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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

As palavras não são a verdade



(Palestra proferida em sesshin em Florianópolis) - Há um trecho do Vajracchedika Sutra, o Sutra do Diamante, que diz: “como este ensinamento deve ser recebido e compreendido? De acordo com o ensinamento do Buda, a perfeição da sabedoria transcendental não é realmente assim. Perfeição da sabedoria transcendental é apenas um nome a estudar. Subhuti, o que pensais? Tem o Tathagata um ensino para enunciar?”. E Subhuti respondeu a Buda: “Honrado pelo mundo, o Tathagata não tem nada para ensinar”. Isso é interessante se nós considerarmos que Buda ensinou durante 40 anos incansavelmente. O que significa então a declaração de Subhuti? Na verdade, todo o ensino e todas as palavras, não são o verdadeiro ensinamento. Ninguém, no Zen, aprende o que precisa realmente aprender ouvindo. Esse ensinamento não passa de um dedo apontando para a Lua. O dedo não é a Lua e você não pode confundi-lo. O ensinamento apenas aponta e ele é tão falho que é impossível pegar a experiência real através de ouvir palavras. Por isso, Buda diz: “depois de dizer essas palavras, eu as retiro” constantemente nos Sutras. No fundo são apenas palavras, não são a verdade. Lua é só um nome, não é a Lua mesmo. Nós é que convencionamos que a palavra Lua significa a Lua que vemos. (Continua)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Cortar as ilusões



Gostaria de destacar um Sutra muito importante, o do Diamante, que pertence à coleção dos Prajnaparamita Sutras. O Sutra do Coração da Grande Sabedoria, é um resumo da essência dos Prajnaparamitas, que constituem aproximadamente 600 volumes. Alguns desses volumes são muito curtos e o Sutra do Coração é apenas um desses volumes, ou pergaminhos. Mas vamos estudar o Vajracchedika, que quer dizer diamante. Este é o Sutra que corta as ilusões. Esse texto foi traduzido para o português por Cláudio Miklos, que é o Monge Komyô. Os Sutras começam fazendo algumas considerações sobre o contexto em que Buda estava vivendo. Naquela época, Buda residia no Parque Anathapindika, em Sravasti, com uma grande comunidade de bikkus, que é como são chamados os monges. “Havia cerca de 1250 bikkhus e num dia, na ocasião do desjejum, o honrado pelo mundo colocou seu manto e, levando sua tigela, tomou o caminho para a grande cidade de Sravasti para pedir seu sustento. Ao chegar à cidade ele foi de porta em porta, de acordo com a regra, sem pular nenhuma delas, pedindo alimento. Isto feito, ele se alimentou, lavou seu manto, a tigela, os pés, tomou seu assento e acomodou-se”. Essas considerações iniciais são feitas para nos contextualizar em um Buda homem, tendo necessidades comuns de um homem e fazendo atividades de um monge. O objetivo é mostrar que Buda não é um ser extraordinário, transcendental, que anda acima do chão. Buda é um homem como cada um de nós, que precisa comer, se vestir, lavar os pés e isso é essencial para a compreensão do budismo. Isso é maravilhoso porque mostra que um homem comum pôde se iluminar e se ele pôde despertar, nós também podemos. (Continua)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Por que "Sutra do Diamante" ?



Diamante porque este é a substância mais dura, que corta todas as outras, o Sutra do Diamante que corta todas as ilusões.

Trecho:
"Assim deverias olhar o mundo temporal das coisas do ego:

"Como uma estrela que cai, ou como Venus eclipsada pela aurora,
uma bolha em uma correnteza, um sonho,
A chama de uma vela que bruxoleia e se apaga."