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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Reencarnação



Pergunta: Quando o senhor falou em reencarnação, é como se eu retornasse à vida?

Monge Genshô: Na verdade é você mesmo, mas não é você mesmo. É você mesmo em suas características, mas não é você mesmo em termos de identidade. Nestes termos você é outro e tem determinadas inclinações, tendências, mas isso é uma herança e você constrói um eu novo. Você herdou as tendências e agora pode mudá-las.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O Eu e o Sofrimento




Rodamos o mundo tentando criar valores especiais para nós, para o nosso nome, para a nossa fama, para a nossa glória, sendo que o nosso valor é igual ao das folhas de grama. Enxergar isso é a iluminação. Então, quando você se senta em zazen, o verdadeiro pensamento é Hishiryô: pensar além de pensar.

Se você abandonar todos esses conceitos e noções acerca de si mesmo, então você cria espaço para ver sua verdadeira natureza, e se você enxergar a sua verdadeira natureza, você se integrou a esse universo. Então, este integrado, este que tem tal percepção, não nasce e nem morre. Por isso eu pedi para ler ontem o Sutra do Coração em português no início do sesshin. Ali no Sutra do Coração está escrito que um Bodhisattva, quando enxerga a vacuidade dos agregados, livra-se instantaneamente de toda dor e sofrimento, porque toda dor e sofrimento, toda angústia surge do fato de você acreditar em si mesmo. Porque você crê em você e quer ser eterno e continuar sendo quem você é, por causa disso há sofrimento.

[Trecho extraído de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Esquecer-se de Si Mesmo




A iluminação é possível agora, e nela não há nenhuma sensação de sofrimento. Contudo, enquanto você ambicionar continuidades, haverá angústia e sofrimento, haverá ambições, coisas que você quer agregar a si mesmo. Isso acontece até para os santos. Os santos são uma maravilhosa tradição espiritual, tão perdida às vezes, porque só olhamos as crenças e não vemos a grande tradição por trás, porque não lemos sobre ela, mas existe uma grande e profunda tradição. Mas mesmo assim, essa tradição tem como seu mais alto objetivo a formação de um indivíduo que é santo, que é puro, que deixou Deus se manifestar dentro dele, que abdicou de si mesmo para ser ele mesmo o habitáculo divino. Nesta imagem ainda restou individualidade, então o santo sofre, pois deseja sua pureza para ser o habitáculo correto da divindade. Ele obtém um grau de espiritualidade muito alto, sem dúvida, mas esse não é o objetivo do Zen. O Zen não quer fazer santos, não quer fazer pessoas que lutam constantemente para esmagar a si mesmos e suas paixões, seus desejos, que veem a continuidade da existência como indivíduo, ainda separado, como um objetivo. Só aquele que esqueceu de si mesmo e tornou-se ele próprio uno com a divindade fica próximo do objetivo do Zen.

[Trecho extraído de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]