Afinal, existe sentido em se fazer
reverências? Tem sentido fazer prostrações? Essa é uma grande resistência que
eu tinha quando comecei no budismo, há quase 50 anos atrás. Eu tinha realmente muita
resistência a isso. Hoje eu sei o porquê: eu era uma pessoa orgulhosa. Ajoelhar-se e colocar a testa no chão é muito difícil para quem é orgulhoso. Hoje
eu não tenho mais nenhuma resistência. E eu compreendo quando um aluno vem e me
diz: "eu tenho muita resistência a cerimônias".
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Fazemos para os vivos
Pergunta – O budismo tem a lei do carma e tudo está sujeito a ele?
Monge Genshô – Sim, pensamos que a natureza tenha a lei do carma. Carma significa ação e toda ação tem uma consequência. Pensar que não seja dessa forma seria contrariar as evidências.
Pergunta – Sim, mas quero dizer não somente carma do que fazemos agora e que irá repercutir no futuro, mas também o que trazemos de outras vidas.
Monge Genshô – Se todo efeito tem uma causa, você não pode pensar que um efeito vem de graça. Não necessariamente o que acontece agora nessa vida tem uma causa também nessa vida, pode vir de outras. Não era eu, até por isso não usamos a palavra reencarnação, mas foi um passado que me gerou e sou herdeiro desses efeitos. A personalidade de cada um tem uma causa, mesmo que não nos pareça lógico, ela tem uma causa. Digamos que uma pessoa tem pavor do doar sangue. De onde vem essa marca cármica? De onde vem essa idéia de medo de doar sangue? Não é gratuito, nada é do nada. A maior indicação de que existe um passado é que temos marcas cármicas diferentes, caso contrário, seríamos como tábuas em branco. Mas não adianta nos preocuparmos em como isso funciona ou quem você foi na vida passada. Temos que nos preocupar com o agora.
Pergunta – Quando morremos só sobra a ação, certo? O carma. Gostaria de entender porque fazemos a cerimônia dos mortos, se nada mais pode salvar além do carma?
Monge Genshô – Fazemos para os vivos.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Quem chora as ondas que morrem na praia?
Pergunta – O significa a cerimônia que a gente fez hoje?
Monge Genshô – As cerimônias são meios hábeis. Se for de nosso desejo podemos inventar um cerimônia. Mas nesse caso especifico, esses textos têm por volta de dois mil anos, não são de nenhuma língua falada atualmente, mas tem significado. O primeiro, Maka Hannya Shingyo, significa Sutra do Coração da Sabedoria, sua frase principal é “Vazio é forma, forma é vazio, vazio nada mais é do que forma, forma nada mais é do que vazio”. Após isso ele começa uma espécie de desconstrução, não existe sensação, não existe percepção, não existe concepção, não existem formações mentais e consciência. Vendo então o vazio de todos os agregados o Bodisatva desperta e livra-se de toda a agonia e sofrimento. Esse vazio não significa que não há nada, não é niilismo, não se trata de uma declaração de que tudo é nada. É simplesmente a declaração de que todas as coisas são vazias de um “eu”, nenhuma coisa tem um “eu” inerente, um “eu” próprio, nenhuma coisa existe por si mesma, isso que eu quis dizer quando falei que o guardanapo não possui um “eu”, ele é só um agregado de coisas, tudo é assim, a xícara em sua mão é também assim, alias ela só surge como xícara porque você a olha e a vê como xícara, então, tudo é coemergente com o observador, o universo também é coemergente com o observador. Se você conseguisse trocar seus olhos pelos olhos de Buda veria tudo completamente diferente. Há uma analogia que sempre uso e que penso ser muito apropriada, é das ondas do mar, as ondas são formas surgindo sobre o mar, cada onda parece ter um individualidade, mas não passa de energia na água, não é a água que se move, é a energia que dá forma as ondas e na areia as ondas quebram e morrem. Mas não vemos ninguém na areia lamentando a morte das ondas, não existe tristeza por ver as ondas quebrarem na praia. As pessoas olham para o mar e dizem, Que lindo! Por quê? Porque vêem o mar.
