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quinta-feira, 24 de março de 2011

Mosteiro de Ibiraçu sofre assalto

Ontem o Mosteiro Zen de Ibiraçu sofreu o segundo assalto à mão armada
em 4 meses.

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/03/a_gazeta/minuto_a_minuto/805122-assalto-em-mosteiro-pode-ter-envolvimento-de-policiais-e-ex-funcionarios.html

Contribuição de:
Emerson R. Zamprogno
http://bit.ly/emersonreader
"Quanto mais deres de ti mais tranquilo te sentirás" - Kodo Sawaki

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O boi que Issan retirou


Emerson Ricardo Zamprogno escreveu:

Palestra do Sôkan (Saikawa Roshi) no Tenzui Zendô: Ele nos apresentou o caso de um mestre chamado Issan e seu discípulo, do qual me esqueci o nome (alguém pode me ajudar?). Ele disse que a introdução desse caso compara um bom mestre a uma pessoa que tira o boi de uma família que depende dele para arar a terra e assim garantir seu sustento. Ou ainda a uma pessoa que retira a comida de uma pessoa que está morrendo de fome, e ainda lhe sufoca a garganta com as mãos. "Pode existir um mestre assim tão rígido?", ele nos perguntou. - Sim, ele mesmo respondeu, que Issan era assim.
Depois ele desenvolveu uma belíssima palestra nos mostrando como esse "boi", ou esse "alimento", dos quais dependemos para sobreviver, são as palavras que
usamos para estabelecer nossos conceitos. Ele contou como um bom mestre como Issan consegue retirar esse "apoio" de seu discípulo e qual a conseqüência disso.
Nos falou do tempo e da eternidade.
No entanto ele terminou a palestra de uma maneira um tanto,digamos,enigmática.
:-) Ele finalizou dizendo,"há um problema nisso tudo... isso pode nos levar a
crer que palavras e pensamentos são algo ruim, no entanto, é tudo o que possuímos" e deu uma risadinha.
Depois da dedicação de méritos, olhou pra monja Coen e disse, "posso ir?", e entraram para tomar chá... :-)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Emerson comenta Ken Wilber

Comentários em lista aberta budista, de Emerson Zamprogno, sobre texto de Ken Wilber:

"Pelo que entendi o problema surge quando os conceitos budistas são contaminados pela idéia replicadora verde perversa ("mean green meme"). A cor, no caso, se refere a um determinado padrão de valores.
Para abreviar a conversa sem ter que citar o artigo inteiro, um budista contaminado pelo meme verde reivindicaria ser igualitário, pluralista, não-marginalizante, anti-estágio, e especialmente
anti-hierarquia.
Desta maneira ele rejeita tanto a relação professor - discípulo quanto o próprio conceito de um ser que possa ser iluminado e outros não, uma vez que isso implicaria em assumir que o iluminado seria superior e quem não é seria inferior. Portanto é uma idéia politicamente incorreta e que assim deve ser evitada.
A ameaça que o Wilber enxerga nesse processo é que esta última conclusão simplesmente acaba com a própria razão de ser do Budismo.

Agora o meu comentário. Pessoalmente acho que interpretações "patológicas" dos Ensinamentos já existiam antes dos modernos "memes perversos" começarem a se espalhar e que os mestres já estavam cientes disso muito antes de existir Wilber ou os conceitos da psicologia integral. As antologias zen estão repletas dessas histórias também!
E existem professores modernos que descrevem muito bem essas interpretações exatamente como "doenças do zen". A mestra Heila é uma professora que tem histórias muito interessantes a este respeito, que não convém mencionar no momento para não me alongar ainda mais.
Mas para nos mantermos no clássico, mesmo no Sutra da Plataforma do Sexto Patriarca Hui-neng (o mestre analfabeto), ele declara claramente que existem pessoas que ele chama de "apegadas ao vazio".
Descreve-as como pessoas que em geral desprezam as palavras e não respeitam as hierarquias (já que "tudo é vazio"). Mas ele afirma no Sutra que mesmo a célebre frase "não depender das palavras" que os apegados ao vazio usam para justificar suas blasfêmias, são também palavras. Assim, então por que eles não as deixam de lado de vez em quando?"

sábado, 3 de novembro de 2007

Por quê "Aparecida Kannon"? Por quê este sincretismo?



