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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Satori do Zen


O satori do Zen Soto é, pois, o redescobrimento do estado original esquecido, além de todas as observações de que é suscetível a consciência saída do cérebro frontal; deixa de ser, portanto, subjetivo, para ser totalmente objetivo.
O zazen, que é a essência do ensino do Buda e dos Patriarcas que lhe sucederam, permite a ultrapassagem de todas as contradições; é um salto para além das categorias, é Hishiryo, o pensar não-pensado, o pensar oriundo do não-pensamento. Todos os fenômenos que chegam aqui e agora não se distinguem do satori, constituem o verdadeiro satori, a verdadeira natureza de Buda. Na natureza de Buda não existe forma nem não-forma.

Zazen tem um gosto muito simples, leve, quase neutro.
Se dermos gosto ao zazen, fá-lo-emos vulgar.
É semelhante ao largo céu.
E ao oceano sem limites.

O satori é unificação, unidade, não-separação. O próprio zazen é satori. A ação é a certificação do satori. O satori não é, pois, um acontecimento, mas um estado permanente que subsiste até a morte. Entretanto, nem por isso devemos esperar entrar no caixão para obtê-lo, será tarde demais. Para cada pessoa, o satori é, a um tempo, diferente e idêntico, como a Lua que se reflete tanto numa gota de orvalho ou numa gota de xixi de cachorro quanto no oceano. Cumpre rejeitar tudo, corpo e espírito, para que o zazen nos acompanhe; seguimo-lo sem fazer uso da força, da consciência. Inconsciente, natural, automaticamente, nós nos separamos das ilusões e obtemos o satori.
A postura do zazen é o satori.
O zazen deve arrastar o pensamento humano na direção do Buda, da ordem cósmica. A postura do zazen é semelhante à postura alongada do leão, ao rugido do dragão. É digna do máximo respeito.
Quer estejais sentado, de pé ou deitado, deveis ser parecido com o rei dos leões, que permanece totalmente livre e forte, bravo e sem medo; se outras pessoas vierem ver a vossa postura, esta deve ser tal que elas não possam aproximar-se, tamanha a dignidade que dela emana.
Rejeitai, num só golpe, todo pensamento e todo saber e, se fizerdes Shikantaza e sentardes em zazen abandonando tudo, pouco a pouco vos familiarizeis com o satori. Atingireis então o Caminho utilizando o corpo de modo apropriado, especialmente se vos sentardes.

‘O ANEL DO CAMINHO – Palavras de um Mestre Zen’, de Taisen Deshimaru, Editora Pensamento.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O equilíbrio fundamental



"Durante zazen, a respiração é essencial. É tranquila e estabelece um ritmo lento, forte e natural. A expiração é longa e profunda. Muitas vezes os mestres comparam-na ao mugido da vaca.
A inspiração, mais curta, vem naturalmente. Esta expiração lenta, calma e profunda varre as complicações do mental.
O espírito torna-se claro como um céu sem nuvens. No nosso mundo perturbado, praticar zazen significa regressar à verdadeira dimensão do ser humano
e encontrar o equilíbrio fundamental da sua existência."

Taisen Deshimaru

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Gostaria de saber se existe diferença entre shikantaza e hishiryo




R: Shikantaza significa apenas sentar, sem objetivo.

Texto de T. Deshimaru sobre hishiryo:
"Que é Hishiryo? É pensar sem pensar, não pensar, mas pensar. É o além do pensamento, o pensamento absoluto. Não pensamos, mas o inconsciente se eleva, e pensamos inconscientemente, a partir do tálamo, do cérebro central. O verdadeiro pensamento aparece, o pensamento sem pensamento, para lá de todo pensamento.

Querer cortar os desejos, as ilusões é impossível, a nossa vontade, por si só, é impotente. Por intermédio do zazen, todavia, os desejos, pouco a pouco, deixam de perturbar-nos, diminuem por si mesmos, inconscientemente, naturalmente. Não se deve tentar nem cortá-los, nem segui-los. Nem cortar, nem seguir: isso é Hishiryo."