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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A função do eu



Monge Kômyô:  O que é o EU? O “eu” é um composto, sob a ótica budista. Esse composto pode ser subdividido em 5 fenômenos, 5 aspectos que juntos vão compor uma identidade pessoal. Pensamentos, percepções emocionais, formações mentais, consciência, todas essas reunidas em uma forma, um corpo. A bem da verdade, o fenômeno é um binômio mente – corpo. Mas a mente nos ensinos de Buda é, digamos assim, subdividida em 4(quatro) principais fenômenos.
A identidade pessoal é um construto, no que diz respeito à nossa vida. O eu é necessário, não é supérfluo. No samsara o composto está numa personalidade, na sua funcionabilidade, o eu tem a sua função também, como tudo na existência. O fato dele ser um artifício, não significa que no plano psicológico, psicoemocional, o eu não tenha uma função.
A problemática do eu é que ele era um guardião que se tornou guarda. Era um protetor que se tornou um ditador.  Às vezes dizem que nós temos que aniquilar o eu nós temos que acabar com o eu e isso não é muito correto! O eu como construto, é o próprio fenômeno da existência traduzido nesse artifício chamado eu, e ele possui camadas. Na experiência contemplativa há um momento em que nós podemos entrar em contato quando conseguimos derrubar as camadas superficiais e condicionadas do nosso eu. Entramos em contato com o que se chama “o verdadeiro eu”, sendo que na linguagem ZEN é chamado de “não-eu”. O termo para nossa mente, mente mais cartesiana, mais racional, parece um termo negativo,  “não-eu”, e aí pode-se imaginar,  claro, naturalmente, que se tem que acabar com o eu. Mas o não-eu é uma definição para um estado de percepção profunda em que os artifícios não saudáveis do eu condicionado, são superados. Daí que o “não-eu” é uma experiência de integração com o todo. ( continua )

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Há hierarquia entre os seres



Pergunta – O carma pode ter um peso menor conforme o nível de esclarecimento da pessoa? Por exemplo, duas pessoas cometem erros que irão gerar carma, o mesmo tipo de erro, porém uma é mais esclarecida, seu nível de consciência é maior, o carma sofrido pelo mesmo tipo de ato será pior, vamos dizer assim, para a pessoa mais esclarecida?

Monge Genshô – As consequências serão diferentes. Quanto mais consciência, mais culpa e mais a pessoa terá a tendência a se punir. Quanto mais inconsciência, menos consequências morais. Um índio, por exemplo, que vive na floresta e necessita caçar para alimentar sua família, é diferente de uma pessoa da cidade. Mas o ato em si tem um peso por si mesmo, ou seja, mesmo que você não esteja consciente que seu ato é errado, ele gera consequências. Pode não ser a mesma consequência de alguém que se sinta culpado, mas o ato gera consequência da mesma forma. Outra coisa importante é que o fato de você não se lembrar do ato, não significa que não sofrerá as consequências.
Há um detalhe que parece difícil para as pessoas entenderem, existe hierarquia entre os seres. É diferente você matar um médico que salva vidas ou matar um estuprador. Tanto maior é seu crime, quanto maior o prejuízo que você causa à sociedade ou ao mundo como um todo. Algumas pessoas pensam que matar é igual, não é. Por exemplo, quando você vai ao banheiro e lava suas mãos está matando bactérias. Qual o peso dessa sua ação? Baixíssimo, pois é mais importante que você tenha suas mãos limpas para não contaminar outras pessoas. Por isso existe uma relação de grandes crimes que causam grande marca carmica, matar o pai, matar um Buda, ferir um Buda ou um Bodhisattva e causar cisão na sangha.