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quinta-feira, 21 de abril de 2011

O guia para a harmonia, a iluminação


Cerimônia do Chá na Comunidade Zen Budista de Florianópolis, Hanamatsuri 2011

Extratos de um texto de Monja Isshin sobre a harmonia:

"O Japão é um país onde se valoriza a “harmonia” acima de tudo. Todos os outros valores sociais e morais são secundários a esse valor. Portanto, é um país de “harmonia a qualquer custo”. Conseqüentemente, a história japonesa está cheia de relatos de casos onde a única saída que sobrava para uma pessoa “manter sua dignidade” e “provar a sua razão” era o “harakiri”, o suicídio ritual de cortar a barriga, pois, em nome da “harmonia”, não havia outra forma de ter uma relativa “justiça”. Eu demorei para compreender a função do “harakiri” e, quando finalmente passei a entender – mesmo um pouquinho – fiquei muito comovida. Não estou criticando aquela cultura, de jeito nenhum, pois me apaixonei pelo Japão e sua cultura – mas também reconheço que é uma cultura quase totalmente “estranha” para mim.

Os Estados Unidos, o meu país de nascimento, são um país onde talvez a “justiça” seja, junto com a “liberdade”, o valor principal. A defesa dos direitos (humanos, dos grupos étnicos, de gênero, etc. etc.) serve de exemplo desta valorização da “justiça”. Valores como “harmonia” passam a ter um valor secundário. Em certos momentos até parece que os americanos seguem um estilo aparentemente “agressivo” de se relacionar, com toda uma estrutura social “confrontativa”, de constantes debates, de sempre ouvir “um outro lado” – tudo em nome da “justiça”. O lado negativo disto vem a ser uma tendência dos Estados Unidos de querer se impor, achando-se do lado da “justiça”, defensor da “justiça”.
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O que isto significa para nós, na hora de criar a nossa Sanga Brasileira? Qual o valor supremo: “harmonia” ou “justiça” – ou será que podemos transcender esta dualidade e descobrir como o próprio Buda cuidava do assunto?

Talvez possamos ter a “Iluminação” como o nosso valor supremo. Talvez possamos imaginar um paralelo pensando na “harmonia” como uma expressão mundana do desejo da manifestação da Compaixão e na “justiça” como uma expressão mundana do desejo da manifestação da Sabedoria. E a Iluminação seria, neste caso, o equilíbrio entre a “harmonia” (Compaixão) e a “justiça” (Sabedoria).

E como podemos alcançar a “Iluminação”? A prática Budista verdadeira leva, naturalmente e inexoravelmente, à Iluminação – mesmo que isto possa levar “milhares de vidas”.

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Mesmo que os ensinamentos Zen falem de praticar “sem objetivos” e “sem metas”, por favor, tome cuidado para não cair na armadilha das más interpretações. Você precisa ter uma “direção” na sua prática, senão a sua prática ficará “desnorteada” e sem rumo, confusa. Não irá a lugar algum.

Assim, acredito que temos que “nortear” a nossa prática em “direção” à Iluminação (equilíbrio da Sabedoria e Compaixão). Existe a prática verdadeira, correta, que leva à auto-transformação e libertação das ilusões, e existe a prática falsa, errônea, de auto-ilusão. Se você não está crescendo em Sabedoria e Compaixão, a sua prática não será uma prática correta.

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A presença de uma Sanga correta e um Professor de Dharma (sensei) passam a ser imprescindíveis, pois a prática solitária ou com uma sanga “de cegos guiando cegos” não nos protege contra as armadilhas do Caminho.

Que possamos criar uma Sanga Brasileira forte e saudável, de praticantes caminhando em direção à Iluminação, cheios de Sabedoria e Compaixão! Que cada um de nós possa mergulhar na essência do Ser, descobrindo e manifestando sua Natureza Buda e que possamos juntos nos tornar o Caminho Iluminado.

Monja Isshin

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Transmissão do Dharma



Manto marrom que simboliza a transmissão e manto amarelo que é usado após o Zuise (cerimônia para os ancestrais). Os monges os usam indiferentemente dependendo da formalidade.

Extratos do texto de Monja Isshin, publicado em seu blog.

