Mostrando postagens com marcador tsunami. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tsunami. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Porque as ideologias fracassaram

                               China impõe seu conceito de "felicidade" aos monges tibetanos



Pergunta – Esse “eu” a que o senhor está se referindo é, digamos, quem produz nossa personalidade humana, a parte humana material que existe dentro da gente, uma vez que ainda não atingimos a parte espiritual...

Monge Gensho – Esse “eu” é tudo isso. Tudo isso são atributos deste “eu”. Mas não existe um “eu” para atingir algo. Quando afirmamos: “Meu ‘eu’ vai atingir a espiritualidade”, também isso é um engano. É justamente por acreditar no meu “eu”, que não me tornarei espiritualizado. Esse é um erro até econômico, como vimos no século vinte, onde grandes ideologias surgiram tentando levar o homem a uma espécie de felicidade.

Inevitavelmente, todas as tentativas de criar felicidade através de um sistema ou de uma ideologia, fracassaram. Porque o que sempre vimos foi que quando um pequeno grupo de pessoas conseguia o poder e acumulava privilégios, ficando em melhor situação que os outros, este grupo começava a ter coisas que os outros não tinham. Essa é a historia dos nossos últimos cem anos. Esses grupos que tomavam o poder sempre degeneraram no uso de todos os artifícios possíveis para conservarem seu privilegiado status quo. Essa é a história dos sistemas de felicidade, não importando serem de direita ou de esquerda, ou de qualquer outra ideologia; não existe exceção. Só o que houve foi a criação de nomenclaturas, aristocracias, partidos únicos, partidos dominantes e ditadores cruéis, todos querendo manter o poder para seu grupo a qualquer custo, mesmo de corrupção. Essa é nossa história, porque os “eus” e o egoísmo superaram sempre todas as ideologias e sonhos. O budismo diz há dois mil e seiscentos anos que “a solução para a felicidade começa dentro do homem, e não fora dele”. Na verdade, qualquer sistema funcionaria maravilhosamente bem se não fosse o egoísmo.

A esse respeito, me foi enviada uma notícia muito interessante que falava de um grupo de idosos japoneses que se ofereceu para limpar Fukushima, que está radioativa. Como a radiação provocará câncer e morte em vinte anos, eles se ofereceram para limpar a cidade, pois morrerão, muito provavelmente, antes disso. Tenho dito desde aquele acontecimento do tsunami, que a influência do budismo no Japão transparece nos valores da sociedade. Foi essa larga influência que criou um comportamento diverso. Pessoas em fila, em ordem, sem tumultos, todos aceitando sua cota, sem saques ou roubos. Ao invés dos preços aumentarem nos mercados, os donos decidiram baixá-los para que todos pudessem adquirir alimentos e bens essenciais. Essa é a confirmação de que uma sociedade com menos egoísmo funciona melhor. Não importa qual seja o sistema, importam as atitudes individuais. Em outros países em que já aconteceram desastres semelhantes, a primeira coisa que ocorre são os saques, pessoas correndo com televisores nas costas, arrebentando vitrines e carregando o que podem. Ainda levaremos bastante tempo para educar estes povos.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tooro Nagashi em Florianópolis




Dia 11 de março, foi realizada em Florianópolis a cerimônia de Tooro Nagashi pela Wakamiya-Maru, em memória às vítimas do Terremoto seguido de Tsunami ocorrido no Japão, no ano passado.
O lançamento de pequenas lanternas flutuantes luminosas foi feito no canal da Barra da Lagoa, às 20h, enquanto monges budistas da Comunidade Zen Budista de Florianópolis entoavam sutras.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Japão e a influência do budismo no comportamento


JAPÃO - por Monja Coen Sensei


Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras.

A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima.

A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas.

Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.
Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo.

Sumimasen. Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.

O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico.

As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a meditar, a ter confiança, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)

Monja Coen

quarta-feira, 23 de março de 2011

Concerto pelo Japão - Florianópolis



Ola, eu sou Masami Ganev, a Japonêsa, a cantora lírica da cidade de Florianópolis.

Como vocês sabem, ocoreu no dia 11 de Março, um catástrofe na minha terra Japão.

Passei três dias chorando, e procurando com meus parentes e amigos. (Minha família está bem. Só resolveram fugir do confusão que está dando na região metropolitana de Tokyo . Estão na casa dos parentes no sul do Japão)

Uma amiga que passou por terremoto de Kobe do 1995, falou pra min. "É só fazer o que você pode fazer." Aí, pensei em min, decidi fazer recital de canto e piano com o pianista Alberto Heller. Depois o apoio cresceu e cresceu, em uma semana ficou uma coisa bem bacana. Um concerto de musica erudita de variedade.

No programa, alem do maravilhoso e famoso pianista Alberto Heller, vai ter os solistas da Camerata Florianópolis. Também terá participação do coro profissional Polyphonia Khoros no qual faço parte já uma década.

Penso em eu cantar canções japonesas, umas arias de ópera bem famosa, e uma peça solo do Alberto, outra peça solo do violinista Oliver Yatsugafu que acabou de terminar o doutorado pela Universidade da Geórgia (EUA), Duetto da brilhante jovem violinista Waleska e do violoncelista Anderson que chegou recentemente da europa após anos de estudo e concertos. Também terá famosa ária de Habanera de Carmen, até emocionante Lacrimosa do Requiem de Mozart.

Esse concerto funciona assim, você compra ingresso de 30 reais no qualquer ponto de venda citado no cartaz, e tem direito de assistir um concerto de qualidade. E 100% do valor do ingresso vai para os afetados através da cruz vermelha. (Você poderá conferir comprovante de depósito no website do Jurerê Classic posteriormente).

Para que isso aconteça, muita gente está trabalhando voluntariamente. Todos músicos, pessoas da produção, ninguém terá um centavo de remuneração.

Aqui vai o cartaz maravilhoso que a talentosa Mariana Barardi ofereceu fazer voluntariamente. Jurerê Classic vai arcar com o custo do impressão de cartaz que não foi barato. Mas acho fundamental para o sucesso do concerto.

Isso tá me dando muito trabalho. Minha família aqui tá praticamente abandonada. Mas mesmo assim faço. Porque quando vejo pessoas passando frio e fome depois de perder a casa, terreno, e sua família. Me dá uma força dentro de mim muito grande. E meu esforço não é nada comparado ao sofrimento que muitos japoneses estão tendo.

Quer ajudar os afetados?? Vamos???

Conto com seu apoio, divulgue e compareça!
Beijos e obrigada novamente!
Aguardo vocês no concerto!!!

Masami Ganev
ganev@terra.com.br
Cel.8822-4432


www.nipocultura.com.br
A cultura japonesa ao seu alcance

sábado, 12 de março de 2011

Notícias do Japão


Aos que perguntaram sobre Saikawa Roshi que dia 10 viajou ao Japão segue tradução de seu e-mail recebido hoje, sábado:


Caro Gensho,

Obrigado pela pergunta sobre nós.
Felizmente, Hosenji é do outro lado do Japão. Não existe Oceano Pacífico, mas o mar do Japão.
Cheguei em casa esta noite. Atrasado por causa da parada dos trens, eu não podia chegar ao aeroporto de Haneda vindo do aeroporto de Narita.
Minha esposa estava no Hosenji Templo em segurança. Só tinha um apagão e desconexão de telefone. Agora já funcionando.
Gasshô
Dosho Saikawa.