As vidas dos seres são como as ondas, mas mergulhados em nossos sonhos não enxergamos a vida, enxergamos as ondas, então, se um amigo morre, choramos sua morte. Por que não enxergamos o mar, enxergamos a onda. Parcialmente sabemos, quando olhamos o mar temos os olhos de Buda e o vemos como mar, não nos importamos com a morte das ondas na areia. Quando olhamos uma floresta não choramos pelos troncos apodrecidos e pelas folhas que caem, até achamos bonito as folhas amarelas no outono caindo, mas todas estão morrendo. Para os olhos de Buda as vidas e mortes da humanidade são lindas, porque é um olhar desperto sobre o que é a vida. O nosso olhar sobre a vida dos homens, seus nascimentos e mortes é tão enganado como o olhar de alguém que chorasse cada folha que cai e não percebesse que na primavera todas as folhas nascem novamente verdes e lindas. Não há problema, todas as folhas que caem viram húmus e é assim que as florestas se formam e sobrevivem.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
O bem e o mal, o que é ser bom ou ser mau?
Os preceitos budistas, que são tomados no jukai, (cerimônia dos votos em que os praticantes recebem o rakussu), parecem cheios de nãos e tem a marca da virtude, característica do primeiro passo do caminho espiritual. Uma parte deles, que resume tudo, diz, “fazer o bem, evitar o mal e seguir o caminho de Buda”.
Vamos explorar essas três pequenas frases. O que seria o bem? Onde está o bem? O que seria o mal? E onde está o mal? Se nós penetrarmos profundamente nessa questão ficaremos confusos, porque aquilo que a uns parece o bem a outros parece o mal, e algumas pessoas crêem que ao fazer o mal, estariam praticando o bem. Crêem por exemplo que, um extermínio poderia ser bom, ou crêem que se fizerem determinada coisa ela irá gerar um bem automático, e muitas vezes quando pensam que estão fazendo o bem podem criar uma tragédia. Afinal o que é ser bom, o que é ser mau?
Na antiga União Soviética havia um grande lago. Esse lago, ao qual chegavam alguns rios importantes, chamava-se Mar de Aral. Mar com peixes, pesqueiros e cidades à beira, tão grande que tinha o nome de mar. Um projeto governamental resolveu irrigar terras com os rios que chegavam ao mar de Aral. O mar tornou-se salgado através de milhões de anos, porque a água que ali chegava tinha pequena quantidade de sal, mas com a evaporação o sal ia se concentrando, dessa forma transformou-se num mar como qualquer dos mares. Os projetos de irrigação foram criados para produção de grande quantidade de algodão e outras plantas, foi bem sucedido e começou-se logo a colher. Mas o Mar de Aral não recebia mais a água dos rios e começou a encolher, descer. As cidades a beira do Mar de Aral, que tinham barcos pesqueiros, perderam seus portos e a medida que o Mar recuava através dos anos, foi deixando atrás de si uma terra coberta de sal. O sol secou o sal, tempestades de vento começaram a espalha-lo nas plantações e um enorme desastre ecológico aconteceu na região em volta do Mar do Aral, porque algumas pessoas pensaram que fariam o bem. Hoje, foram desbloqueadas as barreiras para que parte dos rios voltem ao Mar de Aral, dessa forma, uma parte voltou a ter água. Está se tentando reverter o que se fez no passado.
Nosso país todo é um exemplo disso também, da mata Atlântica sobre talvez sete por cento. Com o objetivo de uso da madeira, criar plantações e pastos, a mata foi aos poucos sendo devastada. E todo o tempo parecia que isso era o bem. Podemos listar infinitas histórias parecidas nas nossas próprias vidas. Então quando o preceito diz, “Faça o bem”, devemos perguntar, “Exatamente o que é o bem?”. O bem seria não produzir sofrimento a longo prazo e estimando todas as conseqüências? Temos que compreender que é muito difícil definir o que é o bem. O mal também tem muitos aspectos. Há uma história budista que diz; - um jacaré come um pato numa lagoa, onde está o bem e onde está o mal? Para o pato uma tragédia, para o jacaré foi uma refeição, decida você onde está o bem e onde está o mal.
