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segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Verdadeira Prisão


Quando alguém se ilumina, a saída de Buda, “eu vi a vacuidade do meu eu, me liberei disto, meu carma foi todo trabalhado de tal forma que eu não tenho mais impulsos que se agregam a mim, não faço nada pensando em mim, nada, eu simplesmente vivo”, então esgota-se o carma e ele não precisa se manifestar. Mas significa  que Buda desapareceu? Não. Não é isso. Isso seria a mesma coisa de você dizer que quando uma onda quebrou na praia, deixou de existir a água. Não. Na realidade a água sempre esteve lá e sempre estará lá. O aprisionamento é ficar se manifestando. A verdadeira prisão é ter carma e ficar se manifestando,  repetindo vidas, fazendo sempre as mesmas coisas. Este é que é o problema e é este o problema do qual Buda se livrou. É uma perspectiva completamente diferente da nossa cultura geral que quer que o eu sobreviva para sempre. Uma cultura demasiada individualista, que pensa “eu quero existir para sempre”, mas apoiado de uma série de soluções religiosas que tentam chancelar essa noção de um eu permanente, achando que a felicidade é continuar existindo como um eu, ter vida eterna, numa condição boa, que seria a condição, por exemplo, paradisíaca.

sexta-feira, 30 de março de 2018

O Sentido da Vida




A questão sobre esse tema bem importante do inominado, do inconcebível, da vacuidade, é que quando nós enxergamos nossa verdadeira natureza, ou seja, que nós somos manifestações desta grande base, aquilo que nós estávamos procurando como sentido desaparece, porque esta questão de “eu estou procurando um sentido para minha vida” também é uma pergunta falsa, porque é uma pergunta baseada na noção de um eu pessoal. Não tem sentido procurar um sentido para a minha vida, mas tem muito sentido que eu transforme a minha manifestação cármica em uma vida com sentido, realizando e fazendo coisas que dão valor a essa vida. Mas, essencialmente, não tem como nós, manifestações cármicas, irmos embora desse universo, isto nos remete a questões como por exemplo: “suicídio é uma saída?”. Não, suicídio não é saída para coisa nenhuma; você é uma onda cármica, se suicida, o que vai acontecer? Essa onda cármica continua, se manifesta de novo com todos os problemas presentes e mais um. Todos os sofrimentos que você causou com o seu suicídio e ainda com uma tendência para repetir esse procedimento, uma vontade de fazer de novo. Você vê isso como uma saída e pode fazer isso um milhão de vezes sem jamais resolver o problema. Ou seja, só teria sentido tentar resolver o problema mesmo.

[Trecho de Palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O Eu e o Sofrimento




Rodamos o mundo tentando criar valores especiais para nós, para o nosso nome, para a nossa fama, para a nossa glória, sendo que o nosso valor é igual ao das folhas de grama. Enxergar isso é a iluminação. Então, quando você se senta em zazen, o verdadeiro pensamento é Hishiryô: pensar além de pensar.

Se você abandonar todos esses conceitos e noções acerca de si mesmo, então você cria espaço para ver sua verdadeira natureza, e se você enxergar a sua verdadeira natureza, você se integrou a esse universo. Então, este integrado, este que tem tal percepção, não nasce e nem morre. Por isso eu pedi para ler ontem o Sutra do Coração em português no início do sesshin. Ali no Sutra do Coração está escrito que um Bodhisattva, quando enxerga a vacuidade dos agregados, livra-se instantaneamente de toda dor e sofrimento, porque toda dor e sofrimento, toda angústia surge do fato de você acreditar em si mesmo. Porque você crê em você e quer ser eterno e continuar sendo quem você é, por causa disso há sofrimento.

[Trecho extraído de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]