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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sim, há hierarquia de valor entre os seres



Pergunta – O carma pode ter um peso menor conforme o nível de esclarecimento da pessoa? Por exemplo, duas pessoas cometem erros que irão gerar carma, o mesmo tipo de erro, porém uma é mais esclarecida, seu nível de consciência é maior, o carma sofrido pelo mesmo tipo de ato será pior,  para a pessoa mais esclarecida?

Monge Genshô – As consequências serão diferentes. Quanto mais consciência, mais culpa e mais a pessoa terá a tendência a se punir. Quanto mais inconsciência, menos consequências morais. Um índio, por exemplo, que vive na floresta e necessita caçar para alimentar sua família, é diferente de uma pessoa da cidade. Mas o ato em si tem um peso por si mesmo, ou seja, mesmo que você não esteja consciente que seu ato é errado, ele gera consequências. Pode não ser a mesma consequência de alguém que se sinta culpado, mas o ato gera consequência da mesma forma. Outra coisa importante é que o fato de você não se lembrar do ato, não significa que não sofrerá as consequências.

Há um detalhe que parece difícil para as pessoas entenderem, existe hierarquia entre os seres. É diferente você matar um médico que salva vidas ou matar um assaltante. Tanto maior é seu crime, quanto maior o prejuízo que você causa à sociedade ou ao mundo como um todo. Algumas pessoas pensam que matar é igual, não é. Por exemplo, quando você vai ao banheiro e lava suas mãos está matando bactérias. Qual o peso dessa sua ação? Baixíssimo, pois é mais importante que você tenha suas mãos limpas para não contaminar outras pessoas. Por isso existe uma relação de grandes crimes que causam grande marca cármica, matar o pai, matar um Buda, ferir um Buda ou um Bodhisattva e causar cisão na sangha.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Judas e Devadatta




Os líderes espirituais partilham um acontecimento de oposição que parece ser um arquétipo humano. Nas figuras acima, em cores, Devadatta, primo de Buddha, seu discípulo e admirador e que, tomado de inveja pela proeminência, que mesmo sem desejar, por simplesmente trabalhar, o Mestre acumula, tenta fundar sua própria Sangha em oposição a Buddha. Por todos os meios de conversas, acusações falsas e intrigas, consegue levar um grupo de monges que nele acreditam. Ao fim, tenta matar o mestre, fracassa e é abandonado por todos, conta a lenda que a terra o engole, mas os sutras deixam-lhe a esperança de, após muito sofrimento, retornar após kalpas e vir a se tornar um verdadeiro líder espiritual, esgotado o carma de traição.
Na outra figura Judas, antes de seu suicídio, uma figura escura, arrasado por ter se lançado contra o mestre a quem havia amado a princípio. Diferentemente da abordagem budista o castigo de Judas é eterno e sem remissão.

Gandhi, Martin Luther King, Hui Neng, o 14' Dalai Lama, todos sofrem ou sofreram esse ódio mesclado de amor ressentido, que às vêzes resultou em assassinato. As características comuns deste arquétipo são:
1) No início uma idolatria, um culto apaixonado.
2) Após, o surgimento de uma inveja, um desejo de ser aquele ser por qualquer meio, ou substituí-lo ou destruí-lo.
3) Paulatinamente o uso de meios crescentes, imitação, depois intrigas ou tentativa de reunir aliados com sentimentos iguais.
4) Fracasso, seguido de recrudescimento do ódio até o assassinato ou arrependimento quando tudo dá errado e o carma produz desastres pessoais, auto destruição e integração à história como seres de opróbrio público.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O que é pior?


Uma advogada pergunta: O que é mais grave? Quebrar os preceitos monásticos ou cometer um crime que está previsto na Constituição Federal?

Para o praticante budista os preceitos sem dúvida são o seu guia, a constituição pode dizer que consultar o youtube ou usar seus vídeos é crime, no entanto a sociedade toda já age de forma diversa e naturalmente a lei será alterada, como sempre sucedeu. Os preceitos existem há 2600 anos, a constituição desde 1988 e está sendo continuamente emendada para se adequar aos novos tempos.
O praticante precisa discernir qual o efeito cármico de suas ações, e escolher como agir dentro do contexto, cada um o fará dentro de seu entendimento mas os efeitos virão sem dúvida alguma.
A confusão provem de se confundir o direito com a justiça ou com o bem.
Um praticante, por exemplo, não conta piadas maliciosas, não porque a lei o proíba, mas porque fala correta é um preceito budista. Um monge não tem vida de festas não por alguma lei, mas pelos votos que assumiu. Os preceitos vão muito além em ética do que as leis forjadas pelos nossos políticos.

Para ajudar a compreender por que a pergunta "o que é pior?" provem de relativismo moral e é impossível de ser respondida filosoficamente:

"Há duas vias de relativismo moral: o dogmático («Há muitas interpretações sobre o bem e o mal, mas uma ou algumas são preferíveis às outras) e o céptico («Há muitas interpretações sobre o bem e o mal, é impossível hierarquizá-las, valem todas o mesmo»).
Por definição, no subjectivismo a verdade é íntima a cada um e não é comunicável a outros, universalizável.
.....
O subjectivismo admite, de um modo geral, a coexistência de múltiplas verdades que se contradizem entre si, ainda que, a maioria dos subjectivistas sustente que «a minha verdade é a mais acertada ou a que mais me convém». No pormenor, no juízo aplicado a cada caso, somos todos subjectivistas éticos."

(Francisco Queiroz)

No caso do budismo há relativismo dogmático, ou seja hierarquia de faltas, aqui vai a lista das mais graves:

A tradição indica que existem cinco ações que produzem um renascimento certo e imediato em uma situação de sofrimentos infernais:

- matar o pai
- matar a mãe
- causar cisão na Sangha
- ferir um Buda
- matar um Arhat

Assim sendo, estes crimes estão acima dos outros em consequência, não importa qualquer lei humana que possa ser citada.