Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A prática individual e a coletiva se completam




Observação de aluno - A gente começa a entender o mundo diferente também quando começa a querer ler os textos e tentar entender o Zen e essas coisa do não eu. Quando lemos em conjunto para tentar entender, tem uma hora que de tanto tentar entender intelectualmente a coisa passa a não ser mais viável (...) acho que tem que ser mais natural, se a gente fica muito intelectualizando, tentando discutir teorias, nos perdemos.

Monge Genshô – Nós devemos ler, mas discutir não vai ajudar. Mesmo na Sangha (comunidade) quanto menos as pessoas tentam impor uma opinião melhor. Eu penso isso ou eu penso aquilo, isso não é muito útil. Por isso no sesshin uma prática muito importante é o silêncio, não falar.

Observação de outro aluno - Posso falar pela experiência de um grupo de prática em Florianópolis, sem professor. Tínhamos um grupo e um professor, só que ele não morava em Florianópolis. E o grupo começou com as pessoas tentando sozinhas(...)basicamente o grupo se reunia para o zazen. E tentamos fazer disso o ato mais recorrente possível, nós tínhamos três reuniões semanais com o grupo, e nós tínhamos muitos praticantes, no zen quatro praticantes já é demais, chegamos a ter um grupo de dezoito e todos tinham um comprometimento muito forte pela prática, a prática diária de uma pessoa parece que não tem muita força, parece que quando se senta sozinho falta alguma coisa , mas se o grupo se reúne constantemente ele se fortalece. Nós sentávamos quarenta minutos, líamos um texto e tomávamos chá, essa era a prática. E tentávamos a cada três meses trazer o Monge Genshô para fazer um retiro, fora isso começamos a criar atividades, fazíamos zazenkai (...)mas se vocês se reunirem e chamarem professores do Dharma com certeza eles virão até vocês, mesmo estando longe. A prática é uma coisa muito forte, a prática individual e a coletiva se completam.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tathagata


Tathagatha é um dos nomes de Buda.
Vamos falar pouco sobre as motivações originais de Buda, porque suas motivações originais são as motivações de todos nós. Quando paramos para pensar, aqueles que pensam mais profundamente se perguntam se a vida é só isso. Uma vez vi uma criança perguntar “Por que eu caí nesse mundo?” Se refletirmos um pouco, nos daremos conta de que precisamos de um sentido e de um valor para a vida; se achamos que nossa vida não tem um significado, nos sentimos perdidos e deprimidos. Parece que a depressão é um dos grandes males de nossa era, porque, repentinamente, a pessoa tem a impressão de que sua vida não tem significado e que não faz sentido viver.
Nós não podemos ser somente uma máquina de processamento de alimento, uma fábrica de adubos. Este não pode ser esse o único sentido da existência. Surge, então, a necessidade de divertir-se, de distrair-se ou de entreter-se. Estas expressões são usadas a todo o momento, como se isso desse sentido à vida. Saímos, vamos a festas, bebemos e conversamos, para nos transformarmos em pessoas alegres, e de alguma maneira, nos sentirmos vivos. Isso pode ser embriagador durante algum tempo, mas, depois, vem um grande sentimento de vazio, de solidão; nos sentimos perdidos. Procuramos então amores, para buscar dar significado à vida. De novo, em vez de o significado da vida estar dentro da pessoa, ele está no outro. Como procuramos em outra pessoa o significado da nossa vida, em algum momento, inevitavelmente, haverá sofrimento e infelicidade. O outro não pode ser suficiente, pois ele também tem suas demandas, e também os amores acabam, e na melhor das hipóteses, a morte nos separa.
Todas essas considerações ocorreram a Buda. Embora ele fosse um homem rico, filho de um pequeno rei em um pequeno principado e tivesse tudo como membro da classe dominante: tinha mulheres, comida, palácio, empregados, enfim, tinha todos os confortos que se poderia ter um homem em sua posição. Mesmo tendo tudo isso, Buda se perturbou com o fato de haver velhice, doença e morte. Sabendo disso, ele se questionava sobre o significado de sua existência naquele palácio, com sua esposa, seu filho, nas artes de guerra que havia aprendido. Buda era da classe Kshatriya, uma classe de guerreiros imediatamente abaixo dos Bramanes. Ele não conseguia ver significado na sua existência, em uma vida que terminava, inevitavelmente, em velhice, doença e morte, pois, sendo assim o fim, tudo o que fizermos parece vão.
.....................
Início de nova palestra de Monge Genshô publicada no site www.daissen.org.br na secção "textos", íntegra clique aqui

terça-feira, 12 de julho de 2011

Todatsu Shinbun - numero 4



Abaixo o início do texto de Lucas Seigaku a ser publicado no jornal da Sangha, você poderá acessa-lo no link ao final, assim como os numeros anteriores:



"T ê n u e Tr a n s m i s s ã o



Por: Lucas Seigaku
Imagine a seguinte chamada de um jornaleco sensacionalista: “Lavador de arroz analfabeto recebe Transmissão; funcionários e monges furiosos com comportamento do abade”. Em poucas palavras, treze séculos atrás esta foi a história de Dajian Huineng (Daikan Enō), o sexto ancestral do chan (zen) na China. Sua conclusão – incluso o belo poemeto-réplica de Enō - deixo como tarefa de casa. Adianto apenas que,para fugir dos monges enfurecidos, ele escondeu-se na casa de um caçador durante uns bons anos, depois de ter recebido, no meio da noite densa, o manto e a tigela do velho abade, Daman Hongren (Daiman Kōnin), juntamente com um conselho: "Desde tempos antigos atransmissão do Dharma é tênue como um barbante frouxo. Vá embora, rápido."
Enō viveu perto dos 80 anos, aprendeu a ler e a escrever e tornou-se um poeta e calígrafo renomadíssimo, além de um mestre zen prolífico.Algumas de suas obras sobrevivem quase intactas até os dias de hoje, e ele próprio é relembrado por nós, mesmo que brevemente, na nossarecitação das dezenas e dezenas de nomes da “Linhagem”. Sua história, com um gostinho de conto de fadas misturado com piada, é somente uma dentre várias: histórias que misturam angústia com despertar, sofrimentos e grandes alegrias, histórias de pessoas muito próximas de nós mesmos."

Íntegra aqui:

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Kenshô



Pergunta: Então o kensho é um pequeno momento sem ego?
Resposta: Uma boa explicação é o termo experiência mística. Realmente não tem ego, existe uma sensação de unidade e quando você pensa “eu”... pronto, perdeu. Na primeira consideração, o primeiro pensamento o kensho se esvanece. No pensamento de contar sua experiência, pronto, já se foi. “Não posso perder essa sensação”, mas ela se foi. É frágil e não muda sua vida. Você continua o mesmo, só tem a memória da
experiência. Na realidade é um momento de iluminação. Só que você não é proprietário dele. Assim como veio, foi. Enquanto que no satori, você pode recuperar essa sensação a qualquer instante. Você é proprietário. As drogas dão sensações que duram um tempo limitado e a pessoa não é proprietária delas e ainda tem inúmeros problemas associados, como o vício e a própria destruição. Você não pode mais se libertar. É o oposto do que estamos falando. Estamos falando de libertação. Nós podemos até dizer que as pessoas que têm algum tipo de experiência no zen sentem uma espécie de vício no zazen. É tão bom o que você começa a obter que você não pode mais parar de praticar. Se parar, você se sente entristecido. Mas isso dá trabalho, você tem que sentar, não é como tomar uma droga. Então, é bem diferente.



O texto integral da palestra "Os dez passos em busca do boi" está publicado no site Daissen em duas partes.



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Encontrando as pegadas


O segundo passo é "Encontrando as pegadas". “Praticando o zazen e lendo a literatura se adquiri certa compreensão, ainda que, todavia, não se haja experimentado o kensho, uma experiência mística. Na primeira etapa, quando se começa a busca, pode haver duvidado se poderia alcançar o objetivo olhando nessa direção, mas agora tem confiança que se seguir esse caminho alcançará sua meta.” Encontrar as pegadas é encontar uma prática espiritual que tem algo a ver com a gente, com o qual temos conexão, então surge a confiança que posso seguir naquele caminho e chegar a algum lugar. O comentário de Sekida para esse dois passos é que “começar a buscar o boi é qdo o principiante se inicia em como sentar-se, em como regular a respiração e a atividade mental. Nesse estágio ele é ingênuo, submisso e intensamente impressionável, o som do sino chega absolutamente puro e parece que penetra profundamente em seu coração purificando-o, todas as coisas criam em sua mente
uma forte impressão, até um leve movimento da mão, ou dar um passo, tudo ele faz com
gravidade e isso é muito importante e precioso mesmo que ele não possa se dar conta disso, é superior a um kensho pobre e comum.
Essa devoção do principiante não deveria perder-se nunca, mas desgraçadamente muitos estudantes a perdem mais tarde, substituindo-a por alguns de seus logros meritórios e dessa forma começam a se dar muita importância”. A primeira coisa é quando o praticante aprende algo, daí quer mostrar que sabe, quer mostrar que sabe para os novatos, para o professor, quer sempre mostrar que sabe alguma coisa, não se pode lhe ensinar nada sem que ele acrescente algo pra mostrar que sabe – Áh, isso eu já sei – isso é ter perdido sua inocência, a sua mente de principiante, ele sente-se um veterano. “Por isso uma instrução importante é não mostre que sabe, ao estudante do zen se pede que abandone a religião dos méritos, para entrar na de nenhum mérito”. Isso pode ser percebido na pratica. Um principiante quando realiza uma tarefa ou cerimônia e erra, não se importa muito com isso por que ele sabe que pode errar, ao passo que quem perdeu a inocência envergonha-se por ter errado, ou justifica-se pelo erro , ou fica chateado pelo erro.
Os comentários de sekida para o segundo passo; "quando a pratica do zazen começa a
encaminhar-se, ou seja, o primeiro passo, encontrando as pegadas, ele vê como a mente
começa a aquietar-se e, vê agora com surpresa, que durante todo o tempo seu estado
mental normal era revolto e agitado e não se dava conta disso, começa a perceber que tem estado sofrendo de um vago e inquieto sentimento cuja origem não conseguia precisar.
Porem, agora que pratica zazen se acha livre desse estado em grande medida, vê que o
zazen pode ser um meio de aquietar uma mente preocupada. Quando deu começo a pratica
na simples técnica de contar a respiração, ficou perplexo ao ver que não era nada fácil, mas depois de esforços tenazes vai sendo capaz me manter focada sua mente dispersa e gradualmente começa a por em ordem a atividade de sua consciência, se dá conta que uma nova dimensão mental começa a atuar, mas ainda esta longe de experimentar um kensho genuíno. Quando começamos no zazen, esse segundo estagio pode demorar muito tempo, por que basta que nos sentemos em zazen e nos acostumemos a nos distrair, a pensar, a viajar para trás e para frente e podemos continuar fazendo isso durante anos, sentar em zazen para se acalmar, mas a mente viaja pra frente e pra trás e nós deixamos e não conseguimos ficar no momento presente só ouvindo os sons, só entrando em samadhi, em concentração, por isso que a primeira prática é conseguir um estado de samadhi, sentar e ficar aqui, pegar a mente viajante e a cada instante trazer de volta, isso é muito difícil. Então não basta sentar quieto, é
necessário esse esforço mental, uma luta real pra trazer de volta, trazer de volta, trazer de volta, estar aqui, estar aqui, não se deixar distrair, no sesshin é o melhor momento, pois repetimos um zazen após outro.