A Transmissão de Darma (denpô, 伝法) representa a finalização do treinamento formal de um monge no Soto Zen (o treinamento “verdadeiro” continua durante toda a vida). O “zagen” (monge-aprendiz) passa para a graduação de “rikishô“, ou monge plenamente formado.

Nesta graduação, o monge possui a autoridade plena necessária para oficiar casamentos, batizados, benções em geral, enterros, e outras cerimônias religiosas.

Em princípio, a Transmissão do Dharma significa o reconhecimento, por parte do professor, de “realização” e compreensão/aplicação do Dharma, por parte do aluno. Representa uma declaração “pessoal” do professor da qualificação do aluno e sua entrada na Linhagem no Dharma (hôkei, 法系) de sucessão do professor.
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Como parte do processo de transmissão, o aluno reverencia os ancestrais de sua linhagem, escreve certos documentos e recebe vários ensinamentos – geralmente num retiro individual de sete dias (chamado “Shihô” 嗣法) – finalizando com duas cerimônias (não abertas ao público): a Transmissão dos Preceitos do Bodistava, (“Denkai” 伝戒) e a Transmissão do Dharma (“Denpô” ou “Denbô” 伝法), propriamente dito, no qual o aluno torna-se herdeiro do dharma do seu professor e sucessor dele.

No Soto Zen, há três etapas importantes no treinamento de um monge. O aluno pode ter, oficialmente, um professor diferente para cada etapa ou pode realizar todas as três etapas com o mesmo professor. O primeiro professor é o Professor de Ordenação (“jugôshi” ou “shishô“). O segundo é o Professor do Levantamento da Bandeira do Darma, que oficia a Cerminônia de Combate de Darma do aluno (“hôdôshi“), e o terceiro é o Professor de Transmissão de Dharma, que é considerado o “Professor Verdadeiro” (“honshi“).

Nas cerimônias de shihô, o aluno presta homenagem ao professor, com numerosas reverências. Mas há um momento no qual o professor presta homenagem ao aluno, numa certa “inversão” dos papéis.

Por isso, é indispensável que haja afinidade, respeito e confiança mútua entre o professor de transmissão e o aluno. Caso contrário, não poderá haver uma transmissão verdadeira, uma vez que, simbolicamente, passa a circular o mesmo sangue nas veias do professor e aluno (que também seria o mesmo sangue de todos os mestres da linhagem). Quando há uma transmissão verdadeira, os dois passam as ser, simbolicamente, iguais no despertar – e “Unos” com todos os mestres da linhagem.
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Também é definida, na hora do “Zuise“, a sua graduação como Professor de Dharma (“Sensei” 先生), de acordo com o seu tempo de prática em mosteiro de treinamento oficialmente reconhecido.

Passa a possuir, agora, a qualificação mínima que lhe dá a possibilidade de seguir para a próxima graduação monástica (Oshô 和尚) ou assumir a plena responsabilidade por um templo, tornando-se Monge Titular ou Jûshoku (住職).

Traduzindo um texto da Internet:


“Shihô (嗣法) refere-se a uma série de cerimônias no Soto Zen Budismo em que um monge-aprendiz (zagen) recebe a plena ordenação como herdeiro do Dharma de seu mestre com poderes para transmitir os preceitos e a linhagem para os outros. Uma cerimônia de shihô pode durar de uma a duas semanas, com a cerimônia final composta de duas cerimônias específicas. A primeira é a transmissão dos preceitos do mestre para o aluno, conhecido como denkai (伝戒), onde o mestre confirma que o aluno tenha manifestado os preceitos no seu dia-a-dia. Nesta cerimónia, o aluno torna-se, “o sangue de Buda”. A segunda, denpô (伝法), é a cerimônia de Transmissão do Dharma, onde o aluno herda o Dharma e se torna habilitado a transmitir a linhagem. Na cerimônia denpô, o aluno torna-se um ancestral da tradição e recebe um manto e a tigela, entre outros objetos. Também durante a cerimônia de denpô o aluno recebe um certificado de “Shoshike” (que lhe confere a autoridade de realizar Jukai) e também os documentos conhecidos como as “Três Insígnias de Transmissão” (Sanmotsu): “shisho” (certificado de herança), “odaiji” (um diagrama que simboliza o Assunto Grande) e “kechimyaku shoden” (linhagem de transmissão do Darma). Após a conclusão destas cerimônias o novo professor se torna independente.”

