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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Corpo e mente estão ligados


Aluno – Monge, tenho um questionamento que venho pensando há algum tempo sobre a diferença entre o corpo e a mente. Eles andam juntos, mas o corpo e a mente são a mesma coisa ou estão separados? Isso é muito confuso para mim…    

Monge Genshô – Nós separamos as coisas com palavras na tentativa de entendê-las. Nosso corpo e nossa mente estão intrinsecamente ligados. Se você ficar com febre, irá se sentir mal, bastante impaciente e vai querer sair daqui, ir para casa deitar e dormir. Sua mente será diretamente atingida pela doença do seu corpo. Por outro lado, se você tiver uma mente com raiva e sentir ódio de alguém, seu coração vai bater mais rápido, você vai ter adrenalina circulando, etc. Se você sentar em zazen e começar a pensar em uma situação de briga, sentirá as consequências. Seu corpo estará parado, mas sua mente agitada. Seu corpo, portanto, está ligado à sua mente, eles não podem ser considerados separados.

Por isso nós usamos o corpo para controlar a mente. Nós aquietamos o corpo e isso ajuda a aquietar a mente. Não adianta você dizer: “ah, eu quero ter uma boa mente”, mas vive agitando o corpo todo o tempo sem parar, ou com fones de ouvido com música bem alta, balançando as pernas e pensando: “o que vamos fazer agora?”. Eu fui pegar um parente no aeroporto e ele disse: “E aí, qual é o programa?”. Eu disse: “não tem programa…nós vamos chegar em casa em uma reunião de família, quando sentirmos fome colocamos a mesa, comemos, conversamos, se tiver um tempo bom podemos sair para caminhar, ir à praia… não tem programa”. Para ele aquilo é muito difícil. Ele estava com as costas muito tensas, pois trabalhava em uma empresa muito competitiva. Tentei levá-lo para o zendo em casa. “Suas costas estão terríveis, vou bater um pouco com o kyosaku (bastão zen)”. Ele deve estar contando a história até hoje. Na realidade, ele tinha que tratar o corpo, que estava tão atingido por essa tensão constante porque a mente dele está constantemente turbulenta.

A maioria das pessoas está vivendo um sonho assim, um sonho agitado e de grande ilusão. Então não conseguem aproveitar e viver a vida. Meu mestre, Saikawa Roshi, diz assim: “Enjoy your life”, aproveite a vida. Mas o que é aproveitar a vida? Ah, vamos sentar no jardim e conversar um pouco. Vamos regar as plantas… Mas nunca, até hoje, eu recebi um Monge na minha casa que tenha dito assim: “E ai, vamos ver televisão?” Isso é bastante interessante. Isso diz muito sobre o que o treinamento budista acaba fazendo. Não estou dizendo que não podemos ver televisão, mas o que você está vendo? Por que está vendo? O que pretende com isso? Quer enriquecer sua vida? Hoje temos canais apenas com concertos e coisas assim, mas suponho que eles tenham tido grandes dificuldades para vender isso. Não é o que parece lógico para as pessoas, assistir um concerto ou uma missa. É coisa de louco!

Durante toda a história do Budismo, muitos mestres foram considerados pessoas loucas no seu tempo. Ryokan é um dos mestres mais interessantes. Ele viveu há uns 200 anos atrás. Grande poeta e calígrafo. Filho de um político, ele retirou-se e foi viver em uma cabana que tinha quatro tatames. Significa que a cabana tinha mais ou menos 4x2m. Esta era o espaço onde ele vivia. Este poeta e calígrafo muito famoso, Ryokan, estava um dia em sua cabana catando piolhos e colocando em uma folha de papel. E estava muito frio, por isso Ryokan pensou “Ah, eles vão passar frio!” e os recolocou na cabeça. Perfeitamente louco não é?  Muito maravilhosa a atitude de Ryokan.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Concerto pelo Japão - Florianópolis



Ola, eu sou Masami Ganev, a Japonêsa, a cantora lírica da cidade de Florianópolis.

Como vocês sabem, ocoreu no dia 11 de Março, um catástrofe na minha terra Japão.

Passei três dias chorando, e procurando com meus parentes e amigos. (Minha família está bem. Só resolveram fugir do confusão que está dando na região metropolitana de Tokyo . Estão na casa dos parentes no sul do Japão)

Uma amiga que passou por terremoto de Kobe do 1995, falou pra min. "É só fazer o que você pode fazer." Aí, pensei em min, decidi fazer recital de canto e piano com o pianista Alberto Heller. Depois o apoio cresceu e cresceu, em uma semana ficou uma coisa bem bacana. Um concerto de musica erudita de variedade.

No programa, alem do maravilhoso e famoso pianista Alberto Heller, vai ter os solistas da Camerata Florianópolis. Também terá participação do coro profissional Polyphonia Khoros no qual faço parte já uma década.

Penso em eu cantar canções japonesas, umas arias de ópera bem famosa, e uma peça solo do Alberto, outra peça solo do violinista Oliver Yatsugafu que acabou de terminar o doutorado pela Universidade da Geórgia (EUA), Duetto da brilhante jovem violinista Waleska e do violoncelista Anderson que chegou recentemente da europa após anos de estudo e concertos. Também terá famosa ária de Habanera de Carmen, até emocionante Lacrimosa do Requiem de Mozart.

Esse concerto funciona assim, você compra ingresso de 30 reais no qualquer ponto de venda citado no cartaz, e tem direito de assistir um concerto de qualidade. E 100% do valor do ingresso vai para os afetados através da cruz vermelha. (Você poderá conferir comprovante de depósito no website do Jurerê Classic posteriormente).

Para que isso aconteça, muita gente está trabalhando voluntariamente. Todos músicos, pessoas da produção, ninguém terá um centavo de remuneração.

Aqui vai o cartaz maravilhoso que a talentosa Mariana Barardi ofereceu fazer voluntariamente. Jurerê Classic vai arcar com o custo do impressão de cartaz que não foi barato. Mas acho fundamental para o sucesso do concerto.

Isso tá me dando muito trabalho. Minha família aqui tá praticamente abandonada. Mas mesmo assim faço. Porque quando vejo pessoas passando frio e fome depois de perder a casa, terreno, e sua família. Me dá uma força dentro de mim muito grande. E meu esforço não é nada comparado ao sofrimento que muitos japoneses estão tendo.

Quer ajudar os afetados?? Vamos???

Conto com seu apoio, divulgue e compareça!
Beijos e obrigada novamente!
Aguardo vocês no concerto!!!

Masami Ganev
ganev@terra.com.br
Cel.8822-4432


www.nipocultura.com.br
A cultura japonesa ao seu alcance

domingo, 22 de abril de 2007

A imprensa privilegia a violência?

Não se trata disto, é cômodo para a sociedade acusar a mídia, mas esta é pautada por sua necessidade de vender espaços publicitários. Estes tanto mais valem quanto mais Ibope houver. Desta maneira são os assistentes que criam indiretamente a programação.

Assim o que pauta as empresas de comunicações é a audiência, as notícias que produzem mais audiência são as que são veiculadas. Se todos desligassem suas tvs quando a programação é violenta tudo mudaria. Não é a imprensa que gera o modo do noticiário, é o público comprador. O budismo sempre ensina que somos nós que plasmamos o mundo, não o contrário.

Da mesma forma se todos ligassem a TV Senado para assistir "Quem tem medo de música clássica?" este programa de concertos iria para o lugar do Big Brother na TV paga. (TV Senado, 10h dos sábados)