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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Repetindo as mesmas vidas



P. Mas a gente vê este ego como uma coisa sólida, eu tinha botado um dente de leão no altar e parecia uma coisa só, mas não é, na hora que a gente dá um soprão isto se espalha e aí cadê este ego?
R. É exatamente assim.. a pergunta de.Shuryu Susuki é para onde vai meu punho quando eu abro a minha mão? Meu punho é só uma formação, mas para onde vai quando eu abro a minha mão? O ego só existe como potência, como possibilidade de manifestação, de agregados, mas verdadeiramente não nascemos e não morremos, não existe isto, como na imagem que eu fiz das bolhas dentro da garrafa de champagne, é gás carbônico, vai embora? Não, não vai embora. É bolha momentaneamente, mas todo tempo gás carbônico, a analogia não é perfeita porque em termos karmicos estes quantuns de karma se manifestam novamente porque tem grande energia de coesão, não chegamos a dizer que isto é ego, mas você manifesta uma nova vida com as características que você tem porque existe uma coesão desse karma individual, o ego é outro, mas o karma é o mesmo...

P. Tem um jogo do RPG que tem um personagem vai lá queima, constrói, daqui a pouco aquele morre e tem que fazer outro, vai ser outro nome, outro jeito, outra profissão, mas tem alguma essência de quem está construindo que vai ter semelhança, dá para pensar alguma coisa assim?  
R. É mais nítido. A imagem usada no budismo é a da fruta, a semente da manga, Nagasena responde assim num famoso sutra que é o Milindappada, Nagasena responde ao rei Milinda, Milinda provavelmente é o rei Menandro que governou aquela região do Afeganistão depois das conquistas de Alexandre – O Grande, Nagasena é um mestre budista e ele diz para ele: manga tem uma semente se plantamos uma semente nasce outra mangueira que dá mangas praticamente idênticas à mangueira anterior: é a mesma mangueira? São as mesmas mangas ou não? Então as sementes kármicas que nós plantamos manifestam uma vida quase indistinguível da nossa, as mesmas características, os mesmos impulsos, se nós não mudamos os impulsos é a mesma vida ..

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A árvore sem raiz

Para explicar isso melhor tem aquela história da carroça por Nagasena. Ele pergunta ao rei Milinda, o que é isso? E ele diz: uma carroça. E ele pergunta: as rodas são a carroça? O eixo é a carroça? O estrado é a carroça? Nada é a carroça, mas tudo junto composto daquela maneira é a carroça, então onde existe a carroça se nada que está ali é a carroça? Os carros nossos ali fora, o ferro, os bancos são os carros? O motor é o carro? O aço, a borracha etc O carro existe como uma organização da nossa mente. A casa também, nada é a casa em si, são só pedaços que juntos numa determinada forma nós olhamos e dizemos é...na verdade, não tem raiz. Todos os dharmas são sem raiz, mas quem são vocês? Nada, dharmas. Vocês são fenômenos. Todos nós somos fenômenos. Onde está nossa raiz? Na vacuidade? No vazio? Então não tem raiz. Temos que considerar este aspecto. Eu sou fenômeno, eu sou dharma, não tenho raiz. Como, se minha raiz é na vacuidade, como eu posso desaparecer? Como eu verdadeiro, a minha verdadeira natureza pode desaparecer porque aquilo que eu penso que sou eu é como carro, pedaços reunidos, fenômeno, mas na verdade eu mesmo sou vacuidade, manifestação na vacuidade, não é? Por isso o Cipreste no Jardim é uma Árvore sem Raiz. Então todos os dharmas são sem self. Em outras palavras todos os dharmas nada são senão a Árvore sem Raiz.Todos os dharmas não possuem self, não possuem existência intrínseca. São todos pedaços funcionando, somos nós ali sentados no zazen. Vejam que o que nós pensamos que somos são só pensamentos se sucedendo em nossas mentes e porque os pensamentos se sucedem na nossa mente nós dizemos eu existo. Quando não há pensamento em funcionamento ou atividade mental pergunto para vocês: onde estão vocês? Quando não há atividade mental, quando não há pensamento, quem existe? Nós penetrarmos estas coisas e respondermos verdadeiramente para nós, nos libertamos, mas o ensinamento disso parece confuso, paradoxal e sem sentido porque é muito profundo. Não são respostas fáceis porque quando nós olhamos, nós vemos porque não são mágicas nem sobrenaturais, são apenas penetrar mais fundo na realidade.A inexistência do self é a chave.