Texto original (em inglês) traduzido por Monja Isshin

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A Vida Compassiva - Compaixão - Novo Livro


Lançado, pela editora Pragmatha, do livro “A vida compassiva – Compaixão”, da Monja Isshin, na Livraria Palavraria, em Porto Alegre.

A monja zen budista americana e naturalizada brasileira Isshin Havens, em Porto Alegre há quatro anos, ingressa no mercado editorial pela gaúcha Pragmatha. A obra “A vida compassiva – Compaixão”, em formato ecológico (papel reciclado é apenas grampeado, sem a utilização de cola), aborda questões como o que écompaixão, o valor dela na sociedade contemporânea e como podemos cultivá-la. A perspectiva da abordagem, segundo a monja, é a de que a prática da compaixão constitui um caminho espiritual independente de religiões.

O primeiro de uma série de cinco sobre o tema, o livro está dividido nos capítulos A noite escura da alma, Surfar nas ondas da vida, O Ego, e Compaixão é sentir com amor, e pode ser adquirido na Livraria Palavraria, em Porto Alegre, ou por e-mail (através da caixa de mensagem abaixo).

A monja Isshin Havens é orientadora espiritual das Sangas Águas da Compaixão, Aikikai e Energia Harmoniosaa, em Porto Alegre, e da Sanga Soto Zen de Pelotas. É palestrante da Universidade Falada, colaboradora/palestrante da Unipaz-Sul, membro-colaboradora do Colegiado Buddhista Brasileiro e parceira no Charter for Compassion (grupo interreligioso internacional) através da Sanga Águas da Compaixão.

Seu treinamento como monja da tradição japonesa de Soto Zen Budismo iniciou em São Paulo, onde recebeu ordenação de sua professora, Monja Coen, dando continuidade à sua prática em mosteiros do Japão e Estados Unidos. Atualmente é também aluna do Dôshô Saikawa Roshi, Superintendente (Sôkan) da Escola Soto Zen para a América do Sul.

SERVIÇO
Título: A vida compassiva – Compaixão
Editora: Pragmatha
ISBN: 978-85-62310-20-1
Site: http://monjaisshin.wordpress.com/
Preço: R$ 10,00 (na Palavraria)
R$ 15,00 (pelos correios)
Lançamento: 03/11/2010
Local: Livraria Palavraria
Endereço: Vasco da Gama, 165, Porto Alegre/RS
Telefone (51) 3268 42 60

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Coen Sensei e Monja Isshin



Coen Sensei, eminente professora do zen e abadessa de seu templo em SP, esteve em visita à Sangha Águas da Compaixão em Porto Alegre, a qual é orientada por Monja Isshin.
Estiveram presentes membros do Via Zen de Porto Alegre, orientado por Coen Sensei, e visitantes de outras comunidades budistas a este momento de confraternização.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Unsui - o início do caminho monástico



Monja Isshin, escreve em seu blog sobre os noviços na escola Soto Zen, íntegra aqui.
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"Neste momento, tornaram-se “unsui” (雲水, nuvem-água), que significa um ser que vai indo e vindo com a leveza da nuvem sem estar preso a nada ou ninguém, com a fluidez da água que se adapta a qualquer recipiente mas que tem a força de vencer qualquer rocha.

Estão na fase inicial de suas trajetórias como “unsui”, na graduação de “jôza”, que pode ser traduzido aproximadamente como “noviço”. Nesta fase, o “unsui” é um estudante-de-monge, que no Japão não teria qualquer autoridade para ensinar, orientar, coordenar – ou até nem mesmo permissão de aparecer para o público em geral. É a fase de “cale a boca e limpe o chão” – uma fase de valor inestimável no nosso treinamento.