(continua)
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Casamento zen budista - Celso e Tatiana
As núpcias no ritual zen budista, tem como marca a emoção. Esta cerimônia se destina a pessoas que não desejam estar filiadas a uma fé, ou cumprir exigências ligadas a um sistema de crenças. Não há qualquer pré-requisito religioso. Apenas o pedido para que as pessoas redijam e façam em público o compromisso que desejam assumir para com seu cônjuge. O oficiante conduz uma cerimônia em que os nubentes se casam, não são casados por ele. Dentro do zen o casamento, marcado pela impermanência da própria vida, não é um sacramento, mas um ritual civil. Porém a beleza da emoção causada por uma participação tão ativa dos noivos e dos agradecimentos as famílias, troca de alianças, incenso perfumando o ar e flores, transforma tudo em uma lembrança inesquecível.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Tooro Nagashi em Florianópolis

Dia 11 de março, foi realizada em Florianópolis a cerimônia de Tooro Nagashi pela Wakamiya-Maru, em memória às vítimas do Terremoto seguido de Tsunami ocorrido no Japão, no ano passado.
O lançamento de pequenas lanternas flutuantes luminosas foi feito no canal da Barra da Lagoa, às 20h, enquanto monges budistas da Comunidade Zen Budista de Florianópolis entoavam sutras.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Zuise - Isshin Sensei

Texto de Isshin Sensei em seu blog
Qual o significado de Zuise?
Nyoi - cetro de oficiante, Sojiji
No caso de já ter completado o seu treinamento em mosteiro oficial, ao receber a Transmissão de Darma, o monge, agora na graduação de Rikishô, pode marcar as datas para se apresentar nos dois templos-sede da escola (Eiheiji e Sôjiji) para a realização de uma série de formalidades chamada Zuise (瑞世). Os caracteres chineses desta palavra atualmente significam “auspicioso” (zui) e “o mundo” (se), mas aparentemente esta palavra significava, antigamente, “receber promoção” ou “tomar um passo na carreira”.
Estas formalidades representam a oportunidade do monge recém-formado prestar homenagem e gratidão aos fundadores da nossa escola, Mestre Dogen (fundador do templo-mosteiro Eiheiji) e Mestre Keizan (fundador do templo-mosteiro Sôjiji).
Passa a possuir, agora, a graduação monástica de Oshô (和尚). O ato de oficiar cerimônias de recitação de sutras no papel de “abade por uma noite”, como parte das formalidades de Zuise em cada um dos dois templos-sede, Eiheiji (fundado pelo Mestre Dogen) e Sôjiji (fundado pelo Mestre Keizan), também demonstra simbolicamente que o novo Oshô recebeu a autorização necessária para se tornar abade (Jûshoku 住職, Monge Titular) de um templo oficialmente reconhecido.
Recebe, ao mesmo tempo, autorização oficial como Professor de Darma (Sensei), com o seu nível de graduação como professor dependendo do seu tempo de prática em mosteiro de treinamento oficialmente reconhecido. Está habilitado a transmitir os preceitos para leigos (Zaike Tokudo ou Jukai) e ordenar novos monges (Shukke Tokudo), bem como realizar todas as outras funções de um sacerdote, como oficiar casamentos, batizados, benções em geral, enterros, e outras cerimônias religiosas.
Na chegada ao templo-sede, na data marcada, é recebido por um atendente e convidado a usar chinelos vermelhos especiais de abade. Depois de tomar chá, recebe ensinamento sobre os procedimentos específicos do templo, uma vez que há detalhes na forma de oficiar cerimônias que são diferentes de um templo para outro. Terminado este ensaio, que pode levar três horas, recebe um jantar finíssimo, toma banho de o-furô (banheira japonesa) e dorme.
Levanta cedo no dia seguinte, às 03:30 hs e faz o início do zazen no “gaitan” (lado de fora do zendô) próximo à entrada do abade. Mas logo é chamado para o início das formalidades de Zuise.
Vai primeiro prestar homenagem ao fundador e primeiros abades do templo. Para isto, entra, talvez pela única vez na vida, numa área reservada, fechada, que fica atrás do altar da Sala dos Fundadores. Oferece incenso e faz uma série de prostrações.
Em seguida, vai para a sala de recepção do abade do templo-sede (Zenji), onde se encontra com um grupo de seis ou oito monges formados que tomarão parte do “ryôban”(as duas fileiras de monges na área cerimonial principal) para as cerimônias a seguir. Depois de fazer prostrações, ouve a leitura do certificado de Zuise e o recebe das mãos do Abade do templo-sede ou seu representante. Assim que o Abade saia da sala, recebe o chá honorário – primeiro é servida água doce com umeboshi (ameixa em conserva). Em seguida é servido um doce – mas em lugar de comer o doce agora, coloca-se o certificado que acabou de receber em cima do doce e o devolve. Imagino (mas não sei ao certo) que talvez este doce, com o certificado, vai para o altar durante as recitações de sutras que fazem parte das formalidades de Zuise. Termina esta etapa das formalidades com chá verde.
