Mostrando postagens com marcador julgamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador julgamentos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A Ética Budista




Aluno: talvez relevante não seja o que a gente faça com a vida?

Monge Genshô: Relevante é o que você faz com sua vida sim. Eu [ao falar sobre quão efêmera é a vida] estou acentuando um lado para desconstruir esse agarramento. Do outro lado a vida é maravilhosa e você tem que aproveitar cada momento sabendo: "ah, vai terminar!"

Hoje eu vi uma notícia assim: Usain Bolt ganhou 100 metros rasos e à noite comemorou com três suecas. Certo ou errado? Não posso julgar isso nem para ele, e nem para elas. Isso foi um momento deles, e eles quiseram festejar dessa forma. É uma forma fugaz, pois, no outro dia, desapareceu, como todos os prazeres da vida. Nós não fazemos julgamentos deste tipo no budismo: "ah, é culpado". Os julgamentos no budismo são assim: "causou sofrimento ou não causou sofrimento?". Por isso é que nós não julgamos as pessoas por suas preferências ou pelo que fazem, ou por suas escolhas pessoais. Quais são as consequências dessa escolha? Isso é o que vamos ver depois, e é assim que as coisas têm que ser cogitadas.

Não existem mandamentos no budismo, nenhum Deus para nos castigar ou punir em relação ao que fazemos. Tudo é ética construída em cima da pergunta: "você está causando sofrimento aos outros?". Se causar sofrimento é muito ruim. E é aí que percebemos que essa ética é mais aguda que mandamentos.

terça-feira, 17 de março de 2009

O observador cria a realidade objetiva ou a realidade interna?


Não seria correto afirmar que projetamos um universo, mas sim que damos realidade interna a ele através de nossas interpretações, de modo que ele existe coletivamente mas é sutilmente diferente para cada um de nós, não tanto que não possamos partilhar impressões entre nós, através da literatura, por exemplo.

As coisas existem, o que elas não tem é um eu inerente, são vazias de um eu, vazio não quer dizer não realidade mas sim vazio de um eu.
Existem dois extremos que o Buda contestou, um o eternalismo, o outro o nihilismo, por esta razão o budismo ( principalmente na descrição de Nagarjuna, patriarca do zen e de outras escolas relevantes) é o caminho do meio entre estes dois extremos. Se você nega a existência objetiva torna-se nihilista se você afirma a existência eterna dos fenômenos torna-se eternalista, ora nem as coisas são eternas nem não existentes, elas são somente transitórias e percebidas distorcidamente dada a nossa mente classificatória e discriminativa. É calar este mente discursiva, julgadora, que permite a percepção pura, iluminada, ver as coisas tal como são (talidade).

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pergunta sobre carma

P:Estou certo? O carma não age só diretamente. Não segue apenas uma linha reta. É mais como parte de uma teia,ele exerce influencias em todas as direções, de menor ou maior grau,assim então mesmo uma ação positiva pode causar efeitos negativos em algumas dessas direções, e o contrário também.E outra coisa, a gente "reencarna" a todo instante na medida que nossas ações influenciam os outros, estamos renascendo a todo instante em nós e nos outros ou não?

R: Carma é literalmente "ação", naturalmente as ações produzem resultados e eles podem ser complexos e interelacionados. O julgamento do que é bom ou mau é proveniente de uma mente classificatória e discriminativa que usamos para operar em um mundo relativo, justamente a mente perdida em ilusões.
Reencarnar e a noção de "estamos" reflete a crença em um eu inerente, coisa de plano negada por Buda como real.