Fotos Seigen
Emerson escreveu na lista Chungtao:

"Gostaria de apontar para o fato de que as pessoas de alguma forma ligadas a esta cerimônia de Aparecida Kannon, seja porque fazem parte da comunidade que a organizou, seja porque foram lá participar (no caso, eu rsrsrs), ao serem questionadas sobre o significado de "Aparecida" (e eu fui um dos primeiros que questionei), têm se mostrado evasivas nas respostas.
A razão mais direta de não se responder diretamente a esta pergunta é que, como já foi dito, trata-se de uma proposta do Saikawa rôshi e obviamente ninguém pode responder por ele. Há outras razões e aqui eu gostaria de falar das minhas, pois também fico feliz de que ela possa voltar a ocorrer.
O fato é que, considerando as palavras do Handa-san, que é um monge diretamente ligado a este mestre e que também participou da cerimônia, nem mesmo eles, envolvidos diretamente na preparação e execução, receberam explicações detalhadas sobre esta questão.
Em outras ocasiões, inclusive em um retiro, já tive a oportunidade de estar ao lado do rôshi e, até onde permite ver minha compreensão embaçada, posso dizer que eu o reconheço como um verdadeiro mestre zen. Em outras palavras, acredito que qualquer "proposta" que
venha dele tenha nascido de sua compreensão peculiar.
Mas este é apenas o primeiro ponto.
Neste caso em particular, "compreensão" sobre exatamente o quê? Sobre a compaixão, eu responderia, que, segundo explicações dadas, é o objetivo desta "proposta".
Então temos um mestre zen japonês que, munido de sua "compreensão peculiar", decide fazer em terras tupiniquins uma cerimônia "para a compaixão e comunhão entre todas as pessoas", conforme foi anunciado, e então ordena a seus monges e ao "departamento
feminino" do templo que prepare tudo para a novaCerimônia a "Aparecida Kannon Bosatsu da PazUniversal". Quase isso. Quem olhou e reconheceu, pôde ver no álbum do Seigen o próprio rôshi varrendo o chão e mexendo as panelas. Aqui acho que começa o ponto essencial: esse é um ato de expressão de comunhão entre as pessoas levado à prática, não de discussão
sobre o tema.
Ao se buscar a comunhão temos que primeiro procurar o que temos em comum, não o que nos distingue. O ponto de contato entre Kannon Bosatsu e Nossa Senhora Aparecida é naturalmente a devoção que o povo japonês têm pela primeira e o brasileiro, pela segunda. Mas o
mais importante é que para quem estava servindo no dia, ou sendo servido, isso não fazia a menor diferença.
No fim percebei que é preciso algum coração e se largar mão de muita racionalidade para participar de um evento com este espírito, seja por conta de nossa convicção religiosa, seja por causa de nossos conceitos e idéias sobre as coisas do coração, como compaixão. Na prática, qual é a diferença se a compaixão é encarnada pela santa padroeira ou pelobodisatva? Ambos são conceitos religiosos, pois carecem de uma definição clara (ambos estão associados
aos seus respectivos epítetos) para existirem. E quem precisa de conceitos para comungar, se é verdade que a comunhão é assunto do coração e não do raciocínio?
Assim, não estou escrevendo estas palavras para justificar, seja para os outros ou para mim mesmo, minha participação, nem mesmo para justificar a existência própria do evento, mas para
desconstruí-las, para reconhecer que seria lamentável se eu continuasse necessitando de uma justificativa ou explicação, ou que todos os conceitos precisassem se encaixar perfeitamente na minha cabeça.
Digo desconstruir estas palavras porque só depois de concebê-las, paradoxalmente percebi que se continuasse precisando de justificativas para me aproximar de outras pessoas ou para pôr a compaixão em prática é que eu certamente deveria a começar a participar de cerimônias deste tipo, onde dar uma explicação seja tão difícil quanto dar a resposta a um koan, onde a
questão queimasse fundo todos os conceitos e sobrasse apenas a vivência. E, quem sabe, se continuar praticando assim talvez um dia, em vez de apenas me servir, consiga chegar ao nível de ser capaz de varrer o chão para a cerimônia."

Emerson

domingo, 14 de outubro de 2007

Shin San Shiki de Monja Coen Sensei - Fotos

Aqui está uma colagem de fotos, gentilmente enviada pelo Emerson, e que mostra aspectos da cerimônia de Shin San Shiki de Monja Coen Sensei. Com isto ela foi elevada a abadessa e seu templo em São Paulo oficialmente dedicado. Isto ocorreu dia 12/09/2007 e o zendô (local de prática) foi elevado à categoria de templo oficial Sôtô. De Tenzui Zendô, tornou-se Tenzui Zenji, ou Templo Zen Tenzui.
Estiveram presentes mestres do Japão e Estados Unidos, Holanda, monges de todo o Brasil e numerosos amigos do Zen.

No seguinte álbum da Internet, Emerson disponibiliza mais imagens:

http://zamprogno.multiply.com/photos/album/25