Hossu - cetro de oficiante, Eiheiji
Nesta hora, o atendente traz o “nyoi” (払子, no Sojiji) ou o “hossu” (払子, no Eiheiji), cetros cerimoniais de oficiante. Acompanhado pelo grupo de monges do “ryôban”, vai agora oficiar duas cerimônias de recitação de sutras. A primeira (Zuise Shukutô) é a recitação do Maka Hannya Haramitta Shingyô (Sutra do Coração da Grande Sabedoria) na Sala de Buda e a segunda (Zuise Jôgu) é a recitação do Daihishin Darani (Mantra da Grande Mente de Compaixão) na Sala dos Fundadores.
Não há palavras para descrever a emoção deste momento – oficiando a cerimônia num templo-sede da escola, ouvindo o som da recitação pelas vozes dos aproximadamente 200 monges-em-treinamento e professores do templo-sede. E a plena atenção, mesmo com lágrimas de emoção nos olhos, no esforço de lembrar os “timings” das prostrações e ofertas de incenso e para acertar os detalhes dos movimentos, tais como aproximar-se ao altar e, ao afastar-se do altar lembrar-se de virar em direção horário (no Eiheiji) ou em sentido anti-horário (Sojiji). E o cuidado com a maneira de segurar o “nyoi” (Sojiji) ou de segurar e movimentar o “hossu” (Eiheiji) (os “cetros” de oficiante).
Terminadas as duas cerimônias, o novo “Oshô” retorna à sala de recepção. Depois de devolver o “nyoi” ou “hossu” ao atendente, recebe os parabéns dos monges que tomaram parte como “ryôban” – e os responde agradecendo a colaboração de todos nas cerimônias. Todos se reverenciem mutuamente com prostrações.
Depois de um momento para a fotografia oficial (se esta foi encomendada), há um encontro com o “Kannin” (Administrador Chefe) do mosteiro (ou seu representante) para um chá e pequeno bate-papo.
Por fim, recebe um café de manhã “espectacular” – com uma quantidade de comida impossível de se comer… .
Termina as formalidades com uma pequena cerimonial de agradecimento e despedida do atendente (zuian) e assistente do atendente (zuiji) que o cuidaram durante todo este processo. Acabaram-se as formalidades – são oito horas da manhã, mais ou menos. Foi um dia muito cheio… .
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Batizado budista
José Carlos e Bruna batizaram seu filho Tomaz em uma cerimônia budista, o avô sorridente é Jeferson De Zorzi membro ativo da comunidade e que hoje está viajando pela China.
O batizado budista é uma cerimônia nova e com cara bem ocidental, não se trata de remover pecados mas sim de rememorar os preceitos com os quais um budista deve se educar e apor um nome do Dharma que seja um guia para a vida, este nome é dado em um momento de inspiração sem que seja preparado racionalmente.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Transmissão - Cerimônia
Dois "Oshos" saem do zendô com suas tigelas, vestem o manto amarelo característico dos que tem esta graduação e fizeram as cerimônias aos ancestrais correspondentes. Angô de certificação de professores, Mosteiro de Yokoji, 2010.
P: Qual a diferença entre a transmissão e a iluminação?
R: A transmissão de mente a mente não depende de formalidades, o que ocorre é que formalmente existe uma certificação dada por mestres que a receberam a seus discípulos, esta transmissão formal tem registro e é dada somente a monges, neste momento eles são chamados de "Osho" , podem ser chamados de "mestre" se forem responsáveis por um templo oficial.
Isto não impede que leigos obtenham a iluminação, mas esta não é registrada nem permite atividades dentro da instituição zen restritas aos oshos assim reconhecidos , um exemplo é a possibilidade de ordenar monges, para os que possuem um templo, ou, em um grau bem mais alto de mestrado (Roshis) de dirigir angôs.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Estátuas tem seus olhos abertos
Saikawa Roshi oficia a cerimônia Abertura dos Olhos, à frente de uma imagem de Manju Bosatsu, na Comunidade Zen Budista de Florianópolis.