Aqui no Ocidente e especialmente no Brasil, infelizmente, a situação é bem diferente. Poucos alunos neste país têm a oportunidade de ter uma convivência direta e constante com os seus professores. Acabam sendo “alunos à distância”, com poucas oportunidades de estar na companhia do professor. Acho isto muito triste, pois representa obstáculos enormes, quase intransponíveis, ao desenvolvimento da compreensão do Darma e prática corretas destes alunos. Muitos noviços brasileiros arcam com responsabilidades demais, cedo demais – até liderando grupos de prática, supervisionando aulas do Darma ou workshops de prática – quando na verdade são “estudantes” eles mesmos.

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Como ‘unsui’ (monges-em-treinamento), eles devem passar pelas etapas de monge-noviço (jôza), líder dos noviços (shuso, quando é realizado o Hossenshiki – Cerimônia de Combate ao Darma) e monge-aprendiz (zagen), até finalmente completar o seu treinamento, se tornando monge plenamente formado (oshô, recebendo Shihô, Transmissão do Darma, a ordenação superior).

É uma caminhada longa que, às vezes, pode ser bastante difícil. Desejo aos meus “sobrinhos do Darma” muita Paz e Tranqüilidade nas suas jornadas e ofereço toda a minha solidariedade. Que possam atingir a Libertação do Sofrimento, o Nirvana, como ensinado pelo Buda."
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sexta-feira, 26 de março de 2010

Nova Sangha em Pelotas


Chafariz em praça central da cidade de Pelotas.

Com a assistência de Monja Isshin iniciou-se no dia 13 de março um grupo de prática zen em Pelotas RS, a iniciativa nasce ligada a Sanga Soto Zen Budista Águas da Compaixão de Porto Alegre.


Local:
Dojo Joseikan
Rua Dr. Cassiano, 270 – Pelotas/RS

Contato:
Rodrigo de Oliveira Cardozo
(53) 9144-5441

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Moriyama Roshi em P. Alegre



Moriyama Roshi em visita à Sangha Águas da Compaixão, praticantes das várias Sanghas de P. Alegre estãp presentes, no fundo à esquerda, com barba branca e óculos, Celso Marques, um pioneiro do zen brasileiro, à frente da comunidade Monja Isshin ladeada pelo Roshi, este foi Superintendente Geral da América do Sul da Sotoshu em período anterior ao de Saikawa Roshi, a organização mundial do zen. À direita do Roshi, o primeiro é o Monge Prof. Joaquim Monteiro, da escola Terra Pura, em trajes leigos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Cerimônia do monumento do fundador


Saikawa Roshi oficia assistido por dezenas de mestres que acorreram de todo o mundo.
(Clique nas imagens para amplia-las)


Monges assistem, na primeira fila, da esquerda para a direita: Monge Napoleão, Monja Simone Keisen, Monja Mariângela, Monge Genshô, Monge Pedro (Barcelona), Monge Álcio, Monja Isshin, (irmãos no Dharma, atualmente alunos de Saikawa Roshi, com exceção de M. Álcio, do RJ, aluno de Mestre Tokuda)(chamam-se irmãos no Dharma os alunos de um mesmo mestre e pertencentes a uma mesma Sangha de monges)

sábado, 22 de agosto de 2009

Mas o que é esta Plena Atenção, este “estar no Aqui e Agora”?


Mas o que é esta Plena Atenção, este “estar no Aqui e Agora”?

A cultura Ocidental tornou-se muito “informal”. Conseqüentemente, muitos praticantes se rebelam contra o rigor da “forma” no Zen. Mas no fundo o que significa “informal”? Acaba significando “in-forme”, ou seja, “sem forma”, “caótico”. Aqueles praticantes condicionados na “informalidade” se assustam quando tentam praticar as formas do Zen, pois talvez nunca cultivaram tamanho “auto-controle” nas suas atividades. Talvez achem tudo isso “pura chatice”. E quando ouvem um professor falar da importância de fazer as coisas com “naturalidade” e “espontaneidade”, acreditam que o seu jeito de fazer as coisas já é a “naturalidade” e a “espontaneidade” do Zen. Mas esta “informalidade”, na verdade, é um certo desleixo. Ou seja, não entenderam a “espontaneidade Zen”.

