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segunda-feira, 11 de junho de 2018

As Grades Mentais



Os chineses poderiam ter colonizado as Américas por volta de 1.400, pois eles tinham navios muito maiores e melhores que os navios europeus. Todavia, o imperador da China decidiu que não queria fazer essas explorações para o mundo exterior, porque a China era o império do centro, então de que adiantaria o contato com os bárbaros? Em meados do século XIX, a Terra estava coberta de ferrovias, e os Estados Unidos tinham sido atravessados da costa leste à costa oeste por ferrovias. A China, então, construiu, em 1885, uma ferrovia com 25 quilômetros. No ano seguinte, o imperador mandou destruir, porque para ele as coisas novas os iriam atrapalhar. 

Se não fossem por essas ideias, por essas grades mentais do povo chinês de outrora, provavelmente seríamos descendentes de chineses e eu estaria falando em mandarim agora com vocês. O que aconteceu foi que Portugal pensava diferente e não quis acreditar nos mitos horríveis  que existiam naquela época sobre essas viagens, de modo que descobriram novos territórios, expandiram o mundo e conquistaram territórios. 

Aquilo que você acredita, aquilo que você pensa é mais importante. Esse conceito é muito importante para nós, porque como nós pensamos a vida vai fazer toda a diferença, não só para nós mesmos, como também para nossos familiares e pessoas que têm contato conosco.

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O Pensamento Crítico




Pergunta: Como o Zen vê esses escritos que foram deixados?

Monge Genshô: O Zen vê de forma diferente. Algumas escolas budistas veem como escritos que expressam uma realidade, uma verdade. O Zen vê com olhos críticos. Como professor do Zen eu posso ver um texto que é atribuído a Buda e não estar de acordo com ele. Por ser professor do Zen, já sou um herege, então apenas continuo essa ideia.

Por exemplo, há escritos do tempo de Buda que dizem assim: “a vida surge de um ventre, um ovo ou da umidade”. Da umidade? Nós estamos falando de séculos antes de Cristo; Pasteur estava muito longe dessa época e ninguém sabia nada sobre geração espontânea, sobre microbiologia, sobre como surge a vida microbiana, de modo que achavam que se houvesse umidade era possível criar vida. Muita gente ainda diz hoje: “não deixe sujeira aqui na pia porque cria barata”. Ora, não cria barata! As baratas que estão por aí vão vir atrás da comida, só isso. Mas ainda no nosso linguajar está essa ideia distorcida. Nós sabemos que não é assim, então o Sutra está errado. Qual é o problema de eu dizer que o Sutra está errado e que Buda não entendia de microbiologia? É natural que não entendesse. Buda existiu 2.300 anos antes dessa descoberta.

Então não vou abdicar da minha mente crítica e vou repetir as próprias palavras de Buda: não acreditem em mim, testem e experimentem. Eu não trago uma verdade que vocês têm que aceitar. Não é isso. Eu como professor do Zen tenho que mostrar o que sei, ajudá-los a raciocinar, mas vocês têm que testar e experimentar, não podem aceitar nada pelo argumento de autoridade ou porque o Mestre tem título. Isso não é razoável, não é inteligente.

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Pensar é Inútil





Monge Genshô: Eu me lembro de passar um ano me levantando de madrugada para fazer zazen e no fim do ano eu estava muito desiludido, ainda era leigo, e pensei: “afinal de contas, o que eu aprendi em um ano me levantando de madrugada para sentar?", e me veio a ideia do que eu tinha aprendido – “Pensar é inútil”. Você está tentando resolver os problemas todos pensando, e devemos saber que não é pensando que vamos resolvê-los.


Aluno: Como resolvemos?

Monge Genshô: Eu não deveria responder, mas é através de insights. Você resolve através de uma claridade que lhe vem e que resolve tudo de uma vez só. Não é através de soluções raciocináveis. É por isso que muitas pessoas vão fazer terapia psicológica anos e anos raciocinando na frente do seu terapeuta, e passam 10 anos e ainda não resolvem, porque não é pensando que nós resolvemos.

  
Contudo, isso não quer dizer, em absoluto, que as terapias sejam inúteis. Elas são úteis e devem ser usadas por pessoas que estão com dificuldades, mas não vão alcançar iluminação com isso. Quando uma pessoa tem dificuldades sérias, eu digo que precisa de uma terapia, ou mesmo um psiquiatra, como na anedota: - O aluno chega e diz -”Eu acredito em homenzinhos verdes na galáxia de...” - e eu digo: "sim, está bem. Eles falam com você?". Ele diz: "não". "Ah então não é grave. Se eles falam com você, então lhe encaminho ao psiquiatra".


Se essa pessoa sentar em zazen, virão outras alucinações na sua mente, porque mesmo uma pessoa que está bem e tem discernimento do que é fantasia e realidade, ela sofre. O Zen tem finalidade diferente: não serve para tratar de distúrbios.

[N.E.: transcrição de trecho de palestra realizada pelo Monge Genshô Sensei]