Um album de fotos está aqui
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Dedicação

A Comunidade Zen Budista de Florianópolis convida à todos a participarem da Cerimônia de Dedicação da Sede de sua Comunidade, situada na Praça Getúlio Vargas, 126, (praça dos bombeiros) no centro de Florianópolis, com a presença do mestre zen Saikawa Roshi. Será nesta quinta feira (22/07) às 19:30h, quando o mestre fará uma palestra e realizará a "Cerimônia de Abertura dos Olhos da estátua de Buda".
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Dentro do Hattô
Hattô em Yokoji, o hattô é o templo propriamente dito dentro de um mosteiro. Nele os monges realizam diversas cerimônias, na da foto andam lentamente recitando sutras.
domingo, 21 de março de 2010
No templo em Yokoji
Monges fazem cerimônia no templo no mosteiro de Yokoji durante o angô de certificação da SotoShu.
Na foto abaixo um aspecto do ambiente externo:
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Sobre o termo "monge"

Extrato de "aula" dada pelo eminente Rev. Wagner, Monge da ordem Otani do budismo Shin, em discussão aberta em site de relacionamento:
"Caros amigos e irmãos no Dharma,
Embora não esteja participando mais ativamente do fórum, acho que essa discussão em termos de compreensão é bastante válida, mas tenho sempre um pé atrás quando "de fora", digo, fora de uma instituição nós queiramos mudar usos e costumes da mesma. Acredito que movimento tenha que partir "de dentro", ou seja, a partir da compreensão e mesmo necessidade de adaptação dos termos por cada escola.
......
Vamos começar pela questão de se existem ou não "monges" budistas.
Bem, o termo "monge" já foi exaustivamente explicado em tópicos anteriores e por isso não carece repetir o que foi dito. (Monge vem do grego, "monos", e significa "só" uma referência ao isolamento dos primeiros contemplativos. NE) Então, na verdade, nem mesmo os Bhikshus atuais seriam exatamente monges, pois a maioria vive em templos "mosteiros" e levam vida comunitária e não solitária (caso que se aplica a quase todas as ordens "monásticas" cristãs, também).
No Japão há uma distinção entre os Bhikshus e "Sôryô" que seria o "monge" das escolas japonesas. O Sôryô não necessáriamente faz todos os votos do Vinaya e alguns nem mesmo os fazem oficialmente. É uma transmissão da linhagem.
No caso a Ordem Otani-ha do Budismo Shin (Higashi Honganji) à qual eu pertenço, vem trabalhando já a algum tempo, tentando melhorar o vocabulário em português e tentando evitar erros muito graves no uso desses termos, como por exemplo, chamar a cerimônia budista de missa, o "monge" budista de "padre budista" e etc.
Isso tudo tem raízes em dois pontos, um deles é a tradução e mesmo a publicação dos primeiros textos e livros em línguas ocidentais, em inglês é possível se ver até mesmo o termo "freira" budista para uma bhikshuni. Outro ponto desse problema está no fato de que o Budismo foi introduzido no Brasil pela colônia japonesa cuja língua não tem nenhuma relação com as raízes greco-latinas, e assim para se comunicar com os brasileiros, os japoneses, por exemplo, perguntavam aos católicos: "como se chama a cerimônia dominical que vocês frequentam na igreja?" e, ao ouvir a palavra "missa", imediatamente faziam a assimilação..... uma cerimônia religiosa se chama "missa" (o que é um grande engano).
E isso pode ser aplicado a muitos outros termos que foram se consolidando ao longo de décadas e é possível ainda se ouvir isso no dia-a-dia dos fiéis dos templos e até mesmo por parte de alguns religiosos.
No caso do termo "monge" na Escola Jôdo Shinshu, este seria totalmente inadequado, pois a nossa tradição não segue o Vinaya e nem mesmo parte dele, como no caso do Zen, Shingon, Tendai e outras escolas. Então, passamos a usar os termos correspondentes (também adaptados de tradições já existentes no ocidente) às funções, como por exemplo, Diácono (um religioso já iniciado mas não ordenado que realiza algumas cerimônias e serve a um templo ou comunidade), Ministro do Dharma para os ordenados, Missionários para os Ministros do Dharma que já possuem o grau de Mestre da Doutrina (Kyôshi) ou até mesmo Mestre do Dharma (Hôshi) e que recebem a incumbência específica de propagar o Dharma oficialmente em nome da Missão.
O título adotado para todos esses casos é o de "Reverendo", sendo esse um termo neutro que pode ser usado para qualquer religioso seja ele budista, cristão, islâmico, judeu ou outras denominações.
