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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Buscando o Grande Mestre


Um dia, um jovem chamado Yang Fu deixou sua família e lar para ir a Sze-Chuan visitar o Bodhisattva Wu-Ji. Ele sonhou que junto àquele mestre poderia encontrar um grande tesouro de sabedoria. Quando já se encontrava às portas da cidade, após uma longa viajem cheia de aventuras, encontrou um velho senhor. Este lhe perguntou:
"Onde vais, jovem?"
"Vou estudar com Wu-Ji, o Bodhisattva." - respondeu o rapaz.
"Em vez de buscar um Bodhisattva, é mais maravilhoso encontrar Buddha."
Excitado com a perspectiva de encontrar o Grande Mestre, disse Yang Fu:
"Oh! Sabes onde encontrá-lo?!"
"Voltes para casa agora mesmo. Quando lá chegares, encontrarás uma pessoa usando uma manta e chinelos trocados, que lhe cumprimentará. Essa pessoa é o Buddha."
O rapaz pensou, aterrado: "Como posso retornar agora, quando estou às portas do meu objetivo? Eu teria que confiar muito no que este simples velho me diz". Então Yang Fu teve uma forte intuição de que aquele simples homem à sua frente era alguém de grande sabedoria. Num impulso, voltou-se para a estrada, sem jamais ter encontrado Wu-Ji. Ele retornou o mais rápido que pode, ansioso pela vontade de encontrar Buddha. Chegou em casa tarde da noite, e sua amorosa mãe, em meio à alegria e pressa de abraçar o filho que retornava ao lar, cobriu-se de uma manta usada e calçou seus chinelos trocados.
Olhando para sua mãe desse modo, que vinha sorrindo e pronta a abraçá-lo, Yang Fu atingiu o Satori. Este era o maior tesouro.

178 histórias zen

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Em busca do mestre

Trecho de excelente texto do Prof. Tam Huyen Van, seus escritos são um manacial de profundas análises sob a ótica do zen (Thien em Vitnamita):


"Assim, o que estamos buscando realmente? O que desejamos do mestre? Na verdade, todos queremos um pai. Até porque a mãe, mesmo a mais fria e cruel, não pode nos negar o fato de que habitamos seu útero, e com ela compartilhamos carne e sangue. Mas o pai... onde está nosso pai? Como atingi-lo, tocá-lo em sua intimidade, ser uno com ele? Onde está o útero paterno dentro do qual podemos nos forjar homens e mulheres íntegros e sábios? Eis o porque da busca pelo mestre ser uma busca de natureza yang, masculina, criativa; de uma certa forma buscamos a comunhão com o pai, queremos conhecer um modo de também unir nossa carne e sangue com a face masculina da vida. Pois apesar da aparente ditadura paternalista das sociedades humanas, somos muito mais órfãos do toque firme das sábias mãos paternas do que do suave embalar do amoroso colo materno. Por que? Porque a Mulher se define em si mesma, é íntegra em sua profunda união com a terra, é a representação da Raiz do Mundo. Mas o Homem se perde em muitas batalhas, está sempre imerso em uma peregrinação eterna para encontrar sua própria tradução, representa o inefável e fugidio Coração do Céu. Sempre temos a Grande Mãe próxima de nossas mãos e corações; já o Grande Pai, este temos de alcançar por esforço próprio, pois jamais estará no mesmo lugar duas vezes; o mestre não nos espera, ele caminha pela margem do rio, apontando sempre para a verdadeira meta: a margem oposta. Realmente, o Pai se move por caminhos misteriosos...

Mas quando esta constatação nos escapa, quando o vinho do místico não atinge nossos lábios com a força necessária, esquecemos o sentido da busca e queremos apenas um mestre que corrobore nossas metas, que nos diga aquilo que queremos ouvir, e que seja como nossas fantasias pessoais imaginam. Na tradição Taoísta, assim como na Zen-buddhista, há uma importante lição sobre o mestre, lição esta que aprendi no início de minha prática e que se provou completamente pertinente ao longo de meus anos de estudos e esforços: quase sempre subestimamos o verdadeiro mestre."

Íntegra aqui:

http://tamhaovan.multiply.com/journal item/35/Em_Busca do Mestre

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Exemplo verdadeiro

Aprendi, com o tempo, que não devemos tentar falar sobre o zen, exceto em pílulas...só devemos responder quando perguntados e ainda assim evitar qualquer debate, o Dharma só deve ser dado num ambiente de respeito e no qual o buscador faz algum esforço. Em família é muito melhor quando o praticante se transforma, nada é mais poderoso do que um exemplo verdadeiro.