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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Sentido de sua Existência




Se alguém perguntar: para o Zen, qual é o sentido da minha existência? A resposta é: não há nenhum sentido na sua existência, a sua existência é um engano. Você quer dar um sentido para a sua existência, mas não há sentido. O grande sentido é um todo universal que não nasce e nem morre. Esse "você" que nasce e morre é um fenômeno ilusório, é uma manifestação do universo com tanto sentido quanto as formigas, as abelhas ou a grama que nasce no solo. Daí vem você e corta a grama, empilha e faz dela húmus, e acharia um absurdo se a gente perguntasse: qual é o sentido da vida de uma folha de grama? Mas nós não somos muito diferentes de uma folha, nossa importância para o universo é idêntica a dessa folha. Ela nasce, morre, se desfaz, vira adubo, nasce mais, está num grande fluxo universal de movimento, e nós também fazemos parte desse grande fluxo de movimento, mas começamos a nos dar importância como indivíduos, e por isso geramos sofrimento. Por isso geramos uma crença em nós mesmos, que é o oposto da iluminação.




A iluminação é o oposto dessa noção de que eu tenho sentido e um valor especial ou uma missão para realizar nesta vida e nesta Terra. Tudo isso que todos tanto acreditam, que querem viver e deixar uma marca especial de suas vidas na Terra, é pura ilusão. Quem deixa marcas importantes ao longo do tempo? Ao longo do tempo todos seremos esquecidos, civilizações inteiras serão esquecidas. As civilizações que não deixaram livros foram esquecidas; as que deixaram são relativamente recentes, mas dado tempo suficiente também serão esquecidas. 

[Trecho extraído de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O Fenômeno e a Eternidade


Não somos nós que vivemos uma vida, mas a vida que nos vive. Nós somos manifestações de toda a vida no mundo. Até do ponto de vista científico podemos compreender melhor: a maior parte do peso nosso no corpo, agora, é de seres que não são essencialmente nós - são vírus, bactérias, etc., estão todos aqui dentro dos nossos corpos funcionando. E você não pode viver sem eles, porque vivemos em simbiose, eles fazem trabalho para nós. Sem eles nós não digerimos, não vivemos.
A maior parte do que existe no nosso corpo está transitando. Se você faz uma emissão radioativa no cérebro de uma pessoa e o fósforo no cérebro fica radioativo, em dez anos não sobra nem um átomo daqueles radioativos que você registrou dez anos atrás. Porque esses átomos todos já foram embora, já foram reciclados. Você passa o tempo todo reciclando átomos, só recicla. E recicla tanto, e tem tantos átomos. É tão espantoso o número de átomos que nós temos em cada molécula, que cada um de nós está respirando ar com alguns átomos que foram respirados por Júlio César, Jesus Cristo, Buda, e qualquer escravo, e qualquer ser que já passou na Terra tempo suficiente para os átomos terem se espalhado na atmosfera. 
O mesmo ocorre com a água: 70% dos corpos são de água, e água que está nos corpos de vocês já choveu, já esteve no mar, nos rios, dentro de outros corpos, de animais, de outros seres. É quase inconcebível, mas é a verdade. 
É que nós não enxergamos essas quantidades, esses fatos com facilidade, não estamos conscientes deles. Se a gente começa a pensar um pouquinho, começa a ficar espantado com isso. Mas se você compreende o budismo, você olha e diz: "ah, era isso mesmo! Eu não sou mais do que um fenômeno dentro de um universo imenso de átomos que está aparecendo, surgindo e desaparecendo. É só isso."