Mas confesso que ainda é complicado, pois quando as pessoas perguntam o que é exatamente um Ministro do Dharma, ou um Missionário da Otani-ha, a resposta mais simples é dizer: "um monge budista do Budismo Shin".
O fato de se utilizar o termo "monge Zen", "monge shingon", "monge nichiren" (acho que os religiosos do Nichiren-shu também usam esse termo, mas isso eu deixo para o nosso irmão Guilherme), e outras, apenas indica que essas pessoas receberam uma ordenação dentro de suas tradições.
Por mais que se proteste em listas do orkut, ou se berre à vontade, somente se os membros e praticantes de uma tradição discutirem e chegarem a um acordo e isso estiver de acordo com os Estatutos da Ordem é que poderá ser mudado.
Sem falar naquilo que eu já disse acima, "usos e costumes".
Se todos chamam o Genshô-san ou a Coen-san de Monge-Monja, ou Mestre ou Osho-san ou sei lá o que, vai depender da Ordem e da Comunidade.
Em minha cidade há uma colônia muito grande de imigrantes ucranianos que se dividem entre ortoxos russos auto-cefálicos (ou seja que não seguem as ordens do governo Russo) e de Católicos Romanos mas de rito oriental, nos dois casos há uma divisão entre monges (que fazem os tres votos: pobreza, castidade e obediência) e padres que apenas fazem o voto de obediência ao bispo, e portanto se casam, compram carros, casas e bens e sustentam suas famílias e filhos... isso aos olhos dos católicos romanos de rito latino é um absurdo, mas ambos são reconhecidos da mesma forma como "padres" pelo próprio direito canônico do Vaticano....
Então, para mim, é assunto interno.
Só vale a pena a discussão a nivel informativo.
gasshô."
rev_wagner@yahoo.com.br
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Cerimônia do monumento do fundador
Saikawa Roshi oficia assistido por dezenas de mestres que acorreram de todo o mundo.
(Clique nas imagens para amplia-las)
Monges assistem, na primeira fila, da esquerda para a direita: Monge Napoleão, Monja Simone Keisen, Monja Mariângela, Monge Genshô, Monge Pedro (Barcelona), Monge Álcio, Monja Isshin, (irmãos no Dharma, atualmente alunos de Saikawa Roshi, com exceção de M. Álcio, do RJ, aluno de Mestre Tokuda)(chamam-se irmãos no Dharma os alunos de um mesmo mestre e pertencentes a uma mesma Sangha de monges)
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Saikawa Roshi
domingo, 12 de outubro de 2008
Convite para o dia 17 de outubro

Hossenshiki em um templo japonês.
Dia 17 de outubro (sexta) às 9h com a presença de Saikawa Roshi, mestre e superior da Escola Soto Zen para a América do Sul, e monges, do Brasil e do exterior, regularmente ordenados e reconhecidos internacionalmente pela Soto Zen, haverá a cerimônia de Hossenshiki (Combate do Dharma) de Monge Genshô. Ocasião em que receberá uma graduação de defensor do Dharma e responderá perguntas publicamente de alunos que o desafiam, a cerimônia é aberta ao público e os que a desejarem assistir devem se dirigir pela manhã do dia 17 à Casa de Retiros no Morro das Pedras.
Amigos, de novo entro em retiro, sem comunicações até 17 de outubro à noite.
domingo, 21 de setembro de 2008
O que o Shuso diz ao fim do Hossenshiki

Foto de um momento do Hossenshiki.
Ao fim da cerimônia de Hossenshiki o Shuso expressa a realidade das coisas tal como sente. A partir daí continua seu treinamento, pois ainda é um aprendiz:
"Sendo imaturo e de treinamento insuficiente, não estava esperando ser designado Head Monk/Estagiário (ou líder dos noviços). Me sinto como se um crime houvesse sido cometido o qual enche os céus, não há um lugar na terra para me esconder. Espero que haja água suficiente no Atlântico para vocês enxaguarem minhas palavras de seus ouvidos."
Fotos de uma cerimônia em Daijo-ji (Japão) aqui: http://www.zenfirenze.it/incontri_det2.asp?inc=38&id_img=1
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Lanternas no mar
sábado, 3 de novembro de 2007
Por quê "Aparecida Kannon"? Por quê este sincretismo?