Mas também temos muitos “perfeccionistas” em nossa cultura. E como eles sofrem, inicialmente, com a nossa prática! Não entendem o que significa a verdadeira “Plena Atenção”. Confundem o rigor do Zen com a sua atenção aos detalhes, com a pressão e auto-cobrança quase obsessivos do perfecionismo que viveram no passado. Quando estes alunos fazem suas atividades sem estar verdadeiramente no Aqui e Agora, tendem a cair em suas auto-cobranças obsessivas, e sofrem muito. Talvez, querendo escapar do sofrimento, mas sem perceber a verdadeira causa, reclamam que o Zen é exigente demais, afirmando que "não precisava ser tudo tão certinho"… A verdade é que não estão entendendo a prática de olhar para os seus condicionamentos se manifestando e voltar à respiração, como treinam fazer com os pensamentos no Zazen.

Já os professores, às vezes, parecem bastante estranhos, aparentemente se contradizendo, uma hora pedindo “naturalidade e espontaneidade” e logo em seguida pedindo “precisão”, corrigindo vários detalhes. Pedem que façam as coisas “corretamente” e logo em seguida falam coisas como “Não tenha medo de errar! Se vai errar, por favor, erre com tudo!”.

Estão vendo os seus alunos indo de um extremo ao outro: tentando “não errar”, caem no perfecionismo; tentando agir “naturalmente”, caem no “desleixo”. Dualidade pura.

Falando paradoxalmente, aparentemente se contradizendo, os professores estão convidando os alunos a descobrirem a Plena Atenção, uma terceira postura na vida que permite uma precisão e atenção a detalhes que é natural e espontânea – algo bem diferente dos dois extremos do desleixo informal e do perfecionismo obsessivo da mente condicionada. Estão convidando os alunos a virem para o Aqui e Agora, plenamente conscientes de si mesmos, dos outros, do ambiente, das circunstâncias e de suas ações. Estão convidando-os a descobrir o “Zen na Ação”, a levar para as atividades diárias aquele mesmo estado de paz e tranqüilidade que é vivenciado no Zazen. Estão convidando-os a libertarem-se dos seus condicionamentos, manifestando a “mente iluminada”.

Este é o método do Zen.

Extrato de trecho de
Monja Isshin, a íntegra pode ser lida aqui

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O que é Baika


Na foto, alunos da Sangha Águas da Compaixão aprendem a tradição zen da Baika com professor Yasuda Sensei convidado por Isshin San.

Utilizando o canto, acompanhado de dois instrumentos relativamente simples, a Baika não é um coral, tampouco se preocupa com afinação e qualidade de voz, pois isso vem com o tempo. O que interessa nessa prática, como em todas as práticas budistas, é a sinceridade do esforço.

Baika significa “ameixa”, fazendo referência à flor da ameixeira que floresce no mais frio do inverno. Também é chamada de Goeika, originada das “Canções dos Peregrinos”, devido aos caminhos de peregrinação, no Japão, que passam por vários mosteiros e templos budistas. Muitos praticantes ainda fazem esse percurso a pé e, segundo a tradição de aproximadamente 1100 anos, a cada templo que se chega, há instrumentos à disposição para que seja entoado o hino daquele templo, antes de seguir a caminhada para o próximo.

A prática de Música Zen Budista permite a qualquer praticante entrar no mundo da expressão musical através da plena atenção e harmonização com o grupo. A abordagem do “treino” difere bastante daquilo que conhecemos como “ensaio” de música ocidental, seja no contexto secular, seja no contexto religioso ocidental. É prática Zen. As músicas entoadas na Baika baseiam-se no canto de poemas budistas, homenagens a grandes mestres, ensinamentos Zen e outros, acompanhadas do som de um sininho e uma pequena chapinha de metal que é tocada com um martelinho.

No grupo formado na Sanga Águas da Compaixão, inicialmente, cantaremos as músicas em japonês, enquanto estamos aprendendo o espírito da prática. Esperamos que, com o tempo, possamos desenvolver a nossa própria prática de Baika brasileira, com as nossas próprias músicas e/ou poemas em português.

No Japão essa prática é tão popular que há encontros regionais e nacionais. Esse último chega a lotar um estádio de futebol.

