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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Por que você está aqui



Pergunta – O senhor falou sobre a construção do carma, mas o meio em que vivemos, direta ou indiretamente também não é responsável pela construção deste carma?

Monge Genshô – Não. Você já está neste meio em razão de seu carma. Já fez parte de seu caminho. O meio nos ajuda ou atrapalha, porém, você tem uma grande capacidade de escolha. Por exemplo, hoje, em vez de estar aqui você poderia estar num boteco bebendo. Você é livre e escolhe seus companheiros. Nós escolhemos o nosso mundo. Não podemos dizer que vivemos e agimos de determinada maneira porque nascemos em determinado país.

Pergunta – Eu falo até em razão disso mesmo que o Senhor disse, a oportunidade que temos, nessa cidade, nesse bairro e com estas pessoas. Isso é muito raro. Eu moro em uma cidade distante de Florianópolis e as pessoas de lá não têm essa oportunidade.

Monge Genshô – Mas você pode montar um grupo de estudos em sua cidade e propiciar a prática para as pessoas de lá. Vocês podem sentar para meditar e ler textos. Temos grupos assim em várias cidades e estados do país. Em Joinville me mandaram uma foto com o texto: “Sentamos em Zazenkai”. E havia três pessoas. Isso é o Dharma funcionando. Isso é um gesto admirável, entendo bem como é isso, pois em Porto Alegre muitas vezes me sentei sozinho. As pessoas não desejam ir para onde as ilusões lhes são tiradas e sim onde exista uma grande oferta de compensação. Se oferecer milagres então, é certeza de casa cheia. Como o Zen não faz esse tipo de oferta, sempre há poucas pessoas. Nós precisamos de pessoas que facilitem o ensino do Dharma. Não é necessário muita coisa, apenas um espaço com almofadas e muita disposição para sentar, inclusive sozinho. Conta-se que Bodhidharma ficou tanto tempo sentado sozinho em uma caverna que a parede da caverna ficou com a marca de sua sombra.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Lá é meu mosteiro


Vimalakirti

(Monge Genshô) - Esta é a história de Vimalakirti, um famoso comerciante discípulo de Buda. Ninguém podia vencê-lo em debate. Os discípulos de Buda o encontraram, quando iam para o mosteiro, e perguntaram a ele, que vinha após ter visitado Buda:
- Aonde vais, Vimalakirti?
Respondeu: Vou para o mosteiro.
– Para o mosteiro? Mas a direção que você vai é a da cidade!
E Vimalakirti, calmamente, disse:
- Sim. Lá onde eu trabalho é que estão as pessoas que sofrem, precisam de empregos, de ajuda e ensinamentos, lá precisam de mim. Lá é meu mosteiro.

(Monge Genshô) - Entendeu?
- Não sei... então o comerciante era melhor que os monges ascetas?
(Monge Genshô) - Este é o budismo Mahayana e tem uma forte corrente laicizante. Este Sutra (diálogo acima) de Vimalakirti deve ser datado de depois do séc I e reflete uma postura mais aberta à sociedade como um todo. O zen moderno tem isto bem marcado, seus monges não são, em sua maioria, ascetas. Respondendo à pergunta, o “Sutra” realmente exalta o leigo Vimalakirti.
- Então Vimalakirti é um modelo para o senhor?
(Monge Genshô) - Para qualquer um que queira conciliar o Dharma (vida espiritual) com a vida profana, é sim um grande modelo.