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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Compreeendendo ambos os lados, sem ódio ou desprezo

Monge Kōmyō
O Caminho do Meio
O ensinamento de Buddha, em suas escolas tradicionais, dá grande valor ao exercício da moderação. É o "Caminho do Meio", a prática de interconexão com o mundo fundamentada em forte atenção, correção, cuidado.
O caminho do centro tem como base oito aspectos práticos. Este “caminho óctuplo” não é complicado de explicar. Os oito aspectos (fala, pensamento, ação; esforço, concentração, percepção; modo de vida, discernimento) não são complexos em sua natureza.
Os termos pertencem ao nosso universo de potencialidades, não existe nada místico neles.
De fato, eles iniciam e se fundamentam em três elementos sem os quais nenhum ser humano poderia interagir consigo mesmo e com toda a existência: ações, palavras (ou meios de expressão) e pensamentos. Eis tudo.
Nenhum poder sobrenatural, nenhuma espiritualidade extravagante.
Apenas agir, expressar e refletir com maturidade de consciência e clareza de interpretação ao lidar com as diversidades na vida.
Mas, infelizmente, o obstáculo para o exercício do Caminho do Meio está na própria mente. Mesmo que você pense ter entendido o sentido do que acabei de escrever, mesmo que tenha convicção de que já realizou essas coisas, é muito provável que você esteja enganado.
Não estou dizendo que você não teria capacidade de realizar o caminho. De fato, todos nós sem exceção podemos fazer isso.
Mas o simples fato de alguém achar que já está imbuído da harmonia, demonstra sua falta de moderação. Entende?
O caminho do meio nunca termina, não há fim para a prática dos oito aspectos da mente correta. Não estamos em equilíbrio; estamos (e precisamos) sempre estar em constante pratica da composição de nossas partes. A mente é uma dinâmica.
Além disso, e mais importante, a moderação nos torna estranhos. A mente passional, essa mente egoísta cheia de paixões, opiniões, escolhas, conflitos, sempre está buscando um lado. O meio não pertence a qualquer lado; é apenas o ponto de equilíbrio, em torno do qual todos os extremos transitam.
Em nossa sociedade, ser moderado é sinal de fraqueza. E mais do que isso, advogar o meio do caminho nos faz menos relevantes para as partes.
Mas o fato é que será apenas através dos homens e mulheres conscientes, moderados, que a humanidade poderá evitar o abismo que a ameaça cada vez mais.
Thich Nhat Hanh, o grande mestre do zen vietnamita, quando jovem se esforçou muito para dialogar com americanos e vietcongs na guerra do Vietnam.
Ele diz que procurou compassivamente demonstrar que todas as partes deveriam encontrar um denominador comum, e não defender apenas os seus pontos de vista.
Como resultado, para os americanos ele era visto como “agente comunista”, para o Vietcong ele era “espião da CIA”.
Assim é para a prática do meio. Se praticamos a moderação, precisamos estar prontos para lidar com a estranheza dos extremos.
O Caminho do Meio exige paciência, e coragem. Assim -- apesar de minhas muitas faltas -- eu procuro praticar.
E nos acontecimentos que nos dividem atualmente em nosso país, me esforço sempre para compreender todos os lados, sem ódio ou desprezo.
Em nome do Dharma,
Monge Kōmyō

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A Fama



Os professores budistas sempre tocam nessa questão de fama. Não é só agarrar coisas, ter coisas, mas o desejo de ser preeminente, de ser ouvido, de ser respeitado. “O mundo corre atrás de fama e honra, roupas bonitas e conforto. Mas você corre e permanece insatisfeito até a morte.” Como diz o poema de Kodo Sawaki, porque essas coisas são transitórias e mudam. Para os professores do dharma é um aprendizado quando você tem um discípulo que o adora, ele vem e lhe diz “você é maravilhoso, tudo que você diz é perfeito!” é preciso tomar muito cuidado, pois é exatamente essa pessoa que quando pensar que você cometeu um erro ou quando ela imaginar que que você não lhe deu a atenção devida a suas opiniões de como deve ser conduzida a comunidade, irá transformar toda a admiração em desprezo, em ódio, em palavras ruins.

É muito interessante observar, que assim como os objetos, a fama, a honra e a admiração, são coisas que sobem e descem. Deve ser muito duro para as pessoas que tornam-se repentinamente muito famosas, muito poderosas, ganhando títulos, saindo na imprensa, ganham campeonatos de repente começar a perder sua fama, as mesmas pessoas que corriam atrás desaparecem. Ouvi uma declaração do Maradona que achei muito interessante. Ele estava internado numa clinica de tratamento de pessoas drogadas, perturbadas. Ele que havia sido um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Ele disse que era muito perturbador, porque na clinica onde ele estava tinha muita gente louca, um se dizia Napoleão, outra se dizia Cleópatra, e ele dizia que era Maradona e ninguém acreditava!

"Portanto vocês deveriam se livrar rapidamente da cobiça, tanto por esse motivo, quanto pelo motivo de que essa liberdade dará origem a varias virtudes. Alem disso, as pessoas com poucos desejos estão livres da lisonja e da extraviação e também não são escravizados pelos seus próprios sentidos. Satisfeitos com pouco eles não possuem preocupações e medos, estando assim sempre calmos. Aqueles que têm poucos desejos têm o nirvana. Segundo; satisfação, satisfação significa estar contente com o que quer que se tenha. Buda disse: “Praticantes, se vocês desejam de libertar do sofrimento, deveriam observar a satisfação. Estar satisfeito é ter um estado mental pacifico e feliz. Uma pessoa satisfeita é feliz mesmo tendo que dormir no chão, enquanto que o insatisfeito é infeliz mesmo vivendo em um palácio. A primeira é rica mesmo que seja pobre, a segunda é pobre ainda que seja rica. A pessoa satisfeita sente compaixão pela insatisfeita pois esta é continuamente levada pelos cinco desejos. "