Futuramente, receberemos visitas de professores especiais de Baika, enviados ao Brasil pela sede japonesa da nossa tradição, para ministrar aulas nos vários grupos existentes no país – uma vez que esta prática está bastante difundida na colônia japonesa.

“Apresentações de goeika (ou Baika) são comuns nas celebrações de “Obon”; cerimônias marcando o nascimento, iluminação e parinirvana de Buda (Tanjo-e, Jodo-e e Nehan-e) e cerimônias em honra dos fundadores de templos. Freqüentemente os poemas falam dos sofrimentos e prazeres da vida comum. Ao praticar o goeika, deve-se manter o coração o mais livre possível das distrações, dos pensamentos e apegos.”

Texto traduzido por Monja Isshin, do Rinnou Net – Official Site for the joint council for Japanese Rinzai and Obaku Zen / What Is Zen? / Music – http://zen.rinnou.net/whats_zen/music.html

Publicado no blog de Monja Isshin, link ao lado.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Karatê e Zen em POA




Monja Isshin, que é praticante de artes marciais, tem facilidade em falar para os karatecas também. Aqui com um grupo de praticantes que nasceu com o mestre Takeo Suzuki no remoto ano de 1974, na Academia Kidokan em Porto Alegre. Todos fizeram um retiro de zen e karatê no fim de semana passado.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Maneira de Entrar no Caminho


Foto Michel Seikan - Membros da comunidade zen de Florianópolis em retiro de meditação, refeição formal.

Trecho de: Bendôhô
A Maneira de Entrar no Caminho
de “Eihei Shingi” - “Regras Puras para a Comunidade Zen”
Dogen Zenji


"Portanto, quando o grupo se senta, sente-se junto com eles; quando o grupo [gradualmente] se deita, deite-se também. Em atividade ou quieto em unidade com a comunidade, por todos renascimentos e mortes não se separe do mosteiro. Destacar-se não traz benefício; ser diferente dos outros não é nossa conduta. Isto é a pele, carne, ossos e medula dos budas e ancestrais, e também abandonar nosso próprio corpo e mente."
- tradução Shinzen - fevereiro, 2009 a partir da tradução para o inglês de
Taigen Daniel Leighton & Shohaku Okumura,
publicada no livro “Dôgen’s Pure Standards for the Zen Community” (SUNY Press)
- revisão Monja Isshin – março, 2009

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Palestra e Aikidô




Hoje estarei, por convite de Monja Isshin, fazendo uma palestra na Associação RS Aikikai, para alunos de Aikidô e interessados no zen budismo das Sanghas irmãs Águas da Compaixão e Sangha Aikikai . Os que desejarem comparecer são bem vindos.

Hora: 19:00 h - início de meditação às 19:15 h, após palestra com perguntas e respostas.

Local:
Dojô Porto Alegre Aikikai da Associação RS Aikikai
Av. Cristóvão Colombo, 378
Bairro Floresta (em frente ao Shopping Total) - Porto Alegre, RS

domingo, 19 de outubro de 2008

Poema de Monja Isshin

Do pico do Morro das Pedras,
neste dia encoberto e chuvoso,
surge uma claridade - a Luz de um novo Dragão,
alçando vôo para transmitir o excelente e profundo Dharma nas Dez Direções. Congratulações.

para Meihô Genshô, pelo seu Combate do Dharma (Hossenshiki)
(mei=claridade; hô=pico; gen=profundo; shô=excelente)

Monja Isshin

terça-feira, 10 de junho de 2008

Mas o que é a Baika?




Utilizando o canto, acompanhado de dois instrumentos relativamente simples, a Baika não é um coral, tampouco se preocupa com afinação e qualidade de voz, pois isso vem com o tempo. O que interessa nessa prática, como em todas as práticas budistas, é a sinceridade do esforço.

Baika significa "ameixa", fazendo referência à flor da ameixeira que floresce no mais frio do inverno. Também é chamada de Goeika, originada das "Canções dos Peregrinos", devido aos caminhos de peregrinação, no Japão, que passam por vários mosteiros e templos
budistas. Muitos praticantes ainda fazem esse percurso a pé e, segundo a tradição de aproximadamente 1100 anos, a cada templo que se chega, há instrumentos à disposição para que seja entoado o hino daquele templo, antes de seguir a caminhada para o próximo.

