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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Fazendo o Voto Altruísta


Fazendo o Voto Altruísta

Despertar a mente da iluminação significa fazer o voto de não atravessar para a outra margem [da iluminação] antes que todos os seres já tenham feito o mesmo. Tanto o leigo quanto o monge, vivendo no mundo dos deuses ou dos humanos, sujeitos à dor e ao prazer, todos devem fazer este voto rapidamente. Apesar da aparência humilde, uma pessoa que tenha despertado a mente da iluminação já é um mestre para toda a humanidade.

Até mesmo uma pequena menina de sete anos pode se tornar mestra das quatro classes de buddhistas e se tornar a mãe compassiva de todos os seres, pois homens e mulheres são completamente iguais. Este é um dos princípios mais elevados do caminho do Buddha.

Após ter despertado a mente da iluminação, até mesmo vagar pelos seis reinos da existência e pelas quatro formas de vida se torna uma oportunidade para praticar o voto altruísta. Portanto, mesmo que até agora você tenha passado o tempo em vão, deve fazer rapidamente este voto, enquanto é tempo. Apesar de você ter conseguido mérito suficiente para realizar a natureza de Buddha, você deve colocá-lo à disposição de todos os seres para que eles realizem o caminho.

Desde um tempo imemorável, existem aqueles que sacrificaram sua própria iluminação para que todos os todos seres se beneficiassem, ajudando-os a cruzar primeiro para a outra margem.

Há quatro tipos de sabedoria que beneficiam os outros: oferendas, palavras amáveis, bondade e equanimidade, todas elas sendo as práticas de um bodhisattva.

Dar oferendas significa não cobiçar. Apesar de ser verdade que, em essência, nada pertence ao ser, isso não nos impede de dar oferendas. O tamanho da oferenda não importa, mas sim a sinceridade com a qual ela é dada. Então, deve-se estar pronto para compartilhar até mesmo uma frase ou verso do Dharma, pois isto se torna a semente do bem, tanto nesta vida quanto na próxima. Também é o caso dar de seus tesouros materiais, mesmo que seja uma única moeda ou uma folha de grama, pois o Dharma é o tesouro e ou tesouro é o Dharma.

Existem aqueles que, sem procurar recompensa, ajudam bondosamente aos outros. Fornecer uma balsa ou uma ponte são atos de generosidade, assim como ganhar seu viver e produzir bens.

O significado das palavras amáveis é o de que, ao observar todos os seres, fica-se cheio de compaixão por eles, dirigindo-se a eles afetivamente — isto é, vê-los como se fossem seus próprios filhos. O virtuoso dever ser elogiado e o não-virtuoso dever ser apiedado. Palavras amáveis são a fonte para superar o ódio de seus amargos inimigos e para estabelecer amizade com os outros. Ouvir diretamente as palavras amorosas ilumina a face e aquece o coração. Porém, uma impressão ainda mais profunda é feita ao ouvir palavras amáveis ditas na sua ausência. Você deve saber que as palavras amáveis têm um impacto revolucionário nos outros.

Bondade significa encontrar meios para ajudar os outros, não importa qual seja a sua posição social. Aqueles que ajudaram uma tartaruga indefesa ou um pássaro ferido não esperavam qualquer recompensa por sua assistência, mas simplesmente agiram por seus sentimentos de bondade. Os ignorantes acham que seus próprios interesses vão sofrer se colocarem o benefício dos outros em primeiro lugar, mas eles estão errados. A bondade abarca tudo, beneficiando igualmente a si e aos outros.

Equanimidade significa não-diferenciação, não fazer distinções entre si e os outros. Por exemplo, é como o Tathagata [Buddha Shakyamuni] humano que viveu a mesma vida que nós humanos. Os outros podem ser identificados com um eu, e o eu com os outros. Com o passar do tempo, tanto o eu quanto os outros se tornarão um. A equanimidade é como um mar, que não rejeita água alguma, sem se importar com qualquer que seja a sua origem; portanto, todas as águas se juntam para formar o mar.

Pense quietamente no fato de que os ensinamentos anteriores serem as práticas de um bodhisattva. Não a trate levemente.

Honre e respeite seu mérito, que é capaz de liberar todos os seres, permitindo que cruzem para a outra margem.

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Trechos extraídos do Shôbôgenzô de Dôgen Zenji (1200-1253).
Adaptado da tradução da rev. Coen Murayana (Comunidade Budista Soto Zenshu)