Fotos SeigenEmerson escreveu na lista Chungtao:
"Gostaria de apontar para o fato de que as pessoas de alguma forma ligadas a esta cerimônia de Aparecida Kannon, seja porque fazem parte da comunidade que a organizou, seja porque foram lá participar (no caso, eu rsrsrs), ao serem questionadas sobre o significado de "Aparecida" (e eu fui um dos primeiros que questionei), têm se mostrado evasivas nas respostas.
A razão mais direta de não se responder diretamente a esta pergunta é que, como já foi dito, trata-se de uma proposta do Saikawa rôshi e obviamente ninguém pode responder por ele. Há outras razões e aqui eu gostaria de falar das minhas, pois também fico feliz de que ela possa voltar a ocorrer.
O fato é que, considerando as palavras do Handa-san, que é um monge diretamente ligado a este mestre e que também participou da cerimônia, nem mesmo eles, envolvidos diretamente na preparação e execução, receberam explicações detalhadas sobre esta questão.
Em outras ocasiões, inclusive em um retiro, já tive a oportunidade de estar ao lado do rôshi e, até onde permite ver minha compreensão embaçada, posso dizer que eu o reconheço como um verdadeiro mestre zen. Em outras palavras, acredito que qualquer "proposta" que
venha dele tenha nascido de sua compreensão peculiar.
Mas este é apenas o primeiro ponto.
Neste caso em particular, "compreensão" sobre exatamente o quê? Sobre a compaixão, eu responderia, que, segundo explicações dadas, é o objetivo desta "proposta".
Então temos um mestre zen japonês que, munido de sua "compreensão peculiar", decide fazer em terras tupiniquins uma cerimônia "para a compaixão e comunhão entre todas as pessoas", conforme foi anunciado, e então ordena a seus monges e ao "departamento
feminino" do templo que prepare tudo para a novaCerimônia a "Aparecida Kannon Bosatsu da PazUniversal". Quase isso. Quem olhou e reconheceu, pôde ver no álbum do Seigen o próprio rôshi varrendo o chão e mexendo as panelas. Aqui acho que começa o ponto essencial: esse é um ato de expressão de comunhão entre as pessoas levado à prática, não de discussão
sobre o tema.
Ao se buscar a comunhão temos que primeiro procurar o que temos em comum, não o que nos distingue. O ponto de contato entre Kannon Bosatsu e Nossa Senhora Aparecida é naturalmente a devoção que o povo japonês têm pela primeira e o brasileiro, pela segunda. Mas o
mais importante é que para quem estava servindo no dia, ou sendo servido, isso não fazia a menor diferença.
No fim percebei que é preciso algum coração e se largar mão de muita racionalidade para participar de um evento com este espírito, seja por conta de nossa convicção religiosa, seja por causa de nossos conceitos e idéias sobre as coisas do coração, como compaixão. Na prática, qual é a diferença se a compaixão é encarnada pela santa padroeira ou pelobodisatva? Ambos são conceitos religiosos, pois carecem de uma definição clara (ambos estão associados
aos seus respectivos epítetos) para existirem. E quem precisa de conceitos para comungar, se é verdade que a comunhão é assunto do coração e não do raciocínio?
Assim, não estou escrevendo estas palavras para justificar, seja para os outros ou para mim mesmo, minha participação, nem mesmo para justificar a existência própria do evento, mas para
desconstruí-las, para reconhecer que seria lamentável se eu continuasse necessitando de uma justificativa ou explicação, ou que todos os conceitos precisassem se encaixar perfeitamente na minha cabeça.
Digo desconstruir estas palavras porque só depois de concebê-las, paradoxalmente percebi que se continuasse precisando de justificativas para me aproximar de outras pessoas ou para pôr a compaixão em prática é que eu certamente deveria a começar a participar de cerimônias deste tipo, onde dar uma explicação seja tão difícil quanto dar a resposta a um koan, onde a
questão queimasse fundo todos os conceitos e sobrasse apenas a vivência. E, quem sabe, se continuar praticando assim talvez um dia, em vez de apenas me servir, consiga chegar ao nível de ser capaz de varrer o chão para a cerimônia."
Emerson
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Saikawa Roshi varre o templo
Preparando para a distribuição de alimentos a quem quer que passe o Superior para a América Latina, Saikawa Roshi, varre ele mesmo a frente do Templo Busshinji.
