corresponderam àquelas expectativas. Em uma atitude pouco flexivel (a despeito de sua natureza simpática e amigável), o representante chinês limitou-se a apresentar uma versão doutrinária, extremamente alienada, e distorcida da questão tibetana. A atitude, a meu ver, confirmou para mim o caráter claramente difícil
da abordagem humanista e pacífica da questão tibetana em termos de linguagem e intenções, e que eu já havia antecipado em meu ensaio "Tibet - Entre Liberdades e Revoluções".

Não houve margem para o debate. Não houve espaço para a composição e correto esclarecimento das ações corretas ou inadequadas de todas as partes; apenas houve uma apresentação inócua e pouco coerente da versão partidária chinesa; houve uma tentativa de divulgação completamente inacurada dos fatos históricos associados às relações entre o Tibet e a China. Em meio a tudo isso, ao final de sua apresentação o Sr. Consul deixou a impressão de que o exercício de diálogo e abertura política, necessários para que a paz e a justiça prevaleça, ainda exigirá muito empenho e equilíbrio.

Saí do debate convicto de que, como buddhista e professor de dharma, devo ainda mais aprofundar minha prática de paciência e percepção correta em relação aos aspectos insalubres contidos nas mentes doutrinadas, presas a um modelo perverso de interpretação do mundo e da vida, aspectos esses que se apresentam em muitos grupos humanos, seja na China ou no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo. A tarefa
de ação hábil e adequada para superar a crueldade das instituições ditatoriais e imperialistas é árdua, pode causar ressentimentos e raiva em muitos de nós, mas não devemos de modo algum sucumbir a tais erros ignorantes.

Neste contexto, gostaria de pedir a todas as pessoas sinceramente interessadas em contribuir para o esforço de liberação dos povos oprimidos, que jamais caiam no erro de perpetuar a ignorância das mentes fanáticas e intolerantes, agindo com raiva ou agressividade. Quanto mais percebemos o grau de insalubridade nas doutrinas
ditatoriais, nos discursos pobres em discernimento, na incapacidade de muitos em saber ouvir e falar com consciencia e maturidade argumentativa, mais devemos nos esforçar para evitar o ressentimento.

Após o debate, percebi que definitivamente não devemos imaginar que a injustiça e a insensibilidade são dos chineses pois tambem eles compartilham sofrimentos e frustrações (neste momento, também o povo chinês está vivendo a dor das perdas de vidas devido ao terremoto ocorrido no dia 12 de Maio), tal erro não pode ser imputado a toda uma nação - ou àqueles que compõem um grupo social, uma instituição
religiosa ou política, ou simplesmente um gênero sexual ou cor de pele. Um erro terrível ocorre quando imaginamos que todo um povo, toda uma classe, todo um grupo, é responsável pelas insanidades de seus governantes ou controladores. Não, a problemática está na incapacidade daqueles que são presas da motivação fanática e da visão egoísta e diferenciadora no mundo de superar sua pobreza de percepção.

Devemos buscar os meios hábeis para superar em nós mesmos esta ignorância destruidora, esta convicção espúria baseada em erros crassos de interpretação e entendimento, e que muitas vezes vemos com mais facilidade apenas nos outros; devemos praticar todos os dias a coragem de não desistir da paz, do cuidado no diálogo, e da meta maior e definitiva, capaz de curar e transformar a humanidade: o amadurecimento de nossa consciência, de nossa sabedoria, de nosso dom de resistir à falta de compaixão correta. Volto a repetir que a atitude compassiva e coerente não é uma atitude ingênua e condescendente: quem é capaz de agir com correta compreensão do
outro, o faz por força de seu discernimento e não por uma ingênua atitude de passiva aceitação.

Assim, sinto que me tornei ainda mais disposto a agir com cuidado e empenho a favor da prática de compreensão no mundo. Quanto mais ouço as palavras tolas daqueles que defendem um modelo de vida injusto e perverso, me sinto mais livre. E percebo que, mesmo através de torturas, terror e assassinatos, apesar do empenho implacável em
difundir delusórias intepretações dos fatos, os homens e mulheres alienados em profundo egoísmo, os poderes controladores e intolerantes, os governos insalubres, as facções terroristas e os movimentos fanáticos jamais prevalecem. Ao final, seus nomes serão apagados na memória da Vida, os atos cruéis e injustificados serão expostos ao tempo e à história com terrível clareza, e as entranhas insalubres de suas convicções jogadas à margem da grandeza humana.

No Dharma,
Tam Huyen Van

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Relato do Rev. Joaquim Monteiro sobre o evento do CBB na Câmara Municipal do Rio


Dep. Fernando Gabeira, decidido apoiador da causa do budismo tibetano perseguido pela tirania do governo da China.



Rev. Joaquim Monteiro, Membro do CBB, Monge budista da escola Jodo Shin

Foi realizado ontem o debate público sobre a questão tibetana na Camara dos Vereadores do Rio de Janeiro. O debate foi realizado sob a presidência da Vereadora Aspásia Camargo e contou com a presença do Parlamentar Fernando Gabeira. Fernando Gabeira estabeleceu laços bastante concretos entre a atual política da 'República Popular da China" e os acontecimentos recentes no Tibet e na Birmânia.
Participaram do evento representando o CBB a Monja Isshin, o Monge Genshô, o Professor Cláudio Miklos e eu.

