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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Espontaneidade no zen


Kotoku San, monge de S. Francisco, EUA, e um grande amigo no angô oficial de formação de professores em Yokoji, CA. A toalha na cabeça é tradição para os monges durante os períodos de samu (trabalho).

Cleary coloca que:
«Durante séculos tem havido uma tendência bastante marcada nos círculos zen para identificar velocidade com espontaneidade, graças ao uso da primeira como uma
imitação ou substituta para a última. É a ilusão que o mestre zen Takuan alude aqui [na última citação, não mencionada por mim]. (...) Ela também foi promovida no
Ocidente pelo popular autor D. T. Suzuki, o qual freqüentemente dava a impressão de que o Zen depende da rapidez intelectual, a ponto de bastar qualquer tipo de declaração ou ação absurda, contanto que seja tão rápida que pareça espontânea.
Como resultado dessa tendência, torna-se confusa a diferença entre reações automáticas (tais como dizer ou fazer o que quer que venha à mente no momento) e a
resposta desperta e precisa da consciência fluida, conforme originalmente desenvolvida no Zen autêntico.
A convicção manifesta de D. T. Suzuki, qual seja, a de que a iluminação zen é irracional, também ajudou a proteger esse tipo de percepção errônea da análise
crítica no contexto do próprio Zen conforme tornou-se conhecida através de suas obras no Ocidente.
(...) A fascinação pela réplica perspicaz já havia sido repudiada pelo grande mestre zen chinês Dahui cinco séculos antes de Takuan, mas as escolas zen
japonesas orientadas para os samurais parecem ter restaurado o culto da velocidade, devido a sua própria preocupação com a prática das artes marciais.
Entretanto, a espontaneidade genuína, proveniente da imediação da consciência aberta e centrada (em vez do reflexo condicionado), é valorizada não apenas pelos
guerreiros zen, mas por todos os que procuram aplicar a consciência zen às situações reais da vida.»
Cleary continua analisando o ensaio "Onde fixar a mente" de Takuan, onde ele fala de como transcender a fixação mental."
(Contribuição de Emerson)


MG: A prática formal do zen, que aparentemente tão rígida está sempre condenando os aprisionamentos inclusive aos rituais, e quando você começa a praticar como monge é praticamente impossível fazer tudo certo tal a quantidade de detalhes.
Mas tenho um mais um exemplo: quando vemos um concerto de música clássica o executante está tocando uma obra complexa com milhares de notas e instruções completamente escritas, no entanto ele deve fazê-lo de cor, somente sabendo tão profundamente que apenas os dedos toquem pode-se dar interpretação, não há tempo para decidir isto aqui, este dedo acolá, a fluidez deve ser absoluta, aí há espaço para o que chamamos interpretação, quando toda a forma é instintiva, livre do pensar, existe um outro mundo a ser descortinado.