Narração de Emerson, foto de Seigen:
"Foi como descrito no e-mail que o monge Genshô nos encaminhou em inglês, algo muito simples e, talvez por isso, muito tocante.
Enquanto os monges -e os participantes que se dispusessem- recitavam o Enmei Jikku Kannon Kyô (uma espécie de ladainha a Kannon em "dez versos", "jikku"), as pessoas iam chegando, ofereciam incenso e pegavam um prato de comida - cereais e salada de repolho, além de um copo de refresco. Havia cadeiras nas calçadas e no alpendre do templo.
Todos os transeuntes eram convidados e muitos aderiam - indigentes, engravatados, estudantes, homens, mulheres, crianças. A estes era dado um papel com os dizeres:
"CERIMÔNIA DE APARECIDA KANNON BOSATSU DA PAZ UNIVERSAL"
A Aparecida Kannon Bosatsu da Paz Universal, eu (nome) ___________ presto homenagens e oro pedindo longa vida, felicidade e saúde; desta forma possamos divulgar e espalhar o bom ensinamento a todos os cantos do mundo, pedindo pela paz universal e desenvolvimento do Templo Busshinji."
(Kannon é a representação budista, em imagem, da compaixão, no budismo japonês usa-se uma forma feminina muito bela.)
No verso havia o "sutra" mencionado acima.Quem quisesse podia colocar o nome no papel e
devolvê-lo.
No mais, a atmosfera era muito acolhedora, ao som da recitação, e senti que era de fato um alimento para o corpo e para o coração. Para mim o sentido da cerimônia era apenas este mesmo: comunhão entre os seres humanos e, neste sentido, tenho a sensação de que cumpriu plenamente seu papel.
Para quem quiser ver fotos, o praticante do Busshinji, Bruno Mitih (Seigen), que é fotógrafo, fez uma ótima cobertura do evento e publicou várias imagens, inclusive dos bastidores, no seguinte álbum:
http://www.flickr.com/photos/8061228@N08/sets/72157602801367002/
Eu também tirei algumas fotos, no meu melhor estilo de não querer sair do lugar para fotografar rsrs, que coloquei aqui:
http://zamprogno.multiply.com/photos/album/27/Aparecida_Kannon_Bosatsu_da_Paz_Universal
Com as mãos em prece,
Emerson"
Narração de Emerson, foto de Seigen:"Foi como descrito no e-mail que o monge Genshô nos encaminhou em inglês, algo muito simples e, talvez por isso, muito tocante.
Enquanto os monges -e os participantes que se dispusessem- recitavam o Enmei Jikku Kannon Kyô (uma espécie de ladainha a Kannon em "dez versos", "jikku"), as pessoas iam chegando, ofereciam incenso e pegavam um prato de comida - cereais e salada de repolho, além de um copo de refresco. Havia cadeiras nas calçadas e no alpendre do templo.
Todos os transeuntes eram convidados e muitos aderiam - indigentes, engravatados, estudantes, homens, mulheres, crianças. A estes era dado um papel com os dizeres:
"CERIMÔNIA DE APARECIDA KANNON BOSATSU DA PAZ UNIVERSAL"
A Aparecida Kannon Bosatsu da Paz Universal, eu (nome) ___________ presto homenagens e oro pedindo longa vida, felicidade e saúde; desta forma possamos divulgar e espalhar o bom ensinamento a todos os cantos do mundo, pedindo pela paz universal e desenvolvimento do Templo Busshinji."
(Kannon é a representação budista, em imagem, da compaixão, no budismo japonês usa-se uma forma feminina muito bela.)
No verso havia o "sutra" mencionado acima.Quem quisesse podia colocar o nome no papel e
devolvê-lo.
No mais, a atmosfera era muito acolhedora, ao som da recitação, e senti que era de fato um alimento para o corpo e para o coração. Para mim o sentido da cerimônia era apenas este mesmo: comunhão entre os seres humanos e, neste sentido, tenho a sensação de que cumpriu plenamente seu papel.
Para quem quiser ver fotos, o praticante do Busshinji, Bruno Mitih (Seigen), que é fotógrafo, fez uma ótima cobertura do evento e publicou várias imagens, inclusive dos bastidores, no seguinte álbum:
http://www.flickr.
Eu também tirei algumas fotos, no meu melhor estilo de não querer sair do lugar para fotografar rsrs, que coloquei aqui:
http://zamprogno.
Com as mãos em prece,
Emerson"
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