A prática de Música Zen Budista permite a qualquer praticante entrar no mundo da expressão musical através da plena atenção e harmonização com o grupo. A abordagem do "treino" difere bastante daquilo que conhecemos como "ensaio" de música ocidental, seja
no contexto secular, seja no contexto religioso ocidental. É prática Zen. As músicas entoadas na Baika baseiam-se no canto de poemas budistas, homenagens a grandes mestres, ensinamentos Zen e outros, acompanhadas do som de um sininho e uma pequena chapinha de metal que é tocada com um martelinho.

No grupo formado na Sanga Águas da Compaixão, inicialmente, cantaremos as músicas em japonês, enquanto estamos aprendendo o espírito da prática. Esperamos que, com o tempo, possamos desenvolver a nossa própria prática de Baika brasileira, com as nossas próprias músicas e/ou poemas em português. No Japão essa prática é tão popular que há encontros regionais e nacionais. Esse último chega a lotar um estádio de futebol.

Futuramente, receberemos visitas de professores especiais de Baika, enviados ao Brasil pela sede japonesa da nossa tradição, para ministrar aulas nos vários grupos existentes no país - uma vez que esta prática está bastante difundida na colônia japonesa.

"Apresentações de goeika (ou Baika) são comuns nas celebrações de "Obon"; cerimônias marcando o nascimento, iluminação e parinirvana de Buda (Tanjo-e, Jodo-e e Nehan-e) e cerimônias em honra dos fundadores de templos.
Freqüentemente os poemas falam dos sofrimentos e prazeres da vida comum. Ao praticar o goeika, deve-se manter o coração
o mais livre possível das distrações, dos pensamentos e apegos." - Texto traduzido por Monja Isshin, do Rinnou Net - Official Site for
the joint council for Japanese Rinzai and Obaku Zen / What Is Zen? /
Music - http://zen.rinnou.net/whats_zen/music.html

Para conhecer mais e ouvir gravações de canções de Baika visite os seguintes sites:
http://zen.rinnou.net/whats_zen/data/en-yurai.mp3
http://global.sotozen-net.or.jp/por/baikaryu.html

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Grupo de Baika da Sanga Águas da Compaixão

É uma rara oportunidade de conhecer a música religiosa japonesa...

DIVULGAÇÃO

Mestre de Baika – música Zen Budista – orienta prática em Porto Alegre

A Monja Isshin Havens, orientadora espiritual da Comunidade Soto Zen Budista Águas da Compaixão, e da Sanga Aikikai da Associação RS Aikikai de Aikido, tem a felicidade de anunciar a visita do mestre japonês
Tetsuyû Yasuda Sensei, abade do Templo Shôinji em Chiba, no Japão, para ministrar aulas de Baika – música Zen Budista – aos praticantes do grupo, em Porto Alegre. O Mestre chegará à Capital no dia 13 de junho, sexta, e ficará até o dia 14 de junho, sábado, para realizar palestras e orientar a prática de Baika.

Tetsuyû Yasuda Sensei realizará demonstração pública e explanará sobre a Baika no dia 13 de junho, sexta, a partir das 19h30, no Espaço Dojinmon – Rua Portugal, 733 – Bairro Higienópolis. Para assistir à demonstração e palestra, abertas a todos os interessados, solicita-se a contribuição mínima de R$ 20,00 para o público externo.

A prática especial com Tetsuyû Yasuda Sensei deve ocorrer no dia 14, sábado, das 9h às 12h, também no Espaço Dojinmon, no mesmo endereço. As aulas estão abertas a todos, mesmo sem conhecimento prévio da prática. Sugerimos a doação de R$ 20,00 como contribuição mínima para a participação nas aulas.

Com atividades regulares orientadas pela Monja Isshin Havens, que recebeu treinamento formal na prática de Baika durante o período monástico no Japão, o Grupo de Baika da Sanga Águas da Compaixão encontra-se todo terceiro domingo do mês, das 14:30 às 16:30 hs, para realizar este tipo de prática Zen Budista e está aberto a todos, sem distinção ao credo religioso. É previsto a visita de um professor-mestre vindo do japão para ministrar aulas especiais todo ano.

