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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Inconsciente e Sincronicidade


"Não há o inconsciente para o budismo?
Os fenômenos mentais são todos diretamente acessíveis. No caso da mente deludida, eles são acessados através dos filtros da delusão, o que produz todo tipo de sofrimento e confusão. No caso da mente lúcida, ela se auto-reconhece e reconhece todos os fenômenos como projeções adventícias.
Portanto, não há.

O conceito junguiano de ´sincronicidade´, coincidências aparentemente muito significativas, se encaixa de alguma maneira no Budismo?
Para alguém que detém sabedoria completa, todos os fenômenos podem ser vislumbrados completamente em um único fenômeno particular qualquer. Isso corresponde aos conceitos hindu da rede de Indra e matemático de supersimetria.
Para quem tem sabedoria parcial, alguns fenômenos podem parecer ter mais relação com outros, e isso pode ser usado também como um meio hábil.
A noção de interdependência diz respeito a como todas as coisas dependem umas das outras, e portanto qualquer coisa contém qualquer outra coisa. Para tornar isso útil no caminho espiritual, no entanto, é necessário desenvolver as qualidades incomensuráveis e as paramitas.

Carl Jung foi um importante estudioso do budismo, do taoísmo e da alquimia chinesa. Para ele a supressão do ego seria prejudicial ao ocidental no processo de individuação, assim trabalhando para um alinhamento entre o Self e Ego. Qual sua opinião?
Conheço um pouco do trabalho de Jung. A idéia de que há alguma diferença essencial entre um ocidental e oriental faz parte do pensamento de sua época—mas não é corroborado pelos professores budistas, ocidentais ou orientais. Essa talvez seja a influência mais nefasta do pensamento junguiano no millieu intelectual que tenta interpretar o budismo e outras tradições orientais. Esse é um ponto que ele reitera vez após vez em todas as suas introduções e escritos sobre o oriente. Se embasa num racismo, as vezes às avessas, e talvez fizesse sentido em meio a um mundo onde a tradição tinha peso—hoje, nem no ocidente nem no oriente a tradição tem peso: vivemos num mundo secular por todos os lados—e ocidentalizado. Mas isso não é um obstáculo para o budismo e suas técnicas, e ele continua servindo para qualquer um que possua emoções perturbadoras e uma natureza búdica, isto é, qualquer um.
Por outro lado, não há supressão do ego no budismo: ele é reconhecido como realmente é, isto é, um engano. Suprimir o ego é acreditar nele.
A noção de self e assemelhadas são consideradas um equívoco de segunda ordem para o budismo—embora no hinduísmo talvez haja noções de "eu superior" que se equiparem a noção junguiana."

Igarashi Roshi

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Por que as roupas dos monges são orientais?


Saikawa Roshi oficia cerimônia de Shukke Tokudo (ordenação de noviço)

P: Se uma das metas é criar um budismo zen ocidental, por que é que aderem a roupa tradicional do Japão e seus rituais típicos ?

R: Porque sempre leva muito tempo para se adaptar algo assim, a roupa tradicional é uma máquina de treinamento com muitos truques que forçam movimentos cuidadosos, realmente fantástica, foi desenvolvida em 800 anos na China e Japão, o manto tem 2 600 anos, não se joga fora algo assim antes de uns 300 anos de estudos... Talvez, nas regiões quentes usemos o manto somente, como fazem os Theravada, mas nas cerimônias continuaremos com a roupa chinesa, que é magnífica como expliquei, rituais já estão em modificação, mostrei a Saikawa Roshi nossa adaptação com textos em português e alterada por Moriyama Roshi, perguntei o que ele achava e ele respondeu: - está bom assim, eu não vim ensinar a forma, vim ensinar a iluminação.