Participaram também a DRA.Cerys Tramontini, especialista em direitos humanos e na questão tibetana e o Prof.Flávio Marcondes Velloso. Acredito que todos os
participantes deram contribuições importantes em seus aportes e que o evento enquanto tal foi um passo adiante para o reconhecimento da questão tibetana no espaço público de nosso país. Tivemos além disso uma inesperada contribuição da agência "Nova China" que me passou a impressão de estar atuando mais como polícia política do que como órgão de informações e do Cônsul geral da China no Brasil SR.Li Baojun que
ajudou a desmoralizar de vez o governo da "República Popular da China" com suas atitudes pueris e autoritárias.

A Monja Isshin em um ato de imensa maturidade política cedeu seu lugar para permitir a participação do ilustre representante da RPC. No entanto, esse ilustre senhor não só gastou um tempo enorme procurando em seu lap top as informações que deveria possuir através de seu discernimento político como assumiu uma postura essencialmente autoritária se recusando ao diálogo e lendo a cartilha de seu governo sobre a questão tibetana. O conteúdo dessa cartilha se restringia à justificação do genocídio do
povo tibetano através de distorções grotescas da análise histórica. Em particular, pude compreender quais são as fontes da perspectiva apresentada pelo SR.Slavoj Zizek em seu infeliz artigo no "mais".

Tudo isto já é essencialmente deprimente, mas o mais sério é que a política externa de nosso país se deixe influenciar de forma essencial pelas colocações de diplomatas sem formação ética e sem nenhum preparo político ou intelectual, diplomatas que não passam de agentes atravessadores das mistificações do governo de Beijing. Acredito que existe pelo menos uma lição a ser aprendida da questão tibetana por nós brasileiros:já está na hora de romper com essa política externa que serve aos interesses imperialistas do governo de Beijing e que se auto-justifica através de um "pragmatismo" completamente estúpido e irresponsável.

Sem mais-Gashô.
Shaku Shoshin.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Cônsul Geral da China diz que não há vítimas no Tibete


Li Baojun, o que tem que mentir por profissão.

Foi no Debate Público sobre a questão tibetana, promovido pelo Colegiado Buddhista Brasileiro, com o apoio do Deputado Fernando Gabeira e da Vereadora Aspásia Camargo na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O Cônsul Geral da China, Li Baojun, acompanhado de vários assessores que não se cansavam de ostensivamente fotografar cada orador que se manifestava contra as ações da China no Tibete, estava sentado ao meu lado, na mesa da Câmara, por especial cessão de lugar feita pela Monja Isshin.
O Prof. Marcondes Velloso, que havia proposto uma ação junto ao Tribunal de Justiça Internacional de Haia, propôs um minuto de silêncio pelas vítimas tibetanas, o cônsul levantou-se, arrumou suas coisas, falou com um assessor e retirou-se. Após, em entrevista para a TV Globo, disse que não tinha porque fazer silêncio porque não haviam vítimas no Tibete!
Nada me restou do que dizer aos repórteres que o Cônsul é vítima de seu regime totalitário, que mente sob ordens, que como budistas sentimos muita compaixão por quem tem a tarefa de enganar, e distorcer os fatos para preservar um regime totalitário, repressor e assassino.

Rev. Genshô

quarta-feira, 30 de abril de 2008

"Debate Público sobre a Questão Tibetana"


Prezados Irmãos no Dharma


O Colegiado Buddhista Brasileiro, contando com o apoio da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro e do Deputado Fernando Gabeira, estará realizando no dia 12 de Maio, às 10 horas, no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro o "Debate Público sobre a Questão Tibetana" juntamente com lideranças budistas brasileiras, o qual será registrado nos anais e divulgado no Diário Oficial.

É um evento que liga os políticos brasileiros à causa do Dalai Lama, e uma oportunidade especial para nos manifestarmos e fazer diferença em favor do oprimido povo tibetano, reforçando a posição do Budismo Brasileiro em prol do exercício da não-violência e da paz, do diálogo entre povos e culturas, e o respeito aos direitos de todos os seres.

Sendo necessário o maior apoio possível ao evento, solicitamos a todos os que deste tomem conhecimento que o divulguem em todas as listas públicas e particulares, blogs e sites, convidando os budistas e simpatizantes com a causa tibetana a comparecerem ao Plenário da Câmara.

Debate Público sobre a Questão Tibetana
Dia 12 de Maio às 10 Horas
Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro - Palácio Pedro Ernesto - Praça Marechal Floriano, s/n, Cinelândia, Rio de Janeiro.


Em nome do Dharma,

Prof. Maurício Ghigonetto (Shaku Hondaku)
Presidente

Membros Fundadores

Rev. Wagner Bronzeri (Shaku Haku-Shin)
Site Oficial
http://www.honganji.dharmanet.com.br

Rev. Genshô
Escola Soto Zen
www.chalegre.com.br/zendo

Dhammacariya Ricardo Sasaki (Dhanapala)
Site Oficial
http://www.nalanda.org.br/

Prof. Claudio Miklos (Tam Huyen Van)
Site Oficial
http://tamhaovan.multiply.com

Conselho do CBB

Lama Chagdud Khadro
Rev. Rinchen Khyenrab
Rev. Heila Downey (Poep Sa Nim)
Ven. Uttaranyana Sayadaw
Rev. Shaku Sogyo
Rev. Dr.Ricardo Mário Gonçalves
Rev. Sinceridade
Rev. Coen Sensei

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Colegiado Buddhista Brasileiro
http://cbb.bodhimandala.com
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Sarve Bhavantu Mangalam - Que Todos os Seres Sejam Felizes