Este é talvez o único grupo de Baika formado por integrantes não-japonesas no Brasil.

Para mais informações sobre o evento e sobre a prática regular de
Baika, pode-se contatar a Monja Isshin pelo fone: 51 9331-7476, ou por
correio eletrônico, através do endereço: isshinemail-contato@yahoo.com.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Relato do Rev. Joaquim Monteiro sobre o evento do CBB na Câmara Municipal do Rio


Dep. Fernando Gabeira, decidido apoiador da causa do budismo tibetano perseguido pela tirania do governo da China.



Rev. Joaquim Monteiro, Membro do CBB, Monge budista da escola Jodo Shin

Foi realizado ontem o debate público sobre a questão tibetana na Camara dos Vereadores do Rio de Janeiro. O debate foi realizado sob a presidência da Vereadora Aspásia Camargo e contou com a presença do Parlamentar Fernando Gabeira. Fernando Gabeira estabeleceu laços bastante concretos entre a atual política da 'República Popular da China" e os acontecimentos recentes no Tibet e na Birmânia.
Participaram do evento representando o CBB a Monja Isshin, o Monge Genshô, o Professor Cláudio Miklos e eu.

Participaram também a DRA.Cerys Tramontini, especialista em direitos humanos e na questão tibetana e o Prof.Flávio Marcondes Velloso. Acredito que todos os
participantes deram contribuições importantes em seus aportes e que o evento enquanto tal foi um passo adiante para o reconhecimento da questão tibetana no espaço público de nosso país. Tivemos além disso uma inesperada contribuição da agência "Nova China" que me passou a impressão de estar atuando mais como polícia política do que como órgão de informações e do Cônsul geral da China no Brasil SR.Li Baojun que
ajudou a desmoralizar de vez o governo da "República Popular da China" com suas atitudes pueris e autoritárias.

A Monja Isshin em um ato de imensa maturidade política cedeu seu lugar para permitir a participação do ilustre representante da RPC. No entanto, esse ilustre senhor não só gastou um tempo enorme procurando em seu lap top as informações que deveria possuir através de seu discernimento político como assumiu uma postura essencialmente autoritária se recusando ao diálogo e lendo a cartilha de seu governo sobre a questão tibetana. O conteúdo dessa cartilha se restringia à justificação do genocídio do
povo tibetano através de distorções grotescas da análise histórica. Em particular, pude compreender quais são as fontes da perspectiva apresentada pelo SR.Slavoj Zizek em seu infeliz artigo no "mais".

Tudo isto já é essencialmente deprimente, mas o mais sério é que a política externa de nosso país se deixe influenciar de forma essencial pelas colocações de diplomatas sem formação ética e sem nenhum preparo político ou intelectual, diplomatas que não passam de agentes atravessadores das mistificações do governo de Beijing. Acredito que existe pelo menos uma lição a ser aprendida da questão tibetana por nós brasileiros:já está na hora de romper com essa política externa que serve aos interesses imperialistas do governo de Beijing e que se auto-justifica através de um "pragmatismo" completamente estúpido e irresponsável.

Sem mais-Gashô.
Shaku Shoshin.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Fechamento de círculo em P. Alegre - 2007

(Em 1974 convidei Suzuki Sensei, por apresentação do Prof. Chaves, a vir do Japão a POA ensinar Karatê Wadô, era conselheiro da Wadô brasileira o então Monge Tokuda, nesta academia "Kidokan" a prática do zen tornou-se regular) Genshô.

Prezado Gensho-san,

É com humildade que compartilho contigo a emoção que eu e todos da Sanga sentimos quando o Celso nos contou a conexão entre o fundador de nosso novo espaço (Academia Dojinmon, fundada pelo mestre Muto Takeo Suzuki) e o começo do Zen em Porto Alegre. Parece que um círculo está se fechando e talvez um novo ciclo começando.

Sentimos acolhidos e abençoados por uma energia muito forte neste primeiro fim de semana lá. Veja as fotos:
http://aguasdacompaixao.wordpress.com/sobre-a-sanga/
http://aguasdacompaixao.wordpress.com/atividades/pratica-do-cerimonial/

Gassho,
Isshin