Mostrando postagens com marcador delusão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador delusão. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 5 de junho de 2018
sexta-feira, 16 de março de 2018
Vida Após a Morte
Pergunta: Existe vida após a morte?
Monge Genshô: Por que você quer que
exista? Porque você quer que o eu permaneça. Todas as fantasias religiosas dos
homens que querem uma consciência sobreviva à morte, ou que exista uma alma ou
um espírito, são construções do medo que os homens têm da morte. Por isso essas
fantasias existem.
O budismo diz: não é isso, na verdade
você não viu sua verdadeira natureza e quer criar uma fantasia que permaneça.
Existem mil fantasias diferentes, paraísos, sobrevivências, renascimentos,
reencarnações, nada disso se sustenta se você olhar que seu eu não sobrevive a
uma doença de Alzheimer.
quarta-feira, 14 de março de 2018
A Grande Ilusão
Pergunta: Mas a gente também não dá
nome às folhas que caem na floresta, ou às ondas do mar.
Monge Genshô: E por que damos nomes
aos homens? Nós não somos nós. Não é você. Se eu pergunto: quem é você, qual é
a resposta?
Pergunta: Posso dizer que sou eu?
Monge Genshô: Pode, mas ainda será uma ilusão, porque você construiu esse eu, essa noção de um eu
separado. Você construiu, atribuiu um nome a si e diz “eu sou eu”. Na verdade,
se retirarmos sua memória, você não saberá mais quem é. Porque você depende da
memória para sustentar essa ideia. Então você depende do passado para sustentar
a sua noção de eu. Na verdade, todos os nossos eus são sem sentido, assim como
seria sem sentido darmos nomes às ondas. Se você desse nomes para ondas ou para
as folhas, não seria porque a folha chama Joana que você iria chorar quando ela
caísse no chão.
Pergunta: Mas a gente precisa se
alimentar, trabalhar, etc., como o senhor falou, e tudo isso gera um sentido de
que tudo é tão concreto e real.
Monge Genshô: Tudo é tão nítido que
você sofre por ele. Por isso a maior ilusão é a nossa crença num eu pessoal.
Essa é a sua maior falha. Você acredita em você e por isso você vai morrer. O eu não vai sobreviver a uma morte. Se não sobrevive a uma amnésia, vai
sobreviver ao apodrecimento de seu cérebro? Vai sobreviver aos vermes saindo
pelos seus olhos?
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Nem Existir, Nem Não-Existir
Pergunta: Isso que o senhor falou sobre
trabalhar no mundo e na sangha me remeteu àquela frase: “estar no mundo sem
ser o mundo”. A gente está nele, mas nós não podemos pertencer a esse mundo de
ilusão.
Monge Genshô: Ele é um mundo de
ilusão aos nossos olhos deludidos, mas para os olhos de Buda é o mundo tal como
ele é. Ele é como é. Nós olhamos o mundo de forma distorcida, como se usássemos
óculos que distorcem a realidade. Se nós tirarmos os nossos olhos e colocarmos
os olhos de Buda, o mundo é real, ele não é ilusório. É a nossa percepção que é
ilusória. Isso é bem importante de lembrarmos, porque não é como se o mundo
fosse um sonho, ele existe. Mesmo que você desapareça, ele existe.
Existe uma escola chamada Yogachara, que
propôs que só existia consciência e que éramos nós que fazíamos surgir o mundo
com a nossa consciência. Isso implicaria que desaparecendo você, desapareceria
todo o universo. Essa escola, embora sua estética tenha sobrevivido dentro de
outras escolas, não sobreviveu de forma pura por causa do radicalismo dessa
postura. Compreende? Então o budismo não é niilista, nada existe, nem
eternalista, tudo existe para sempre. O budismo é madhyamika: caminho do meio,
nem um extremo, nem outro.
[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]
[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]
Assinar:
Postagens (Atom)