(Monge Genshô, texto decupado da gravação de palestra por Ápio San, ainda carente de revisão para transformação em texto escrito.)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Unidade - Texto de Flávio Joshin

" ...Cada vez mais percebo que crescemos juntos,

eu sou você e você sou eu,

sem você eu não seria,

sem mim você não é,

e é assim com todas as coisas.

Só o que existe é está profunda Unidade,

toda a vida do universo é um único todo resplandecente,

além de toda compreensão racional.

Só nos cabe caminhar a cada passo.

Estamos bem, na sangha,

com excelentes amigos,

amparados pela prática.

Então estou muito contente com tudo,

o que quer que aconteça,

temos que aceitar.

..." Joshin - 17/09/2007

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Em busca do mestre

Trecho de excelente texto do Prof. Tam Huyen Van, seus escritos são um manacial de profundas análises sob a ótica do zen (Thien em Vitnamita):


"Assim, o que estamos buscando realmente? O que desejamos do mestre? Na verdade, todos queremos um pai. Até porque a mãe, mesmo a mais fria e cruel, não pode nos negar o fato de que habitamos seu útero, e com ela compartilhamos carne e sangue. Mas o pai... onde está nosso pai? Como atingi-lo, tocá-lo em sua intimidade, ser uno com ele? Onde está o útero paterno dentro do qual podemos nos forjar homens e mulheres íntegros e sábios? Eis o porque da busca pelo mestre ser uma busca de natureza yang, masculina, criativa; de uma certa forma buscamos a comunhão com o pai, queremos conhecer um modo de também unir nossa carne e sangue com a face masculina da vida. Pois apesar da aparente ditadura paternalista das sociedades humanas, somos muito mais órfãos do toque firme das sábias mãos paternas do que do suave embalar do amoroso colo materno. Por que? Porque a Mulher se define em si mesma, é íntegra em sua profunda união com a terra, é a representação da Raiz do Mundo. Mas o Homem se perde em muitas batalhas, está sempre imerso em uma peregrinação eterna para encontrar sua própria tradução, representa o inefável e fugidio Coração do Céu. Sempre temos a Grande Mãe próxima de nossas mãos e corações; já o Grande Pai, este temos de alcançar por esforço próprio, pois jamais estará no mesmo lugar duas vezes; o mestre não nos espera, ele caminha pela margem do rio, apontando sempre para a verdadeira meta: a margem oposta. Realmente, o Pai se move por caminhos misteriosos...

Mas quando esta constatação nos escapa, quando o vinho do místico não atinge nossos lábios com a força necessária, esquecemos o sentido da busca e queremos apenas um mestre que corrobore nossas metas, que nos diga aquilo que queremos ouvir, e que seja como nossas fantasias pessoais imaginam. Na tradição Taoísta, assim como na Zen-buddhista, há uma importante lição sobre o mestre, lição esta que aprendi no início de minha prática e que se provou completamente pertinente ao longo de meus anos de estudos e esforços: quase sempre subestimamos o verdadeiro mestre."

Íntegra aqui:

http://tamhaovan.multiply.com/journal item/35/Em_Busca do Mestre